segunda-feira, 31 de dezembro de 2007


Deixo-vos com o Willy ...

Estes olhos dizem tanto !

Espero-vos em 2oo8


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The Golden Age of Couture: Paris and London 1947 - 1957

Outfit by Christian Dior
22 September 2007 – 6 January 2008
Exhibitions, Room 39 and North Court
This glamorous exhibition focuses on Parisian and British couture between 1947-1957, a decade that Christian Dior described as the ‘Golden Age’ of fashion. On display are stunning gowns and exquisite tailoring from designers such as Balenciaga, Norman Hartnell, Balmain and Givenchy, as well as Dior.



Singing Sinatra

Jack Vettriano - The Singing Butler - Art Print - globalgallery.com-



Vesti-me a rigor e saí para dançar ...


Inesperada.mente
Vermelho a a.mar


na areia ...
indelevel.mente

perdida.mente

celebrei

Perdi o Norte ?

Que sorte !
(quase morte)







quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Y si Dios fuera una mujer






Ay Dios mío, Dios mío ...

qué venturosa, espléndida, imposible, prodigiosa blasfemia.

Mario Benedetti - Poemas




Benazir Bhutto ( faltam-me as palavras ... )

Acendi uma vela e fiquei a pensar ... como é possível ? Benazir é agora um nome sonante no meu coração. Uma aragem quente, a acender velas de coragem. Gritos de revolta ! ...

Benazir Benazir Benazir ... repetidamente (um nome quase familiar ... )

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u358459.shtml

«Ce drame est le dernier d'une série record d'attentats suicide dans l'histoire du Pakistan, qui ont fait plus de 780 morts en 2007. Le plus meurtrier, pour l'heure, avait déjà visé une manifestation du parti de Benazir Bhutto: le 18 octobre, deux kamikazes avaient tué 139 personnes lors d'un gigantesque défilé de sympathisants qui célébraient, à Karachi, la grande ville du sud, le retour de l'ex-Premier ministre après six années d'exil.» [Nouvel Obs]

domingo, 23 de dezembro de 2007


Fotografia de Sérgio Jacques, Campanário do Mosteiro de Leça do Balio



Deixo-me arrastar pela sedutora vertigem que me inculcam estes sítios, ponto de partida de tudo quanto de melhor me foi dado conhecer. Sinto-me repentinamente quite de todas aquelas anteriores imagens que ainda há pouco ameaçavam diminuir-me, liberto daqueles laços que ainda me levavam a acreditar ser impossível despojar-me, no plano afectivo, da personagem que ainda na véspera era. Abra-se esta cortina de sombras, e deixe-me eu guiar, sem receio, rumo à luz ! Gira, sol, e tu, noite imensa, afasta do meu coração tudo quanto não seja a fé na minha nova estrela !

" O Amor Louco", André Breton, Editorial Estampa, Lisboa, 1971 (pag. 67)

Um Natal tão especial ...




Depois de muitos ensaios ... o Natal sonhado e cantado por meninas lindas, lindas, lindas!
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Festas felizes


Oscar Peterson, até sempre ...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007





Então, é um cafézinho ?
Está tanto frio ...
Hoje não come nada ? Tenho daquele queijo ...

daquele curado, da serra.
Também tenho requeijão de Serpa ... chegou hoje, prefere ?



Tem pão do Torrão, sr Helder ? (Tenho ali um, mas é de ontem ...)

Não faz mal, até prefiro ...
Então, parta-me uma fatia fina com requeijão e tire-me um cafézinho.

Alguns minutos depois, debruçado na mesa ...



Trouxe-lhe o seu cafézinho (cheio em chávena fria, é dogma ... evita palavras), o pãozinho com requeijão e ... um fiozinho de mel ... vai provar este mel. Depois diga-me ...



Dobro o jornal local, que está sempre por ali, deito um olhar em busca de caras conhecidas ... mergulho naquele repasto quente, doce e único ...

entretanto, do meu canto, ouço as conversas ... enleio-me ...

observo o jeito vagaroso do Helder a "passar lustro" nos chouriços, dispostos com preceito, em exposição natalícia. Um irresistível sortido de vistosos chouriços "armadilhados" para seduzir. Um aparato que infringe qualquer norma, que supera a mais requintada embalagem.



Quando estou muito tempo fora do meu bairro, tenho saudades do café do sr. Helder e do sr. Helder !

Tenho saudades deste mimo ...



ASAE sneando ...

Este fabuloso café, vai "mudar de mãos" depois do Natal,

porque ... o sr Helder só trabalha com produtos cuja origem e destino ele próprio controla (selfcontrol). Com produtos dos quais se orgulha, pelos quais responde sem hesitação, com os quais gosta de brindar os clientes ... o belo bacalhau cortado "como deve de ser" ( o que já lhe custou muitas dores naquele braço direito desgastado de tantos natais), as ovas de sardinha, o presunto pata negra, as frutas da moda, as garrafinhas de um vinho especial, as compotas da Quinta velha, os bolos da Rosarinho, os sonhos da Ivone ...

No café do sr. Helder, a garantia de qualidade é ele próprio, de cara levantada, há mais de trinta anos atrás do balcão, pronto para todos os elogios (também aceita reclamações ... mas essas nem precisam de livro ... são raras, muito raras, resolvidas cara a cara, em amena cavaqueira.)

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O cliente ter sempre razão ...

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Mas ... o sr. Helder está cansado e eu também.

Como se entrasse na casa de um amigo ...

confiança maior não há ...

conversamos. Confessamo-nos ...

desabafamos.





De que serve morrer saudável ?

Assepticamente só ...


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Seguramente ... um enorme desperdício.


domingo, 16 de dezembro de 2007







http://www.newseum.org/

Os museus como experiência emocional e cognitiva . Lugar onde se pensa o mundo próximo e distante. Ponto de encontro. Deriva ...




