Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
( ... )
Manoel de Barros
Domingo, 8 de Janeiro de 2012
Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011
LIRIAL
Lírios, lírios
a vida só tem mistérios.
Destruo os lírios,
eles me põem confusa.
Os finados se cobrem deles,
os canteiros do céu,
onde as virgens passeiam.
Com cabeças de alho,
os bulbos ficam na terra
esperando novembro para que eu padeça.
Como pessoas, esta flor espessa;
branca, d'água, roxo-lírio,
lírio amarelo - um antilírio -,
lírio de nada, espírito de flor,
hausto floral do mundo,
pensamento de Deus inconcluído
nesta tarde de outubro em que pergunto:
para que servem os lírios,
além de me atormentarem?
Um lírio negro é impossível.
Inocente e voraz o lírio não existe
e esta fala é delírio.____
Adélia Prado. In: O Pelicano. Licor de romãs. In: Poesia reunida. 3a ed. São Paulo: Siciliano, 1991. 407 p. p. 311.
Terça-feira, 16 de Agosto de 2011
Ver com as mãos no Museu do Azulejo.
“Tesouros do Museu Nacional do Azulejo ao alcance de todos”
http://mnazulejo.imc-ip.pt/pt-PT/AmigosMNAz/ContentList.aspx
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Domingo, 14 de Agosto de 2011
Quinta-feira, 16 de Junho de 2011
Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
Casa abandonada

Esta mansão outrora pertenceu a Aristides de Sousa Mendes, diplomata português que ajudou milhares de judeus a escapar às garras de Hitler durante a segunda guerra mundial.
Os fundos cedidos pelo governo português nunca foram o suficiente para restaurar a mansão. Tanto que a família de Sousa Mendes decidiu criar a Fundação Aristides de Sousa Mendes. Com o apoio do governo português, a fundação conseguiu comprar a casa com o objectivo de construir um museu em sua honra.
Em 3 de Fevereiro de 2005 a casa foi considerada de interesse patrimonial (simbólico / histórico).
Dois eventos realizados no âmbito da UNESCO conseguiram juntar seis mil euros em donativos para a fundação. Mesmo assim o presidente da fundação disse, em 2006, que a fundação estava com dificuldades em reunir os fundos necessários para fazer a renovação da referida casa e consequente criação de um ponto de memória, um museu que desse conta do extraordinário legado de coragem e acção humanista de Aristides de Sousa Mendes.
A mansão está neste momento ao abandono, enquanto que a casa de Salazar, ditador que criou grande transtorno à carreira profissional e familiar de Aristides de Sousa Mendes, foi transformada em museu. Con(tradições) dificilmente explicáveis à luz da carta universal dos direitos humanos e da mais elementar consciência de cidadania.
Sábado, 9 de Abril de 2011
Tavira, uma história de amor
Reza a lenda, e como todas as lendas de lenda não passa, que na altura da ocupação muçulmana existia um rei mouro em Tavira cuja filha se chamava Séqua. Também se conta que na altura da conquista cristã do reino do Algarve existiu um belo cavaleiro chamado Gilão. O cavaleiro Gilão conheceu a princesa Séqua e ... apaixonaram-se. Mas não era um amor qualquer, apaixonaram-se perdidamente. Viviam no sobressalto dum amor proibido, uma princesa moura e um cavaleiro cristão. Mas como o amor é mais forte do que um trovão, os amantes encontravam-se secretamente, todas as madrugadas, em cima da ponte que une as duas margens do rio de Tavira. Houve alguém de uma das facções que descobriu. Numa das madrugadas, o cavaleiro Gilão e a princesa Séqua encontravam-se mais uma vez em cima da ponte quando foram surpreendidos por ambas as facções, numa das margens do rio, a facção militar cristã e, na outra margem do rio, a facção militar moura. O cavaleiro e a princesa ficaram aterrorizados ao serem descobertos, porque sabiam que iam ser acusados de traição, então dramaticamente puseram fim às suas vidas. A princesa Séqua atirou-se para um dos lados da ponte e o cavaleiro Gilão atirou-se para o outro lado da ponte. Segundo a lenda, ainda hoje vagueiam no rio. Assim se explica que um mesmo rio tenha dois nomes: Séqua de um dos lados da ponte e Gilão (um nome gingão) do outro lado da ponte. Gilão e Séqua são afinal as mesmas águas e Tavira o fruto do seu grande amor.
