quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010: o ano do Contacto





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Votos de felicidades a legentes, amigas e amigos deste Caderno


Um prodigioso Ano






VivA !





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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009




Fotografia por Maria Avelino
 









Caiu sobre o país uma cortina de silêncio
a voz distingue o homem mas há homens que
não querem que os demais se elevem sobre os animais
e o que aos outros falta têm eles a mais
no dia de natal eu caminhava
e vi que em certo rosto havia a paz que não havia
era na multidão o rosto da justiça
um rosto que chegava até junto de mim de nicarágua
um rosto que me vinha de qualquer das indochinas
num mundo onde o homem é um lobo para o homem
e o brilho dos olhos o embacia a água
Caminhava no dia de natal
e entre muitos ombros eu pensava em quanto homem morreu
por um deus que nasceu
A minha oração fora a leitura do jornal
e por ele soubera que o deus que cria
consentia em seu dia o terramoto de manágua
e que sobre os escombros inda havia
as ornamentações da quadra de natal
Olhava aquele rosto e nesse rosto via
a gente do dinheiro que fugia em aviões fretados
e os pés gretados de homens humilhados
de pé sobre os seus pés se ainda tinham pés
ao longo de desertos descampados
Morrera nesse rosto toda uma cidade
talvez pra que às mulheres de ministros e banqueiros
se permita exercitar melhor a caridade
A aparente paz que nesse rosto havia
como que prometia a paz da indochina a paz na alma
Eu caminhava e como que dizia
àquele homem de guerra oculta pela calma:
se cais pela justiça alguém pela justiça
há-se erguer-se no sítio exacto onde caíste
e há-de levar mais longe o incontido lume
visível nesse teu olhar molhado e triste
Não temas nem sequer o não poder falar
porque fala por ti o teu olhar
Olhei mais uma vez aquele rosto era natal
é certo que o silêncio entristecia
mas não fazia mal pensei pois me bastara olhar
tal rosto para ver que alguém nascia






" Um rosto de Natal ", Ruy Belo - Todos os Poemas II. Lisboa: Assírio Alvim, 2004
 
 
 
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009





ALBERTO MUSSA ELOGIADO EM FRANÇA

A versão francesa de “O Enigma de Qaf”, de Alberto Mussa, estará oficialmente nas livrarias em Janeiro de 2010, mas mereceu já uma referência muito elogiosa na “Livres Hebdo”, revista de referência sobre literatura e mercado editorial, por um dos mais respeitados críticos franceses, Jean-Maurice de Montrémy: «Este livro teria encantado Borges e Cortázar» disse ele, e ainda: «O leitor só pode deliciar-se com a cultura, a imaginação, o requinte e a inteligência de Alberto Mussa».

Romance galardoado com os prémios da Associação Paulista dos Críticos de Arte (2004) e da Casa de Las Américas (2005), "O Enigma de Qaf" foi editado em 2008, em Portugal, pela Campo das Letras. Traduzido para inglês, espanhol, italiano e agora para francês, será lançado pela editora Anacharsis, uma nova editora que quer proporcionar ao público francês o imaginário de culturas distantes através de uma literatura exigente, inventiva e sofisticada.







Edição/reimpressão: 2006
Páginas: 224
Editor: Campo das Letras
ISBN: 9789896251109




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Pré - Natal

(Este livro "Qaf" já o tinha lido no ano passado, sensivelmente por esta altura. Recomendo-o vivamente, mas ontem, domingo, no ultimo domingo, antes do Natal, estive a ler um outro, uma novidade, que recebi de mãos amigas. Um saquinho surpresa, uma prenda de Natal antecipada, que saboreei com um chá perfumado, deliciosamente perfumado, que também me chegou, milagrosamente, como pré-anúncio de Natal. Foi bom ________________ o dia estava frio, puxava para casa. Foi onde fiquei, a desbravar as inúmeras páginas da minha prenda - "A Vertigem das Listas de Umberto Eco", um livro gordo, suculento, recheado de belos textos, antológico, rico em imagens, magníficas reproduções de obras de arte, que versam a repetição e os elencos para acentuar grandeza, magnificência, ideia de infinito. Esta obra fala-nos da coerência das listas, da musicalidade do elenco mas também do prazer vertiginoso de reunir elementos sem relações específicas entre si, como acontece nas denominadas enumerações caóticas.)

sábado, 19 de dezembro de 2009








Ontem na ADICENSE, em Alfama, mesmo junto ao Museu do Fado, foi assim como as imagens documentam (as fotografias não são boas, a máquina está a precisar de reforma (pedi uma mais moderna ao Pai Natal!), mas fica a intenção, a vontade de não deixar fugir o instante, a vontade de partilhar a emoção deste jantar _ canto livre, com Fanha, Francisco Fanhais, saudosas vozes. Em que o Vitorino cantou "Traz outro amigo também" e recordou que uma canção pode salvar uma vida. Na verdade, assim aconteceu com a canção que o Zeca dedicou ao Alípio de Freitas, um alerta que o tornou visível aos olhos do mundo. Uma noite para reunir amigos, cantadores, poetas e, sobretudo, para lembrar, cantando e contando ___________ que a liberdade é um bem perecível.
Uma noite de "quase Natal" para lembrar (e foi o Alípio que lembrou) que existe no céu, visível em noites de breu, uma constelação chamada constelação da utopia, para onde vão todos aqueles que, no mundo, tombaram (e que continuam a tombar) em defesa da Liberdade e dos direitos humanos. Eles tombam e a Terra recebe o seu corpo, mas não morrem, transformam-se em estrelas e essas estrelas desenham no céu a mais bela de todas as constelações. __________________________________________________