Porque hoje é Domingo ... visite o Newseum Washington , um Museu do terceiro milénio, que tem como tema gerador " a notícia ", o seu universo de representações e os fortíssimos impactos na sociedade. Um museu privado em Washington. Um grande tributo aos jornalistas que, em todo o mundo, se batem pela liberdade.



Tudo por uma verdade inconveniente ...



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"The Newseum is located at the intersection of Pennsylvania Avenue and Sixth Street, N.W., Washington, D.C., on America’s Main Street between the White House and the U.S. Capitol and adjacent to the Smithsonian museums on the National Mall."



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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Reenvio esta mensagem ...


From: Museu da Música - mmusica@ipmuseus.pt
Subject: Viagens musicais à Alemanha, Bélgica e Portugal

As nossas viagens musicais pela UE terminam já no próximo dia 22 com um concerto comentado de guitarra portuguesa e cavaquinho, mas até lá teremos ainda a oportunidade de apreciar o trabalho que Willi Huber tem feito em prol do seu instrumento predilecto, a zither, e ainda o jazz made in Bélgica do Trio Vaiana.

.:: WILLI HUBER (ALEMANHA) ::.
Sábado, 15 de Dezembro de 2007 / 16:30 h

Prestes a chegar ao fim da nossa viagem, “saltamos” agora até à Alemanha para ouvir Willi Huber interpretar o instrumento da sua predilecção, a zither.

Geralmente associado à música folk, a zither será aqui apresentada por Willi Huber como um instrumento com várias facetas, capaz de percorrer a música de uma ponta à outra.


http://www.museudamusica-ipmuseus.pt/
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A entrada é, mais uma vez, livre.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007




Os meus olhos são uns olhos,
e é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos,
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos, diz flores!
De tudo o mesmo se diz!
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Pelas ruas e estradas onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente!!
Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos!
Onde Sancho vê moinhos,
D.Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!





" Impressão digital ", António Gedeão

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

http://www.e-cultura.pt/AgendaCulturalDisplay.aspx?ID=15774

"2008 - Um Festival Pina Bausch" será um festival diferente.

De 2 a 9 de Maio, Pina Bausch e a sua companhia vão estar presentes quase em simultâneo nos palcos do CCB e do São Luiz e em contacto muito directo com o público. Para além da apresentação de grandes obras da coreógrafa alemã (Café Müller — com a própria Pina Bausch em palco -, Nefés e Masurca Fogo), vamos ter filmes comentados, conversas com bailarinos da companhia e também com personalidades cujos percursos pessoais e profissionais se tenham, de alguma forma, cruzado com Pina Bausch.






Sobre literatura portuguesa online. E ... viva o " projecto vercial " !

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(...)

Começando por Gil Vicente, há uma edição brasileira do Auto da Barca do Inferno nos Google Books e os poemas escritos em castelhano estão publicados em sítios espanhóis. No Projecto Vercial, um projecto privado que colocou mais literatura portuguesa em linha que todas as instituições do Estado juntas, há uns fragmentos dos Autos da Índia e da Barca do Inferno. Existem em linha vídeos com fragmentos de algumas peças de Gil Vicente e, nalguns sítios de poesia e blogues, há partes de peças e alguns poemas.
A maioria das ligações do artigo da Wikipedia sobre Gil Vicente não vai dar a lado nenhum, o que significa que há um retrocesso da representação do autor em linha.

De Fernão Lopes há na Rede três crónicas para download na Biblioteca Nacional (ligações do artigo da Wikipedia) e no Projecto Gutemberg, o que, sendo útil, não é o melhor mecanismo para a "leitura" em linha e apenas o Projecto Vercial publica uma página com partes das Crónicas de D. Pedro, D. Fernando e D. João. E nada mais.
De Fernão Mendes Pinto há textos no sempre presente Projecto Vercial e na Biblioteca Nacional Digital, embora as ligações para esta última edição estejam quebradas na Wikipedia, e não seja fácil descobrir nas páginas a que se acede pelas ligações externas onde estão os textos. Partes da Peregrinação foram publicadas num blogue Carreira da Índia e nada mais ...

Bernardim Ribeiro está no Projecto Vercial e um ou outro poema disperso aparece em sítios de poesia, em particular brasileiros. Mas o texto da Menina e Moça não se encontra acessível e uma edição que existia de um amador americano tinha muitos erros de transcrição e parece ter desaparecido das primeiras procuras.A História Trágico-Marítima tem uns fragmentos no Projecto Vercial e uma edição em PDF na Biblioteca Nacional Digital e nada mais. Junto com a Peregrinação, este é um dos casos mais graves de sub-representação de uma obra identitária de Portugal e dos portugueses com muito pequena presença na Rede.

De Francisco Manuel de Melo há também muito pouca coisa em linha: uma referência às obras na Biblioteca Nacional Digital não funciona e escrevendo o nome do autor na procura não dá resultados. Existem edições académicas em PDF das Epanáforas de Varia História Portuguesa e da Carta de Guia de Casados e alguns poemas dispersos em sítios de poesia.

Dos grandes prosadores clássicos em português apenas o padre António Vieira está bem representado, com muitos dos seus mais famosos sermões integralmente publicados, com destaque para as edições brasileiras. É também um dos raros casos onde existe um índice dos seus textos em linha, cuidadoso, actualizado e acima de tudo simples de consultar e útil. "Não é grande desconsulação buscar e não achar?", perguntava o orador no seu Sermão da Primeira Oitava da Páscoa. No seu caso sempre há menos "desconsulação".Do padre Manuel Bernardes, um autor considerado como canónico para o português escrito, há muito pouca coisa em linha, uns fragmentos de prosa publicados no Projecto Vercial, em sítios brasileiros e apenas numa página brasileira e de índole religiosa se encontram alguns textos de Luz e Calor.
A mesma sorte não tem Frei Luís de Sousa, que, se não fosse o Projecto Vercial, praticamente não existia na Rede.

