sexta-feira, 16 de maio de 2008
Dupla Harmonia
pensar, soñar y crear el museo que nos hace falta....
Este día 18 de mayo se conmemora el día internacional de los museos o de la institución museo, un momento oportuno para reflexionar sobre lo que hemos realizado y lo que nos falta por hacer... El museo como espacio educativo y cultural tiene el gran reto de convertirse en la conciencia de la sociedad, es decir, en el conocimiento de la realidad que se vive... El museo no debe ser por ningún motivo un aparato ideológico de estado, no debe servir a intereses particulares ni de grupo, debe ser reflejo de la diversidad de opiniones sobre lo que acontece, de lo que ya pasó y de lo que queremos ser... El museo es un centro cultural que se alimenta y se nutre de lo que la sociedad piensa y produce, no es un instrumento de políticos, gobernantes, especialistas, empresarios y académicos, es un instrumento que investiga, conserva y difunde el patrimonio natural y cultural de un continente, de una nación, de una comarca, de una región, de un municipio, de un pueblo o de una comunidad, que se construye con el concurso de todos, con la diversidad necesaria, con la tolerancia, con la polémica, con la contradicción... El museo no es el mundo feliz que quieren vendernos los gobernantes, los "especialistas" o los poderosos, el museo es un espejo de este mundo convulsionado: intereses, conveniencias, ambiciones, logros, fracasos, odios, guerras, alegrías, tristezas, naturaleza viva, contaminación, violación a los derechos humanos, movimientos de liberación, dictaduras, hambre, riquezas, llanto, dolor, records, hermandad, delicuencia, muerte, tradiciones, costumbres, colores, sabores, amor y desamor, amargura, inteligencia, agua, tierra, viento, pasado, futuro y presente... ese es y debe ser el museo de hoy y siempre, un espejo fiel de la realidad y diez mil explicaciones y soluciones a la misma....
Este 18 de mayo, es el momento clave para atrevernos a pensar, soñar y crear el museo que nos hace falta....
RAÚL ANDRÉS MÉNDEZ LUGO
MINOM - México
http://www.minom-icom.net/
O móbil “Peixes e Pássaros” com três metros de diâmetro por quatro de altura, constituído por mais de 700 peças interligadas, é a obra central da exposição “Tudo Dança”, inaugurada no dia 17 de Maio no Museu do Trabalho Michel Giacometti.A peça, elaborada por mais de 30 utentes do CAO1 – Centro de Actividades Ocupacionais da APPACDM de Setúbal, pólo do Museu do Trabalho, assinalou a abertura da exposição, inserida nas comemorações da Noite dos Museus e do Dia Internacional dos Museus.“Quem vier ver esta obra nunca mais vai dizer ‘coitadinhos’, porque dizer isso é uma estupidez” perante a qualidade artística da obra, declarou Niels Fischer, artista plástico, mentor e mecenas da exposição itinerante “Tudo Dança”. A monumentalidade da obra foi realçada pela artista plástica Cláudia Pujol, uma das pessoas que monitorizaram a obra, sob orientação de Fischer. O móbil levou quatro meses para “estar de pé” e é composto por 270 pássaros e 480 peixes pintados em papel plastificado, peças interligadas por 600 metros de fio de nylon.