"___________________________ o irritante traço contínuo.
É apenas uma dobra e um baraço. O texto dobra, efeito de colagem. O texto suspende o sentido, à espera de dizer exacto. Há frases que só completei anos depois; há frases que, no limiar dos mundos, não devem ser escritas por inteiro; há frases cujo referente de sentido será sempre obscuro. Se eu pretendesse escrever um texto sempre limpo - tiraria o traço. Onde não soubesse, nada escreveria. Mas como iria saber que ali não soube, ou nem sequer me pertencia saber? O texto é limpo, e por passajar. Onde o traço é apagado, vê-se claramente o raspar da borracha. Deixar o traçado."
Llansol, Inquérito às Quatro Confidências, p. 75, citado por IMF em http://mendesferreira.blogspot.com/
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Desenho: João Concha, em http://conchajoao-ilustracoes.blogspot.com
ilustração para texto "desistência" de Elisabeth Perestrelo
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O Trabalho não é um património asséptico _________________________________________ !
quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
domingo, 8 de Novembro de 2009
Senhora das Tempestades
Senhora das tempestades e dos mistérios originais
quando tu chegas a terra treme do lado esquerdo
trazes o terremoto a assombração as conjunções fatais
e as vozes negras da noite Senhora do meu espanto e do meu medo.
Senhora das marés vivas e das praias batidas pelo vento
há uma lua do avesso quando chegas
crepúsculos carregados de presságios e o lamento
dos que morrem nos naufrágios Senhora das vozes negras.
Senhora do vento norte com teu manto de sal e espuma
nasce uma estrela cadente de chegares
e há um poema escrito em páginas nenhuma
quando caminhas sobre as águas Senhora dos sete mares.
Conjugação de fogo e luz e no entanto eclipse
trazes a linha magnética da minha vida Senhora da minha morte
teu nome escreve-se na areia e é uma palavra que só Deus disse
quando tu chegas começa a música Senhora do vento norte.
Escreverei para ti o poema mais triste
Senhora dos cabelos de alga onde se escondem as divindades
quando me tocas há um país que não existe
e um anjo poisa-me nos ombros Senhora das Tempestades.
Senhora do sol do sul com que me cegas
a terra toda treme nos meus músculos
consonância dissonância Senhora das vozes negras
coroada de todos os crepúsculos.
Senhora da vida que passa e do sentido trágico
do rio das vogais Senhora da litúrgica
sibilação das consoantes com seu absurdo mágico
de que não fica senão a breve música.
Senhora do poema e da oculta fórmula da escrita
alquimia de sons Senhora do vento norte
que trazes a palavra nunca dita
Senhora da minha vida Senhora da minha morte.
Senhora dos pés de cabra e dos parágrafos proibidos
que te disfarças de metáfora e de soprar marítimo
Senhora que me dóis em todos os sentidos
como um ritmo só ritmo como um ritmo.
Batem as sílabas da noite na oclusão das coronárias
Senhora da circulação que mata e ressuscita
trazes o mar a chuva as procelárias
batem as sílabas da noite e és tu a voz que dita.
Batem os sons os signos os sinais
trazes a festa e a despedida Senhora dos instantes
fica o sentido trágico do rio das vogais
o mágico passar das consoantes.
Senhora nua deitada sobre o branco
com tua rosa dos ventos e teu cruzeiro do sul
nascem faunos com tridentes no teu flanco
Senhora de branco deitada no azul.
Senhora das águas transbordantes no cais de súbito vazio
Senhora dos navegantes com teu astrolábio e tua errância
teu rosto de sereia à proa de um navio
tudo em ti é partida tudo em ti é distância.
Senhora da hora solitária do entardecer
ninguém sabe se chegas como graça ou como estigma
onde tu moras começa o acontecer
tudo em ti é surpresa Senhora do grande enigma.
Tudo em ti é perder Senhora quantas vezes
Setembro te levou para as metrópoles excessivas
batem as sílabas do tempo no rolar dos meses
tudo em ti é retorno Senhora das marés vivas.
Senhora do vento com teu cavalo cor de acaso
tua ternura e teu chicote sobre a tristeza e a agonia
galopas no meu sangue com teu catéter chamado Pégaso
e vais de vaso em vaso Senhora da arritmia.
Tudo em ti é magia e tensão extrema
Senhora dos teoremas e dos relâmpagos marinhos
batem as sílabas da noite no coração do poema
Senhora das tempestades e dos líquidos caminhos.
Tudo em ti é milagre Senhora da energia
quando tu chegas a terra treme e dançam as divindades
batem as sílabas da noite e tudo é uma alquimia
ao som do nome que só Deus sabe Senhora das tempestades.
Manuel Alegre, In Camões - Revista de Letras e Culturas Lusófonas, número 2, julho/setembro 1998.
fotografia http://www.lilyacorneli.com/main.htm
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Domingo, Novembro 08, 2009
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A Arte, Mestra da Vida
A cor é um meio de exercer uma influência directa sobre a alma.
É frequente falar-se "no perfume das cores" ou na sua sonoridade.