Bocage, o nosso último autor, para ficarmos no limiar do romantismo, está bem representado na Rede, embora padeça de dispersão que, no seu caso, é o preço do sucesso. Muitos dos seus poemas estão em blogues, sítios de poesia, páginas pessoais, embora a poesia erótica e satírica esteja menos representada do que o que se podia prever. O Projecto Vercial tem uma selecção da sua poesia "séria" e em muitos sítios se pode ler a sua Epístola a Marília sob o nome do seu primeiro verso a "Pavorosa ilusão da eternidade".Os resultados desta pesquisa com métodos comuns que representam as típicas literacias de procura na Rede são, para falar curto e grosso, catastróficos. Nem vale a pena estar a comparar com o que acontece em espanhol, francês, inglês e mesmo latim e grego.
Mas, oi tdbem quem krer falar = ao Bernardes? :- ).

(Versão do artigo no Público de 8 de Dezembro de 2007)

in :

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007


© IMC/DDF, Fotógrafo José Pessoa
Óleo s/ tela 43,5 x 33,5
Proveniência: Lisboa
Inventário: 51
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Esta pintura faz parte do acervo do museu da Guarda
(mas, se puder, vá mesmo ao museu ... é sempre melhor, mais emocionante)

domingo, 9 de dezembro de 2007

Há cadeiras vazias na igreja de Palermo ...

Fotografia e Sérgio Jacques
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Cuando la virgen bendita
lo parió,
todo el mundo lo sintió.

Los coros angelicales
todos cantan nueva gloria;
los tres reyes, la vitoria
de las almas humanales.

En las tierras principal
esse sonó
cuando nuestro Dios nasció.


"Villancico", Gil Vicente








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Fotografia de Flor Garduño



Eu vinha para a vida e dão-me dias ... (ruy belo)



d`aqui


Puro nonsense . Há dias assim ...


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sábado, 8 de dezembro de 2007

?

LENDO VENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS

Será que algum jornalista de algum noticiário (vi o da SIC e parte da TVI, porque o "serviço público" está em maré de canções) me informa alguma coisinha, por minúscula que seja, sobre o que se passa na Cimeira UE - África, o que é que se está a resolver, que problemas existem, quem defende ou combate o quê, alguma coisinha de substantivo que não seja o trânsito de Lisboa, as idas e chegadas dos chefes de Estado, a segurança e as manifestações, os pratos do dia, e mais mil e um pormenores estereotipados destas coberturas jornalísticas em Portugal? Não é certamente o mais importante, pois não? A não ser que fique apenas o discurso oficial congratulatório de Sócrates e se tenha que ler a imprensa inglesa...

Absolutamente Abrupto ...


Djenné, Mali.Dezembro 2006 . Fotografia Maurício Abreu (viagens)


Relatório sobre o desenvolvimento mundial de 2008 - Agricultura para o desenvolvimento
(clicar para ler - doc pdf )

Africamente falando ...

"Diário de um sociólogo" de Carlos Serra



sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

I Forum do Património Imaterial do Douro
Transmissores de património imaterial devem ser valorizados O director do Museu Nacional de Etnologia, Pais de Brito, defendeu hoje a valorização daqueles que dão a conhecer o património imaterial … more »No Mundo dos Museus...

Museus do Sec XXI - Conceitos, projectos, edifícios


Fotografia iv - Musée Quais Branly - Paris , inaugurado em Junho de 2006


Exposição e ciclo de conferências na Culturgest. Galeria 2
Lisboa: 8 de Dezembro de 2007 a 3 de Fevereiro de 2008

Nos últimos anos, por todo o mundo têm sido construídos numerosos museus ou tem-se procedido a renovações ou expansão de outros. As tentativas de muitas instituições de integrarem a arquitectura contemporânea no programa dos seus museus coloca mais uma vez a questão sobre a forma e a função de um museu e, simultaneamente, a discussão sobre as relações entre a arquitectura (o espaço) e a arte (a exposição).


Em 2000 Suzanne Greub, directora do Art Centre Basel organizou a exposição Museus para um Novo Milénio, que até 2005 foi apresentada em 17 museus ou centros culturais por todo o mundo (incluindo o CCB, em Lisboa).


A presente exposição vem no seguimento da anterior e apresenta 27 dos mais interessantes e seminais projectos de edifícios museológicos desenhados, acabados ou em construção, entre os anos 2000 e 2014. São projectos muito diversos que revelam diferentes pontos de vista sobre o conceito de museu, o seu papel na sociedade contemporânea e as suas traduções arquitectónicas.
Os projectos são apresentados através de modelos cuidadosamente escolhidos, fotografias, simulações por computador, plantas, desenhos, animações em DVD e vídeos. O Art Centre Basel concebeu cada uma destas apresentações em estreita colaboração com o respectivo arquitecto mas consistentes com as directrizes por si definidas de modo a obter-se uma unidade e coerência expositivas.
A exposição não só procura contribuir para o debate sobre a forma exterior dos museus mas também para chamar a atenção para os diferentes programas que as instituições concebem tendo em vista a satisfação dos seus públicos.


Concepção e coordenação: Art Centre Basel, Basel, Suíça _______________________________________________________________
Fonte No mundo dos museus (Blog Museologia)
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Percursos na Costa Azul ...

Descobrir e divulgar as tendências da produção artesanal do distrito de Setúbal (Costa Azul) foi o propósito deste livro.

Durante 10 meses, o contacto com os artesãos da região permitiu-nos conhecer produtos artesanais que, antes de mais, são o fruto de actividades que aliam o homem ao meio.

