domingo, 10 de fevereiro de 2008


Eliot Eliofson, Duchamp descending a staircase, photograph from Life Magazine , 1952 / Aqui




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São espectros cinzentos e partem em debandada, sentam-se nos bancos das empresas, escritórios, nas instituições como se fossem reis, calculando no deve e haver guardar o gado ... Engolem duas linhas de trabalho e vergam-se de hierarquia em hierarquia, tudo lhes serve, tudo lhes cabe. E, no entanto, a espinha que é o dorso, move-se atónita como o espaço, apreciam o ferro e o aço da melancolia, quando a pequena existência lhes quebra o passo. Olham, desdenham, mas inibem-se quando uma abelha tresmelhada, lhes cai certa no olhar e estão acompanhados, e a pergunta é sempre por que fui eu, se há mais alguém, e está presente ou se afasta para outro lado, ser seu igual ainda se tornaria pior. Vê-se só a espernear por todo o lado.
Vejo-os na vida nova armazenando fel, e dele se abastecem diariamente com a fartura dos contentes de coisa nenhuma, vivem o ordinário commumente, no sentido que damos às coisas mesquinhas que lhes são o seu empreedimento. Enfeitam-se de suposta cumplicidade, mas tudo lhes é moribundo, e nem habitualmente ousam o que certos animais fazem, não se escondem para morrer, do dono ...
Não gostam da surpresa de nada, como se tudo se lhes fosse dirigido, coçam no umbigo como se aí houvesse uma caixinha de música chinesa. ( ... )



JRM _______________________________________





Dilacerantes ... estes espectros Profanus





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