quinta-feira, 8 de maio de 2008

Isto não é um post é uma escama de sardinha


Li num ápice " A Era do vazio " de Gilles Lipovetsky, um ensaio sobre o individualismo contemporâneo. Uma reflexão tremendamente lúcida, fundada numa perspectiva comparativa e histórica sobre o fenómeno da personalização. Reune textos publicados na década de 80 do século passado, com sugestivos títulos: sedução non stop; a indiferença pura; narcisismo ou a estratégia do vazio; modernismo e pós -modernismo; a sociedade humorística; violências selvagens, violências modernas.

" A sociedade pós-moderna é a sociedade em que reina a indiferença de massa, em que domina o sentimento de saciedade e de estagnação, em que a autonomia privada é óbvia, em que o novo é acolhido do mesmo modo que o antigo, em que a inovação se banalizou, em que o futuro deixou de ser assimilado a um progresso inelutável.
(...) A cultura pós-moderna é descentrada e heteróclita, materialista e psi, porno e discreta, inovadora e rétro, consumista e ecologista, sofisticada e espontânea, espectacular e criativa; e o futuro não terá, sem dúvida, que decidir em favor de uma destas tendências, mas, pelo contrário, desenvolverá as lógicas duais, a co-presença flexível das antinomias "

Vivemos nos tempos hipermodernos. Nos tempos do Hipermercado, hiperconsumo, hipertexto, hipercorpo: tudo é elevado à potência do mais, do maior. O termo Hipermodernidade como idéia de exacerbação da Modernidade surgiu em meados da década de 70 e ganhou destaque em 2004 graças ao estudo de autores franceses e ao livro “Os tempos hipermodernos” do próprio Lipovetsky


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As leituras recentes de Gilles Lipovetsky, Hanna Arendt, entre outras, uma forte dor de cabeça e as recentes notícias que por aí grassam, deixaram-me pensativa, aturdida.
Fiquei a olhar, semi nua, para o ecran deste meu obstinado pc, sem saber o que escrever no malvado " caderno de campo ". Indecisa sobre o sentido de tudo isto, sem saber ao que deveria dar prioridade. Vazia de ideias. Tentada a fechar o caderno por motivo de bloqueamento agudo, tal é a proliferação de assuntos quentes sem saída; tal é a violência (a "banalização do mal" Arendtiana ...), a apatia crónica (ou lucidez paralizante !) e a minha enorme falta de vontade.

Ás vezes apetece-me gritar em vez de escrever !

Apetece-me gritar sobre o problema dos cereais, sobre a fome no mundo, comentar as afirmações espantosamente desassombradas de Bob Geldof, a esperança na América de Obama, o hiperfosso entre ricos e pobres, o aquecimento global, as novas formas de escravatura ... mas também me apetecia falar sobre a abertura do Museu do Oriente (já que a Ocidente nada de novo ...), sobre o Dia internacional dos Museus, sobre a Festa de Espírito Santo no próximo Domingo na Arrábida, sobre a tragédia na Birmânia ...

Tantas coisas ... aparentemente tão desligadas e afinal tão radicalmente convergentes.
Como conjugar os grandes temas e as pequenas vidas ?



Qualquer dia asso o caderno na grelha das sardinhas :))

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