Ler mais em http://associabril.blogspot.com/

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009





Fotografia por sergio jacques












Esta noite está frio. Muito frio
Amanhã, se o frio continuar, arrancarei as  folhas ao caderno para fazer lume 


(se não fizer vento, continuarei a escrever nas cinzas)






Errante . Navegante
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“A era moralista tinha por ambição a disciplina do desejo, nós exacerbamo-lo; ela exortava aos deveres de cada um para consigo mesmo e para com os outros, nós convidamos ao conforto. A obrigação foi substituída pela sedução, o bem-estar tornou-se Deus e a publicidade o seu profeta.”


Gilles Lipovetsky, O Crepúsculo do Dever. A Ética Indolor dos Tempos Modernos, Lisboa, D. Quixote, 1994, p. 62.












Fotografia: Pedro Polónio
in http://club-silencio.blogspot.com/
















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domingo, 13 de dezembro de 2009





"As pessoas que dormem mal parecem sempre mais ou menos culpadas. O que fazem elas ? Tornam a noite presente."

_____________________é com esta desassombrada afirmação de Maurice Blanchot, que entramos no "Nocturno Indiano" de António Tabucchi _ 118 páginas de puro prazer ____________________

(Uma conjectura do autor é a de que este livro poderia servir de guia a um amante de viagens absurdas. E não deixa de ser absurda esta busca de um amigo que desapareceu, sombra que pertence a um passado também ele conjectural, numa Índia que se conhece quase só através de quartos de hotel, de hospitais, de estações de caminho-de-ferro. Uma Índia que todavia transparece em conversas com poetas nómadas, Jesuítas portugueses, prostitutas de bombaím, uma reporter que fotografa a miséria de Calcutá. Mas este misterioso ballet de sombras é sobretudo um hino às faculdades criativas da linguagem, pois é graças a uma palavra evocada em várias línguas que o viajante se aproxima daquele que procura. É graças à escrita que esta viagem se transforma em livro, passa de insónia ao sonho ...)







quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Tempo . Tempo . Tempo compositor de destinos














Peço-te o prazer legítimo






E o movimento preciso



Tempo tempo tempo tempo



Quando o tempo for propício



Tempo tempo tempo tempo...





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POEMA OPACO SOBRE A MESA

que idade é? para ser evidente é só virar ao contrário. ou então absorver-se.
absorvo-me. reabsorvo-me. o belo é supletivo da liberdade.
o belo aprisionado. e o infinito é tão portátil quanto a imobilidade da casa.
mas do conteúdo da casa ninguém deverá falar. – o infinito é indirectamente portátil.
e ninguém sente. e ninguém pensa.
ERROS DE DESCARTES E DAMÁSIO. ninguém sabe: o sofrimento envelhece
com o rejuvenescimento tardio. {e a culpa. onde está a culpa?}
a culpa de ver dois amantes com as águas redondas. a culpa de
reconhecer por exclusão de som, por exclusão de conclusão e primeira metáfora.
{para regressar, o amor deve fornicar}, [alguém entra no poema com esta ideia,
válida a todas as luzes, e por isso fica, deve ficar.]
por fim, há exclusão de latitude, eu diria, porque há repetição e depois redundância.
{a inocência é tão selvagem quanto o desejo}, a mesma voz inibe
os outros rios arrefecidos, de modo a que a minha discricionariedade
congele, e o poema conclua sozinho: a idade espera que o sangue jubile, passe a servir as árvores.





Sylvia Beirute
inédito





in http://sylviabeirute.blogspot.com/


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"As fiandeiras", (1655) Diego Rodrigués da Silva Velazquez




 

Num primeiro plano as cinco mulheres tecendo, mais ao fundo, outras cinco mulheres examinando uma peça que conta a história de Aracne. Segundo a lenda, Palas Atena irada por Aracne se gabar de tecer tão bem quanto ela, transformou-a numa aranha e obrigou-a a tecer para o resto da vida.


A mulher puxando a cortina, convida-nos a olhar a cena. A mulher mais velha, fiando na roca, é Palas Atena e a que está enrolando a lã que é Aracne.


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sábado, 5 de dezembro de 2009







A matéria é o ser mais positivo e indefeso do cosmos. Qualquer um pode amá-la, formá-la: obedece a todos. Todas as organizações da matéria são perecíveis e débeis, fáceis de regredir e de anular. Não existe nenhum mal na redução da vida de formas novas e diferentes. Ocasionalmente trata-se de uma violação necessária de formas resistentes e petrificadas de vida que deixaram de ser interessantes. Pode mesmo ser uma virtude quando se trata de uma experiência interessante. Aqui radica o ponto de partida para uma nova apologia do sadismo.


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Schulz, Bruno, Obra completa, ed. Juan Carlos Vidal, Madrid, Siruela, 1993
(citado por J. A. Bragança de Miranda, "Corpo e imagem", ed. Nova Vega, 1ª edição, 2008)





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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009






Flores envenenadas na jarra. Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar. Que riqueza de hospital. Nunca vi mais belas e mais perigosas. É assim então o teu segredo. Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu.




