quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008


___________________________________________________________________
Obama é, acima de tudo, uma ideia tornada possível por um produto televisivo. Quando, a 4 de Novembro, próximo futuro, tiver vencido as eleições, e eu espero que sim, agradecerá primeiro à mulher e às filhas, que pouco o viram no último ano, dirá assim, e, em segundo, aos guionistas, realizadores, produtores e actores envolvidos na série 24; só depois aos cérebros da sua campanha. Seria justo. Antes da série 24 nos ter posto perante a figura de um digno presidente americano, negro, nunca tal nos teria parecido possível. Era ficção. Real apenas enquanto ficção. Eis como um produto de televisão é responsável pela rápida materialização de uma utopia.



Uma Utopia em Progresso ...

_________________________________________________________________________________

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

domingo, 10 de fevereiro de 2008

São Tomé ( uma preciosidade ... )



Conhecimento de embarque de mercadorias no vapor Ambaca, ancorado no porto de Lisboa, com destino a S. Tomé. Documento datado de 14 de Outubro de 1905.
A carga, despachada por Claudina de Freitas Chamiço para Matheus de Bono Paula, constava de 24 sacos de arroz; 8 sacos de feijão; 1 caixa com calçado e impressos; 1 caixa com balança e moinho; 2 barricas com cloreto de cal; 1 caixa de álcool; 3 caixas com medicamentos; 1 caixa com pertences de máquina; 30 barras de ferro; 5 feixes de ferro e 1 pacote com barras de aço.

© Blog da Rua Nove
tags: , , , , ,

O passeio público, Av Luísa Todi (coreto)


SETUBAL – Coreto da Avenida Luiza Todi visto do poente.
Bilhete postal circulado de Setúbal para Vila Viçosa, em 20 de Fevereiro de 1909.
Edição de Mendes – Estafeta – Setúbal.

© Blog da Rua Nove
tags: ,

Eliot Eliofson, Duchamp descending a staircase, photograph from Life Magazine , 1952 / Aqui




( ... )

São espectros cinzentos e partem em debandada, sentam-se nos bancos das empresas, escritórios, nas instituições como se fossem reis, calculando no deve e haver guardar o gado ... Engolem duas linhas de trabalho e vergam-se de hierarquia em hierarquia, tudo lhes serve, tudo lhes cabe. E, no entanto, a espinha que é o dorso, move-se atónita como o espaço, apreciam o ferro e o aço da melancolia, quando a pequena existência lhes quebra o passo. Olham, desdenham, mas inibem-se quando uma abelha tresmelhada, lhes cai certa no olhar e estão acompanhados, e a pergunta é sempre por que fui eu, se há mais alguém, e está presente ou se afasta para outro lado, ser seu igual ainda se tornaria pior. Vê-se só a espernear por todo o lado.
Vejo-os na vida nova armazenando fel, e dele se abastecem diariamente com a fartura dos contentes de coisa nenhuma, vivem o ordinário commumente, no sentido que damos às coisas mesquinhas que lhes são o seu empreedimento. Enfeitam-se de suposta cumplicidade, mas tudo lhes é moribundo, e nem habitualmente ousam o que certos animais fazem, não se escondem para morrer, do dono ...
Não gostam da surpresa de nada, como se tudo se lhes fosse dirigido, coçam no umbigo como se aí houvesse uma caixinha de música chinesa. ( ... )



JRM _______________________________________





Dilacerantes ... estes espectros Profanus





_________________________________

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Voltemos ao gato ( ... )

Fotografia http://zwir.ru/gallery/2007/2007_22.htm


queda-te que és agora objecto para engrandecer
e lamber
como o gato lambe as suas patas
à procura de pólen nocturno
que lhe extasie o corpo e lhe adormeça a alma



quedo-me imóvel ... nesta AURORA II de Porfírio Al Brandão
II Seminário Internacional da Memória e da Cultura Visual, 15 Março 2008


Local: Auditório Ilídio dos Santos (Cabeceiras de Basto – Portugal)
http://www.agir.pt/

Objectivos:

O segundo seminário pretende dar continuidade à primeira edição organizada na cidade da Póvoa de Varzim e constituindo-se com um espaço interdisciplinar e internacional para debater e reflectir as questões relativas à “memória” e à “imagem”. Num mundo cada vez mais glocal, onde a imagem e o filme se sobrepõem ao texto, procurar-se-á conhecer e descodificar valores subjacentes aos mesmos.

