terça-feira, 18 de março de 2008

Uma vez ...

... uma mulher idosa foi ter com Buda e perguntou-lhe como meditar. Buda disse-lhe que tomasse consciência de todos os movimentos das suas mãos quando tirava água do poço, porque sabia que se ela assim o fizesse, em breve se encontraria naquele estado de atenta e espaçosa calma que é a meditação.
A prática da tomada de consciência, trazendo de volta a mente dispersa e, portanto, focando também os diferentes aspectos do nosso ser, é denominada "permanência calma" e leva a cabo três coisas: em primeiro lugar, todos os aspectos fragmentados de nós mesmos que estiveram em guerra uns com os outros arrumam-se, dissolvem-se e tornam-se amigos, e é essa arrumação que nós começamos a compreender um pouco melhor e por vezes, até temos relances da radiância da nossa natureza fundamental.
Em segundo lugar, a prática desarma a nossa negatividade, a agressão e as emoções turbulentas, que podem ter acumulado grande poder ao longo de muitos anos de vida. Aqui, em vez de suprimir ou saciar as emoções é importante encará-las - e aos pensamentos e tudo o mais que possa surgir - como a aceitação e generosidade tão abertas e amplas quanto possível. Os mestres tibetanos dizem que esta sábia atitude tem o sabor dos espaços infindáveis, tão calorosos e confortáveis que nos sentimos rodeados e protegidos por eles, como se estivéssemos envoltos por um coberto de luz do sol.



Rinpoche, Sogyal, "O Livro Tibetano da Vida e da Morte", Lisboa, Difusão Cultural, 1992

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