" teu segredo" Clarice Lispector
 
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Utilidades __________________________________________

Assunto: sites para conhecimento e divulgação sobre multidificiencia













Dislexia

· Portal da Dislexia - http://www.dislexia-pt.com/sinais_alerta.htm

· Dislexia: Perceber o que os meus olhos vêem - http://alunos.por.ulusiada.pt/21656106/

· Artigos e informações sobre Dislexia - http://www.dyslexia-teacher.com/




Autismo

http://www.sensite.co.uk/approach/theme_4.html


· Actividades para autistas -
http://actividadesautistas.blogspot.com/

· Partilha de experiências e trabalhos - http://partilharombroamigo.blogspot.com/

· PECS (Picture Exchange Communication System) - http://www.pecs.org.uk/

· PECS (Picture Exchange Communication System) - http://www.autistas.org/pecs.htm


· Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger -

http://www.apsa.org.pt/bin/PresentationLayer/home_00.aspx


· Federação Portuguesa de Autismo - http://www.appda-lisboa.org.pt/federacao/

· Banco de imagens gratuitas - http://www.picto.qc.ca/

· Imagens para colorir - http://www.coloring.com/pictures/choose.cdc

· Recursos educativos 1.º ciclo - http://www.cantinhodateresa.net/corpo.htm

· Actividades 1.º ciclo e pré-escolar - http://www.catraios.pt/

· Rua Sésamo - http://www.sesameworkshop.org/

· Passatempos, jogos educativos, colorir e multimédia - http://www.smartkids.com.br/

· Actividades pré-escolar, 1.º e 2.º ciclo - http://www.junior.te.pt/

· Recursos - http://www.akidsheart.com/

· Actividades e recursos para crianças do 2-6 anos - http://www.first-school.ws/

· Cooperativa de Educação e Reabilitação de crianças inadaptadas de Fafe - http://www.cercifaf.pt/

· Aplicações interactivas para o 1.º ciclo e a Educação Especial -

· http://www.cercifaf.org.pt/mosaico.edu/






Diversos

· Entre Amigos – Rede de Informações sobre Deficiência - http://www.entreamigos.com.br/

· Programas educativos interactivos - http://misprogramaseducativos.blogspot.com/

· Estimulação sensorial e criativa - http://www.boohbah.tv/

· Actividades pedagógicas para E.E. pré-escolar -
http://www.malhatlantica.pt/apoio_pre_escolar/actividades.htm


· Conteúdos pedagógicos abordados através de animações, jogos, sons e imagens -

http://www.estarconsigo.com/animacoes.htm

· Noddy - http://www.noddy.com/funtime/index_pt.html

· Puzzles, jogos e diversas actividades - http://www.poissonrouge.com/

· Ruca - http://ww1.rtp.pt/wportal/sites/tv/ruca/index.php

· Teletubbies - http://www.bbc.co.uk/cbeebies/teletubbies/

· Recursos sobre Ciências da Natureza - http://www.cientic.com/portal/

· Eu Sei! – Centro de Competência TIC da ESE de Santarém - http://nonio.eses.pt/eusei/

· No Mundo das Fábulas - http://nonio.eses.pt/fabulas/

· Actividades 1.º ciclo – Univ. Évora - http://www.minerva.uevora.pt/web1/

· TIC Ciênci@ - Univ. É vora - http://www.minerva.uevora.pt/ticiencia/index.htm

· Aventuras na Web – 1.º ciclo - http://www.minerva.uevora.pt/pre1ciclo/webquests.htm

· Netescrit@ - http://www.nonio.uminho.pt/netescrita/princ1.html

· Molecularium – Simulações em Química-Física - http://www.molecularium.net/

· Softciências - Jogos sobre a Tabela Periódica - http://nautilus.fis.uc.pt/cec/jogostp/

· Softciências – Camada de Ozono - http://nautilus.fis.uc.pt/cec/ozono/

· Softciências – Caça ao Tesouro - http://nautilus.fis.uc.pt/cec/ct/

· Jogo das Coisas – Centro de Física Computacional - http://www.jogodascoisas.net/

· Cadernos Net – Actividades/Webquests – 1º, 2º, 3º ciclos, Secundário e Técnico – Proformar - http://cadernosnet.proformar.org/intro.swf


Institucionais

· Ministério da Educação - http://www.min-edu.pt/


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Fonte: GAM - Grupo para a Acessibilidade nos Museus
http://www.gam.org.pt/

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Tudo a desejo ...





A casa cheia, uma comidinha (a desejo ...), mimos de chocolate, livros antigos, histórias de encantar e ... encosta-te a mim.



______________________________________________________ Um dia Feliz, porque sim !





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domingo, 29 de novembro de 2009

Notícias













http://alfarrabio.di.uminho.pt/zeca/cancoes/129.html

Alípio de Freitas esteve ontem (connosco) no museu ... em reverendíssimo silêncio. As cartografias da memória têm territórios in.cartografáveis. insondáveis _______________ constelações de utopias.

Aconteceu, no Sábado, mais uma Tarde memorável. Registada (filmada) para memória futura. Cartografias da Memória será título, tema e lema, do número 2 dos Cadernos do Museu, a editar brevemente (tão breve quanto o tempo o permitir).