“Simboliza a ligação do mar à terra e as relações entre os peixes e os pássaros, assente na dualidade.Estão presentes a calma e o caos”, indicou Cláudia Pujol. A exposição “Tudo Dança” recai sobre a obra de Hans Christian Andersen, servindo os contos do escritor de mote às peças apresentadas, elaboradas por pessoas provenientes de variados contextos sociais, nomeadamente cidadãos portadores de deficiência ou de doença, estudantes e presidiários. Numa conferência que antecedeu a inauguração da exposição, o artista plástico dinamarquês Niels Fischer salientou que “esta exposição tem de decorrer de forma anónima”, importando saber que foram “pessoas” que elaboraram as obras expostas e não os seus contextos de vida, razão pela qual não é possível encontrar nestas a identificação dos autores. Embora a exposição seja temporária, estando patente até 5 de Julho, é política do Museu do Trabalho Michel Giacometti guardar em registo permanente uma peça de cada mostra que passa por este espaço, o que, neste caso, sucede com o móbil “Peixes e Pássaros”.“Tudo Dança” é uma exposição itinerante que, até ao fim do ano, percorre localidades como Lisboa, Alcochete, Torres Vedras, Caldas da Rainha, Torres Novas e as ilhas das Flores e do Corvo, nos Açores, encontrando-se actualmente em simultâneo em Palmela. Nos materiais expostos contam-se edições históricas, uma com ilustrações originais datadas de 1857, quadros temáticos e ilustrações de artistas portugueses, esculturas, peças de cerâmica e joalharia, materiais alusivos aos contos do escritor, e o filme “Hans Christian Andersen – O Amigo Dinamarquês”, produzido e apresentado pela RTP, que é divulgado nos locais das exposições.
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domingo, 11 de maio de 2008
Nós trabalhamos com as máquinas !
DA OFICINA AO MUSEU
Polo Museológico
Exposição, in situ, das máquinas e ferramentas que integraram, nos últimos, 30 anos, a oficina de artefactos metálicos para dossiês, calendários e arquivos do CAO 1/ APPACDM em Setúbal, numa oficina-museu que constitui hoje um Polo visitável do Museu do Trabalho Michel Giacometti, em Setúbal.
Nesta oficina laboram, desde o início da década de oitenta, mais de três
dezenas de cidadãos deficientes, treinados com persistência e mestria, para operar com máquinas de serralharia e mecânica, engenhosamente adaptadas, nas décadas de setenta e oitenta, por um experiente mestre de oficina (O mestre Lima, pai de um utente) e por uma terapeuta ocupacional.
Ele melhorava as possibilidades das máquinas e ela as possibilidades das pessoas, na tentativa de minimizar os riscos e aumentar a eficiência da oficina.
Deste aperfeiçoamento técnico nasceram novos saberes e uma tal identificação entre o operador e a máquina que os tornou inseparáveis. Através das máquinas (extensão da sua eficiência) estes cidadãos sentem-se seguros e aptos. Sabem falar do que fazem, têm as palavras certas para designar as acções e as competentes habilidades manuais para as executar.
As regras e valores oficinais, base do aprendizado, contribuíram para interiorizar códigos de socialização, elevar a auto-estima e reforçar a identidade do grupo.
Hoje, limitada pelas normas de produção e pela idade dos operadores, esta oficina convertida em museu, oferece a possibilidade de visitas guiadas, que dão a conhecer esta extraordinária aventura contada e exemplificada pelos próprios, apoiados por técnicos da instituição, que entenderam o papel das memórias como terapia e dos museus na contemporaneidade com espaços de comunicação, socialização e aprendizagem.
Esta circunstância histórica (esta “bolha” no tempo) permitiu ainda que Setúbal, uma cidade tradicionalmente conserveira, possa apresentar um conjunto notável de máquinas e ferramentas contemporâneas dos primórdios da indústria, intactas e a funcionar.
Ironia do destino, tal só foi possível, porque mãos hábeis de pessoas deficientes, adestradas com eficiência, foram capazes de tal proeza.
sábado, 10 de maio de 2008
Não podemos escrever sem a força do corpo (...)