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011
(Delirio)dendron _______________________
Rendi-me ao majestoso tulipeiro da Virgínia (Liriodendron tulipifera) plantado no sec. XVIII. Este monumento vegetal é uma das mais notáveis espécies dos Jardins Barrocos do Palácio dos Biscaínhos, em Braga. Um delírio serpentear por estes caminhos. A névoa dá-lhe um tom dramático, uma intangível beleza. Narcisos, magnólias, anjos e meninos músicos.
Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011
Não vás para tão longe!
Vem sentar-te
Aqui na chaise-longue, ao pé de mim...
Tenho o desejo doido de contar-te
Estas saudades que não tinham fim.
Não vás para tão longe;
Quero ver
Se ainda sabes olhar-me como d'antes,
E se nas tuas mãos acariciantes,
Inda existe o perfume de que eu gosto.
Não vás para tão longe!
Tenho medo
Do silêncio pesado d'esta sala...
Como soluça o vento no arvoredo!
E a tua voz, amor, como se cala!
Não vás para tão longe!
Antigamente,
Era sempre demais o curto espaço
Que havia entre nós dois...
Agora, um embaraço,
Hesitas e depois,
Com um gesto de tédio e de cansaço,
Achas inconveniente
O meu abraço.
Não vás para tão longe!
Fica. Inda é tão cedo!
O vento continua a fustigar
Os ramos sofredores do arvoredo,
E eu ponho-me a pensar
E tenho medo!
Não vás para tão longe!
Na sombra impenetrada,
Como se agita e se debate o vento!...
Paira nas velhas ruínas do convento
Que além se avista,
A alma melancólica d'um monge
Que a vida arremessou àquela crista...
Céu apagado, negro, pessimista,
E tu sempre mais longe!...
Fernanda de Castro , "Distância"
Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011
Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010
Caiu sobre o país uma cortina de silêncio
a voz distingue o homem mas há homens que
não querem que os demais se elevem sobre os animais
e o que aos outros falta têm eles a mais
no dia de natal eu caminhava
e vi que em certo rosto havia a paz que não havia
era na multidão o rosto da justiça
um rosto que chegava até junto de mim de nicarágua
um rosto que me vinha de qualquer das indochinas
num mundo onde o homem é um lobo para o homem
e o brilho dos olhos o embacia a água
Caminhava no dia de natal
e entre muitos ombros eu pensava em quanto homem morreu
por um deus que nasceu
A minha oração fora a leitura do jornal
e por ele soubera que o deus que cria
consentia em seu dia o terramoto de manágua
e que sobre os escombros inda havia
as ornamentações da quadra de natal
Olhava aquele rosto e nesse rosto via
a gente do dinheiro que fugia em aviões fretados
e os pés gretados de homens humilhados
de pé sobre os seus pés se ainda tinham pés
ao longo de desertos descampados
Morrera nesse rosto toda uma cidade
talvez pra que às mulheres de ministros e banqueiros
se permita exercitar melhor a caridade
A aparente paz que nesse rosto havia
como que prometia a paz da indochina a paz na alma
Eu caminhava e como que dizia
àquele homem de guerra oculta pela calma:
se cais pela justiça alguém pela justiça
há-se erguer-se no sítio exacto onde caíste
e há-de levar mais longe o incontido lume
visível nesse teu olhar molhado e triste
Não temas nem sequer o não poder falar
porque fala por ti o teu olhar
Olhei mais uma vez aquele rosto era natal
é certo que o silêncio entristecia
mas não fazia mal pensei pois me bastara olhar
tal rosto para ver que alguém nascia
" Um rosto de Natal ", Ruy Belo - Todos os Poemas II. Lisboa: Assírio Alvim, 2004
Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010
Visita técnica às exposições da Rede de Museus do Algarve
"A cada terra uma santa, a cada pessoa a sua fé", aspecto da exposição "Cidade e Mundos Rurais", Museu Municipal de Tavira. Na imagem Marta Santos, técnica superior / equipa investigação Museu
Algarve, do Reino à Região (um tema, doze exposições)
A Direcção Regional de Cultura do Algarve tem nas suas atribuições o acompanhamento e apoio a museus da região em articulação com o IMC. Assim, organizou nos dias 16 e 17 de Dezembro uma sessão de trabalho para discutir o processo em torno da exposição “Algarve do reino à região”, uma iniciativa da Rede de Museus do Algarve. Para isso convidou o Departamento de Museus do IMC, representado pela sua Directora, Isabel Victor e por Clara Mineiro, especialista em acessibilidade em museus, convidou outros dois especialistas – Margarida Alçada, do Turismo de Portugal e Luiz Filipe Trigo, designer e professor universitário.