Convidam-se assim, todos os interessados a apresentarem e partilharem “viagens” a outras sociedades e culturas e/ou “memórias”, quer sobre a forma de comunicações, posters, vídeos e/ou fotografias.

Temas:
Memória Colectiva
Cultura, Educação e SociedadePatrimónio e História
Arte e Estética
Cultura Visual e Digital
Publicidade e Cinema

Comissão Científica:Casimiro Pinto – CEMRI – Laboratório de Antropologia Visual/Universidade Aberta (Portugal)Ester Massó Guijarro – Departamento de Filosofia da Universidade de Granada (Espanha)Fernando Cruz – AGIR – Associação para a Investigação Desenvolvimento Sócio ultural /Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Portugal)Joana Miranda – Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais(CEMRI)/Universidade Aberta (Portugal)José Ribeiro – CEMRI – Laboratório de Antropologia Visual/Universidade Aberta (Portugal)Maria das Mercês Covas – Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Departamento de Ciências da Educação e Sociologia (Portugal)Santiago Prado Conde – Grupo de Investigación EMIGRA (Universitat Autònoma de Barcelona) / Museo Etnolóxico, Ribadavia (Espanha)

Resumos e Comunicações

Resumos: Os resumos deverão ser elaborados em duas das línguas oficiais do Congresso (Português, Espanhol, Inglês e Francês) e deverão conter 250 a 350 palavras, título provisório, tema, nome do autor, instituição, palavras-chave. O texto do resumo deverá indicar sumariamente os objectivos da comunicação, enquadramento teórico, metodologia empregue na investigação e resultados eventualmente obtidos.

Envio do resumo por e-mail (em alternativa: disquete ou CD-Rom), até 16 de Fevereiro de 2008.
Apresentação dos textos (resumos e comunicações): Word 97/2000/XP; Times New Roman; tamanho 12; espaçamento entre linhas de 1,5 linhas.

Comunicações escritas: Título definitivo, nome do autor, instituição, palavras-chave, referências bibliográficas, até 30 páginas A4, em disquete/CD-Rom ou e-mail, Word 97/2000/XP, Times New Roman, tamanho 12, espaçamento entre linhas de 1,5 linhas, equipamento ecessário.

Envio das comunicações escritas por e-mail (em alternativa: disquete ou CD-Rom), até 15 de Março de 2008.

Comunicações orais: serão seleccionados para comunicações orais com duração mínima de 12 minutos, os resumos que obedeçam aos requisitos gerais enunciados para os mesmos e cujos participantes se encontrem inscritos no evento, apenas para esta modalidade, até 16 de evereiro de 2008.

Outras informações:
Para todas as apresentações orais serão disponibilizados os seguintes meios: projector multimédia e computador, projector de diapositivos e retroprojector de acetatos.
A avaliação dos resumos será feita pela Comissão Científica e os resumos seleccionados serão publicados nas actas do Congresso. Os autores com resumos seleccionados serão informados por e-mail da aceitação dos mesmos.

A Comissão Organizadora informa ainda que reserva a aceitação definitiva dos resumos de pessoas inscritas no mesmo. Mais informa que não dispõe de recursos para financiar os participantes, pelo que solicita aos mesmos que providenciem recursos, para garantir a sua vinda.

Inscrição:

Associados: 10 euros
Participantes com comunicação: 30 euros
Participantes sem comunicação: 10 euros
Inscrição como associado [1]: 40 euros
Transferência bancária AGIR - Associação para a Investigação e Desenvolvimento Sócio-cultural
NIB: 0035 0666 000809 51030 20IBAN: PT50003506660008095103020BIC: CGDIPTPL Banco: Caixa Geral de Depósitos
Correio postal ou vale postal
AGIR - Associação para a Investigação e Desenvolvimento Sócio-cultural
Apartado 3044490 Póvoa de Varzim -Portugal
.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008




Umberto Eco
Traducción de María Pons.
Lumen, 2007. 454 pp.

Parem !

Uma cimenteira airosamente plantada em pleno
parque natural da Arrábida foi e é, como todos sabemos, um erro ! Um irreparável crime ambiental, historicamente datado, ditado por outras premissas, por outras lógicas de crescimento. Um crime de triste memória. Uma chaga que se tem alastrado dolorosamente e perpetuado, em nome da pseudo-sustentabilidade do betão.

Os estragos estão lá, à vista de todos. A serra-mãe de Sebastião de Gama, retiro inspirador de Frei Agostinho da Cruz, continua a sofrer ... continua a ser comida nas suas entranhas, dilacerada ... mas agora, como se tudo isto não bastasse, vai receber a queima de resíduos perigosos.

