quinta-feira, 23 de dezembro de 2010



Fotografia por Maria Avelino
 









Caiu sobre o país uma cortina de silêncio
a voz distingue o homem mas há homens que
não querem que os demais se elevem sobre os animais
e o que aos outros falta têm eles a mais
no dia de natal eu caminhava
e vi que em certo rosto havia a paz que não havia
era na multidão o rosto da justiça
um rosto que chegava até junto de mim de nicarágua
um rosto que me vinha de qualquer das indochinas
num mundo onde o homem é um lobo para o homem
e o brilho dos olhos o embacia a água
Caminhava no dia de natal
e entre muitos ombros eu pensava em quanto homem morreu
por um deus que nasceu
A minha oração fora a leitura do jornal
e por ele soubera que o deus que cria
consentia em seu dia o terramoto de manágua
e que sobre os escombros inda havia
as ornamentações da quadra de natal
Olhava aquele rosto e nesse rosto via
a gente do dinheiro que fugia em aviões fretados
e os pés gretados de homens humilhados
de pé sobre os seus pés se ainda tinham pés
ao longo de desertos descampados
Morrera nesse rosto toda uma cidade
talvez pra que às mulheres de ministros e banqueiros
se permita exercitar melhor a caridade
A aparente paz que nesse rosto havia
como que prometia a paz da indochina a paz na alma
Eu caminhava e como que dizia
àquele homem de guerra oculta pela calma:
se cais pela justiça alguém pela justiça
há-se erguer-se no sítio exacto onde caíste
e há-de levar mais longe o incontido lume
visível nesse teu olhar molhado e triste
Não temas nem sequer o não poder falar
porque fala por ti o teu olhar
Olhei mais uma vez aquele rosto era natal
é certo que o silêncio entristecia
mas não fazia mal pensei pois me bastara olhar
tal rosto para ver que alguém nascia






" Um rosto de Natal ", Ruy Belo - Todos os Poemas II. Lisboa: Assírio Alvim, 2004
 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Visita técnica às exposições da Rede de Museus do Algarve



  "A cada terra uma santa, a cada pessoa a sua fé", aspecto da exposição "Cidade e Mundos Rurais", Museu Municipal de Tavira. Na imagem Marta Santos, técnica superior / equipa investigação Museu





Algarve, do Reino à Região  (um tema, doze exposições) 





A Direcção Regional de Cultura do Algarve tem nas suas atribuições o acompanhamento e apoio a museus da região em articulação com o IMC. Assim, organizou nos dias 16 e 17 de Dezembro uma sessão de trabalho para discutir o processo em torno da exposição “Algarve do reino à região”, uma iniciativa da Rede de Museus do Algarve. Para isso convidou o Departamento de Museus do IMC, representado pela sua Directora, Isabel Victor e por Clara Mineiro, especialista em acessibilidade em museus, convidou outros dois especialistas – Margarida Alçada, do Turismo de Portugal e Luiz Filipe Trigo, designer e professor universitário.



Nesta foto, da esquerda para a direita: Rita Manteigas e Marta Santos (Técnicas Superior do Museu Municipal de Tavira), Luiz Filipe Trigo (designer e professor universitário), Dália Paulo (directora Regional de Cultura do Algarve), Jorge Queiroz (director do Museu Municipal de Tavira), Margarida Alçada (Turismo de Portugal _ Técnica superior cultura e património)





Desta sessão muitas linhas de trabalho conjuntas se desenharam, desde acções de formação a outros trabalhos em rede... 2011 será cheio de actividades.







A Direcção Regional de Cultura do Algarve agradece às equipas dos museus o acolhimento, o profissionalismo, a generosidade e a partilha com que nos receberam e connosco deambularam pelos seus temas e exposições.



Por último, agradecemos aos especialistas convidados pelo empenho e sabedoria que colocaram no longo périplo pelo Algarve, de sotavento a barlavento.