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A escrita torna-nos selvagens. Regressamos a uma selvajaria de antes da vida. E reconhecêmo-la sempre, é a das florestas, tão velha como o tempo. A do medo de tudo, distinta e inseparável da própria vida. Ficamos obstinados. Não podemos escrever sem a força do corpo. É preciso sermos mais fortes que nós para abordar a escrita, é preciso ser-se mais forte do que aquilo que se escreve. É uma coisa estranha, sim. Não é apenas a escrita, o escrito, são os gritos dos animais da noite, os de todos, os vossos e os meus, os dos cães. É a vulgaridade maciça, desesperante, da sociedade. A dor é, também, Cristo e Moisés e os faraós e todos os judeus e todas as crianças judias e é, também, o lado mais violento da felicidade. Acredito nisso, sempre.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
The Blindfold
Os objectivos de desenvolvimento do milénio

Na "Cimeira do Milénio" da ONU, que teve lugar em Setembro de 2000, os países membros assinaram, em conjunto, uma declaração, a Declaração do Milénio, que fixou 8 objectivos de desenvolvimento específicos, a serem atingidos até 2015. Estes objectivos, chamados os "Objectivos de Desenvolvimento do Milénio" (ODM), podem ser resumidos da seguinte forma:
1 Reduzir para metade a pobreza extrema e a fome
Muitas ONG adoptaram estes objectivos como seus próprios até 2015, conduzindo as suas estratégias, dentro da sua área e em consonância com os ODM. A oikos tinha, já em 2000, uma estratégia que se adequava a estes, pois as oito questões sempre estiveram dentro das suas preocupações.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Isto não é um post é uma escama de sardinha
" A sociedade pós-moderna é a sociedade em que reina a indiferença de massa, em que domina o sentimento de saciedade e de estagnação, em que a autonomia privada é óbvia, em que o novo é acolhido do mesmo modo que o antigo, em que a inovação se banalizou, em que o futuro deixou de ser assimilado a um progresso inelutável.
(...) A cultura pós-moderna é descentrada e heteróclita, materialista e psi, porno e discreta, inovadora e rétro, consumista e ecologista, sofisticada e espontânea, espectacular e criativa; e o futuro não terá, sem dúvida, que decidir em favor de uma destas tendências, mas, pelo contrário, desenvolverá as lógicas duais, a co-presença flexível das antinomias "
Vivemos nos tempos hipermodernos. Nos tempos do Hipermercado, hiperconsumo, hipertexto, hipercorpo: tudo é elevado à potência do mais, do maior. O termo Hipermodernidade como idéia de exacerbação da Modernidade surgiu em meados da década de 70 e ganhou destaque em 2004 graças ao estudo de autores franceses e ao livro “Os tempos hipermodernos” do próprio Lipovetsky
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As leituras recentes de Gilles Lipovetsky, Hanna Arendt, entre outras, uma forte dor de cabeça e as recentes notícias que por aí grassam, deixaram-me pensativa, aturdida.
Fiquei a olhar, semi nua, para o ecran deste meu obstinado pc, sem saber o que escrever no malvado " caderno de campo ". Indecisa sobre o sentido de tudo isto, sem saber ao que deveria dar prioridade. Vazia de ideias. Tentada a fechar o caderno por motivo de bloqueamento agudo, tal é a proliferação de assuntos quentes sem saída; tal é a violência (a "banalização do mal" Arendtiana ...), a apatia crónica (ou lucidez paralizante !) e a minha enorme falta de vontade.
Ás vezes apetece-me gritar em vez de escrever !
Apetece-me gritar sobre o problema dos cereais, sobre a fome no mundo, comentar as afirmações espantosamente desassombradas de Bob Geldof, a esperança na América de Obama, o hiperfosso entre ricos e pobres, o aquecimento global, as novas formas de escravatura ... mas também me apetecia falar sobre a abertura do Museu do Oriente (já que a Ocidente nada de novo ...), sobre o Dia internacional dos Museus, sobre a Festa de Espírito Santo no próximo Domingo na Arrábida, sobre a tragédia na Birmânia ...
Tantas coisas ... aparentemente tão desligadas e afinal tão radicalmente convergentes.
Como conjugar os grandes temas e as pequenas vidas ?
Qualquer dia asso o caderno na grelha das sardinhas :))
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Museu do Oriente