Nesta foto, da esquerda para a direita: Rita Manteigas e Marta Santos (Técnicas Superior do Museu Municipal de Tavira), Luiz Filipe Trigo (designer e professor universitário), Dália Paulo (directora Regional de Cultura do Algarve), Jorge Queiroz (director do Museu Municipal de Tavira), Margarida Alçada (Turismo de Portugal _ Técnica superior cultura e património)
Desta sessão muitas linhas de trabalho conjuntas se desenharam, desde acções de formação a outros trabalhos em rede... 2011 será cheio de actividades.
A Direcção Regional de Cultura do Algarve agradece às equipas dos museus o acolhimento, o profissionalismo, a generosidade e a partilha com que nos receberam e connosco deambularam pelos seus temas e exposições.
Por último, agradecemos aos especialistas convidados pelo empenho e sabedoria que colocaram no longo périplo pelo Algarve, de sotavento a barlavento.
Nesta foto, da esquerda para a direita: Patricia Baptista (Técnica superior Museu), Isabel Victor e Clara Mineiro (Departamento de Museus do IMC)
Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira
Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira
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Fonte
Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010
Ladaínha dos póstumos Natais
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"searinhas"de Natal no Museu Municipal de Tavira
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Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito
David Mourão-Ferreira in Obra Poética II
Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010
Domingo, 28 de Novembro de 2010
The Silent Evolution
http://www.youtube.com/watch?v=doWAVOq7th0
Deslumbrante ...
Não tenho palavras. Mergulho neste universo criativo.
Deslumbrante ...
Não tenho palavras. Mergulho neste universo criativo.
Um exército de figuras humanas vai deixar a praia em Cancún, no México, para ser submerso. As esculturas de Jason DeCaires Taylor vão ajudar na recuperação das barreiras de corais .
As esculturas são feitas de cimento. Com a sua obra, DeCaires tenta unir a arte e o meio ambiente .
' A Evolução Silenciosa ' , é inspirada em pessoas reais - na maioria mexicanos comuns - que foram transformadas em esculturas submarinas para dar abrigo à vida marinha .
O escultor conta que há enorme pressão sobre os corais na região de turismo intenso. A sua intervenção tenta representar a responsabilidade de todos sobre os danos ambientais, sob uma perspectiva ' optimista ' .
A composição química e o acabamento em cimento das esculturas promove a colonização da vida marinha, que com o tempo vai cobrir as esculturas em cores diferentes .
As primeiras peças deste museu submarino, submersas em 2009, são o ' Homem em Chamas ' (baseado num pescador local), o ' Coleccionador de Sonhos Perdidos ' e a ' Jardineira da Esperança '.
Com a sua obra, DeCaires quer ressaltar que, apesar de nos cercarmos de edifícios, não podemos esquecer o quanto dependemos da natureza .
Museu Subaquático de Artes, Cancún (Esculturas de Jason DeCaires Taylor)
O principal grupo - que consiste em 400 figuras pesando mais de 120 toneladas - será submersa nas próximas semanas. Quando isso ocorrer, o artista vai perder o ' controle estético ' sobre sua obra, que ficará a cargo da natureza .