Nesta foto, da esquerda para a direita: Patricia Baptista (Técnica superior Museu), Isabel Victor e Clara Mineiro (Departamento de Museus do IMC)  
Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira


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Fonte


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pablo Neruda - Me gustas cuando callas

Ladaínha dos póstumos Natais















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"searinhas"de Natal no Museu Municipal de Tavira



















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Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito











David Mourão-Ferreira in Obra Poética II













domingo, 28 de novembro de 2010

The Silent Evolution

http://www.youtube.com/watch?v=doWAVOq7th0










Deslumbrante ...
Não tenho palavras. Mergulho neste universo criativo.






  
  

 
 
Um exército de figuras humanas vai deixar a praia em Cancún, no México, para ser submerso. As esculturas de Jason DeCaires Taylor vão ajudar na recuperação das barreiras de corais .
 
As esculturas são feitas de cimento. Com a sua obra, DeCaires tenta unir a arte e o meio ambiente .

 ' A Evolução Silenciosa ' , é inspirada em pessoas reais - na maioria mexicanos comuns - que foram transformadas em esculturas submarinas para dar abrigo à vida marinha .

O escultor conta que há enorme pressão sobre os corais na região de turismo intenso. A sua intervenção tenta representar a responsabilidade de todos sobre os danos ambientais, sob uma perspectiva ' optimista ' .
 
A composição química e o acabamento em cimento das esculturas promove a colonização da vida marinha, que com o tempo vai cobrir as esculturas em cores diferentes .

As primeiras peças deste museu submarino, submersas em 2009, são o ' Homem em Chamas ' (baseado  num pescador local), o ' Coleccionador de Sonhos Perdidos ' e a ' Jardineira da Esperança '.

Com a  sua obra, DeCaires quer ressaltar que, apesar de nos cercarmos de edifícios, não podemos esquecer o quanto dependemos da natureza .
Museu Subaquático de Artes, Cancún (Esculturas de Jason DeCaires Taylor)
 
O principal grupo - que consiste em 400 figuras pesando mais de 120 toneladas - será submersa nas próximas semanas. Quando isso ocorrer, o artista vai perder o ' controle estético ' sobre sua obra, que ficará a cargo da natureza .
 
Os modelos vivos usados por DeCaires vão desde uma freira de 85 anos até um menino de 3 anos. Para fazer os moldes, ele cobriu de gesso um contador, uma professora de ioga, um estudante, um acrobata e até um jornalista da BBC.















FRIEDERIKE MAYRÖCKER- NUM POEMA DE BRECHT - uma casa em beirute - poemas inéditos de sylvia beirute

FRIEDERIKE MAYRÖCKER- NUM POEMA DE BRECHT - uma casa em beirute - poemas inéditos de sylvia beirute

segunda-feira, 15 de novembro de 2010














No meio desta Serra onde se cria
Aquela saudade d’alma pura,
Que no duro penedo acha brandura
Ardente fogo dentro n’água fria.

(Na Serra da Arrábida) 



Fr. Agostinho da Cruz  




segunda-feira, 8 de novembro de 2010




Museu da emigração açoreana, Ribeira Grande, Novembro 2010



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No teu amor por mim há uma rua que começa
Nem árvores nem casas existiam
antes que tu tivesses palavras
e todo eu fosse um coração para elas
Invento-te e o céu azula-se sobre esta
triste condição de ter de receber
dos choupos onde cantam
os impossíveis pássaros
a nova primavera
Tocam sinos e levantam voo
todos os cuidados
Ó meu amor nem minha mãe
tinha assim um regaço
como este dia tem
E eu chego e sento-me ao lado
da primavera







Ruy Belo, Poema de Amor: Povoamento, em "Aquele Grande Rio Eufrates"








Açores, Furnas, Novembro 2010


segunda-feira, 20 de setembro de 2010


 
 
 
 
 
 
 
 
 
O sentido normal das palavras não faz bem ao poema.

Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptuoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.
Não existir mais rei nem regências.
Uma certa luxúria com a liberdade convém.