Instalado junto ao Tejo, num edifício construído nos anos 40 para receber os Armazéns Frigoríficos do Porto de Lisboa e agora totalmente recuperado, este projecto da Fundação Oriente vai ocupar uma área de 15.500 metros quadrados, com seis pisos à superfície e uma cave.
O museu, apresenta duas exposições de carácter mais longo - "Presença Portuguesa na Ásia" e "Deuses da Ásia" - e uma exposição temporária, "Máscaras da Ásia".
A primeira exposição tem 1.400 peças alusivas à presença portuguesa no Oriente (essencialmente obras adquiridas pela Fundação ao longo de 20 anos) e a exposição "Deuses na Ásia" reúne 650 peças da colecção Kwok On (instrumentos musicais, marionetas, pinturas, porcelanas e lanternas, por exemplo).
A colecção Kwok On é constituída por mais de 13 mil peças de arte popular de toda a Ásia, que serão expostas em ciclos.
A partir de Setembro, haverá uma outra exposição temporária com obras de jovens pintores chineses.
Nos primeiros dias, os mais novos podem aprender com elementos do grupo Ekvât, de música tradicional de Goa, passos de uma dança de curumbins e canções em concani (língua falada em Goa) ou ainda experimentar os trajes típicos.
Na cave, ficam instalados o centro de documentação (que pretende constituir uma referência na pesquisa de informação sobre a Ásia e as suas relações com Portugal) e uma cafetaria.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Obituário
Fotogafia de Jill McLaughlinForwarded Message
From: antropologia <antropologia@fcsh.unl.pt>
20.03.1944 –28.04.2008
Jill Rosemary Dias, nasceu no Reino Unido vindo depois a nacionalizar-se portuguesa, (continuando a assinar Rosemary em vez de Rosa Maria como a nacionalização lhe impusera). Obteve o seu doutoramento em Oxford em 1973. Desde 1982 que integrava o Departamento de Antropologia da Universidade Nova de Lisboa onde assumiu o lugar de Professora Catedrática em 1996.
Desde o início do seu trabalho tutelado por instituições portuguesas - encetado com a pesquisa arquivística das fontes relativas à História do século dezanove em Angola – que se rebelou, pioneira mas discreta, contra constrangimentos disciplinares. Na verdade, simplesmente se mantinha alheada desses limites, como de os que formalmente separam nacionalidades, instituições, estatutos ou idades.
Foi a marca dessa tranquila renitência que deixou nos cargos que exerceu no Departamento de Antropologia da FCSH – a que presidiu empenhada durante vários anos - e junto dos colegas e estudantes, desse e doutros departamentos, por quem era particularmente querida.
Terá sido o mesmo espírito que a levou a estimular e agregar jovens investigadores de diferentes áreas, a fundar o Centro de Estudos Africanos e Asiáticos do IICT – Instituto de Investigação Científica e Tropical – que dirigiu desde 1986, e a fundar a Revista Internacional de Estudos Africanos.
A sua obra, reconhecida nacional e internacionalmente, inspirou de modo decisivo a investigação contemporânea na Antropologia Colonial e Pós-Colonial e na História da África Lusófona. O seu incentivo e apoio absoluto a todos os que ambicionavam pesquisar nessas áreas, multiplicou-a.
As suas aulas foram espaços de exemplar convivência da sensibilidade com a Ciência.
Recentemente integrou o CRIA – Centro em Rede de Investigação em Antropologia – com o entusiasmo discreto mas cintilante que levava para cada novo desafio.
Traços raros de carácter, como a sua discrição, mas eventualmente mais ainda, a sua inesgotável generosidade e disponibilidade profissional e pessoal, poderiam ter ofuscado o seu enorme talento e produção criativa e diversificada. Mas antes se aclararam mutuamente, para melhor ainda nos iluminarem.
segunda-feira, 5 de maio de 2008

Em todas as almas há coisas secretas cujo segredo é guardado até à morte delas. E são guardadas, mesmo nos momentos mais sinceros, quando nos abismos nos expomos, todos doloridos, num lance de angústia, em face dos amigos mais queridos - porque as palavras que as poderiam traduzir seriam ridículas, mesquinhas, incompreensíveis ao mais perspicaz. Estas coisas são materialmente impossíveis de serem ditas. A própria Natureza as encerrou - não permitindo que a garganta humana pudesse arranjar sons para as exprimir - apenas sons para as caricaturar. E como essas ideias-entranha são as coisas que mais estimamos, falta-nos sempre a coragem de as caricaturar. Daqui os «isolados» que todos nós, os homens, somos. Duas almas que se compreendam inteiramente, que se conheçam, que saibam mutuamente tudo quanto nelas vive - não existem. Nem poderiam existir. No dia em que se compreendessem totalmente - ó ideal dos amorosos! - eu tenho a certeza que se fundiriam numa só. E os corpos morreriam.
Mário de Sá-Carneiro, in 'Cartas a Fernando Pessoa'
quinta-feira, 1 de maio de 2008
O TRIGO MOURISCO