Kandinsky
in " A Arte, mestra da vida " - reflexões sobre a escola e o gosto pela vida.
Maria do Carmo Vieira, ed. Quimera
( * volta e meia, regresso a este livro, a este pequeno / grande livro de 79 páginas e não mais do que um palmo de altura. Está à minha cabeceira, é um livro companheiro, apaixonado e elegante que fala do amor à Arte, do nobre magistério de ensinar, que mais não é do que o de encantar. É um livro nobre e cavaleiro que começa por "Era uma vez ... "; que nos lança no prazer de um tempo-relíquia.
Escrito a fogo e espada, por Maria do Carmo Vieira, professora de literatura, do Ensino Secundário, que em 1985, ano da comemoração dos 50 anos da morte de Fernando Pessoa, criou, com os seus alunos de Português do 11º ano um movimento em defesa da preservação do antigo Café do Martinho da Arcada, de que resultou a sua classificação como de interesse público. Um exemplo de entrega ao ensino, de amor ao próximo e de paixão pela Língua Portuguesa. A autora é mestre em literatura de viagens. O livro é recente, mas a tenacidade desta professora já fez escola; quero crer que o rasto que deixou nos alunos jamais se apagará. ______________ a mim, en.cantou-me. Cativou-me. Está agora à esquerda, à minha cabeceira, quieto, culto e cativo. Quando eu viajar, viajará; literariamente ____ comigo
Ainda sobre "A Arte, Mestra da Vida" ...
A autora fala das suas motivações para escrever o livro infra mencionado em Entrevista à TSF - Rádio Notícias. Para ouvir, basta clicar no link
http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=1015548&audio_id=1217505
BACH: ORCHESTRAL SUITE NO. 3 IN D MAJOR, BWV1068: AIR - Yehudi Menuhin
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quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
O desamparo
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pintura: Frida Kahlo (1939)
(...) pintado pouco após o divórcio de Diego, sinaliza o corte dilacerante que a realidade lhe impõe. A Frida objeto de amor de Diego e seu alter ego tem expostos seus corações ligados um ao outro apenas por uma artéria. A Frida mexicana amada por Diego tem na mão um amuleto com a imagem do marido. A parte rejeitada europeia de Frida, corre o perigo de se esvair em sangue até a morte. Essa hemorragia narcísica quando não é estancada desemboca na melancolia , a menos que o trabalho de elaboração possa produzir uma assunção positiva do desamparo. "Por que o chamo meu Diego? Nunca foi, nem será meu. É dele mesmo."
http://www.antroposmoderno.com/textos/FridaKalo.shtml
A propósito de Frida Kahlo, do enigma e paixão que ela e a sua magnífica obra, ainda hoje suscitam, veio-me à memória Cesário Moreno, curador do Museu Mexicano de Chicago, figura incontornável da Museologia contemporânea, com quem me cruzei em São Paulo, no ano de 2003, como palestrante, no curso de especialização em Museologia, dirigido por Cristina Bruno. Lembro-me do fascínio que exerceu em mim o espirito inovador e as entusiasmadas conversas que Cesáreo Moreno animava sobre as comunidades locais e o trabalho criativo que este museu desenvolvia (e continua a desenvolver) com os imigrantes. Nesse ano, o Museu Mexicano de Chicago tinha realizado uma grande exposição, que se tornou numa evocação quase mística, em torno do culto dos mortos, tendo Frida como o pêndulo e a inspiração de toda a acção museológica. Alguém afirmou (e aqui confirmou-se) que " Frida Kahlo é uma bomba com um laço". Uma imagem fulgurante.
Este culto, profundamente enraízado no México, tem lugar no final de Outubro e resulta de uma fusão exuberante de tradições indígenas e espanholas.
Antigamente, quando alguém morria os povos indígenas organizavam festas para ajudar o espírito no seu caminho, colocavam uma trouxa de roupas e comida. Tudo isso para que os mortos pudessem completar a sua viagem pelo Chignahuapan (sobre os nove rios). Essa seria uma longa viagem e os mortos poderiam sentir fome, calor ou frio.
Hoje, em várias regiões do México, nesse período do ano são colocadas nas casas oferendas com velas, incensos, imagens religiosas, um crucifixo e a imagem da Virgem de Guadalupe, além, é claro, dos retratos de seus entes falecidos. Juntamente com esses elementos é preparado um banquete com muita comida, bebidas alcoólicas, água, sumos, pães enfeitados com açúcar vermelho, para representar o sangue, carnes, frutas e doces.
Quando Frida era viva ela preparava essas oferendas em sua casa, hoje essas oferendas continuam a ser feitas, mas agora em sua homenagem. Muitos de seus quadros mostram essas caveiras sorridentes e ornamentadas de roupas bem coloridas.
O que Cesáreo nos mostrou foi deveras impressionante: o museu ficou pejado de oferendas em honra a Frida, tornou-se num imenso lugar de culto e fruição. Os mexicanos de Chicago celebraram-se, celebrando Frida no museu. Fascinante ___________________________________________________________
http://www.vimeo.com/chicagohistory
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Adoro - Chavela Vargas
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Morreu Claude Lévi-Strauss (1904-2005).