Manoel de Barros



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in Retrato Quase Apagado em que se Pode Ver Perfeitamente Nada
de "O Guardador de Águas" (VII)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

    Imagem © Boris Savelev courtesy Michael Hoppen Contemporary






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Como relatou Ovídio no seu mais célebre livro, a partir do UM no qual tudo coincide, é preciso engendrar um processo contínuo de metamorfose que o fragmente e dê origem à diversidade dos seres. O UM precisa de ser fendido em DOIS (procedimento que as células conhecem demasiado bem), e a partir daí a História pode começar.


Toda a nossa experiência, biológica, emocional, política, religiosa, cultural, etc., se resume a uma espécie de luta entre a tentação de regresso ao UM (morrendo, institucionalizando o par afectivo no casamento, fundando cidades, cedendo ao monoteísmo e aos símbolos congregantes), e a necessidade de reprodução plural (gerando filhos, sociabilizando, reclamando a liberdade, a heresia ou a excentricidade). Claro que o plural contém, na sua definição, todos os números a partir do número DOIS (o que está de acordo com as inquietações de Paul Ricoeur). Mas este é a manifestação mais exemplar e produtiva do entendimento do múltiplo.
 
 
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in http://sylviabeirute.blogspot.com
"Algumas maneiras de olhar para a metáfora" (excerto)



















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YouTube - Melody Gardot - Love Me Like A River Does

YouTube - Melody Gardot - Love Me Like A River Does

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Troia, Setembro de 2010




O absoluto da vida, a resposta fechada para o seu fechado desafio só podia revelar-se e executar-se na união total com nós mesmos, com as forças derradeiras que nos trazem de pé e são nós e exigem realizar-se até ao esgotamento. Este «eu» solitário que achamos nos instantes de solidão final, se ninguém o pode conhecer, como pode alguém julgá-lo? E de que serve esse «eu» e a sua descoberta, se o condenamos à prisão? Sabê-lo é afirmá-lo! Reconhecê-lo é dar-lhe razão. Que ignore isso o que ignora que é. Que o despreze e o amordace o que vive no dia-a-dia animal. Mas quem teve a dádiva da evidência de si, como condenar-se a si ao silêncio prisional? Ninguém pode pagar, nada pode pagar a gratuitidade deste milagre de sermos. Que ao menos nós lhe demos, a isso que somos, a oportunidade de o sermos até ao fim. Gritar aos astros até enrouquecermos. Iluminarmos a brasa que vive em nós até nos consumirmos. Respondermos com a absoluta liberdade ao desafio do fantástico que nos habita. Somos cães, ratos, escaravelhos com consciência? Que essa consciência esgote até às fezes a nossa condição de escaravelhos.




Vergílio Ferreira, in 'Aparição (discurso da personagem Sofia)'





















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sábado, 31 de julho de 2010




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Exposição " Vitória de Setúbal 100 anos _ o primeiro da República "
Conteúdos: Museu do Trabalho Michel Giacometti
Design: Luíz Filipe Trigo































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Um acontecimento vivido é finito, ou pelo menos encerrado na esfera do vivido, ao passo que o acontecimento lembrado é sem limites, porque é apenas uma chave para tudo que veio antes e depois.



 Walter Benjamin




















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sábado, 17 de julho de 2010





Ria de Aveiro
Foto por Artur Ferrão













faz-me flor. e flui-me em rosário e em fénix. anjo sem abate. voluptuosa viagem esta em que nos vigio. e se for luxo posssuir-te como anjo dispo o fascinare e podes ser-me íntimo na talha dos dedos em prece. como se te lavrasse.













Isabel Mendes Ferreira
in "As lágrimas estão todas na garganta do mar", ed. babel, Lisboa, 2010






















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sexta-feira, 16 de julho de 2010

A finitude das possibilidades opõe-se à infinitude do tempo ...


