segunda-feira, 2 de junho de 2008


Luís Miguel Cintra. Prémio Troféu Latino 2008
Algumas palavras ... toda a diferença


( ... ) Não quero ser aquilo que no actual mercado de espectáculos melhor se vende: um encenador/autor. O meu trabalho, quer como actor quer como encenador, é o de um intérprete, o meu prazer é o de entender os outros, passados e presentes, e de com os outros conviver. Para mim fazer teatro é isso. Uma maneira de comunicar. Não quero fazer obra, nem a fiz. É um ofício que entendo como político mas que é ainda menos obra que a obra dos políticos, que ditam leis e têm poder. O trabalho do teatro é efémero e modesto. Fica só na memória dos outros, de alguns outros. Já me basta.Tudo nos empurra neste momento para viver em falso, para viver como não somos, para a arte de enganar, para nos colarmos a um uniforme que nos pode trazer sucesso.Como dizia uma personagem do Don Carlos de Schiller que acabámos de representar, "Os interesses da minha inteligência voltam-se apenas para um círculo: e esse é o da dignidade humana."




Fotografias http://www.stevenkenny.com/index.html

_______________________________________________________________
______________________________________________________________



ANTES DO NOME



Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
os sítios escuros onde nasce o "de", o "aliás",
o "o", o "porém" e o "que", esta incompreensível
muleta que me apoia.
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infreqüentíssimos,
se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror.

Adélia Prado


____________________________________________________________
______________________________________________________________



Seguidores

Povo que canta não pode morrer...

Beirute.Nantes

Loading...

Arquivo do blogue

Pesquisar neste blogue

Acerca de mim

A minha foto

"A coisa mais fina do mundo é o sentimento. " (Ensinamento) Adélia Prado