Em toda a volta havia campos de cereal, de centeio, de cevada e de aveia, a bela aveia que, quando está sazonada, parece um enorme bando de pequeninos canários amarelos pousados num ramo. Os cereais são assim uma bênção de Deus e quanto mais pesados estão, mais baixos se inclinam em humildade.
Mas havia também um campo de trigo mourisco, bem perto do velho salgueiro, que não queria nunca inclinar-se como os outros cereais; sempre se mantinha direito, orgulhoso e altivo.
— Sou tão rico como a espiga de trigo — disse ele. — Sou, além disso, mais bonito. As 15 minhas flores são tão belas como as da macieira, e é um regalo olhar para mim e para a minha floração. Conheces algo de mais belo, velho salgueiro? O salgueiro abanou a cabeça, como quem diz "pois claro que conheço", mas o trigo mourisco inchou de orgulho e exclamou: — Árvore estúpida, tão velha estás que te crescem ervas na barriga!
Então rebentou uma terrível trovoada. Todas as flores dobraram as folhas ou inclinaram as cabeças, enquanto passava a trovoada sobre elas. Só o trigo mourisco continuava com a cabeça erguida, no seu orgulho.
— Abaixa a cabeça, como nós! — disseram as flores.
— Não tenho nenhuma necessidade disso! — respondeu o trigo mourisco.
— Abaixa a cabeça como nós! — gritou o trigo. — Vem aí o Anjo da Tempestade! Tem asas e com elas alcança tanto o céu lá em cima como a terra cá em baixo. Pode ceifar-te sem teres sequer tempo de pedir-lhe mercê.
— Está bem, mas eu não vergo! — retorquiu o trigo mourisco.
— Anda, fecha as flores e dobra as folhas! — disse o velho salgueiro. — Não olhes para cima, para os raios, quando as nuvens rebentam. Nem os próprios homens o podem fazer, pois que por eles é possível olhar para dentro do Céu, mas isso é bastante para os cegar. E o que nos aconteceria a nós, plantas da terra, se o ousássemos fazer, nós que somos muito menos?
— Muito menos? — disse o trigo mourisco. — Pois vou mesmo olhar para dentro do Céu! E foi isso que fez, com presunção e orgulho. Caiu então uma faísca tão grande que parecia que toda a terra ardia em chamas.
Quando o mau tempo passou, sentiram-se as flores e os cereais numa atmosfera calma e pura, refrescada pela chuva; mas o trigo mourisco ficara completamente queimado, reduzido a carvão pelo raio. Era agora uma erva inútil e morta no campo.
O velho salgueiro agitava os ramos ao vento e deixava tombar grandes gotas de água das suas folhas verdes, como se chorasse. Os pardais perguntaram-lhe:
— Porque estás a chorar? Não é tudo maravilhoso? Repara como brilha o sol e deslizam as nuvens. Não sentes o perfume das flores e dos arbustos? Porque choras, pois, velho salgueiro?
Então, o salgueiro falou-lhes do orgulho e da presunção do trigo mourisco e do seu castigo. É sempre assim. Eu, que escrevi este conto, ouvi-o duns pardais. Contaram-mo uma tarde em que lhes pedi uma história.
Hans Christian Andersen
quarta-feira, 30 de abril de 2008