 


Foto Por Paulo Bizarro [ www.paulobizarro.com ]









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domingo, 27 de junho de 2010

Ruas das Fontaínhas, em Setúbal _  um caminho de todos os dias





Poema Quotidiano







É tão depressa noite neste bairro
Nenhum outro porém senhor administrador
goza de tão eficiente serviço de sol
Ainda não há muito ele parecia
domiciliado e residente ao fim da rua
O senhor não calcula todo o dia
que festa de luz proporcionou a todos
Nunca vi e já tenho os meus anos
lavar a gente as mãos no sol como hoje
Donas de casa vieram encher de sol
cântaros alguidares e mais vasos domésticos
Nunca em tantos pés
assim humildemente brilhou
Orientou diz-se até os olhos das crianças
para a escola e pôs reflexos novos
nas míseras vidraças lá do fundo






Há quem diga que o sol foi longe demais
Algum dos pobres desta freguesia
apanhou-o na faca misturou-o no pão
Chegaram a tratá-lo por vizinho
Por este andar... Foi uma autêntica loucura
O astro-rei tornado acessível a todos
ele que ninguém habitualmente saudava
Sempre o mesmo indiferente
espectáculo de luz sobre os nossos cuidados
Íamos vínhamos entrávamos não víamos
aquela persistência rubra. Ousaria
alguém deixar um só daqueles raios
atravessar-lhe a vida iluminar-lhe as penas?






Mas hoje o sol
morreu como qualquer de nós
Ficou tão triste a gente destes sítios
Nunca foi tão depressa noite neste bairro






Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"









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terça-feira, 15 de junho de 2010

Castelo de Paderne _ Lugar mágico









Projecto de Educação Artistica e Cultural da Direçcão Regional de Cultura do Algarve
http://www.cultalg.pt/





Recorrer à Arte, neste caso à fotografia pelo método Pinhole e ao minucioso processo de revelação manual, para exprimir o conhecimento e a emoção que o património nos transmite. Envolver crianças e jovens que vivem nas margens, à margem, acolhidas por instituições locais (Misericórdia), convidá-las a entrar no mundo mágico destes lugares. Descobrirem-se, descobrirem-nos ___________ um prodígio.







__________Enquadramento:


Vasco Célio (fotógrafo) ; Tânia Borges (psicóloga) , " Ateliers Educativos "


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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Marina de Lagos. Descanso aqui o olhar _____________________________________




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Saudoso já deste Verão que vejo.

Lágrimas para as flores dele emprego
Na lembrança invertida
De quando hei-de perdê-las.
Transpostos os portais irreparáveis
De cada ano, me antecipo a sombra
Em que hei-de errar, sem flores,
No abismo rumoroso.
E colho a rosa porque a sorte manda.
Marcenda, guardo-a; murche-se comigo
Antes que com a curva
Diurna da ampla terra.


Ricardo Reis, in "Odes"












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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Um post para colar no frigorifico !

Museu Escher . Haia . 2009

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A Rede de Museus do Algarve – RMA, promove uma iniciativa conjunta onde, pela primeira vez, se abordam os últimos mil anos da história e da cultura algarvia. “Algarve – Do Reino à Região” abarca a herança material e espiritual que, do Gharb al-Andalus à actualidade, tem vindo a moldar e caracterizar a identidade deste território, no sul de Portugal.




Trata-se de uma exposição estruturada em 13 exposições -tema, que decorrem em simultâneo, que se articulam e complementam, distribuídas pelos vários centros urbanos, numa cooperação pioneira entre autarquias, museus, instituições sociais, universidades, centros de investigação, especialistas de diferentes áreas científicas e culturais (museologia, arqueologia, arquitectura, história, geografia, sociologia, antropologia, etnologia) e as populações dos vários municípios algarvios.



Albufeira, Alcoutim, Castro Marim, Faro, Lagos, Loulé, Olhão, Portimão, São Brás de Alportel, Silves, Tavira e Vila Real de Santo António convidam o público a uma visita às exposições “Do Reino à Região”, bem como a conhecer o seu património, matriz cultural e a evolução histórica das suas comunidades.








 As exposições:






• “Alcoutim, Terra de Fronteira” – Câmara Municipal de Alcoutim


Através de um aprazível percurso pela vila de Alcoutim desvenda-se o seu crescimento urbano, associado à consolidação dos limites do Reino e ao controlo do comércio fluvial, a importância do rio e as suas relações com Sanlúcar do Guadiana.