O fascínio por objectos únicos com 'história', envolvendo criadores e cenários de produção, animaram a descoberta de espaços e personalidades humanas que, em traços largos, nos revelam a identidade da região.

Este livro privilegiou um discurso sobre o homem e a paisagem e a cumplicidade entre saberes ancestrais, inovação e aproveitamento de recursos, no devir quotidiano onde tudo se mistura e transforma.

(Fazer este livro foi um prazer)

Editor: Região de Turismo de Setúbal - Costa Azul

Autores do projecto: Isabel Victor, Luís Jorge Gonçalves e Maurício Abreu
Produção e fotografias de Maurício Abreu
Texto de Isabel Victor e Luís Jorge Gonçalves
Design de José Teófilo Duarte

Formato: 23,5 x 30,5 cm; 128 páginas
194 fotografias a cores


http://www.mauricioabreu.com/middle_livros_pub_turismo.html

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Clique na imagem para ampliar


Arribas – Paisagens, Geologia, Fauna e Flora, é o título da exposição de fotografia do f2.8 – Colectivo de Fotografia, que está presente no Museu Nacional de História Natural – Museus da Politécnica, na Rua da Escola Politécnica nº. 58 em Lisboa, até 28 de Dezembro.

O f2.8 – Colectivo de Fotografia é constituído por um grupo de autores que têm por objectivo primordial potenciar e dinamizar experiências individuais e colectivas no campo da fotografia, numa diversidade de temas, de estilos e de abordagens fotográficas.

A exposição, que decorre de uma parceria celebrada entre o “ f2.8 CF “ e o Museu Nacional de História Natural, pode ser visitada de Terça a Sexta, das 10 às 17 horas e aos Sábados e Domingos das 11 às 18 horas. Encerra às Segundas e Feriados.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Adolescência regressiva



«Vivemos hoje um período de menoridade e de adolescência regressiva em que, predominando o intelecto passivo, as pessoas se auto-satisfazem e auto-iludem com os lugares-comuns ideológicos, com os discursos demagógicos e com as ideias convencionais de gerações que, para repudiarem um certo tipo histórico de nacionalismo, perderam a própria identidade e já não sabem quem são ou para que são, como portugueses».
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de António Quadros - in "Portugal, Razão e Mistério".
citado por JAB, em :http://geometriadoabismo.blogspot.com/



“(…) it is not the object itself that produces desire but our desire that elevates an ordinary object into an impossible one.”

Todd McGowan “ The Impossible David Lynch
”, pp. 63-64




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domingo, 2 de dezembro de 2007

Recomenda-se ...
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___________ interview with Todd McGowan ... ____________
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Irene Flunser Pimentel moderará o debate ...


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5 de Dezembro, das 18h às 20h30
No auditório do SPGL, Rua Fialho de Almeida nº 3 (Bairro Azul) - Metro S. Sebastião.


Formato : intervenções de cerca de 15 minutos, para cada orador,
pela seguinte ordem:

Joana Lopes - Os católicos e a imprensa clandestina
José Augusto Rocha - Os “tribunais plenários”
Fernando Rosas - Os arquivos e os juízes dos “tribunais plenários”


*



A moderadora do debate, Irene Pimentel, pertence à segunda geração dos investigadores da nossa história contemporânea.

História da PIDE (ed. Círculo dos Leitores), lançado no final do mês de Outubro, é o seu mais recente contributo para esse estudo.

O seu anterior trabalho, feito em conjunto com João Madeira e Luís Farinha, tratava, como o título denota, das Vítimas de Salazar – Estado Novo e Violência Política (ed. Esfera dos Livros, 2007).


Em 2000 publicou um exaustivo estudo sobre História das Organizações Femininas no Estado Novo (ed. Círculo dos Leitores), abrindo novos caminhos para a investigação sobre a formação das mentalidades no Portugal do século XX.


Outro campo das suas investigações incide sobre a II Guerra Mundial, em especial sobre os refugiados que chegaram a Portugal, destacando-se, aqui, a obra que publicou em 2006, Em Fuga de Hitler e do Holocausto (ed. Esfera dos Livros).


Dentro do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! integra o grupo de trabalho que estuda a criação de um espaço de memória na antiga sede da PIDE/DGS, que se situava na Rua António Maria Cardoso, onde hoje se edifica um condomínio privado.







E ... o debate continua AQUI


sexta-feira, 30 de novembro de 2007


O livro já está nos escaparates da " Bulhosa " - no Campo Grande. Lisboa
Mais informações :
t: +351 296 929 084
www.outrora.pt
E ... a propósito
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"Sabemos que anda em marcha uma campanha para obliterar a nossa rica cultura e as baixas vão-se contando com alarmante velocidade em lugares estratégicos dos pensadores que são rotulados (por quem?) de dispensáveis. A verdade é que há uma cultura latente que de vez em quando faz emergir a coragem de voltar aos clássicos e ter curiosidade por aquilo que escreveram e pensaram. Por isso é bom lembrar um português que se soube distinguir nas letras e no pensamento identitário. Será melhor ainda que outros venham à tona da água e, por mãos hábeis como as deste autor, revelar o que pensam. No nosso tempo o que mais importa é fazer perguntas aos velhos autores, novas perguntas, porque eles estão cheios de respostas antigas e provadas para as gerações cheias de angústias e dúvidas. Porque é que se lê ainda Camões, porque é que se lhe fazem perguntas? Trata-se, como Amador Arrais, de uma múmia ou de um autor dos nossos dias com quem se pode dialogar na mesma linha, na mesma cultura, com inteligência igual? Ou não: tudo deverá ser enviado para a cave nacional para que os novos acordados e saídos de um filme de Carpenter tomem conta das ocorrências. "

Texto de António Marques Bessa (contra-capa)

SINAL STOP ! PARAR PARA PENSAR ...