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Claude Lévi-Strauss - Um século e um ano a re.flectir
"O mundo começou sem o homem e acabará sem ele"
Fonte: "Tristes Trópicos"
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sábado, 31 de Outubro de 2009
Nostalgia do absoluto
O que a nossa espécie procura, em ultima instância, não é a sua sobrevivência e perpetuação, mas sim o repouso, a perfeita inércia. No programa visionário de Freud, a explosão de vida orgânica, que conduziu à evolução humana, foi uma espécie de anomalia trágica, quase uma exuberância fatal. Acarretou sofrimentos incalculáveis e catástrofes ecológicas. Mas este desvio de vida e consciência acabará mais cedo ou mais tarde. Um processo de entropia interna está em movimento. Uma grande quietude voltará à criação à medida que a vida regresse à condição natural do inorgânico. A consumação da líbido encontra-se na morte.
George Steiner
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quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
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Obcecado pela linguagem escrita, monólogo gráfico esperançado apenas na réplica mental de hipotéticos leitores, quase que me esquecera de reparar no milagre da oralidade, da comunicação directa, franca, livre, sem ambições quiméricas de antologia e perenidade. A palavra temperada pelo sal da boca, arredondada pela graça labial, ágil ou morosa consoante a urgência da oração, e sempre ajudada pela presença e atenção dos ouvintes. A repetição permitida, e até desejada em certos momentos, o gesto a sublinhar e a fortalecer a intenção, os próprios silêncios a colaborar na significação e clareza do discurso.
Miguel Torga, A Criação do Mundo (dia V).
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segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
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sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
Vive a vida o mais intensamente que puderes. Escreve essa intensidade o mais calmamente que puderes. E ela será ainda mais intensa no absoluto do imaginário de quem te lê.
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quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Wonderkamers . De encantar ____ nas caves do museu
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The Marryness (1937)
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domingo, 18 de Outubro de 2009
France Telecom: 22 suicídios em 18 meses
Casado e pai de dois filhos, o trabalhador de uma central telefónica em Annecy (leste) deixou uma carta à família afirmando que o ambiente na empresa estava na causa do seu suicídio.
Este caso eleva para 24 o número de funcionários da empresa que se suicidaram desde Fevereiro de 2008, atitude que os sindicatos atribuem ao «stress» causado pela gestão empresarial e pelas condições de trabalho.
A France Telecom tem 100 mil funcionários na França. O Estado controla 26,7 por cento do capital da empresa, que em 2008 registou um lucro líquido superior a quatro mil milhões de euros.
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Publicada por "2ª Circular em Hora de Ponta "
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Colóquio Internacional sobre Provérbios . Tavira . Portugal
http://www.colloquium-proverbs.org/
Dependendo dos cenários culturais em que se usam, provérbios como Todos os caminhos vão dar a Tavira (All roads les to Rome) (Kaikki tiet vievät Turkuun), … circulam em vários níveis de compreensão cultural e universal. Provérbios de diferentes povos e áreas do discurso possibilitam diferentes interpretações. Além disso, o mesmo provérbio pode ser usado em distintos contextos e para diversos fins. Os provérbios sempre têm sido portadores de problemas relacionados com a sua tradução e com explicações de natureza geral e, ainda, podem ser classificados de acordo com vários critérios: históricos, linguísticos, temáticos, educativos, lógicos, …
A descrição anterior mostra a riqueza da diversidade de pontos de vista dos paremiologistas (académicos estudiosos dos provérbios e das expressões proverbiais) em todo o mundo a qual pode ser canalizada em benefício de todos, através das contribuições provenientes de áreas culturalmente complementares. Pelo menos, paremiologistas e entusiastas da temática proverbial na Europa podem unir-se. Esta é a ideia central do Colóquio, principalmente neste Ano Europeu da Criatividade e Inovação 2009.
Em anteriores encontros respeitantes a aspectos linguísticos (ex: http://www.europhras.org/english/index.html), as abordagens históricas e as relacionadas com os problemas da tradução paremiológica têm constituído somente um tema adicional ou mesmo separado de outros mais abrangentes. Os paremiologistas ainda não assumiram uma posição de construtores de uma charneira em relação a estes assuntos como devem e são capazes de o fazer. Como especialistas em assuntos tradicionais e comunicacionais, os paremiologistas possuem um enorme potencial que pode ser posto ao serviço da compreensão mútua entre culturas.
Desde o século XV têm sido publicadas excelentes colecções de provérbios. De entre muitas, podemos citar as colecções multilingues de Gyula Paczolay (European proverbs in 55 languages, 1997), Arvo Krikmann and Ingrid Sarv (Eesti vanasõnad, 1987), Metīn Yurtbaşi (Turkish proverbs and their equivalents in Fifteen languages, 1993) assim como as revistas de provérbios de Wolfgang Mieder (Proverbium: yearbook of international proverb scholarship, 1984-), Julia Sevilla-Muñoz (Paremia, 1993-). Paralelamente tem havido grandes esforços para encontrar critérios de classificação dos provérbios de que um dos exemplos mais recentes é o sistema internacional de tipos http://lauhakan.home.cern.ch/lauhakan/cerp.html do falecido académico finlandês Matti Kuusi.