• “Castro Marim, Baluarte Defensivo do Algarve” – Câmara Municipal de Castro Marim

Castro Marim, terra de fronteira, implantada numa colina sobranceira à foz do Guadiana, constituiu sempre o principal baluarte defensivo de um Algarve constantemente ameaçado por Mouros e Castelhanos.

• “O Reino dos Algarves de Aquém e para Além Mar / Algarbia Cartographica – Leituras e Resenha da Cartografia Regional” – Câmara Municipal de Lagos


Dois núcleos expositivos que retratam o Algarve na sua dimensão histórica e espacial, como local de partida e de chegada. O primeiro enfoca o Algarve como palco da expansão ultramarina, o segundo cartas de grande importância histórica e artística.

• “Do Gharb ao Algarve: Uma Sociedade Islâmica no Ocidente” – Câmara Municipal de Silves

Com uma centena de peças se ajuda a contar a história de um território. Do Gharb ao Algarve fala-nos de um tempo passado (sécs. VIII-XIII), mas também das continuidades que ajudam a compreender a região actual.

“Vila Real de Santo António e o Urbanismo Iluminista” – Câmara Municipal de Vila Real de Santo António

Vila Real de Santo António foi idealizada de raiz de forma a funcionar como “cidade fábrica”, apresenta-se-nos como um exemplo único no panorama português, incomparável a qualquer outra obra da mesma época. É, por excelência, a Cidade do Iluminismo em Portugal.

• “Os Descobrimentos Portugueses” – Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão

Com a presente mostra, pretendem-se evocar os desenvolvimentos que permitiram o sucesso das navegações de descobrimento portuguesas nos séculos XV e XVI, nomeadamente através de três vectores: navios, cartografia e navegação astronómica.

• “Os Compromissos Marítimos no Algarve” – Museu da Cidade de Olhão

A exposição propõe um olhar sobre as diferentes dimensões em que operavam os Compromissos Marítimos, associações de mareantes, também conhecidas por Irmandades ou Confrarias do Corpo Santo, e que tiveram forte impacto nas comunidades onde foram criados.

• “Manuel Teixeira Gomes – Entre dois séculos e dois regimes”, “Portimão – Território e Identidade” – Museu de Portimão

Um percurso na viragem do séc. XIX, entre a Monarquia e a I República, sobre a vida e obra de Manuel Teixeira Gomes, e a evolução de Portimão, sua terra natal, na passagem de vila rural e cidade industrial.

• “Outras Viagens, Outros Olhares” – Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira

Venha descobrir outros Algarves, numa viagem através do olhar dos outros! Dos viajantes do séc. XIX, aos testemunhos dos veraneantes de hoje, passando pelos curiosos olhares dos primeiros turistas.

• “Sombras e Luz – O Século XIX no Algarve” – Museu do Trajo de S. Brás de Alportel

Numa incursão em ambientes da época, um belo edifício oitocentista recria vivências domésticas, sociais e laborais com pinceladas de etiqueta, educação, religião, música e alguns momentos de interactividade.

• “Algarve Visionário, Excêntrico e Utópico” – Museu Municipal de Faro

Esta exposição estabelece o século XX como campo de pesquisa, propondo uma releitura da inalienável multiplicidade e radical individualidade que caracteriza o território do Algarve enquanto lugar de reflexão, inspiração e criação.

• “Mendes Cabeçadas e a Primeira República no Algarve” – Museu Municipal de Loulé

Esta exposição sobre José Mendes Cabeçadas Júnior (1883-1965) mostra o militar, o político e opositor a Salazar. Apresenta também os principais eixos do republicanismo português no Algarve.

