domingo, 6 de setembro de 2009

Entrada intermitente




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Este ano fui à festa do Avante. Foi um ímpeto, uma vontade irresistível de (re)ver gente, caras conhecidas e amigos, alguns saudosos cumplices de lutas e carícias, outros nem tanto. Há muito tempo que não fazia esta via (em tempos sacra). Praticamente, desde a altura em que festa assentou arraiais na Atalaia, deixei de cumprir calendário. Alguém que me conhece, atento, perguntou-me o que achava, o tinha mudado aos meus olhos. Insistiu, solicitou-me uma resposta rápida, a quente . Adorei a ideia da ópera na abertura, encantou-me (como sempre) ouvir Maria João e Mário Laginha, detive-me com imenso interesse na 16ª Bienal de arte, com realce para as obras de Luís Ralha, mas a minha maior surpresa é que não tive surpresas. Pareceu-me tudo tremendamente na mesma. O mesmo grafismo, o mesmo discurso, o mesmo modelo, os mesmos ritos e mitos. Se calhar sempre foi assim, o que mudou foi o meu ponto de vista ...

Surpreendentes mesmo, foram as conversas "andantes" com os mais novos, que eram muitos e muito apaixonados e o silêncio dos mais velhos, sentados à sombra dos novos tempos, nos pontos altos, onde a vista se alarga e ainda vai correndo alguma aragem.





Nesta, como noutras celebrações (formalidades à parte), emocionam-me sempre as pessoas, o espírito da coisa, a vivência mágica que estes dias proporcionam a tanta gente de nova geração, que vive fechada numa redoma "asséptica" onde a política é tabu. Nas escolas não se discutem ideias (não há tempo nem modo para tal "subversão") e as famílias evitam falar de política por ser algo fracturante, como agora se usa dizer. Discute-se futebol, chora-se a crise, fala-se das performances sexuais, das dietas, das faustosas férias ( dos outros, dos famosos) e dos dramas sazonais que animam os noticiários. Este quadro deixa pouco espaço para que se discuta abertamente política e se conheça melhor a História e a Geografia das ideias. Muitos jovens vivem hoje num paupérrimo presentismo, convencidos que o mundo é apenas aquilo que a sua visão alcança. Pensam que o mundo é um umbigo que neles começa e que neles acaba. Não se sentem hereditários nem herança. Não se sentem responsáveis pelo que estão a construir. Não se estimam o suficiente para impor o seu ponto de vista. Faz falta desarrumar as ideias, soltar as perguntas.








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