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(É a Rosinha dos olhos tristes, enrolada no sotaque suculento de um Brasil errante)
Estás triste Rosinha ? Não.
A Rosinha lá ficou ... abraçada à barriga
sábado, 26 de abril de 2008
Québec. Maio. 2006
A Propósito do Tema do próximo Dia Internacional dos Museus _________ reenvio este e-mail de Pierre Mayrand
De:
Pierre Mayrand (pierremayrand@sapo.pt)
Enviada:
sexta-feira, 25 de abril de 2008 23:02:36
...
Si nous n'arrivons pas nous mêmes à nous entendre sur la nature du social, du changement et de développement (toujours en rapport avec la muséologie /action muséologique) que peux t'on attendre des comités d 'ÍCOM pour apporter des propositions viables à ces paradigmes essentiels à l'insertion sociale du musée. Le muséologue y est il préparé ? L'institution est.elle prête aux changements fonctionnels et structurels que cela suppose ? Comment s'y prendrait, par exemple, un musée du costume ? Ne serait-ce pas dans le cadre des organisations régionales que se trouveraient des pistes de solution globales ? auraient 'elles le courage de s'y attaquer,ou nons dirigeons-nous une fois de plus vers une opération de bonne conscience ? Q´'en pensons-nous ? Une organisation de bonnes oeuvres, d'écrits édifiants ? J'accepte de me faire conspuer pour ces propos, main dans la patte de mon fidèle Lion. Pierre
DE L’ÉCOMUSEE AU MUSÉE-FORUM-ÁGORA SOCIAL
Touché, comme bien d’autres, par les enseignements de G.H. Rivière, par la muséographie de Per Uno Agren, par des échanges fréquents avec Hugues De Varine , je suis entraîné dans le mouvement associatif, depuis les évènements d’Avril 74, au Portugal. Parallèlement, je m’associe aux rencontres organisées par le Creusot-Montceau-les Mines , devenu un certain temps un pôle de convergence de muséologues à la recherche de “ quelque chose d’autre “ : Tous contaminés par la vague écomuséale qui déferle en France, dans les années 70, la muséologie communautaire active au Mexique, le terreau est mûr, au début des années 80 , pour une action décisive de la part de musólogues et de non muséologues contestant le système. Ce furent, coup sur coup, la creation de l’Ecomusée de la Haute-Beauce – Musée territoire, légitimisé par un article de Hugues de Varine sur “ L’Ecomusée “ (Canada, l978), des signes de mécontentement sporadiques au sein de Conférences générales de l’Icom (Mexico, Londres), la convergence spontanée de “ nouveaux muséologues “ au Québec (1984), puis au Portugal , en 1985, pour la fondation du mouvement. La référence à la Déclaration de Santiago du Chili (1972) devient le prétexte de légitimisation auprès de la communauté muséale internationale des partisans du changement qui ,étonnament, recevra l’aval de l’Exécutif de l’ICOM sous forme d’une organisation affiliée: On découvre l’ampleur historique et territoriale des principes qui régiront çle mouvement à travers la révélation des expérioences des deux continents Américains., un fil d’Arianne qui n’a rien de linéaire, dont les tenants et aboutissants s’entrecroisent, s’ entremêlent, pour place à une philosophie de la “gestion de la compléxité des représentations sociales “ . Reprenant la suggestion de John Kinard sur la creation du forum catarsys, les tendances plus récentes de grandes institutions muséales à se transformer en agoras ( place d’idées, place marchande confondues ), nous asssistons au passage progressif du concept de l’écomusée, réactualitsé, à travers ses différentes générations, au concept intégratif de Musée-Forum-Agora social, faisant la part égale à l’exposition et au débat citoyen. Cette transmutation, déjà sensible à Santa Cruz de Rio , apparaîtra avec évidence à Setubal lors du 12e Atelier international du MINOM.
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sexta-feira, 25 de abril de 2008
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Utopia - Zeca Afonso

http://delta02.blog.simplesnet.pt/
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E quem fica para cultivar as sementes ? Em que campos ...

terça-feira, 22 de abril de 2008
domingo, 20 de abril de 2008

http://sigarra.up.pt/reitoria/noticias_geral.ver_noticia?P_NR=670
sexta-feira, 18 de abril de 2008
___________________________________________ Na Praia da Saúde . Entre as nuvens . flutuante . Um enorme Zeppelin
quinta-feira, 17 de abril de 2008
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" ... neste incerto caminho de passos de renda cala.se a hora. desnublado o tempo de arrasar a partida. " Isabel Mendes Ferreira
Estado d`Alma
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segunda-feira, 14 de abril de 2008
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Há no esquecimento, ou na lembrança total das coisas,
uma rosa como uma alta cabeça,
um peixe como um movimento rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
- Porque o amor das coisas no seu tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.
Herberto Helder
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Minha cabeça estremece
http://www.triplov.com/herberto_helder/sumula.htm
Acordo ortográfico

Gosto do teu rosto exacto,
com o cê bem desenhado,
mesmo quando não se ouve,
para te pôr, como laço
nos cabelos, o circunflexo
em que nenhum traço há-de
faltar, mesmo que um pacto
sem cê nem concessão te
roube o pê nessa pose
de pura concepção.
Nuno Júdice @ AQUI
domingo, 13 de abril de 2008
sábado, 12 de abril de 2008
O caso da casa de Cora - a poeta doceira