• “Cidade e Mundos Rurais” – Museu Municipal de Tavira

Tavira e os “mundos rurais, do período islâmico à actualidade, numa perspectiva pluridisciplinar. Os usos do território, arquitecturas, economias, festividades, musicologia,… Plantas, mapas, objectos, filmes, fotos, trechos musicais,…





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domingo, 6 de junho de 2010




Foto. Katarzyna Widmańska






Quem não compreende um olhar, tampouco compreenderá uma longa explicação


Mário Quintana











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terça-feira, 18 de maio de 2010

CONFISSÃO




Imagem: Katarzyna Widmańska











Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!



Mário Quintana
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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quinta-feira, 6 de maio de 2010



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Si; enamorarse es un talento maravilhoso que algunas criaturas poseen, como el don de hacer versos, como el espirito de sacrificio, como la inspiración melódica, como la valentia personal, como el saber mandar. No se enamora cualquiera ni de cualquiera se enamora el capaz. El divino suceso se origina cuando si dan ciertas rigorosas condiciones en el sujeto Y en el objecto. Muy poucos pueden ser amantes y mui poucos amados. El amor tiene su ratio, su ley, su esencia unitaria, siempre idêntica, que no excluye dentro de su exergo las abundancias de la casuística y la más fértil variabilidad.



Ortega y Gasset, "Estudios sobre el Amor"






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imagem: Gregory Colbert


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domingo, 2 de maio de 2010


 
Serra de S.Luís, às 16 horas, do primeiro dia de Maio
Fotografia:  "Caderno de Campo"






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sexta-feira, 23 de abril de 2010

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"Não preciso do fim para chegar







Do "Livro sobre Nada", Editora Record - Rio de Janeiro,1997, Manoel de Barros












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sábado, 10 de abril de 2010





Dicen que no hablan las plantas, ni las fuentes, ni los pájaros,

Ni el onda con sus rumores, ni con su brillo los astros,

Lo dicen, pero no es cierto, pues siempre cuando yo paso,

De mí murmuran y exclaman:

—Ahí va la loca soñando

Con la eterna primavera de la vida y de los campos,

Y ya bien pronto, bien pronto, tendrá los cabellos canos,

Y ve temblando, aterida, que cubre la escarcha el prado.



—Hay canas en mi cabeza, hay en los prados escarcha,

Mas yo prosigo soñando, pobre, incurable sonámbula,

Con la eterna primavera de la vida que se apaga

Y la perenne frescura de los campos y las almas,

Aunque los unos se agostan y aunque las otras se abrasan.



Astros y fuentes y flores, no murmuréis de mis sueños,

Sin ellos, ¿cómo admiraros ni cómo vivir sin ellos?







 Rosalía de Castro


( Um poema para Concha _________________________  )









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domingo, 21 de março de 2010

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à luz das conversas

(...)




despeço-me


mas antes, devo uma palavra de gratidão a quem, explicita ou implicitamente, alimentou as páginas deste caderno. Infinitamente grata a quem aqui deixou marca (a quem me marcou) e aos 110359 visitantes que, até hoje, foram húmus, alimento, para as mais de mil folhas que revestem esta estranha árvore.


iv* 


As flores ________ as que colhi, as que me ofereceram e, sobretudo, as que nasceram na árvore ________ as flores do espanto, as bravias que não pediram para nascer, são para as poetas, para os poetas _______ eternos enigmas da criação







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quinta-feira, 18 de março de 2010





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Toda a gente forceja por criar uma atmosfera que a arranque à vida e à morte. O sonho e a dor revestem-se de pedra, a vida consciente é grotesca, a outra está assolapada. Remoem hoje, amanhã, sempre, as mesmas palavras vulgares, para não pronunciarem as palavras definitivas. E, como a existência é monótona, o tempo chega para tudo, o tempo dura séculos.