Fotografias por Paula Viotti (a poeta do espaço)


sexta-feira, 27 de novembro de 2009










o tempo________esse predador .


fulminoso regaço. fuzilante poço_____________(cativa de um doce naufrágio desloco o sujeito do verbo em frondosa arritmia para que mais tarde na geometria da acção que foi causa e espinho haja o pretexto e o consenso da tua celestial ambição_________eu diria que deste ao tempo a messiânica sombra do adeus. em teia. minucioso tear dos contrastes. assombro das oliveiras. mortas. tão secas.)




isabel mendes ferreira
in PIANO




















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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Araquerar















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Palavras Mágicas




Léxico Romanon/Calon - Português






Amale - Amigos
Andecrelar - Caminhar
Aocaná - Agora


Araquerar - Falar, Conversar


Argurar - Sofrer

Barbaló - Rico
Barí - Essência, Virtude, Jóia
Brincunchar - Brincar


Buti - Trabalho
Butré - Muito
Calon - Cigano


Camelar - Amar


Cámepe - Amor


Chaborilhos - Crianças ciganas
Chanelar - Entender
Charaburri - Triste
Chororó - Pobre
Colcorró - Sozinho


Dedinhar - Dançar


Dicar - Ver


Drabarav - Ler


Drom - Caminho
Dyene - Pessoas
Gadjó - Não cigano


Garlochí - Coração

Gozuncha - Alegria


Guilhadar - Bailar, Cantar
Jacharar - Zangado
Lachi - Feliz
Lacorilhos - Crianças não ciganas


Lequevav - Escrever
Môl - Vinho
Narrar - Ir embora


Orobelar - Chorar, Lamentar
Pacha - Vida
Pachi - Vergonha
Payo - Não cigano
Penar - Dizer, contar
Perguntecelar - Perguntar
Quehonche - Ódio
Rom/Roma - Cigano/s
Romanon/Calon - Língua dos ciganos

Salar - Rir
Siklav - Aprender
Sinhela - Verdade
Sinhelar - Ser
Siruga - Música
Techarí - Liberdade
Tsira - Pouco
Vaqueripen - Conversação
Vengue - Duende
Zueno - Beijo







POESIA MATEMÁTICA




Fotografia por Dede Fedrizzi






Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base…
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.



Até que se encontraram
No Infinito.

“Quem és tu?” indagou ele
Com ânsia radical.

“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa.”

E de falarem descobriram que eram
- O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
-Primos-entre-si.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.

Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais.

Escandalizaram os ortodoxos
Das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas
E pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.

Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.

E fizeram planos, equações e
Diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.

E casaram-se e tiveram
Uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.

E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
Se torna monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum…

Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um
Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais
Um Todo.
Uma Unidade.

Era o Triângulo,
Chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a
Relatividade.
E tudo que era expúrio passou a ser
Moralidade

Como aliás, em qualquer
Sociedade.



Millôr Fernandes

Li há dois verões ... amei perdidamente____________________________





O exorcismo dos fantasmas nas relações amorosas que se vão esboroando no tempo, definhando até à dissolução final é o fio condutor deste romance.

Na verdade, as cartas podem ser lidas como se fossem contos, pois são independentes umas das outras, unindo-as apenas a melancolia do discurso narrativo e algumas personagens recorrentes.

A localização espacial distribui-se por vários locais da Europa Mediterrânica ou do Sul, Portugal incluído, passando por lugares como Creta, Heraklion, Lisboa, Veneza, Nápoles com uma escapadela a Paris.



As personagens incluem um narrador cuja complexidade faz lembrar os heterónimos de Fernando Pessoa – desde o médico ao músico ou ao encenador -, embora possuindo sempre a mesma “voz” que exprime anseios, angústias e problemas existenciais muito similares: há duas esposas, uma amante de longa data, as amantes ocasionais, o rival, aqueles que zelam pela saúde mental e física do narrador e protagonista.



O tempo esgota-se nas expectativas e nos sonhos adiados sine dia, na procura do amor inesquecível, absoluto e capaz de expulsar o maior inimigo do depressivo, quando instalado na rotina do quotidiano: o tédio.



Nos textos de Tabucchi, consegue-se identificar intertextualidades com Proust, Mann, Pessoa e inclusive conseguimos encontrar uma alusão a Alfredo Duarte na carta intitulada Estranha forma de vida, sem esquecer a referência a referência a Nikos Kazantzakis.


O tempo perdido pode ser recuperado através de um instante, susceptível de eclipsar toda uma vida de tédio. Esta expectativa parece ser aquilo que mantém o mesmo narrador agarrado à vida – e à escrita – cuja linha percorre os meandros do labirinto de emoções: o fio da vida, deixado por uma atenciosa Ariadne mas que, a qualquer momento pode ser cortado por uma das Parcas.

As intertextualidades estendem-se ao campo musical e às artes cénicas, nomeadamente na referência à Norma de Bellini, na carta intitulada Casta Diva, e à música popular italiana, com especial incidência no sentimentalismo das canções napolitanas.

A extensa cultura do Autor abrange os múltiplos domínios da Arte como a literatura, a música, mas também o cinema e o teatro. Uma faceta que se projecta de tal forma no narrador principal, que não é de todo inverosímil que nos perguntemos se não se trata antes de um auto-retrato. Existem, várias possibilidades de leitura numa obra como esta: as cartas podem ser pequenas estórias independentes entre si. No entanto, no final é possível efectuar uma ligação entre elas como num puzzlle gigante que deixa, no entanto, alguns enigmas.



