quarta-feira, 23 de maio de 2007

Dedico este poema a Carlos Serra e ao seu Diário de um Sociólogo , uma imponente janela , que se abre energicamente, de par em par, para nos trazer a aragem do Índico.
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Clicar no link para ouvir o poema ...
http://www.inforarte.com/cantando2/RuiKnopfli1.html

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As acácias já se incendiaram de vermelho
e o zumbido das cigarras enxameia obsidiante
a manhã de Dezembro. A terra exala,
em haustos longos, o aguaceiro da madrugada.
Ao longe, no extremo distante da caixa
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de areia, o monhé das cobras enrola
a esteira e leva o cesto à cabeça,
cumprido o papel exacto que lhe coube
e executou com paciente sageza hindu.
Dura um instante no trémulo contraluz
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do lume a que se acolhe, antes da sombra
derradeira. Assim, os comparsas convocados
para esta comédia a abandonam, verso
a verso, consignando-a ao olvido
e à erva daninha que, persistente, a cobrirá
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irremediavelmente. O encenador faz
a vénia da praxe e, porque aplausos
lhe não são devidos, esgueira-se pelo
anonimato da esquerda alta. É Dezembro
a encurtar o tempo, o pouco que nos sobra.
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" Cair do pano "
Ruy Knopfli


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