Raúl Brandão
 
 
 
 
 
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fotografia http://www.portugalnotavel.com/a-ilha-praia-de-tavira/













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sábado, 13 de março de 2010







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Depois de tirar a roupa, atirou-se ao rio e pôs termo à vida. Vítima de bullying, a única saída possível foi a morte. Chamava-se Leandro, frequentava o sexto ano de escolaridade e tinha doze anos. E onde estavam todos? Onde andavam enquanto esta criança foi reiteradamente humilhada pelos colegas? Ninguém deu a menor importância a nenhum dos sinais de aflição? Oiço a notícia em forma de náusea na Rádio e à noite com sentimento de horror vejo-a confirmada num qualquer canal de televisão, já com sons de funeral. Uma informação monstruosa: a do rapazinho que se atirou ao Tua porque sofria violência física e psicológica por parte dos companheiros da escola face à paralisante imobilidade dos que o rodeavam. Com o espírito cheio de escárnio e desprezo deviam actuar em grupo, rir-se às gargalhadas e achar um piadão, cérebros de pigmeu, carcereiros de nojo. A valeta e o que nela vive fascina-os. Mancham as mãos com o sangue dos outros. Há o rapagão, com brutalidade no riso, que espanca e o miúdo frágil que exposto ao perigo sofre as agressões em silêncio porque tem medo e vergonha. É assim, sentem-se grandes, fortes e estupidamente engraçados por sujeitarem os que estão sozinhos ou são menos combativos, a situações vexatórias e cruéis; ignóbeis petrificados na insensibilidade mais absoluta que se enaltecem por arrastarem pela lama a auto-estima de inocentes. Indivíduos brutos, rudes com o objectivo de intimidar ou crucificar outro indivíduo incapaz de se defender. Repugnantes ameaças de forma continuada ao longo do tempo, sentiu aquele miúdo que nem sequer completou a Primavera. Praxar, rebaixar, envergonhar, agredir porque a lei que prevalece é a do mais forte e a do que está mais escoltado. Era uma criança calma, carinhosa e sensível, perfume leve e, ao contrário do irmão gémeo, nunca se conseguiu defender, talvez pretendesse dos outros apenas mera humanidade. Não era o super-homem; não era sequer rapaz encorpado; um menino assustado, uma vida em colherinhas de medo, uma sinfonia de tristeza. Dias de angustia, agitada e espasmódica. Vida pornograficamente curta, cheia de momentos e dias trágicos, amargos, sinistros nos seus avisos. Para ele havia apenas uma estação, a do sofrimento. Já tinha estado internado no hospital, há um ano, depois de ter sido pontapeado na cabeça. Um entre vários episódios de violência de que terá sido vítima. Cansado da tortura de quase todos os dias, agora é simplesmente um número que se encontra numa comprida galeria de vítimas, um dos muitos números sem vida. Desconhece-se o paradeiro do seu corpo, apenas que o tormento para ele foi um longo instante. As buscas alargadas até à foz do Tua e interrompidas sem sinal do cadáver: 130 homens da Protecção Civil, PSP e GNR e ainda cães treinados procuram Leandro. Alguém lembra ao Ministério da Educação uma frase de Antoine de Saint-Exupéry: «Todas as grandes personagens começaram por ser crianças, mas poucas se recordam disso». Amália e Armindo, pais da criança, debaixo de uma grande emoção, entorpecidos pela dor mais profunda, almas feridas de desgosto choram em desespero a morte do filho. Não têm palavras para exprimir a aflição e a desgraça. Em choque, deixam apenas as lágrimas correr pela face. O horror de pensar que uma existência se esgota de uma maneira revoltante. Estremeço com um apavorante pensamento: - "Podia ser o meu filho”.







 





Escrito por Luís Galego, http://infinito-pessoal.blogspot.com/














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... ,

..., ...

o silêncio do inocente

...






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Agradeço a Maria Manuela Cruz Gois a oferta da belíssima AGENDA "As Mulheres e a República", produzida pela UMAR  http://www.umarfeminismos.org   no ano em que a República comemora o seu 1º centenário.
Esta agenda põe as mulheres da Republica na ordem dos dias; efeminiza os dias da História ...




