sábado, 24 de janeiro de 2009

A chave da Magnum na mão de Abbas. Magnífico olho de pássaro.

Abbas, Dubai International Filmfest, Dezembro 2007

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Expresso — O que distingue a Magnum das outras agências ?

Abbas — A diferença é que a agência pertence aos fotógrafos. Eu trabalhei na Sipa, na Gamma e depois na Magnum ...
Quando estava na Sipa, era o caos. Se saía em reportagem, era eu que tinha de comprar o bilhete do avião, de arranjar os filmes, tudo.
Depois fui para a Gamma. Quando partia, davam-me um cartão para o telex, o dinheiro, o bilhete do avião, a lista dos voos nos quais era possível enviar os filmes, etc. Tudo estava organizado, tudo era perfeito.

Vou para a Magnum, e é o caos total outra vez.

Mas há uma diferença: dão-nos a chave da agência.

A Magnum é uma cooperativa de fotógrafos, pertence aos fotógrafos e eles têm o controle político, digamos, sobre a agência — são eles que definem as grandes linhas, e depois há um «staff» que gere o dia a dia.
A outra grande diferença é que na Magnum os fotógrafos são sempre os donos e senhores do seu trabalho, e todos os negativos continuam a pertencer-lhes. Cada fotógrafo paga os seus filmes e as suas revelações. E a Magnum é uma agência que não pode ser comprada pelos bancos ou pelos grandes grupos industriais, como sucede com as outras.

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in Expresso/Revista 17 de Julho de 1993, pp 36-41 (versão de arquivo/extracto)
entrevista a Abbas Attar , iraniano nascido em 1944, fotógrafo da Magnum desde 1981.

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