domingo, 13 de maio de 2007

( * ) " meme " again ...




Para Quê e Porquê

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Vê se não insistes muito em perguntar porquê ou para quê, se não queres ficar paralítico. Porque a maior grandeza da vida tem o valor nela própria e não fora dela. Não se pode justificar a vida senão nela. Ou a luz. Ou a fraternidade humana. Ou a justiça. E o mais assim. E é o que é indiscutível que pode fundar um comportamento e uma razão de se estar vivo. É fácil ainda inventar ou ter razões para se atentar contra o que é indiscutível. Porque se é indiscutível, não se pode discutir. E se se discute, o valor deixa de existir. Toda a cultura ou civilização assenta em pressupostos que não exigem uma demonstração e permanecem assim no intocável que é seu. Eis que no nosso tempo, como em nenhum outro, o fundamental para a vida se determina pela negação. A arte foi como sempre o grande arauto da nossa terra queimada. Negar. Destruir. Porque tudo se contamina da possibilidade de negação. Das artes e as letras ao comportamento social. E curiosamente a mais manifesta negação é a que se refere ao tabu sexual. E o que mais se destaca aí é o uso a frio das maiores obscenidades. E o que mais se evidencia nisso é a redução do acto amoroso ao que nele é animal. Tudo o que se refere à nossa animalidade tem um duplo vocabulário segundo exprime aí elevação e baixeza. Utilizar friamente a obscenidade é reduzir o mais alto ao mais baixo, para que o bode o cão ou o cavalo afirmem a sua razão de ser contra a razão de ser humano. O nosso tempo exige não ter tabus. É a forma de exigir que se seja cavalo ou bode.

Vergílio Ferreira, in "Escrever"

Publicado AQUI
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(Co)respondo assim, com uma reflexão de Vergílio Ferreira, o príncipe das letras, ao desafio de Frémitos (blogArte Clara Hall)

(*) Um "meme" é um "gen ou gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues. O neologismo "memes" foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".
e passo-o a :

intruso (arteblog)
Diário de um Sociólogo (blog C.Serra)
Fábricas - Museu (blog)
O que cai dos dias (blogLiteratura)
Paixões & Desejos (blogCinema)

4 comentários:

  1. Olá Isabel Victor!
    obrigado por esta passagem de "meme" ao nosso bloge de cinema, muito em breve iremos colocar o nosso post.

    Durante muitos anos sublinhámos a lápis ou marcador passagens de livros que nos cativavam e de imediato três autores nos surgiram no pensamento, porque eles fazem parte do nosso quotidiano (Durrell/Proust/Barthes).
    Gostámos imenso de ler o "meme" que escolheu/escolheste de um autor de quem gostamos também muito, ainda nos recordamos quando saiu o primeiro volume/diário da sua "Conta-Corrente", alguns ficaram em "estado de choque", nós adorámos***
    paula e rui lima

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  2. Uma escolha que partilho totalmente. Não podia ser mais ao meu gosto o Pensar deste príncipe das letras.

    Muito obrigada pela sua gentileza em responder ao desafio, Isabel.

    Um bom dia para si.

    e

    Para sempre...aqui estou

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  3. grande escolha Isabel.......

    (a arte também como consciência e liberdade...)

    beijo
    :)

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