Sábado, 20 de Novembro de 2010
Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010
No meio desta Serra onde se cria
Aquela saudade d’alma pura,
Que no duro penedo acha brandura
Ardente fogo dentro n’água fria.
(Na Serra da Arrábida)
Aquela saudade d’alma pura,
Que no duro penedo acha brandura
Ardente fogo dentro n’água fria.
(Na Serra da Arrábida)
Fr. Agostinho da Cruz
http://filosofia-extravagante.blogspot.com/2010/04/frei-agostinho-da-cruz-e-arrabida.html
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Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010
No teu amor por mim há uma rua que começa
Nem árvores nem casas existiam
antes que tu tivesses palavras
e todo eu fosse um coração para elas
Invento-te e o céu azula-se sobre esta
triste condição de ter de receber
dos choupos onde cantam
os impossíveis pássaros
a nova primavera
Tocam sinos e levantam voo
todos os cuidados
Ó meu amor nem minha mãe
tinha assim um regaço
como este dia tem
E eu chego e sento-me ao lado
da primavera
Açores, Furnas, Novembro 2010
Nem árvores nem casas existiam
antes que tu tivesses palavras
e todo eu fosse um coração para elas
Invento-te e o céu azula-se sobre esta
triste condição de ter de receber
dos choupos onde cantam
os impossíveis pássaros
a nova primavera
Tocam sinos e levantam voo
todos os cuidados
Ó meu amor nem minha mãe
tinha assim um regaço
como este dia tem
E eu chego e sento-me ao lado
da primavera
Ruy Belo, Poema de Amor: Povoamento, em "Aquele Grande Rio Eufrates"
Açores, Furnas, Novembro 2010
Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010
Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010
O sentido normal das palavras não faz bem ao poema.
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptuoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.
Não existir mais rei nem regências.
Uma certa luxúria com a liberdade convém.
Manoel de Barros
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in Retrato Quase Apagado em que se Pode Ver Perfeitamente Nada
de "O Guardador de Águas" (VII)
Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010
Imagem © Boris Savelev courtesy Michael Hoppen Contemporary
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Como relatou Ovídio no seu mais célebre livro, a partir do UM no qual tudo coincide, é preciso engendrar um processo contínuo de metamorfose que o fragmente e dê origem à diversidade dos seres. O UM precisa de ser fendido em DOIS (procedimento que as células conhecem demasiado bem), e a partir daí a História pode começar.
Toda a nossa experiência, biológica, emocional, política, religiosa, cultural, etc., se resume a uma espécie de luta entre a tentação de regresso ao UM (morrendo, institucionalizando o par afectivo no casamento, fundando cidades, cedendo ao monoteísmo e aos símbolos congregantes), e a necessidade de reprodução plural (gerando filhos, sociabilizando, reclamando a liberdade, a heresia ou a excentricidade). Claro que o plural contém, na sua definição, todos os números a partir do número DOIS (o que está de acordo com as inquietações de Paul Ricoeur). Mas este é a manifestação mais exemplar e produtiva do entendimento do múltiplo.
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in http://sylviabeirute.blogspot.com
"Algumas maneiras de olhar para a metáfora" (excerto)
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Quarta-feira, 8 de Setembro de 2010
Troia, Setembro de 2010
O absoluto da vida, a resposta fechada para o seu fechado desafio só podia revelar-se e executar-se na união total com nós mesmos, com as forças derradeiras que nos trazem de pé e são nós e exigem realizar-se até ao esgotamento. Este «eu» solitário que achamos nos instantes de solidão final, se ninguém o pode conhecer, como pode alguém julgá-lo? E de que serve esse «eu» e a sua descoberta, se o condenamos à prisão? Sabê-lo é afirmá-lo! Reconhecê-lo é dar-lhe razão. Que ignore isso o que ignora que é. Que o despreze e o amordace o que vive no dia-a-dia animal. Mas quem teve a dádiva da evidência de si, como condenar-se a si ao silêncio prisional? Ninguém pode pagar, nada pode pagar a gratuitidade deste milagre de sermos. Que ao menos nós lhe demos, a isso que somos, a oportunidade de o sermos até ao fim. Gritar aos astros até enrouquecermos. Iluminarmos a brasa que vive em nós até nos consumirmos. Respondermos com a absoluta liberdade ao desafio do fantástico que nos habita. Somos cães, ratos, escaravelhos com consciência? Que essa consciência esgote até às fezes a nossa condição de escaravelhos.