As Cartas são escritas, sobretudo, em tonalidades neutras ou sombrias. Variações de luz que advêm do cenário, onde a luminosidade parece, por vezes, oprimir o narrador, face à impossibilidade de partilhar/comungar os pequenos prazeres com alguém capaz de saborear na mesma medida a possibilidade da fruição do Prazer. Esta particularidade faz com que o discurso narrativo oscile entre uma narrativa serena, ora polvilhada de nostalgia ora apimentada de humor negro. As estórias desfilam como cariátides na fachada de um templo.




Um bilhete no meio do mar dá-nos a panorâmica de uma ilha grega através da narrativa que descreve o périplo pelo recantos mais pitorescos de um lugar agreste, pelo seu primitivismo e relevo acidentado, mais apropriado para cabras montesas do que propriamente para seres humanos. A faceta gourmet do narrador revela-se na descrição detalhada do processo da confecção artesanal do queijo típico da região, preparado com o cuidado e a devoção, votados normalmente ao cerimonial de um ritual religioso, onde até as ferramentas e utensílios usados no processo, adquirem um valor histórico, emocional e até mesmo sagrado, para os proprietários.

No discurso do narrador, desta estória está patente a ausência da partilha de pequenos prazeres que são o sal da vida e que o narrador saboreia com devoção. A impossibilidade de partilhá-los com o ser amado – que os não aprecia – acaba por fermentar sentimentos azedos onde cabem a mágoa e um certo rancor, aliados à solidão e à melancolia. E onde a vontade de salvar um bilhete, uma missiva que cai acidentalmente ao mar é tão ténue – ou o tédio está já de tal forma instalado – que impede a acção de qualquer uma das partes.


Na segunda carta, O Rio, cársico, que atravessa a montanha por dentro, acabando por dividi-la a meio é o mesmo que vai cavando um vale, um fosso interno na relação do narrador com a companheira. Sendo historiadora, a esposa desta personagem, vive voltada para o passado ao passo que o espírito questionador daquele leva –o a voltar-se para o futuro. Ambos se debruçam sobre tempos diferentes o que faz com que, ao cartesianismo de um deles e respectiva sujeição ao quotidiano se oponha a emotividade, o actuar por impulso do companheiro, motivado por um ideal.

A acção continua a passar-se na Grécia, desta vez na de Kazantzakis, mais propriamente em Heraklion. O narrador exprime a sua antipatia pelo polémico autor de A Última Tentação de Cristo, embora o admire e de certa forma o inveje, reconhecendo uni-los o sentimento de soberba. Na verdade, separa-os apenas a forma como o demonstram. O narrador vomita-o sob a forma de hybris, correndo o risco de incorrer na ira dos deuses, enquanto que, em Kazantzakis, esta manifesta-se sob a forma de coragem.

Esta narrativa em forma de carta, é uma reflexão sobre a fragmentação do tempo e o esboroar dos sonhos. E do desejo, que vai rasgando a alma ao meio, tal como nos rios cársicos, e que se manifesta num eterno adiar da felicidade a ser concretizada num futuro distante.


Forbidden Games é construída a partir de uma fotografia, uma imagem de uma mulher nua numa varanda parisiense. Na carta, é utilizada a imagem recorrente de uma jovem para atravessar o rio do tempo e inspirar uma arrebatada estória de paixão. Aqui, os tempos e as épocas confundem-se no cenário da Paris histórica, permanecendo intacta, através do tempo, a recordação de um intenso momento de fruição erótica debaixo do tecto nevado das amendoeiras em flor.

A Circulação do sangue é uma carta dedicada à “muito querida e amada” hemoglobina do narrador, uma dissertação acerca do medo da morte e do peso da idade, que se acumula progressivamente no líquido que corre nas veias, comprometendo a circulação. Sempre impregnada com o mais negro sarcasmo a emergir da reflexão sobre a relação entre ciências exactas e ciências humanas ou a relação entre o microcosmo cerebral e o macrocosmo que é o universo.


Em Casta Diva, o narrador mostra-se aos leitores na sua faceta de encenador, enquanto escreve uma carta à Prima Donna advertindo-a da necessidade de se submeter às suas directrizes, por mais excêntricas que lhe pareçam, sem questionar nem contestar. A versão da “Norma” imaginada por si foge aos cânones ditos “normais” ou clássicos, uma vez que alterna os diálogos melodramáticos que caracterizam a ópera, com o visual futurista dos cenários e guarda-roupa. O efeito final resulta num sincretismo temporal que se alia à mistura de estilos musicais e acabam por transformar um melodrama numa ópera buffa.

A referência ao papel das Parcas é de uma ironia e cepticismo macabro, no diálogo com a protagonista da peça de Bellini.

A analogia entre um sacerdote, em pleno acto sacrificial, com um cirurgião moderno só aumenta o aspecto tétrico da cena com os instrumentos de corte, dispostos diante daquele numa bandeja. A cena torna-se hilariante quando é encenada a fuga dos protagonistas numa potente motorizada. Mais uma vez, o rio da vida atravessa as épocas históricas, transportando os sedimentos de uma para a outra…até mesmo na mistura de ritmos e estilos musicais que juntam a música lírica às canções populares napolitanas e sambas cariocas…



Passei lá por casa mas não estavas, é mais uma narrativa em forma de carta. Um lugar na memória onde a amnésia se manifesta como o aprisionamento do passado numa carta dirigida, mais uma vez, a um amor, também ele já distante no tempo. Onde a reclusão forçada num paraíso artificial funciona como um íman, da mesma forma que a casinha de chocolate serviu para atrair Hansel e Gretel a uma armadilha. O discurso dominante na linguagem do narrador nesta carta, lembra um pouco a movimentação das personagens de Jacques Tati, onde o doente amnésico observa a sua vida de fora como se esta não lhe pertencesse. E não pertence, de facto…


A carta seguinte está relacionada com esta intitulando-se Da dificuldade de nos libertarmos do arame farpado ou da prisão murada para os excluídos. O narrador fala da evolução do século XX como sendo o tempo caracterizado pela trilogia do Zyclon B, da radioactividade e a do arame farpado (dos campos de concentração e das prisões). Todas elas formam de eliminarem aqueles que são indesejáveis para um ou mais grupos sociais.