Experiências em e-inclusão nos museus – o estado da arte

3 de Dezembro de 2007, Lisboa


Debate integrado na reunião ministerial dedicada à política europeia de e-inclusão
Organização: Comissão Nacional Portuguesa do ICOM


Informações e contactos:
Apartado 141441050-998 Lisboa

info@icom-portugal.org
http://www.icom-portugal.org/

Fonte: Site Rede Portuguesa de Museus

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Clicar em cima da imagem para aumentar
Fotografia iv


GLOSA DE NATAL

A estação dos Natais comercializados chegou. Para quase toda a gente – fora os miseráveis, o que faz muitas excepções – é uma paragem quente e clara no Inverno cinzento. Para a maioria dos celebrantes de hoje, a grande festa cristã fica limitada a dois grandes ritos: comprar de maneira mais ou menos compulsiva, objectos úteis ou não, e empanturrar-se a si e às pessoas da sua intimidade, numa mistura indestrinçável de sentimentos em que entram igualmente a vontade de dar prazer, a ostentação e a necessidade de se divertir. E não esqueçamos os pinheiros, símbolos antiquíssimos que são a perenidade do mundo vegetal, sempre verdes, trazidos da floresta para acabarem morrendo ao calor dos fogões, e os teleféricos despojando esquiadores na neve inviolada.



Embora não sendo nem católica (excepto de nascimento e de tradição), nem protestante (excepto por algumas leituras e influências de alguns grandes exemplos), nem mesmo cristã no sentido pleno do termo, nem por isso me sinto menos levada a celebrar esta festa tão rica de significados e o seu cortejo de festas menores, o São Nicolau e a Santa Lúcia do Norte, a Candelária e os Reis. Mas limitemo-nos ao Natal, esta festa que é de nós todos. Trata-se de um nascimento, de um nascimento como todos deveriam ser, o de uma criança esperada com amor e respeito, trazendo em si a esperança do mundo. Trata-se dos pobres: uma velha balada francesa canta Maria e José procurando timidamente em Belém uma hospedaria para as suas posses, sempre desprezados em favor de clientes mais ricos e reluzentes e por fim insultados por um patrão que “detesta a pobralhada”. É a festa dos homens de boa vontade, como dizia uma admirável fórmula que infelizmente já nem sempre se encontra nas versões modernas dos Evangelhos, desde a serva surda-murda que ajudou Maria no parto até ao José aquecendo fraldas do recém-nascido diante do pequeno fogo, aos pastores, cobertos de sebo mas julgados dignos das visitas dos anjos. É a festa de uma raça tantas vezes desprezada e perseguida, porque é judeu o recém-nascido do grande mito cristão ( falo do mito com respeito, e emprego a palavra no sentido dos etnólogos modernos, significando as grandes verdades que nos ultrapassam e de que precisamos para viver.)



É a festa dos animais que participam no mistério sagrado desta noite, maravilhoso símbolo de que São Francisco e alguns outros santos sentiram a importância, mas que os cristãos comuns desprezam, não procurando nele inspiração. É a festa da comunidade humana, porque é, ou será dentro de dias, a dos três Reis cuja lenda quis que um fosse preto, alegoria viva de todas as raças da Terra levando ao Menino a variedade dos seus dons. É a festa da alegria, mas também da dor, pois que a criança hoje adorada será amanhã o Homem das Dores. É enfim a festa da própria Terra, que nos ícones da Europa do Leste vemos tantas vezes prosternada à entrada da gruta onde o Menino nasceu, a mesma Terra que na sua marcha atravessa nesse momento o ponto do solstício de inverno e nos arrasta a todos para a primavera. Por esta razão, antes que a Igreja tivesse fixado o nascimento de Cristo nesta data, ela era já, nos tempos antigos, a festa do sol.

Parece que não é mau lembrar estas coisas que toda a gente sabe e que tantos esqueceram.

Marguerite Yourcenar
in "O Tempo, esse grande escultor".

quarta-feira, 28 de novembro de 2007


Palavras silenciosas atravessam o caminho da verdura ...





São de granito estas pedras em que me enrolo (...)



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São " Cursos de água " de Ângela Marques Neste perfil in.completo
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terça-feira, 27 de novembro de 2007


( ... )

a casa quente
o açúcar em ponto de pérola e as gemas para o pudim do abade
as maçãs reineta cobertas de massa de areia
o chocolate negro negro
para a mousse e o fondant
o vinho quente com especiarias e gomos de laranja
o doce de leite
a porcelana de flor de pessegueiro
e eu sem galhos para acender o fogão

pela tarde vestir-me-ei de negro serei minhota
enfiarei contas de oiro de viana
pendentes de oiro puro, arrecadas
flores na casa quente para honrar os que virão

( ... )




Chama de jasmim. doces de "blue" neste cedo . muito cedo ...
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segunda-feira, 26 de novembro de 2007


“Le Patrimoine Culturel Immatériel de l’Europe:

inventer son inventaire”
Colloque 30 novembre 2007

L’Institut national du patrimoine - INP
Auditorium Colbert, 2 rue Vivienne,
75 002 Paris



Au 1er février 2007, 74 États ont ratifié la convention de l’UNESCO sur le patrimoine culturel immatériel. Ce texte élargit la notion de patrimoine aux rites, coutumes, chants, danses et savoir-faire traditionnels et insiste sur l’implication des communautés dans la valorisation de leur patrimoine : il constitue pour nos pays européens un nouveau défi. L’objectif de cette rencontre, qui réunira des spécialistes européens (universitaires, membres d’institutions culturelles), est de développer la réflexion sur ce sujet en confrontant les différentes méthodes de réalisation des inventaires du patrimoine immatériel.