Vergílio Ferreira, in 'Aparição (discurso da personagem Sofia)'
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Sábado, 31 de Julho de 2010
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Exposição " Vitória de Setúbal 100 anos _ o primeiro da República "
Conteúdos: Museu do Trabalho Michel Giacometti
Design: Luíz Filipe Trigo
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Um acontecimento vivido é finito, ou pelo menos encerrado na esfera do vivido, ao passo que o acontecimento lembrado é sem limites, porque é apenas uma chave para tudo que veio antes e depois.
Walter Benjamin
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Sábado, 17 de Julho de 2010
Ria de Aveiro
Foto por Artur Ferrão
faz-me flor. e flui-me em rosário e em fénix. anjo sem abate. voluptuosa viagem esta em que nos vigio. e se for luxo posssuir-te como anjo dispo o fascinare e podes ser-me íntimo na talha dos dedos em prece. como se te lavrasse.
Isabel Mendes Ferreira
in "As lágrimas estão todas na garganta do mar", ed. babel, Lisboa, 2010
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Sexta-feira, 16 de Julho de 2010
A finitude das possibilidades opõe-se à infinitude do tempo ...
Foto Por Paulo Bizarro [ www.paulobizarro.com ]
( * __________________________
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Domingo, 27 de Junho de 2010
Ruas das Fontaínhas, em Setúbal _ um caminho de todos os dias
Poema Quotidiano
É tão depressa noite neste bairro
Nenhum outro porém senhor administrador
goza de tão eficiente serviço de sol
Ainda não há muito ele parecia
domiciliado e residente ao fim da rua
O senhor não calcula todo o dia
que festa de luz proporcionou a todos
Nunca vi e já tenho os meus anos
lavar a gente as mãos no sol como hoje
Donas de casa vieram encher de sol
cântaros alguidares e mais vasos domésticos
Nunca em tantos pés
assim humildemente brilhou
Orientou diz-se até os olhos das crianças
para a escola e pôs reflexos novos
nas míseras vidraças lá do fundo
Há quem diga que o sol foi longe demais
Algum dos pobres desta freguesia
apanhou-o na faca misturou-o no pão
Chegaram a tratá-lo por vizinho
Por este andar... Foi uma autêntica loucura
O astro-rei tornado acessível a todos
ele que ninguém habitualmente saudava
Sempre o mesmo indiferente
espectáculo de luz sobre os nossos cuidados
Íamos vínhamos entrávamos não víamos
aquela persistência rubra. Ousaria
alguém deixar um só daqueles raios
atravessar-lhe a vida iluminar-lhe as penas?
Mas hoje o sol
morreu como qualquer de nós
Ficou tão triste a gente destes sítios
Nunca foi tão depressa noite neste bairro
Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"
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Poema Quotidiano
É tão depressa noite neste bairro
Nenhum outro porém senhor administrador
goza de tão eficiente serviço de sol
Ainda não há muito ele parecia
domiciliado e residente ao fim da rua
O senhor não calcula todo o dia
que festa de luz proporcionou a todos
Nunca vi e já tenho os meus anos
lavar a gente as mãos no sol como hoje
Donas de casa vieram encher de sol
cântaros alguidares e mais vasos domésticos
Nunca em tantos pés
assim humildemente brilhou
Orientou diz-se até os olhos das crianças
para a escola e pôs reflexos novos
nas míseras vidraças lá do fundo
Há quem diga que o sol foi longe demais
Algum dos pobres desta freguesia
apanhou-o na faca misturou-o no pão
Chegaram a tratá-lo por vizinho
Por este andar... Foi uma autêntica loucura
O astro-rei tornado acessível a todos
ele que ninguém habitualmente saudava
Sempre o mesmo indiferente
espectáculo de luz sobre os nossos cuidados
Íamos vínhamos entrávamos não víamos
aquela persistência rubra. Ousaria
alguém deixar um só daqueles raios
atravessar-lhe a vida iluminar-lhe as penas?
