sexta-feira, 11 de maio de 2007

Hoje, num virar de esquina, encontrei a Luísa Perienes Ficámos a conversar de gatos, de atavios, das burocracias que atrasam este país, dos filhos, das nossas vidas desencontradas e dos trabalhos de Sísifo que nos "gastam" os dias ...

Sempre andando, fomos conversando com o Sado à vista, atalhando pelas escadinhas que descem das Fontaínhas e ... já na avenida (Luísa Todi), sob o sol do meio-dia, no momento em que cada uma seguiria o seu destino, perguntei-lhe :

então e a escultura, Luísa ?
Aí, ela parou, com um brilho nos olhos, e disse-me " Olha, estou a fazer o Gomes Leal para o Jardim dos Poetas !

Fiquei contente por rever a Luísa e por saber que o Gomes Leal vai ficar em tão boas mãos ...


Despedimo-nos ...

Luísa, quando o "teu" Gomes Leal estiver lá, no Jardim dos Poetas , avisa-me !
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Alucina-me a cor! – A rosa é como a Lira,
a Lira pelo tempo há muito engrinaldada,
e é já velha a união, a núpcia sagrada,
entre a cor que nos prende e a nota que suspira.
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Se a terra, às vezes, brota a flor, que não inspira,
a teatral camélia, a branca enfastiada,
muitas vezes, no ar, perpassa a nota alada
como a perdida cor dalguma flor que expira...
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Há plantas ideais de um cântico divino,
irmãs do oboé, gémeas do violino,
há gemidos no azul, gritos no carmesim...
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A magnólia é uma harpa etérea e perfumada,
e o cacto, a larga flor, vermelha, ensanguentada,
– tem notas marciais, soa como um clarim.
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Gomes Leal
"Claridades do Sul"



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