Programa
Comunicado de Imprensa

sexta-feira, 23 de novembro de 2007




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A filosofia epicuréia, esse leito estreito, mas limpo.

"Memórias de Adriano"





E ... a propósito de Tags, Taggers , Tagging e outras "etiquetagens" espreite
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Cartaz da autoria de Dina Cruz


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Sábado, no Museu do Trabalho, mais uma Tarde Intercultural dedicada ao tema " Não trabalho " que também poderia ser " Não condição ". Negação.




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Das 15 ás 18 horas
No Largo dos defensores da República


quinta-feira, 22 de novembro de 2007

China coloniza África

escritor Henning Mankell

País cheio de pobres, a China exporta-os para África. Aqui, os Chineses comportam-se como autênticos colonizadores, como os Portugueses, uma forma terrível de colonização, os Africanos são mal tratados por eles. Podemos fazer aos pobres não importa o quê. Se África se enche de Chineses, é claro que Moçambique também. E chegando, levam as matérias-primas. Ora, os dirigentes de Moçambique tiram proveito financeiro desta política - eis o que diz, entre outras coisas, o escritor sueco Henning Mankell, um dos romancistas mais lidos no mundo, que vive há mais de 20 anos com um pé em Moçambique e outro na Suécia, ele, que é genro do grande cineasta Ingmar Bergman (casou-se com Eva Bergman, filha de Bergman, recentemente falecido) e que se prepara para publicar um livro que se vai chamar "O chinês" (com base do trabalho de pesquisa feito na China e em África). Leia aqui, em francês, uma entrevista exclusiva, com o título "O que me revolta", que deu ao Nouvel Observateur (se não sabe francês, use o tradutor que se encontra do lado direito deste diário, logo logo a seguir à galeria de fotos do BUMBzee). E muito obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio da referência.
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in Carlos Serra Diário de um sociólogo