É altura para Portugal, na Europa Ocidental, ter um papel mais activo na promoção de estudos paremiológicos e na motivação de entusiastas para recuperar o interesse pela temática; lembramos os exemplos de F.R.I.L.E.L. (Adágios, provérbios, rifãos e anexins da língua portugueza tirados dos melhores authores nacionaes e recopilados por ordem alphabetica, 1780) e de António Delicado (Adágios portuguêses reduzidos a lugares communs, 1923). Trata-se de um processo eficaz para reforçar a identidade de cada País e contribuir para uma melhor compreensão mútua entre nações de outras áreas culturais do nosso planeta.
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Domingo, Outubro 18, 2009
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En la tierra de nadie, sobre el polvo Unos dicen que soy de los que van,
aunque estoy descansando del camino.
Otros "saben" que vuelvo, aunque me calle;
y mi ruta más cierta yo no digo.
__________________
Intenté demostrar que a donde voy
es a mí, sólo a mí, para tenerme.
Y sonríen al oir, porque ellos todos
son la gente que va, pero que vuelve.
___________________
Escuchadme una vez: ya no me importan
los caminos de aquí, que tanto valen.
Porque anduve una vez, ya me he parado
para ahincarme en la tierra que es de nadie.
___________________
CARMEN CONDE (1907-2007)
"En la tierra de nadie"
__________________________________________________ Imagem Mário Galvão Ferreira Galante
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Escrita de __________João de Sousa, visitável em http://opiniaoliteral.blogspot.com/
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terça-feira, 13 de Outubro de 2009
SHOOT- ME FILM FESTIVAL
http://www.shoot-me.nl/
Com mais de uma centena de filmes e documentários na vasta gama de programas temáticos apresentados em locais verdadeiramente excepcionais, o festival deste ano promete ser uma experiência inspiradora. O Shoot Me Film Festival abre terreno previamente inexplorado: Trespassing é permitido !
Produced by:
Upperunder
Concept by:
Yves Trottemant
Bas Ackermann
Antonio Aleixo
Shot and Directed by:
Bas Ackermann
Antonio Aleixo
Edited by:
Antonio Aleixo
Final Colour Correction by:
Bas Ackermann
Music by:
Tortoise
Shoot Me Festival 2009 TRAILER from Shoot Me Festival on Vimeo.
Os membros do júri para a primeira competição diferente Film Angle e o holandês Video Music Competition foram confirmadas: Bart Rutten, curador de Artes Visuais no Stedelijk Museum em Amsterdam, comprometeu-se na posição do presidente do júri do Concurso holandês Video Music.
Emile Fallaux, ex-editor-chefe do semanário holandês Vrij Nederland e ex-director do Festival Internacional de Cinema de Roterdão, será o presidente do júri da competição diferente Film Angle. Também participam no júri o cineasta Jochem de Vries, cujo filme curto Missen foi nomeado para a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2009. O terceiro membro do júri confirmado é Hans Maarten van den Brink, escritor, jornalista e director do Mediafonds.
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Terça-feira, Outubro 13, 2009
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A poça de água de Escher . Uma metáfora da Holanda
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domingo, 11 de Outubro de 2009
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quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
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segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
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quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
Amsterdão ____________________ Gare Central
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Não desisti de habitar a arca azul
do antiquíssimo sossego do universo.
A minha ascendência é o sol e uma montanha verde
e a lisa ondulação do mar unânime.
Há novecentas mil nebulosas espirais
mas só o teu corpo é um arbusto que sangra
e tem lábios eléctricos e perfuma as paredes.
Aos confins tranquilos entre ilhas mar e montes
vou buscar o veludo e o ouro da nostalgia.
Deponho a minha cabeça frágil sobre as mãos
de uma mulher de onde a chuva jorra pelos poros.
Ó nascente clara e mais ardente do que o sangue,
sorvo o cálice do teu sexo de orquídea incandescente!
A minha vida é uma lenta pulsação
sob o grande vinho da sombra, sob o sono do sol.
Há bois lentos e profundos no meu corpo
de um outono compacto e negro como um século.
Com simultâneas estrelas nas têmporas e nas mãos
a deusa da noite, sonâmbula, desliza.
Ao rumor da folhagem e da areia
escrevo o teu odor de sangue, a tua livre arquitectura.
Prisioneiro de longínquas raízes
ergo sobre a minha ferida uma torre vertical.
Vislumbro uma luz incompreensível
sobre os campos áridos das semanas.
Elevo o canto profundo do meu corpo
sob o arco das tuas pernas deslumbrantes.
Escrevo como se escrevesse com os meus pulmões
ou como se tocasse os teus joelhos planetários
ou adormecesse languidamente no teu sexo.