Boas novas lá de casa é mais uma carta dirigida a um fantasma onde o narrador opta por falar do crescimento e evolução intelectual dos netos, da carreira do filho de ambos, das qualidades da nora e… da amante do filho, decorrente da necessidade deste em manter uma relação extra-conjugal isenta de tabus. Esta carta é como que uma espécie de retaliação, um saldar de contas face à constatação da como a paixão nasce, se desvanece e morre, erodida pelo tempo tal como as pedras do rio, morrendo quando a vida perde o sal…



Para que serve uma harpa com uma só corda?, fala de mais um amor que se perde no tempo. Onde é notória a nostalgia sentida em relação a um amor por uma mulher socialmente admirada e cujo rumo, a dada altura, divergiu do protagonista. Uma fuga para oriente, como o objectivo de perseguir uma vocação, em direcção à Grécia, é o bálsamo que actua como paliativo, adormecendo o sentimento que, em Portugal, se chamaria de saudade. O protagonista tem as características mentais de um Odisseu, com a sede de aventuras e viagens pelo mar fora onde os afectos encontrados em cada porto não conseguem ofuscar o mais elevado de todos os sentimentos: o amor, sublimado pela Arte em forma de Música.


O artista vive para tocar a sua música num momento único. Mas de todos os lugares onde exerce a sua adorada profissão, Nápoles parece ser aquele com que mais se identifica, uma vez que, ali, as pessoas parecem todas ter também uma vida dupla: de dia, são operários hortaliceiros e peixeiros; e de noite, tornam-se músicos e cantores a interpretar Verdi ou canções napolitanas que falem de nostalgia…




Já Sendo bom como é… é a carta do ódio. Ou melhor um amor-ódio a alguém do passado onde a ironia amarga é a fachada que esconde um fervoroso rancor por se ter sido preterido. Trata-se de uma carta de quem não tem paciência para as justificações moralistas ou politicamente correctas de alguém que busca consolo através da sublimação, numa atitude socialmente malvista. Onde a busca de uma justificação altruísta, moral ou nobre serve para justificar o qualquer acto menos digno ou totalmente egoísta como mecanismo de defesa usado, por exemplo, para justificar “os cornos plantados na testa de alguém”. De onde emerge o sentimento de vingança, saboreada como o néctar dos deuses, numa personalidade rancorosa e sentimental que se oculta por detrás de um aparente cinismo.


Livros nunca escritos, viagens nunca feitas refere-se aos projectos, sempre adiados, onde a melancolia se encontra camuflada, sepultada, debaixo da máscara do sarcasmo. Nesta missiva, assistimos ao confronto entre o espírito cartesianos da jovem e o e o daqueles que mantém o espírito errante do poeta ou a atitude questionadora do filósofo.

Na carta A máscara cansou-se notamos uma deliciosa intertextualidade com William Shakespeare onde o narrador se identifica com Hamlet. Sendo que a amada é uma Ofélia que optou pela fuga à vida. O cenário é, tal como em “Casta Diva” vanguardista e atípico. O narrador traça um auto-retrato do homem que se esconde por detrás da máscara da cultura, da ironia e do sarcasmo: “sou orgulhoso, vingativo, e ambicioso; tenho mais pecados à mão do que pensamentos para os glosar”.

O suicídio desta Ofélia é a herança deixada ao Hamlet que escreve esta carta, juntamente com o remorso que lhe está inerente.


Estranha forma de vida é um título que remete para a letra de um fado cantado por Amália Rodrigues. Acção passa-se no Porto, na Ribeira, com reminiscências a uma infância passada em Barcelona. O estímulo que desperta a memória é a vendedora de laranjas que perambula pelas vielas da Cidade Invicta, ao mesmo tempo que trauteia uma morna de Cesária Évora. Um livro perdido , esquecido pelo hóspede anterior numa das gavetas do quarto de hotel faz companhia ao narrador que aqui é um viajante solitário, excêntrico, independente e misantropo, que gosta de “mijar para o mar tirando partido do vento”.


Véspera da Ascensão relata o reencontro, entremeado pelo divagar pela obra de poetas e escritores que estimulam artificialmente o imaginário ao recorrer aos químicos e ao álcool.

Sucedem-se imagens “de saudade e de tristeza porque ninguém poderá restituir-me o tempo que deixei escoar por entre os dedos do amor”.


Em Meus olhos claros, meus cabelos de mel, revive-se a história de um amor antigo, interdito pelas convenções sociais, porque nascido de uma amizade e tornado clandestino pela percepção, algo tardia, da paixão numa altura em que já não eram livres…



Te voglio, te cerco, te chiammo relata a teluricidade do encontro imaginário com a mulher que quis mudar o parquet do apartamento num dos textos anteriormente descritos…


A Carta a escrever é aquela que é dirigida, mais uma vez, à primeira mulher, morta, suicida, a eterna Ofélia. Fala-lhe dos netos e da vida: “nunca pensamos que o tempo é feito de gotas e que basta uma simples gota, para que o líquido se derrame pelo chão e a mancha se alastre e se perca”. Trata-se de uma carta pensada mas que nunca passou para o papel.


