quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Frio. Muito frio ...




São horas do " Portugal em directo ". Acabo de chegar a casa. Fechei a porta ao frio e, num gesto rotineiro, dirigi-me à sala. Peguei no comando e liguei maquinalmente a televisão para ouvir gente e sentir os rumores do mundo.
Seguindo a rotina, preparava-me para dar meia volta, virar as costas ao televisor, largar as botas, mudar de roupa e vingar a fome de um almoço passado em claro.
Mas ... fiquei ali perfilada, em frente ao ecran, de casaco, luvas e cachecol.
No meio da sala, de mala ao ombro, nem dei pelo tempo. Fiquei ali de pé, imóvel, a beber o entusiasmo com que alguns persistentes cidadãos, verdadeiros "heróis do mar", vencem as adversidades e nos falam da sua participação em projectos na área da cultura, investigação, arte, património, educação, urbanismo, ambiente, cidadania, imigração, que se vão concretizando por este país fora. É espantoso como brilham, nesta pantalha, as exposições, a arte, os livros, os poetas, os achados arqueológicos, os museus, a dança, os teatros, o cinema, a música e um sem número de habilidades sociais e outras engenharias. Gosto deste jornalismo de proximidade que nos aproxima das pessoas e dos seus talentos. Que nos mostra o prodígio das pequenas GRANDES coisas. Neste programa falou-se do velho almanaque Borda d`água, da renovação museológica da Casa dos Patudos, do Natal dos Ucranianos em Portugal, do calendário juliano e da tradição bizantina. Sorvo todas estas "estórias", únicas e singulares, desfiadas na primeira pessoa e ... dou por mim a rir, sozinha, ainda com as chaves na mão.
Quando vejo estes programas e olho a realidade que nos cerca, penso sempre que quem nos governa deve ter os binóculos ao contrário, colocando-nos perante a amarga evidência de que o todo não é, de todo, a soma das partes, especialmente num país onde algumas partes parecem valer pelo todo e o resto é paisagem. De olhos vendados, como cabras-cegas, continuamos à procura das razões para o nosso atraso, mas continua frio. Muito frio ...
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