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segunda-feira, 8 de março de 2010

Hoje, especialmente hoje, quero frésias pela manhã ... e a poesia de Tolentino






Frésias são flores com cheiro a chá
e ela, aos trinta e sete anos, preferia-as
às flores que se vendem por aí
admitia a beleza mas não o esplendor
porque são tristes as repetições
num instante se tornam saberes
e ela, aos trinta e sete anos,
prezava apenas os segredos que mesmo ditos
permanecem como segredos

(em certas épocas, por alguma porta esquecida
escapava-se, sonâmbula, para o pátio
que dá acesso à mata
e, por vezes, iam buscá-la
gritando o seu nome ou com a ajuda dos cães
já muito longe de casa

tinha por hábito acender fogueiras
de que, depois, se esquecia
e por isso também os aldeões
a temiam)

nunca compreendeu a natureza da vida doméstica
intensa e aflita criança
incapaz de certezas

o que de mais belo soube
sempre o disse, de repente,
a alguém que não conhecia.





José Tolentino Mendonça, Baldios, Assírio e Alvim, p.21-22






















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sexta-feira, 5 de março de 2010

Cuando se cumplen 200 años del nacimiento de Fryderyk Chopin, Justo Romero, autor de Chopin, raíces de futuro, nos ayuda a desmitificar el perfil excesivamente blando y melancólico de un innovador implacable.







A pesar de ser uno de los compositores más populares de la historia de la música, Chopin es, al mismo tiempo, uno de los músicos más erróneamente apreciados. Un artista aparte, sin el menor parecido con cualquiera de los músicos de su tiempo, como reconocía su amigo Héctor Berlioz. Detrás de su aspecto asequible que parece tocar directamente al corazón sensible del oyente, su música oculta una personalidad “honda y violenta como un cráter en el océano”, por utilizar la expresión de su paisano Ignacy Jan Paderewski. “A Chopin”, escribe su amante George Sand, “no lo conoció, ni lo conoce todavía, la gran masa. Será menester que se operen grandes progresos en el gusto de la inteligencia del arte para que sus obras se popularicen. Llegará un día en que todo el mundo sepa que aquel genio tan inmenso, tan completo, tan sabio como cualquiera de los grandes maestros que asimiló, encerraba una individualidad más exquisita incluso que la de Johann Sebastian Bach, más poderosa todavía que la de Beethoven, más dramática incluso que la de Weber. Es como los tres juntos, pero también él mismo, es decir, más refinado en el gusto, más austero en la grandeza, más desgarrador en el valor”. Hoy, 200 años después de su nacimiento, estas palabras quizá exageradas se mantienen vigentes. Su modernidad implacable permanece intacta. Sin embargo, ni la musicología ni los maravillosos intérpretes que en los últimos decenios han acometido la obra de Chopin desde perspectivas alejadas de la cursilería han logrado ubicarle en el puesto que le corresponde entre los más rotundos innovadores de la historia de la música.

Justo ROMERO

http://www.elcultural.es/

quarta-feira, 3 de março de 2010









O texto é a única forma de identificar o sexo e a humanidade de alguém porque, ó poeta estranho, o sexo de alguém, é a sua narrativa. A sua, ou a que o texto conta, no seu lugar. Assim o sexo será como for o lugar do texto.


Quando se deseja alguém, como tu desejas Infausta, e ela deseja Johann,
é o seu lugar cénico que se deseja,
os gestos do texto que descreve no espaço
e chamar-lhe
precioso companheiro;
de mim, direi que fui uma vez enviado,
trouxeste a frase que nunca antes leras,
o meu corpo a disse, e não reparaste que ficaste com ela escrita.


Maria Gabriela Llansol
in Lisboaleipzig II, 1994











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Dedico esta página do Caderno à Daniela e ao "encontro inesperado do diverso", que marcou hoje, inesperadamente o nosso re.encontro, quando cruzávamos, distraídas, em sentido inverso, os degraus do tempo e a conversa nos levou para uma espantosa convergência (com Llansol em fundo ...). Um bom dia.


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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010






Horas antes esta esplanada era um sítio amável onde se tomava chá com scones e doce de maracujá.





Funchal, Sábado, 20 de Fevereiro _ 2010










Para o que aconteceu depois não tenho palavras
Foi tão brutal, tão insólito, tão duro
A ilha parecia de papel
(...)





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