Por último, Está a fazer-se cada vez mais tarde é deliciosamente complexa, labiríntica, tal como aliás toda a obra. Esta carta é, no entanto, o corolário da obra até por conter dois narradores, estruturando-se uma carta que está contida noutra carta. A do primeiro narrador, consiste na missiva de alguma entidade suprema que aparenta comandar os destinos dos homens, como as antigas Parcas. Átropos, a Parca que corta o fio da vida está representada, aqui, no papel de amante do segundo narrador, que é também o protagonista do romance epistolar de que aqui tratamos. Encontra-se em Creta, o local da acção da primeira deste conjunto de cartas, deixando-nos adivinhar um final sinistro, enigmático, mas implacável.


A frase “Está a fazer-se cada vez mais tarde” soa, aqui, como uma sentença. O fio perde-se. Parte-se. No labirinto mais conhecido da História do Ocidente, por esta sombria Ariadne.

(Uma obra digna do génio que a escreveu)



Por Cláudia de Sousa dias, socióloga e critica literária
em http://hasempreumlivro.blogspot.com/
(um sítio culto. um sítio de culto na esfera dos livros __________absolutamente incontornável )


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Centésima página. em Braga ___________________ lançamento da INÚTIL







«Se tivesse que escrever um livro de moral, as primeiras 99 páginas ficariam em branco e na 100ª PÁGINA escreveria uma só frase: Existe um único dever, o dever de amar» [Albert Camus]








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Mais que uma livraria, uma casa de cultura. Folhear esta página, que é Centésima, com o prazer de ler ao ritmo da arte é um deleite em que, quando há tempo, há espaço para um café. A Centésima Página instalou-se na Casa Roldão, uma pérola da Braga barroca em plena Avenida Central. A casa, construída entre 1759 e 1765, é atribuída a André Soares, o mais notável arquitecto do barroco português.



A Centésima Página está na rede em http://www.centesima.com/




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POEMA DE AQUECIMENTO PARA UMA LONGA NOITE DE PROSA





{a primeira hipótese é entre duas pessoas, tu e eu, haver um intervalo, e ser esse intervalo a única coisa que nos define, crescerem estradas que não começam, despir-se o tímpano de igualdades, ter-se perdido o efeito inverso do cansaço, sermos nós sem uma raiz.}

{a outra hipótese é instaurarem-me um processo poético, tablado de improvisos, irmos a vénus num ovni, por ser a minha consensualidade um rebanho de qualidades, e na tua perspectiva de poeta ser o céu uma folha de papel branca, a claridade esconder a escuridão, e estabelecer-se uma insaciabilidade do impossível.}



Sylvia Beirute









Publicado por Texto-Al


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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

domingo, 15 de novembro de 2009

Exposição do Memorial da Resistência retrata vida de Carlos Marighella (1911-1969)










Morto em São Paulo há 40 anos, numa emboscada chefiada pelo delegado Sérgio Fleury, o político protagonizou momentos decisivos na história contemporânea do Brasil. Nascido de uma família pobre de Salvador, neto de escravos e imigrantes italianos, iniciou a militância nos anos 1930.


Torturado pela ditadura do ex-presidente Getúlio Vargas e perseguido pelos golpistas de 1964, enfrentou longos períodos de clandestinidade. A exposição, que tem a curadoria de Isa Grinspum Ferraz (sobrinha da viúva de Marighella, Clara Sharf) e do jornalista Vladimir Sacchetta. Reverencia a coragem daquele que foi definido como "verdadeiro herói brasileiro" pelo crítico literário Antonio Candido.






O revolucionário Marighella recebeu, este mês, o título in memorian de Cidadão Paulistano.







Definia-se como ‘mulato baiano'' e adorava Dorival Caymmi, praia e futebol.














Mostra marca os 40 anos da morte do guerrilheiro que foi ícone do combate à ditadura militar no Brasil








O Memorial da Resistência de São Paulo apresenta a exposição Marighella, em memória dos 40 anos da morte do guerrilheiro comunista, ícone do combate à ditadura militar no Brasil. A mostra que abriu ao público dia 7 de Novembro, traça o perfil e a trajetória de vida de Carlos Marighella apresentando cartas, livros, imagens de arquivo, iconografia variada, depoimentos e ainda textos do próprio Marighella.



A exposição destaca cinco momentos da vida de Marighella, da infância na Bahia à guerrilha urbana em São Paulo, nos "anos de chumbo" da ditadura militar durante a década de 1960, passando pelo começo da sua militância e clandestinidade, ainda em meados de 1930, as prisões durante o Estado Novo, o período como deputado federal e a volta à vida clandestina no período de caça aos comunistas, em 1948.



A mostra vai ficar até dia 25 de maio de 2010 e tem curadoria de Isa Grinspum Ferraz e Vladimir Sacchetta.