História esquecida
de uma operária assassinada
pela Guarda Republicana
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(chamava-se Mariana Torres ...)
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Há 96 anos, as mulheres das fábricas de Setúbal, com sa­­lários que oscilavam entre os 350 e os 400 reis, exigiam au­­mentos de 50 reis por hora. O advento das máquinas de sol­dar e a crise da indústria conserveira ameaçavam pôr no desemprego milhares de operários. Declarada a greve a 21 de Fevereiro de 1911 – tinha a República cinco meses –, de­pressa se revelou a intransigência dos patrões. Sucederam--se os incidentes violentos, ao ponto de o administrador do concelho encerrar duas associações operárias e banir da cidade dois sindicalistas. No dia 25 de Fevereiro, o opera­ria­do de Setúbal declarou a greve geral. Foram enviados para a cidade vários contingentes militares e a canhoneira Zaire. Os trabalhadores, intimidados, regressaram ao traba­lho no dia 28, mas não as mulheres: recusavam retomar o tra­balho enquanto não lhes dessem os aumentos de salário. Os industriais respondem então com o lock-out. A 13 de Março, dão-se confrontos na fábrica Costa e Carvalho, in­va­dida pelas grevistas quando se apercebem de que mulheres da família do patrão as substituíam no trabalho de enlatar o peixe. São insultadas e agredidas por alguns dos 50 solda­dores presentes (os soldadores, categoria mais bem paga, não tinham aderido à greve). Paulino de Oliveira, re­publi­cano conhecido e irmão da proprietária, chega ao pon­to de dar chibatadas a várias mulheres. Em seguida, co­mo as mu­lheres vaiassem os soldados da Guarda Repu­blicana que protegiam as carroças de peixe em serviço na fá­brica, a guar­da carregou, dispersando as grevistas a tiro e à coronhada. Entre os operários, muitos feridos e dois mor­tos: Mariana Torres e António Mendes. Todas as fábricas reabriram na segunda semana de Abril, com as operárias e os operários derrotados e de luto. Signifi­ca­tivamente, da jovem operária assassinada nada se sabe, e até o seu nome se perdeu nos relatos, só muito mais tarde tendo sido recuperado.Dois dias depois dos assassinatos de Setúbal tinha-se rea­­lizado em Lisboa uma reunião de protesto de represen­tantes das associações operárias e a 20 de Março foi procla­mada uma paralisação do trabalho por 24 horas, reclaman­do a demissão do administrador do concelho de Setúbal, a readmissão de alguns dos despedidos e a libertação dos ope­rários que tinham sido presos. Muitos milhares de ope­rários de Lisboa abandonaram as fábricas e oficinas em apoio dos seus camaradas setubalenses.Aquela tarde de 13 de Março, ao fim de três semanas de con­flito, foi “a primeira nódoa de sangue na República”(1) e “um dos [seus] mais tremendos pesadelos”(2) . E também um grande revés para as mulheres, que passaram a trabalhar 9 horas em vez de 8, e para os moços de fábrica, que pas­sa­ram a receber pelo trabalho nocturno 40 reis, quando antes recebiam 50. O sindicalista Carlos Rates, que animara a greve, foi detido(3).Uma feminista contraditóriaA sangrenta repressão na fábrica Costa e Car­va­lho pôs em causa Ana de Castro Osório, a mais ilus­tre feminista da época, pela sua ligação familiar à dona da fábrica e a Paulino de Oliveira, seu marido. Criticada no Germinal de Se­túbal pelo anarquista Martins dos Santos(4), Ana de Castro Osório respondeu, em artigo no Radical (propriedade de seu marido), que “a greve das mulheres das fábricas de con­serva foi extemporânea e, mais ainda, injusta”. Discorda­va que se transformasse a associação num órgão reivindicativo e aconselhava antes as operárias a cotizar-se para fundar uma escola primária para elas e para os filhos. Acusava a gre­­ve de “ser estimulada e aproveitada pelos que nutrem ódio à República” e as grevistas de serem manipuladas como “carne de canhão para o triunfo dos superiores”, isto é, os ope­rários soldadores das fábricas de conservas. Em resposta à alegação das operárias de que defendiam o pão dos seus filhos, Ana de Castro Osório justificava que “os fabricantes também defendem o dos seus” e “lutam para sustentar uma indústria que não tem grandes condições de resistência”. Como os sindicalistas, em resposta, organizam o boicote à venda do jornal, O Radical contra-ataca, a 6 de Abril: “O pouco senso, menos desculpável até que o das mulheres, de todo incultas e inexperientes, chegou à loucura de tenta­rem uma greve geral – querendo bloquear burgueses e não bur­gueses, a cidade inteira, pela fome, pela sede, e até pela… imundície amontoada!” Por último, numa derradeira edição, o jornal republicano ataca “As mulheres… desgovernadas”: “Até as mais intransigentes, as mais danadas, já vão solicitar bilhetinho, um cartão misericordioso, que lhes permita obter trabalho noutras fábricas!… (…) Malditos!(5)”A amargura veemente desta praga estava relacionada com a iminente partida do casal e o fecho inesperado do jor­nal. Com efeito, em Maio, Ana de Castro Osório acom­panhou ao Brasil o marido, subitamente nomeado cônsul de Portu­gal em S. Paulo, numa ausência que alguns equi­pararam a exí­lio. Regressada a Portugal em 1913, a feminista não mais retornou a Setúbal e passou a residir em Lisboa.Na cidade sadina, e durante vários anos, a data do 13 de Mar­ço foi assinalada com concorridas manifestações públi­cas de protesto junto às campas dos grevistas mortos, segui­das de sessões de propaganda promovidas pelas associações operárias.A República e as mulheres do povoA Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, organizada em 1909 por Ana de Castro Osório, nunca teve mais de 500 aderentes. A sua desmoralização ter-se-á acen­tuado quando, a 14 de Março desse ano de 1911, o Partido Re­pu­blicano aprovou a lei eleitoral sem consagrar o sufrágio uni­versal, como sempre prometera, deixando de fora pratica­mente todas as mulheres. Os incidentes da greve e a polémi­ca gerada em volta das posições assumidas por Ana de Cas­tro Osório terão contribuído também para este afasta­mento em massa.Dias depois dos dramáticos incidentes de Setúbal, esta es­­crevia, em resposta a uma operária que se queixava do de­­sinteresse das intelectuais em educar as operárias: “A mu­lher do povo é que, em geral, não tem correspondido à boa vontade que as intelectuais têm tido para com ela, malsinan­do-lhe os seus intuitos umas vezes, desconhecendo-os ou­tras, e ainda outras acolhendo todas as iniciativas que lhes cum­pria auxiliar com a sua presença e boa vontade, com a mais escarninha indiferença”. E concluía, numa nota em que fica patente a decepção: “Em todas as terras onde as senhoras que pertencem à Liga têm tentado chamar a si a mulher do povo, pouco ou nada se tem conseguido”(6).Esta atitude reflecte o sentimento geral das restantes re­­pu­­blicanas daquele tempo. Longe ia já o tempo em que Ana de Castro Osório via com entusiasmo a luta social: “…A mulher tem o direito, mais, tem o dever de entrar na lide e, ao lado do oprimido, do fraco, pugnar pela felicidade ou pela menor desgraça dos que sofrem”.(7) Aliás, por esta al­tura, e certamente para marcar a sua distância em relação a determinadas sensibilidades na Liga, ela fundou, com ou­tras, a Associação de Propaganda Feminista, cujo fim era “ele­­var a mulher pela educação e pela instrução”. Num dis­curso de 1912, dirá: “A nossa luta não é, por agora, a cam­panha frondista das ruas e dos comícios. Não! Deixemos a outras esse papel glorioso e ruidoso que é necessário tam­bém, e caminhemos nós, sem nos hostilizarmos mutuamen­te, porque todas as propagandas femininas são úteis…”(8) O núcleo de 200 a 300 burguesas combativas que antes de 1910 liderava esse movimento de opinião – irmãs de lu­ta dos políticos republicanos – prosseguirá, agora virado para dentro, a sua estratégia de classe, que deixava de fora a grande maioria das portuguesas. A visibilidade da causa fe­minista declina a partir de 1913, quando se torna claro que o grupo parlamentar republicano nunca consagrará o di­reito de voto para todas as mulheres, já para não falar na igual­dade na família, no trabalho e na educação.O feminismo anti-operário, tornado dominante, limitará a sua actividade aos aspectos associativos e assistenciais e ao apoio incondicional à política dos dignitários republica­nos (incluindo a campanha para o alistamento no Corpo Ex­­pedicionário Português que irá combater em França), ape­­sar do apoucamento das suas reivindicações mais avança­das por parte daqueles. As mulheres das outras classes fi­ca­ram votadas ao ostracismo.À medida que se ia afirmando o carácter burguês do mo­­vimento de emancipação, também nas lutas operárias dei­­xaram de ter lugar os ideais feministas, tornados impopulares e considerados como uma causa estranha à classe. Co­mentários deste género eram frequentes: “A mulher quer o voto? Não! Faço-lhe essa justiça. Quem o pretende é uma re­duzida minoria de ambiciosas de espírito tacanho, que nada mais vêem que a bonita figura que poderiam vir a fa­zer num parlamento, falando e discutindo, rubras, indi­gnadas, em rasgos sublimes de oratória.”(9) Foi o descaso dos republicanos em geral pela condição fe­minina nas camadas laboriosas e o desprezo dos seus su­ces­­sivos governos pelas cidadãs que proporcionou a Salazar, em 1928, um forte apoio das mulheres do povo. A “penúria agradável” da “casa portuguesa” em que o dita­dor as quis fazer viver, sendo já outra história, é no entanto a conse­quência desta.
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Texto de Ana Barradas
In "Greve das conserveiras de Setúbal"

