quarta-feira, 16 de maio de 2007


SER FULGURAÇÃO . . . - em - Letras de Babel
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Perguntei-te: o que é isso do amor, e tu meteste-me
uma mão entre as pernas e perguntaste: sentes?
E eu corei e disse que ali não, que estávamos no meio do café
e removi a tua mão quente de entre as pernas que apertei
com força - com vergonha. Rias-te e dizias enfim
que o amor era quando eu tinha sangue ali, quando
eu tinha sangue no dentro de mim mas que não
me pertencia. Eu pensei que não queria uma resposta
metafórica, pensei alto sem que ouvisses enquanto
levavas à boca a chávena de design moderno cheia
de chá até quase entornar. Os teus lábios aquecendo
do chá que ferve mostram também um sangue, penso,
e inclino-me sem metáforas para tocar com os meus dedos
a tua boca. Perguntei-te o que é isso do amor e tu disseste:
é cisnes, e fechaste em torno de mim as pernas e os lábios
e amámo-nos, e aquecemos o mundo todo,
tecido orgulhoso de líquidos. Depois, no fim, vestimo-nos e
olhámos o amor a ir-se embora nos dígitos encarnados
do relógio de cabeceira.
.
poem by groze

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