António Ramos Rosa (1975)
in Antologia Poética
________________
Selecção de Ana Paula Coutinho Mendes
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Quinta-feira, Outubro 01, 2009
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"A Lição " de Eugène Ionesco
Próxima produção do TAS. Estreia a 15 de outubro no Teatro de Bolso, em Setúbal.
___________
Publicado por Zé Nova (figurinista)
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segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Cada momento que vivemos extingue todo o passado, ao mover-se para o futuro
em http://antoniorebelodasilva.blogspot.com/
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domingo, 27 de Setembro de 2009
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Depois das 7
as montras são mais íntimas
A vergonha de não comprar
não existe
e a tristeza de não ter
é só nossa
E a luz torna mais belo
e mais útil
cada objecto
ANTÓNIO REIS
Poemas Quotidianos, Porto [1957]
_______________________________
Fotografia por Maria Avelino
____________________________________________________________
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quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
“A monotonia é a repetição do mesmo milagre. A alma é tão ávida e exigente de maravilhoso que não consente a demora do mesmo prodígio, do mesmo assombro. A luz que nos deslumbra, neste momento, horas depois, deixa-nos às escuras”
Teixeira de Pascoaes
______________
in “O Pobre Tolo”, capítulo I, colecção “Obras Completas de Teixeira de Pascoaes”, organização de Jacinto do Prado Coelho, volume IX, Livraria Bertrand, 1973
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segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
Fundada em 2005, a APDASC é uma associação de técnicos de Animação Sociocultural (ASC) que visa promover a respectiva profissão, lutando ainda pelo desenvolvimento comunitário. O concurso “O Melhor Blogue de Animação Sociocultural” destina-se a seleccionar os dois melhores blogues portugueses sobre Animação Sociocultural nas categorias “Melhor Blogue Individual” (destinado a blogue que só tenham um administrador / responsável e que não sejam institucionais) e “Melhor Blogue Colectivo” (destinado a blogues que tenham vários colaboradores / responsáveis ou que pertençam a um grupo / comunidade / instituição, como por exemplo, blogues de escolas, de associações, de um grupo de amigos, etc.). O objectivo do Concurso era promover a qualidade e a divulgação dos blogues portugueses sobre Animação Sociocultural, importantes veículos de informação, comunicação e desenvolvimento da Animação Sociocultural.
A eleição é feita através de um sistema misto que conta com a votação em linha do público (representando 50% do resultado final) e com a votação de uma Comissão de Avaliação (escolhida pela APDASC, representando também 50% do resultado final).
Concorreram à edição deste ano 14 blogues na categoria individual, tendo ganho o blogue “Crescer com o Património” (http://crescercomopatrimonio.blogspot.com/), e 16 blogues na categoria colectivo, tendo ganho o blogue do Serviço Educativo do Museu Nacional de Arqueologia (http://museunacionaldearqueologia-educativo.blogspot.com/). Obtiveram ainda menções honrosas, os blogues “Anijovem” (na categoria individual) e “Anima(C)cão” (na categoria colectiva).
Depois de em 2002, no ano do seu lançamento, ter ganho a medalha de ouro do concurso mundial do comité especializado do Conselho Internacional dos Museus para “Melhor Sítio Internet do Ano”, o Museu Nacional de Arqueologia vê agora de novo reconhecida a sua acção no domínio do uso dos novos meios de comunicação a distância, via Internet, através deste prémio, que muito honra toda a equipa do Museu, em especial neste caso o seu Sector Educativo e de Extensão Cultural. A todos os intervenientes os nossos agradecimentos, com o sentido de que entendemos estas distinções como responsabilizações acrescidas, em ordem à permanente melhoria do nosso serviço público.