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Fontes :


(1) O Radical, 19 de Março.
(2) O operariado e a República Democrática, 1910-1914, p. 265.
(3) Carlos Rates, mais tarde fundador do Partido Comunista, era então dirigente da Associação dos Trabalhadores e da União Local de Trabalhadores.
(4) Germinal, 25/2/1911.(5) O Radical, a 27 de Abril.
(6) O Radical de 6/4/1911, “Feminismo – Resposta a uma operária”, p. 2, col. 3.
(7) Às mulheres portuguesas, 1905.
(8) Sessão de 12/5/1912.
(9) Germinal, 10/5/1913.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007


Fotografias realizadas por Maria Miguel. Trabalho de campo - Arquivo Museu do Trabalho












A Fundação Mário Soares e o Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa realiza nos dias 22 e 23 de Novembro de 2007 um Seminário Internacional sobre o tema genérico Memória e Testemunhos Orais.


O Seminário Internacional Memória & Testemunhos Orais pretende dar a conhecer e discutir o estado da arte em matéria de História Oral, recolhendo experiências nacionais e internacionais.


Esta iniciativa reúne especialistas de diferentes unidades de investigação e visa incorporar conhecimentos e práticas de outras áreas, designadamente da comunicação social, procurando ainda abordar os desafios que a História Oral - Wikipédia suscita nos âmbitos arquivístico e dos direitos de autor.








Programa, Cartaz, Inscrições, em http://www.fmsoares.pt/




Posted in No Mundo dos Museus

Em busca do infinito-pessoal perdi-me em Sintra ...



entranhei-me no Lawrence's , e fiquei AQUI a peregrinar "" no lugar em que Lord Byron foi um dos seus hóspedes famosos, durante um Verão onda consta ter escrito parte do poema «Childe Harold’s Pilgrimage», com algumas estrofes dedicadas a Sintra. O poeta romântico viu o Glorious Eden, num encantamento igualmente experimentado por Bulhão Pato, Camilo, Herculano, Oliveira Martins ou Ramalho Ortigão. O "variado labirinto de montes e vales" que inflamou o romantismo de Byron, e que Eça descreveu com a mesma paixão, através do olhar de uma personagem de Os Maias: "... E de ali olhava a rica vastidão de arvoredo cerrado, a que só se vêem os cimos redondos, vestindo o declive da Serra como o musgo veste um muro.". Com este espírito me instalei por uns momentos no Lawrence's – onde tudo cheira a história e literatura – o mais antigo hotel da Península lbérica e uma das mais antigas hospedarias da Europa, que tem o privilégio de usufruir essa paisagem única, justamente considerada património da humanidade, e de partilhar sentimentos com alguns dos maiores vultos da cultura dos séculos XIX a XX. Passaram por ali rainhas e chefes de Estado. Ali se deleitou William Beckford. Ninguém pode ficar indiferente perante tal beleza, nem esconder a sensação que ela desperta. E, nesse espaço fascinante, ainda há oportunidade para fruir outros prazeres, designadamente os da boa mesa. Cabe convocar Júlio César Machado ("Machadinho", "Le Petit Machado", "Literato Janota" ou "Folhetimfex Maximus", como lhe apelidou Ramalho), quiçá o mais afamado folhetinista da Lisboa dos finais do século XIX, que confessava: "... Quando quero supor-me em Londres por alguns dias, vou simplesmente para o hotel Lawrence, em Sintra (...). Quando em qualquer terra houver seis hospedarias, e uma delas for inglesa, há-de ser esta onde mais se coma, onde se bebe melhor, onde haja um criado mais activo, a onde mais se conserva o respeito pelo confortable!..."".



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segunda-feira, 19 de novembro de 2007


A única teofania possível da época
contemporânea
é o corpo desvelado.
Os que estão nos templos
em frente às imagens
e os que estão nos computadores
em frente aos écrãs


aguardam todos pela aparição dos
mesmos deuses,

a revelação da carne.

A carne transfigurada pela fantasia
é a própria visitação do espírito ao

mundo.

Eu quero a tua carne, exposta,
crucificada,
cruzamento da eternidade
com o tempo.




Poema
de Vitor Oliveira Jorge
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domingo, 18 de novembro de 2007


Estava, agora mesmo, a ligar-te ... _________________________________________




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sábado, 17 de novembro de 2007

“E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros. E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.”


Haruki Murakami

in 'Kafka à Beira-Mar'



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MUSEU DO POBO GALEGO


Segundo foro do Instituto de Estudos das Identidades

Nesta ocasión o tema é Inmigración, Cidadanía e Identidade.

Pódese acceder a el desde o noso sitio www.museodopobo.es ou directamente no enlace
http://foro.imaxin.com/ .

En canto rexistrados no primeiro foro non necesitades facelo de novo, e podedes acceder co mesmo nome de usuario e contrasinal do foro anterior.

Por favor, espallade a existencia do foro entre aqueles que poidan estar interesados en participar no mesmo, co fin de acadar a maior participación posible nesta fase virtual.

Oportunamente informaremos da celebración da sesión presencial, prevista para o 12 de decembro.





Materiais para o debate :

Representación criminóxena do inmigrante
José Luis Alba Robles

Galicia: de pobo emigrante a espazo de acollida
Xosé Luis Barreiro Rivas

Inmigración e identidade en Galicia
Miguel Anxo Santos Rego

A inmigración en Galicia. Patróns demográficos e identitarios
Antonio Izquierdo Escribano

Muller, inmigración e identidade
Gema Martín Muñoz


quinta-feira, 15 de novembro de 2007


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?




" Traduzir-se " de Ferreira Gullar


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