domingo, 11 de janeiro de 2009

tranquilamente para a morte __________________


Eu próprio me condenei
verto o meu veneno quotidiano
colher após colher, engulo-o
provavelmente de manhãs
em falta depois do pôr-do-sol
ou quando os pássaros e os insectos se deitam
Com a firmeza dum homem que avança
tranquilamente para a morte
levo o veneno aos lábios
bebo-o gota a gota, e rio
a bandeiras despregadas
choro a bandeiras despregadas
assusto-me a bandeiras despregadas
Medicado com os meus venenos subo para
o trono do "Não"
estremeço enlouquecido
e abraço a minha morte quotidiana

(...)

ALI FUDAH
in Pequena Antologia da Poesia Palestiniana Contemporânea
Selecção e tradução de Albano Martins
Edições ASA, 2004



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