Mas hoje o sol
morreu como qualquer de nós
Ficou tão triste a gente destes sítios
Nunca foi tão depressa noite neste bairro
Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"
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Terça-feira, 15 de Junho de 2010
Castelo de Paderne _ Lugar mágico
Projecto de Educação Artistica e Cultural da Direçcão Regional de Cultura do Algarve
http://www.cultalg.pt/
Recorrer à Arte, neste caso à fotografia pelo método Pinhole e ao minucioso processo de revelação manual, para exprimir o conhecimento e a emoção que o património nos transmite. Envolver crianças e jovens que vivem nas margens, à margem, acolhidas por instituições locais (Misericórdia), convidá-las a entrar no mundo mágico destes lugares. Descobrirem-se, descobrirem-nos ___________ um prodígio.
__________Enquadramento:
Vasco Célio (fotógrafo) ; Tânia Borges (psicóloga) , " Ateliers Educativos "
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Segunda-feira, 14 de Junho de 2010
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Saudoso já deste Verão que vejo.
Lágrimas para as flores dele emprego
Na lembrança invertida
De quando hei-de perdê-las.
Transpostos os portais irreparáveis
De cada ano, me antecipo a sombra
Em que hei-de errar, sem flores,
No abismo rumoroso.
E colho a rosa porque a sorte manda.
Marcenda, guardo-a; murche-se comigo
Antes que com a curva
Diurna da ampla terra.
Ricardo Reis, in "Odes"
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Saudoso já deste Verão que vejo.
Lágrimas para as flores dele emprego
Na lembrança invertida
De quando hei-de perdê-las.
Transpostos os portais irreparáveis
De cada ano, me antecipo a sombra
Em que hei-de errar, sem flores,
No abismo rumoroso.
E colho a rosa porque a sorte manda.
Marcenda, guardo-a; murche-se comigo
Antes que com a curva
Diurna da ampla terra.
Ricardo Reis, in "Odes"
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Quarta-feira, 9 de Junho de 2010
Um post para colar no frigorifico !
Museu Escher . Haia . 2009
A Rede de Museus do Algarve – RMA, promove uma iniciativa conjunta onde, pela primeira vez, se abordam os últimos mil anos da história e da cultura algarvia. “Algarve – Do Reino à Região” abarca a herança material e espiritual que, do Gharb al-Andalus à actualidade, tem vindo a moldar e caracterizar a identidade deste território, no sul de Portugal.
Trata-se de uma exposição estruturada em 13 exposições -tema, que decorrem em simultâneo, que se articulam e complementam, distribuídas pelos vários centros urbanos, numa cooperação pioneira entre autarquias, museus, instituições sociais, universidades, centros de investigação, especialistas de diferentes áreas científicas e culturais (museologia, arqueologia, arquitectura, história, geografia, sociologia, antropologia, etnologia) e as populações dos vários municípios algarvios.
Albufeira, Alcoutim, Castro Marim, Faro, Lagos, Loulé, Olhão, Portimão, São Brás de Alportel, Silves, Tavira e Vila Real de Santo António convidam o público a uma visita às exposições “Do Reino à Região”, bem como a conhecer o seu património, matriz cultural e a evolução histórica das suas comunidades.
As exposições:
• “Alcoutim, Terra de Fronteira” – Câmara Municipal de Alcoutim
Através de um aprazível percurso pela vila de Alcoutim desvenda-se o seu crescimento urbano, associado à consolidação dos limites do Reino e ao controlo do comércio fluvial, a importância do rio e as suas relações com Sanlúcar do Guadiana.