Memorial da Resistência
Estação Pinacoteca

Largo General Osório, 66 - Luz
São Paulo - SP
Telefone: (11) 3335.4990, ramal 27
E-mail: memorialdaresistencia@pinacoteca.org.br

http://www.pinacoteca.org.br/

















(estive há cerca de cinco anos, em São Paulo, passei na rua onde Marighella foi assassinado mas, se bem me lembro, não tem o nome dele ______________________ ) chama-se algo de que não me lembro . Algo inócuo








(______obrigada Cristina Bruno, pela dica, pela lembrança, obrigada______)

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Das Rosas - Antonio Carlos Jobim & Dorival Caymmi

Historicamente datado (e nada inócuo)





Setúbal, 1938, oficiais alemães visitam fábrica de conservas.
Fotografia de Américo Ribeiro, arquivo municipal, Casa de Bocage / Divisão de Museus
Câmara Municipal de Setúbal.






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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

















"___________________________ o irritante traço contínuo.




É apenas uma dobra e um baraço. O texto dobra, efeito de colagem. O texto suspende o sentido, à espera de dizer exacto. Há frases que só completei anos depois; há frases que, no limiar dos mundos, não devem ser escritas por inteiro; há frases cujo referente de sentido será sempre obscuro. Se eu pretendesse escrever um texto sempre limpo - tiraria o traço. Onde não soubesse, nada escreveria. Mas como iria saber que ali não soube, ou nem sequer me pertencia saber? O texto é limpo, e por passajar. Onde o traço é apagado, vê-se claramente o raspar da borracha. Deixar o traçado."





Llansol, Inquérito às Quatro Confidências, p. 75, citado por IMF em http://mendesferreira.blogspot.com/




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Desenho: João Concha, em  http://conchajoao-ilustracoes.blogspot.com
ilustração para texto "desistência" de Elisabeth Perestrelo













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domingo, 8 de novembro de 2009

Senhora das Tempestades







Senhora das tempestades e dos mistérios originais
quando tu chegas a terra treme do lado esquerdo
trazes o terremoto a assombração as conjunções fatais
e as vozes negras da noite Senhora do meu espanto e do meu medo.

Senhora das marés vivas e das praias batidas pelo vento
há uma lua do avesso quando chegas
crepúsculos carregados de presságios e o lamento
dos que morrem nos naufrágios Senhora das vozes negras.

Senhora do vento norte com teu manto de sal e espuma
nasce uma estrela cadente de chegares
e há um poema escrito em páginas nenhuma
quando caminhas sobre as águas Senhora dos sete mares.

Conjugação de fogo e luz e no entanto eclipse
trazes a linha magnética da minha vida Senhora da minha morte
teu nome escreve-se na areia e é uma palavra que só Deus disse
quando tu chegas começa a música Senhora do vento norte.

Escreverei para ti o poema mais triste
Senhora dos cabelos de alga onde se escondem as divindades
quando me tocas há um país que não existe
e um anjo poisa-me nos ombros Senhora das Tempestades.

Senhora do sol do sul com que me cegas
a terra toda treme nos meus músculos
consonância dissonância Senhora das vozes negras
coroada de todos os crepúsculos.

Senhora da vida que passa e do sentido trágico
do rio das vogais Senhora da litúrgica
sibilação das consoantes com seu absurdo mágico
de que não fica senão a breve música.

Senhora do poema e da oculta fórmula da escrita
alquimia de sons Senhora do vento norte
que trazes a palavra nunca dita
Senhora da minha vida Senhora da minha morte.

Senhora dos pés de cabra e dos parágrafos proibidos
que te disfarças de metáfora e de soprar marítimo
Senhora que me dóis em todos os sentidos
como um ritmo só ritmo como um ritmo.

Batem as sílabas da noite na oclusão das coronárias
Senhora da circulação que mata e ressuscita
trazes o mar a chuva as procelárias
batem as sílabas da noite e és tu a voz que dita.

Batem os sons os signos os sinais
trazes a festa e a despedida Senhora dos instantes
fica o sentido trágico do rio das vogais
o mágico passar das consoantes.

Senhora nua deitada sobre o branco
com tua rosa dos ventos e teu cruzeiro do sul
nascem faunos com tridentes no teu flanco
Senhora de branco deitada no azul.

Senhora das águas transbordantes no cais de súbito vazio
Senhora dos navegantes com teu astrolábio e tua errância
teu rosto de sereia à proa de um navio
tudo em ti é partida tudo em ti é distância.

Senhora da hora solitária do entardecer
ninguém sabe se chegas como graça ou como estigma
onde tu moras começa o acontecer
tudo em ti é surpresa Senhora do grande enigma.

Tudo em ti é perder Senhora quantas vezes
Setembro te levou para as metrópoles excessivas
batem as sílabas do tempo no rolar dos meses
tudo em ti é retorno Senhora das marés vivas.

Senhora do vento com teu cavalo cor de acaso
tua ternura e teu chicote sobre a tristeza e a agonia
galopas no meu sangue com teu catéter chamado Pégaso
e vais de vaso em vaso Senhora da arritmia.

Tudo em ti é magia e tensão extrema
Senhora dos teoremas e dos relâmpagos marinhos
batem as sílabas da noite no coração do poema
Senhora das tempestades e dos líquidos caminhos.

Tudo em ti é milagre Senhora da energia
quando tu chegas a terra treme e dançam as divindades
batem as sílabas da noite e tudo é uma alquimia
ao som do nome que só Deus sabe Senhora das tempestades.




Manuel Alegre, In   Camões - Revista de Letras e Culturas Lusófonas, número 2, julho/setembro 1998.








fotografia http://www.lilyacorneli.com/main.htm





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