Em 1934 casou-se com o advogado Cantídio Tolentino Bretas e foi morar em Jabuticabal, interior de São Paulo, onde nasceram e foram criados seus seis filhos. Só voltou a viver em Goiás em 1956, mais de vinte anos depois de ficar viúva e já produzindo sua obra definitiva. O reencontro de Cora com a cidade e as histórias de sua formação alavancou seu espírito criativo.
Cora Coralina faleceu em Goiânia, a 10 de abril de 1985.
Quando eu era menina
Eu era menina em crescimento.
A gente mandona lá de casa
Era só olhos e boca e desejo
Era aquilo, uma coisa de respeito.
Criança, no meu tempo de criança,
Por dá-cá-aquela-palha,
Aquela gente antiga,
Não poupava as crianças.
Era gente super
Até os nomes, que não se percam:
D. Joaquina Amâncio...
O pessoal da casa,
D. Joaquina era uma velha
Anéis pelos dedos.
De manhã cedo
O ramo de flores no museu

Ficarão para sempre mais perfeitas,
Já que o tempo extinguiu brilho e cores
Já que o tempo extinguiu a habilidosa
Mão que levou, serenas e discretas,
A tulipa sucinta e ardente rosa.
Não há mais ilusão de outra presença
Que a do Amor que inspirou graças tão finas
Que ninguém viu e que ninguém mais pensa
Porque o homem e o mundo são de ruínas.
E este ramo de pétalas franzinas,
Leve, liberto da mortal sentença,
Tinha, ó Princesa, fábulas divinas
Em cada flor, sobre o nada suspensa.
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Cecília Meireles
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Os vencedores nas restantes categorias destes prémios - os mais importantes e disputados do circuito da world music - serão conhecidos esta noite. E, se tiver tempo, ainda aqui darei conta deles entretanto.
Acabei de saber esta óptima notícia pelo António Pires AQUI !
quinta-feira, 10 de abril de 2008
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Agradeço-te mensageiro ...
Enviada:
terça-feira, 8 de abril de 2008 13:03:15
Para:
Isabel Victor
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Todas Ibamos a Ser Reinas
Todas íbamos a ser reinas,
de cuatro reinos sobre el mar:
Rosalía con Efigenia y
Lucila con Soledad.
En el valle de Elqui, ceñido
de cien montañas o de más,
que como ofrendas o tributos
arden en rojo y azafrán.
Lo decíamos embriagadas,
y lo tuvimos por verdad,
que seríamos todas reinas
y llegaríamos al mar.
Con las trenzas de los siete años,
y batas claras de percal,
persiguiendo tordos huidos
en la sombra del higueral.
De los cuatro reinos,
decíamos, indudables como el Corán,
que por grandes y por cabales
alcanzarían hasta el mar.
Cuatro esposos desposarían,
por el tiempo de desposar,
y eran reyes y cantadores
como David, rey de Judá.
Gabriela Mistral
pseudónimo adoptado por Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga, nascida na pequena cidade de Vicuña, Chile, em 7 de abril de 1889, educadora, diplomata e feminista chilena, adotou o nome de Gabriela em homenagem ao poeta italiano Gabriele D’Annunzio e Mistral como forma de expressar sua admiração pelo poeta Frederic Mistral.
Vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1945, foi a primeira escritora latino-americana que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Dimokránsa
Composição: Kaka Barboza
Kantádu ma dimokrasiâ,
Ma stába sukundidu,
Ma tudu dja sai na kláruI nós tudu dja bira sabidu.
Kada um ku si maniâ
Fla rodóndu bira kuadrádu,
Kada um ku si tioriâ
Poi razom pendi di si ládu.
( ... )
domingo, 6 de abril de 2008
Extrait de l` exposition " Diáspora "____________________
Dans tes cheveux » de Mathilde Monnier
Danse
Corinne Garcia
Musique
Abdullah Ibrahim et Grace Jones (instrumental)
Jean Nouvel, premio Pritzker de arquitectura

Entrevista com Jean Nouvel
Museo del Quai Branly, a la sombra de la Tour Eiffel
Jean Nouvel, escenario de imágenes
http://www.elcultural.es/Video/jeannouvel/jeannouvel.asp
sábado, 5 de abril de 2008
o ciclo menstrual da noite

isabel mendes ferreira.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Sinais dos tempos