Informações e contactos:
Sector Educativo e de Extensão Cultural do Museu Nacional de Arqueologia
Telef. 213620000
Email: mnarq.seducativo@imc-ip.pt
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Não me vês

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sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
Fotografia @ Desiree-Dolron - Librario Julio Mella (2002-2003)
http://www.desireedolron.com
"Adoro livraria. É a mais culta de todas as lojas, além de um bom lugar para se divertir. Tem café expresso, sorvete, sofás e poltronas confortáveis, CDs, DVDs, Aspirina, quiosque do McDonald e, é claro, livros. Num dia de sorte você ainda pode surpreender aquele colega de trabalho de esquerda, entusiasta de uma nova revolução bolivariana nas Américas, bem de frente para a vitrina dos livros mais vendidos, folheando romances e novelas de baixa literatura. Ou, quem sabe?, flagrar aquela vizinha do andar superior, de ar compenetrado, óculos de aros baixos, supostamente, leitora compulsiva de Virginia Woolf, no momento exato em que ela acabou de pagar por um exemplar de O Segredo. E, o que é melhor, ela não pediu que embrulhasse para presente. A livraria não é apenas um universo de três estilos literários - ficção, não-ficção e auto-ajuda -, também, é um lugar para se falar mal de livros. Antes, um esclarecimento, "ficção", como sabem, é o gênero daqueles livros escritos pelas pessoas que por anos a fio, na hora de dormir, contavam histórias para os filhos quando estes ainda eram pequenos. Dessa maneira, foram desenvolvendo uma incrível capacidade na arte de inventar. Infelizmente, alguns degeneraram para o território das mentiras colossais, como os políticos, por exemplo. Por outro lado, "não-ficção", geralmente, são escritos por aqueles que preferiam comprar livros de histórias para a criançada, em vez de contá-las, pois andavam sempre ocupados, escrevendo relatórios importantes, assistindo futebol na TV, ou vendo telenovelas. Finalmente, os categorizados como de "auto-ajuda", são redigidos por aqueles que não adotaram nenhuma destas práticas. Fala-se mal de qualquer coisa, inclusive de livros. Tenho um amigo daqueles bem radicais, vegetariano, rato de cinemateca, fã ardoroso do cinema alternativo, tais como o iraniano, o paquistanês e o argentino, que não perdoa escritores que vendem muito; livros que viraram filmes; e aqueles escritos para pura distração. "O Código Da Vinci? Humm... virou filme, é ruim! Não leio baixa literatura". É curioso as categorias que inventam para a literatura: alta e baixa literatura, como se esta fosse a Idade Média. Quando era menino, li muitos livros de piratas que singravam os sete mares em busca de fortuna e aventura. Hoje, todos eles se classificariam como baixa literatura. O que eu sei é que, além das coordenadas da Ilha de Tortuga e outros conhecimentos adquiridos, me diverti muito lendo todos eles. Analisemos a obra de Lord Byron - topo desta categorização literária - no poema Corsário, onde este escritor inglês narra as aventuras de Conrado, cavalheiresco pirata dos mares gregos, homem fatal, irresistível, às voltas com mulheres apaixonadas, além de um sultão turco chamado Seyd nos seus calcanhares, disposto a decapitá-lo assim que o capturasse. Confessem, com todo respeito ao poeta, não serviria de enredo para um emocionante filme de capa e espada estrelado por Burt Lancaster ou Errol Flynn se vivos ainda fossem? Outro dia, diante de uma prateleira repleta de livros de auto-ajuda direcionados para a mulher, mirei num título inusitado: Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus, de John Gray. Como é mesmo?, refleti, largando súbito o Neruda que segurava, dirigindo-me à toalete em busca de um espelho. Não que seja demasiado vaidoso com a aparência, mas ser parecido com um daqueles homenzinhos verdes, raquíticos e de cabeça gigantesca não era do meu agrado. Diante do espelho, senti-me aliviado, não que estivesse refletido ali nenhum George Clooney, contudo, era o meu rosto de sempre. Aliás, nesta mesma prateleira, mais à esquerda, havia outro título singular: Sorria, Você Está Na Menopausa, de Maria Helena Bastos. Esse negócio de livros às vezes assusta. Não, não me refiro a nenhum conto ou novela de terror de Algernon Blackwood, mas de certo livro que encontrei na casa da tia Marizete, sempre lembrada pelo seu famoso bolo de chocolate das Sextas feiras. Enquanto aguardava o precioso manjar, corri as vistas pela sala, defrontando-me com o título do tal livro: Manuel De Sobrevivência Da Mulher De Meia Idade, de Léa Maria Aarão Reis. Sendo a minha tia uma viúva que mora sozinha, confesso, fiquei apreensivo. Em razão da sua faixa etária, estaria esta querida doceira de primeira linha, exposta a algum tipo de perigo mortal? A primeira sensação foi a de que aquele título sugeria um treinamento militar digno do Mosad. Raios duplos, pensei, por acaso um cyborg vindo do futuro - como aquele interpretado por Arnold Schwarzenegger em O Exterminador do Futuro (Terminator) -, estava a caça de mulheres de meia-idade, pronto para apontar-lhes um Kalashinikov e dizer-lhes: "hasta la vista, baby". Frequentar livrarias tem dessas, dá asas à imaginação." "
A VOLTA AO MUNDO A BORDO DE UMA LIVRARIA
Texto escrito por Oliver Pickwick AQUI
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Sexta-feira, Setembro 18, 2009
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terça-feira, 15 de Setembro de 2009
Só de Sacanagem
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis do coleguinha”, “Esse apontador não é seu, minha filha”. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem! Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba” e vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!
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Terça-feira, Setembro 15, 2009
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sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
11 de Setembro ________________________________________
A mais polémica foto da tragédia do 11 de setembro de 2001, não mostra o choque dos aviões contra os prédios do World Trade Center nem as vítimas do atentado. Regista uma cena idílica de verão. Nela, cinco jovens conversam tranquilamente em algum lugar de Williamsburg, no cais do Brooklyn, no meio de ciprestes e flores, enquanto uma nuvem negra de fumaça cobre os prédios de Manhattan.
