sábado, 5 de maio de 2007

Às voltas com os livros ...








Esta semana tenho andado às voltas com os livros ...
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Resolvi arrumar as estantes. Pôr ordem no caos destas prateleiras. Mas ... é tão difícil ! Tento ganhar espaço para os novos livros, para as recentes aquisições, que se vão amontoando nos sítios mais impróprios.
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No quarto, à cabeceira, em pirâmide, misturados com os colares e pulseiras, estão "aqueles" livros, lidos e relidos, que me contam histórias ao deitar, no WC as revistas de consumir e deitar fora, na sala de jantar os que vou consultando, à pressa, entre refeições, à laia de aperitivo para uma jornada de trabalho. Catálogos práticos e utilitários, sempre à mão, em cima do guarda-louça, com vontade de saltar para a mesa, em sã convivência com os pratos, as colheres, as facas e os garfos ...
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Outros, mais acomodados, mais bibliotequizados, ganharam, há muito, estatuto de prateleira. Perfilam-se em pose de livro "sério", no comboio das estantes, corredores fora, até à sala de estar, paredes meias com cêdês, dêvêdês e outros ês ...
Fazem parte da paisagem doméstica ... da quietude dos dias lidos e vividos.
O que os distingue da pose tecnocrática dos livros perfilados em bibliotecas públicas é que estes (os domésticos), nunca estão sózinhos nas estantes.
Fotografias, programas de espectáculos, canetas, tinteiros, papel de carta, pequenas esculturas, caixas e caixinhas, defumadores, conchas, salvas de prata que lembram historias antigas de casamentos e baptizados, brinquedos de outros tempos, chaves de gavetas esquecidas, velas, incensos e ... um sem número de memórias, evocam diálogos animados com os livros amados, sempre acompanhados ...
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Remexer nas estantes é sempre prazeroso e demorado. Vou continuar devagar, por etapas ... prefiro perder tempo a perder a oportunidade de reler (ou revisitar ) livros que são objectos de culto. Que valem pelas palavras e pelas memórias que evocam.
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Está neste caso um livro, meio adormecido (estantizado), que me saltou para o colo e me reclamou, tantos anos depois, algumas linhas neste caderno. Um lugar nobre na blogribalta.
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Trata-se do romance " Imitação do prazer "de casimiro_brito , prefaciado por Maria Lúcia Lepecki, da Moraes, editada em 1979 (2ª edição), comprado na CDL por 350$00 (preço a lápis)
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" Deitado sobre o meu passado obcecava-me um só projecto: deixar-me possuir pelo acto ambicioso de reinventar o mundo em volta; abandonar-me ao teu fogo, procurar em ti o centro do meu universo. Abria-se diante de mim uma árvore inteirament nova, um jogo obcessivo de que eu não conhecia a mais elementar das regras.
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Precisava, sim, de um pouco de coragem (falo aqui da violência com que desvastamos, e que nos desvasta um corpo muito amado; da violência, ou não, bastante para incendiando-o, a esse corpo como desamado, o não destruir), ou da coragem de quem capitula, sem condições, perante o mais obscuro dos inimigos, olhos nos olhos, as mãos, os ossos, a atenção infinitamente desperta, enquanto aguarda o momento de o dominar, a esse corpo, ou ao tempo, de o transformar na única linguagem possível, rigor, dominação, disponibilidade: única linguagem possível entre amantes.
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E sobre todas estas sensações, a mais obscura delas: o desejo de não te perder." (pag 67)
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Neste reencontro com Casimiro de Brito, deambulei virtualmente em busca de outras letras e de territórios literários próximos que me conduziram, como seria de esperar, a António Ramos Rosa e ao
oquecaidosdias , este blog que vos deixo ...

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