Dia Internacional de Museus 2008
Este ano o ICOM – Conselho Internacional dos Museus convida todos os museus do mundo a participar no Dia Internacional de Museus (18 de Maio) com actividades dedicadas ao tema “Museus como agentes de mudança social e desenvolvimento”.
Com esta proposta, o ICOM estimula a reflexão em torno de um dos pontos fundamentais do conceito de museu, que há mais de três décadas tem vindo a difundir: “Um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberto ao público, e que adquire, conserva, estuda, comunica e expõe testemunhos materiais do homem e do seu meio ambiente, tendo em vista o estudo, a educação e a fruição.”
A difusão de “novas” ideias, em finais dos anos 60, de questionamento da instituição museu, da sua abertura ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, foram consubstanciadas na Declaração de Santiago do Chile, datada de 1972. Com efeito, na época operou-se progressivamente uma mudança de atitude e de enfoque por parte dos museus, que acentuou as suas responsabilidades sociais, hoje tomadas como um dado assente. Questionamo-nos então sobre o retomar de um tema, tão debatido nessa atribulada fase de mudança das sociedades, com importantes reflexos nos museus, de que Portugal também foi palco nos anos 70, prolongando-se nos anos 80 e 90 do século XX. Sociedade e desenvolvimento não são conceitos fechados. Evoluem a par dos tempos. Adequam-se a novas necessidades, a novos contextos sociais, culturais, económicos, técnicos, científicos, artísticos, patrimoniais… fruto da contemporaneidade. É então neste momento, neste ano de 2008, que se propõe um novo olhar sobre as sociedades, hoje profundamente multiculturais, em que a circulação e a convivência de pessoas de diferentes nacionalidades, memórias, raízes culturais, línguas, resultam em confrontos e em encontros que reflectem a riqueza do ser humano, nas suas várias faces. Um tempo também marcado pela profusão de imagens que documentam e interpretam realidades e pelas vastíssimas possibilidades das tecnologias, também já não tão novas, mas cada vez mais acessíveis, associadas a novas fórmulas de comunicação, de aproximação e de interacção. E é sobre o museu neste tempo que urge reflectir, na perspectiva de o configurar como “agente de mudança social e desenvolvimento”, implicando-o, envolvendo-o, fazendo-o participar e fazer parte do quotidiano das pessoas.
Na perspectiva do tema proposto e como sugestão para reflectir sobre o potencial de uma nova realidade dos tempos actuais, este ano o ICOM anuncia uma novidade: a celebração do Dia Internacional dos Museus tanto no mundo real, como no mundo virtual. (Ver http://icom.museum/2008_contents.html)
O Instituto dos Museus e da Conservação associa-se às comemorações do Dia Internacional dos Museus e apela aos museus que integram a Rede Portuguesa de Museus para promoverem iniciativas que assinalem esta data, que em Portugal constitui já um momento de grande reconhecimento público da actividade dos museus.
Coisas do silêncio

Passeou pelos espelhos dos dias
suas clandestinas alegrias
que mal se reflectiram desertaram
Ruy Belo, " Remate para qualquer poema "
orla maritima e outros poemas
[publicações assirio & alvim para a fnac - dia mundial da poesia]
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quarta-feira, 2 de abril de 2008
DESEMPREGO EM 9ª MINGUANTE

Academia problemática e obscura

Em 1721 é criada a Academia Problemática e Obscura de Setúbal. Trata-se da primeira e única academia sadina e uma das primeiras do país. A primeira sessão, a 30 de Maio, coloca o problema “ Qual fizera mais, se Alexandre em conquistar o mundo, se Diógenes em desprezá-lo? ”, tendo dois antagonistas. Estava assim criada a primeira instituição formal de Cultura, em Setúbal.
( ... ) Ao contrário do que se tem pensado, esta academia não foi efémera, teve uma vivência até bastante longa, estando ainda activa nos anos 60 de setecentos. Nessa academia fundiam-se questões culturais, artísticas, musicais e poéticas, em fraterno debate.
Não me canso de pronunciar "Academia problemática e obscura " ( que nome fantástico ! Não acham ?), agora renascida em http://www.primafolia.blogspot.com/
Abrilando ... na Rua Deputado Henrique Cardoso 3o/34, em Setúbal
Apareçam ou cliquem em PrimaFolia para saber notícias sobre " O Museu do escravo africano ", em São Romão - Alcácer do Sal ( um projecto em fermentação ... )
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E ... de novo, a velha questão
" Liberdade, onde estás? Quem te demora? " (Bocage 1765-1805)
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