• “Castro Marim, Baluarte Defensivo do Algarve” – Câmara Municipal de Castro Marim
Castro Marim, terra de fronteira, implantada numa colina sobranceira à foz do Guadiana, constituiu sempre o principal baluarte defensivo de um Algarve constantemente ameaçado por Mouros e Castelhanos.
• “O Reino dos Algarves de Aquém e para Além Mar / Algarbia Cartographica – Leituras e Resenha da Cartografia Regional” – Câmara Municipal de Lagos
Dois núcleos expositivos que retratam o Algarve na sua dimensão histórica e espacial, como local de partida e de chegada. O primeiro enfoca o Algarve como palco da expansão ultramarina, o segundo cartas de grande importância histórica e artística.
• “Do Gharb ao Algarve: Uma Sociedade Islâmica no Ocidente” – Câmara Municipal de Silves
Com uma centena de peças se ajuda a contar a história de um território. Do Gharb ao Algarve fala-nos de um tempo passado (sécs. VIII-XIII), mas também das continuidades que ajudam a compreender a região actual.
• “Vila Real de Santo António e o Urbanismo Iluminista” – Câmara Municipal de Vila Real de Santo António
Vila Real de Santo António foi idealizada de raiz de forma a funcionar como “cidade fábrica”, apresenta-se-nos como um exemplo único no panorama português, incomparável a qualquer outra obra da mesma época. É, por excelência, a Cidade do Iluminismo em Portugal.
• “Os Descobrimentos Portugueses” – Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão
Com a presente mostra, pretendem-se evocar os desenvolvimentos que permitiram o sucesso das navegações de descobrimento portuguesas nos séculos XV e XVI, nomeadamente através de três vectores: navios, cartografia e navegação astronómica.
• “Os Compromissos Marítimos no Algarve” – Museu da Cidade de Olhão
A exposição propõe um olhar sobre as diferentes dimensões em que operavam os Compromissos Marítimos, associações de mareantes, também conhecidas por Irmandades ou Confrarias do Corpo Santo, e que tiveram forte impacto nas comunidades onde foram criados.
• “Manuel Teixeira Gomes – Entre dois séculos e dois regimes”, “Portimão – Território e Identidade” – Museu de Portimão
Um percurso na viragem do séc. XIX, entre a Monarquia e a I República, sobre a vida e obra de Manuel Teixeira Gomes, e a evolução de Portimão, sua terra natal, na passagem de vila rural e cidade industrial.
• “Outras Viagens, Outros Olhares” – Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira
Venha descobrir outros Algarves, numa viagem através do olhar dos outros! Dos viajantes do séc. XIX, aos testemunhos dos veraneantes de hoje, passando pelos curiosos olhares dos primeiros turistas.
• “Sombras e Luz – O Século XIX no Algarve” – Museu do Trajo de S. Brás de Alportel
Numa incursão em ambientes da época, um belo edifício oitocentista recria vivências domésticas, sociais e laborais com pinceladas de etiqueta, educação, religião, música e alguns momentos de interactividade.
• “Algarve Visionário, Excêntrico e Utópico” – Museu Municipal de Faro
Esta exposição estabelece o século XX como campo de pesquisa, propondo uma releitura da inalienável multiplicidade e radical individualidade que caracteriza o território do Algarve enquanto lugar de reflexão, inspiração e criação.
• “Mendes Cabeçadas e a Primeira República no Algarve” – Museu Municipal de Loulé
Esta exposição sobre José Mendes Cabeçadas Júnior (1883-1965) mostra o militar, o político e opositor a Salazar. Apresenta também os principais eixos do republicanismo português no Algarve.
• “Cidade e Mundos Rurais” – Museu Municipal de Tavira
Tavira e os “mundos rurais, do período islâmico à actualidade, numa perspectiva pluridisciplinar. Os usos do território, arquitecturas, economias, festividades, musicologia,… Plantas, mapas, objectos, filmes, fotos, trechos musicais,…
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