Hoepker define-se como fotojornalista, apesar de ser valorizado como artista no circuito internacional. Entrar nesse mercado, diz, foi apenas circunstancial. Com a redução do orçamento das revistas impressas, consequência da concorrência da internet, fotógrafos realizam cada vez menos trabalhos por encomenda de editoras, que garantiram a Hoepker fotografar séries históricas transformadas em livros, entre eles o impressionante Return of the Maya (Dewi Lewis Publishing, 160 páginas, 1998). A publicação regista a vida dos descendentes dos maias após a longa guerra civil da Guatemala, que acabou em 1996 e deixou um rasto de 150 mil mortes nos 36 anos do conflito, encerrado com o acordo entre o presidente Arzu e guerrilheiros.
“Esse foi um trabalho para a revista Stern, que me mandou para a Guatemala fazer uma reportagem turística sobre os costumes locais”, conta Hoepker. Ele acabou subvertendo a pauta, envolvendo-se com o sofrimento dos maias. “Após 500 anos de opressão cultural, pela primeira vez esse povo pôde praticar seus rituais religiosos e resgatar antigos costumes de seus ancestrais”, lembra o fotojornalista, que visitou o país quatro vezes, registrando, de 1990 a 1997, como os descendentes dos maias recuperaram os corpos de seus mortos no confronto com o governo guatemalteco e a maneira como conduziram os ritos fúnebres em cavernas, ravinas e cachoeiras.
Para a mesma Stern ele realizou, em 1975, outra impressionante série sobre a vida quotidiana em Berlim Oriental, quando a cidade alemã ainda era dividida pelo muro. Hoepker, um alemão de 72 anos nascido em Munique, atravessou a cortina de ferro como assistente técnico da revista, registando imagens de dissidentes políticos como Wolf Bierman e Robert Havemann, além do retrato inquietante de um comerciante exibindo um ganso em plena época do Natal, uma raridade gastronómica na triste Berlim Oriental. “Comparando com o tempo em que lá vivi, a reunificação fez bem para os alemães do Leste, a despeito da nostalgia de alguns representantes do antigo regime, que não enxergam com bons olhos as mudanças na Alemanha”, observa.
Por essa época as fotos de Hoepker já eram distribuídas pela Magnum e seus documentários exibidos pela televisão alemã, chamando a atenção de editores americanos. Todos conheciam a série de Muhammad Ali, feita para a Stern em 1966, época em que negros eram discriminados em locais públicos nos EUA. O punho de Cassius Clay, exibido na foto desta página, era visto então como um protesto contra a opressão. “Foi uma leitura equivocada da foto, que é de facto ambígua, mas nem tanto como a do 11 de setembro”, esclarece Hoepker, dizendo que pretendeu apenas destacar o punho de um campeão.
No caso da foto desta página, a da tragédia das torres gêmeas, foi justamente o seu carácter indeterminado que fez Hoepker mantê-la escondida por três anos, até que um amigo seu da Alemanha resolveu incluí-la numa retrospectiva dedicada ao fotógrafo. Quando publicada nos EUA, ele foi acusado de banalização do terror. Hoepker defendeu-se, dizendo que não pretendia, de modo algum, ser desrespeitoso com a memória dos mortos na tragédia. “Tanto que, ao selecionar as fotos da Magnum para um livro, retive a minha, por considerar que sua publicação poderia distorcer a realidade tal como a percebemos naquele dia.”
A imagem foi registada por acaso. Retido no seu carro no Brooklyn, sem poder atravessar a ponte, ele viu um grupo de pessoas conversando descontraidamente no cais de Williambsurg e tirou três fotos. “Não pensei em nada naquele momento, nem mesmo em fazer uma crítica à alienação dos garotos (?), como denunciaram posteriormente dois deles”, admite o fotógrafo. “De qualquer modo, acho que é da natureza humana habituar-se ao horror”, diz o fotógrafo, um dos últimos da escola humanista de Cartier-Bresson e Elliott Erwitt, suas referências.
Fonte: CULTURA
blogdofavre.ig.com.br/tag/exposicao/
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Sexta-feira, Setembro 11, 2009
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quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
Horror de sentir a alma sempre a pensar!
Arranca-me, ó vento; do chão da existência,
De ser um lugar!
Fernando Pessoa, in Vendaval (fragmento)
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Quarta-feira, Setembro 09, 2009
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domingo, 6 de Setembro de 2009
Entrada intermitente
Este ano fui à festa do Avante. Foi um ímpeto, uma vontade irresistível de (re)ver gente, caras conhecidas e amigos, alguns saudosos cumplices de lutas e carícias, outros nem tanto. Há muito tempo que não fazia esta via (em tempos sacra). Praticamente, desde a altura em que festa assentou arraiais na Atalaia, deixei de cumprir calendário. Alguém que me conhece, atento, perguntou-me o que achava, o tinha mudado aos meus olhos. Insistiu, solicitou-me uma resposta rápida, a quente . Adorei a ideia da ópera na abertura, encantou-me (como sempre) ouvir Maria João e Mário Laginha, detive-me com imenso interesse na 16ª Bienal de arte, com realce para as obras de Luís Ralha, mas a minha maior surpresa é que não tive surpresas. Pareceu-me tudo tremendamente na mesma. O mesmo grafismo, o mesmo discurso, o mesmo modelo, os mesmos ritos e mitos. Se calhar sempre foi assim, o que mudou foi o meu ponto de vista ...
Surpreendentes mesmo, foram as conversas "andantes" com os mais novos, que eram muitos e muito apaixonados e o silêncio dos mais velhos, sentados à sombra dos novos tempos, nos pontos altos, onde a vista se alarga e ainda vai correndo alguma aragem.
Nesta, como noutras celebrações (formalidades à parte), emocionam-me sempre as pessoas, o espírito da coisa, a vivência mágica que estes dias proporcionam a tanta gente de nova geração, que vive fechada numa redoma "asséptica" onde a política é tabu. Nas escolas não se discutem ideias (não há tempo nem modo para tal "subversão") e as famílias evitam falar de política por ser algo fracturante, como agora se usa dizer. Discute-se futebol, chora-se a crise, fala-se das performances sexuais, das dietas, das faustosas férias ( dos outros, dos famosos) e dos dramas sazonais que animam os noticiários. Este quadro deixa pouco espaço para que se discuta abertamente política e se conheça melhor a História e a Geografia das ideias. Muitos jovens vivem hoje num paupérrimo presentismo, convencidos que o mundo é apenas aquilo que a sua visão alcança. Pensam que o mundo é um umbigo que neles começa e que neles acaba. Não se sentem hereditários nem herança. Não se sentem responsáveis pelo que estão a construir. Não se estimam o suficiente para impor o seu ponto de vista. Faz falta desarrumar as ideias, soltar as perguntas.
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Domingo, Setembro 06, 2009
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sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
Pintura iman maleki
Tienen la cabeza llena;
Hay sabios de todas menas,
Mas digo sin ser muy ducho -
Es mejor que aprender mucho
El aprender cosas buenas.
(Fragmento)
Martín Fierro- O anti-herói do Pampa
José Hernández 1872
in http://umbilicum.blogspot.com
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Sexta-feira, Setembro 04, 2009
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Há dias, numa grande superfície comercial, reparei em duas raparigas que passeavam, cúmplices, cores de Verão, pelos corredores repletos de pastas, lápis, cadernos e outros apetrechos da dura faina do aprender (aprendendo). Também lá andava, à procura de canetas de ponta fina, deambulando entre rotring`s e esquadros, quando afinei a orelha para a conversa do lado. Uma das raparigas, colada ás prateleiras. dizia para a outra: - " Anda ver, gosto tanto deste cheiro, gosto tanto das coisas da escola, não gosto é da escola " . Dito isto, sorriu, encolheu os ombros e seguiu com a amiga para a secção dos perfumes. Perdi-lhes o rasto mas ...
fiquei a pensar nesta "escola" e lembrei-me de Agostinho _____
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"Não podemos negar que a escola não deu aos seus alunos todas as possibilidades que lhes devia dar, desprezou os mal dotados, obrigou-os a actos ou tarefas que lhes depuseram na alma as primeiras sementes do despeito ou da revolta, lhes deu, pelo quase exclusivo cuidado que votou ao saber, deixando na sombra o que é o mais importante — formação do carácter e desenvolvimento da inteligência —, todas as condições para virem a ser o que são agora; se não saíram da escola com amor à escola, a culpa não é deles, mas da escola. Acresce ainda que, lançados na vida, a escola nunca mais procurou atraí-los, nunca mais foi ao encontro dos seus antigos alunos, para lhes aumentar a cultura, os informar e esclarecer sobre novas orientações de espírito, para lhes pedir a sua colaboração, o seu interesse na educação das gerações mais moças. Houve um corte de relações, quando a sua manutenção poderia ainda de algum modo apagar as más lembranças que os alunos levavam. Que admira que sintamos agora à nossa volta paixão e rancor? Tivemo-los nas nossas mãos e não fizemos por eles tudo quanto podíamos, mesmo com as possibilidades económicas e pedagógicas de que nos cercara o meio; em nós temos de reconhecer o principal defeito; por consequência, também em nós a principal causa do ataque."
Agostinho da Silva, in 'Glossas'
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Pintura http://www.imanmaleki.com/
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terça-feira, 1 de Setembro de 2009
Em cheio !
Ontem fui ao cinema numa sala perto de casa. Atraída por Tarantino, que nunca perco, fui ao cinema para assentar o pó das férias. Habitualmente vou ao cinema no ultimo dia de férias cumprindo uma espécie de ritual de iniciação aos trabalhos, prazeres e rotinas da cidade. Recentro-me no escuro da sala, viajo para uma outra realidade.
É assim há algum tempo, mas desta vez foi especial. Tarantino excedeu-se em talento. Este filme é notável. Representa o melhor do cinema, o poder da sétima arte. Um filme a não perder. Estremeci na cadeira com estes gloriosos "Sacanas sem lei ". Viva Tarantino !
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Terça-feira, Setembro 01, 2009
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