Lamentável. Revoltante !!!

Será que este país têm alguma estratégia para o desenvolvimento integrado das regiões, ou é só fachada ?
Se tem, como pensa desenvolver o turismo ambiental e paisagístico na região de Setúbal- Troia (agora resort-Casino, etc ) ? O que fazer quando a Baía do Sado (uma das mais belas do mundo), nos dias sombrios, a anunciar chuva, fede a líxivia negra da Portucel, tornando irrespirável o ar da cidade e o anunciado carrossel de resíduos tóxicos, se despenhar nas sinuosas artérias da serra, pela calada da noite, rumo à Sécil (bem no coração do Parque Natural da Arrábida) ?! Como é que isto é possível ...


(no preciso momento em que estava a escrever este post, ouvi anunciar a suspensão da co-incineração na Arrábida por decisão do tribunal. Aleluia ! Será desta ?)

[Setúbal na Rede] - Secil já suspendeu co-incineração na Arrábida

_____________________________________________________________

Mesquitela Lima " As vidas não têm preço "

Mindelo 1929 — Lisboa 2007
antropólogo e escritor cabo-verdiano _______________________________________________________________
(...)

Ali estava a sua vida de cidadão, pelos livros, pelos retratos de homem amado, pelas vivências de docente e de conferencista, mas também pelos movimentos de rebeldia política e sobretudo pelas savanas e planaltos de Angola. Aqui viveu desde 1969, até se instalar, pós-25 de Abril, no rés-do-chão de um prédio antigo da Rua Alves Redol, voltado para a escadaria do sobe e desce estudantil do Instituto Superior Técnico de Lisboa.

É aqui que tenho as minhas peças... como as poderia guardar? encaixotadas não falavam comigo...”, explicou-me perante a minha surpresa de, mal ter entrado pela porta da cozinha, onde o professor tomava o pequeno almoço, me encontrar em pleno “museu”, transplantado na sequência da descolonização portuguesa de Angola onde criou o Museu do Dondo.
E foi através desta incursão que o neto do que foi governador de Cabo Verde em 1913, D. Bernardo Mesquitela, assumiu o papel de catedrático (jubilado da Universidade Nova e actual director do Instituto Superior de Gestão), na pesquisa da compreensão do “homo sapiens” e me transportou para uma viagem na História. Diz quem o teve como professor que “ele era sempre assim. Tinha o dom da palavra, nunca se sentava nas aulas e levava os seus alunos a sentirem-se protagonistas dos factos”.


Augusto Mesquitela Lima, que estava a escrever sobre “O Caos” (obra científica) dedicava muito do seu tempo, em palestras, conferências e eventos sobre Cabo Verde. Estudou em Portugal numa altura em que os Estudantes da Casa do Império, em Lisboa, germinavam as “independências” das colónias. Doutorou-se em França e Estados Unidos quando se viviam as experiências “inigualáveis de camaradagem”, assim dizia do “Maio 68”, chegando a estar preso por aderir a esse movimento.

Entre países de toda a África, mas também da Índia, Brasil e China, é de Angola, terra da sua mulher que predomina o povoamento que se agarrava às paredes de sua casa: “Este é o meu mundo, o ser humano e seu comportamento são a minha paixão”, dizia o professor enquanto pelo corredor, repleto de vitrinas, cheias, me apontava: “Aqui um bronze do Benim, uma peça raríssima; ali “são homens tchokoe e kioko”, acolá “huílas” de Angola”. Em seguida, indicava-me desenhos de mulheres africanas cujas tribos se distinguem pelos penteados, adornos, danças, num Continente a que se atribui a origem do ser humano, tese que o antropólogo corroborou.
A expansão museológica prosseguia em direcção à sala onde um confortável sofá e uma mesa clássica eram os únicos elementos que caracterizam um espaço para refeições em ocasiões especiais. Por todo o lado, miniaturas de peças artesanais, pinturas executadas por amigos como Kiki Lima ou Malangatana, se misturavam com outras de maior porte como a cadeira de um rei africano, os bancos de régulo, fotografias de “senhores” cuja ostentação do poder está simbolizada por um “homem grande” com óculos de ouro, mas sem lentes.


Mesquitela Lima buscava nestes objectos, sempre a reminiscência humana e até dos Imbondeiros, retratados em quadros - árvore peculiar, de copa de folhas tão pequenas e um tronco tão largo que, escavado, se torna habitação de humanos - procurou, num trabalho fotográfico, formar “uma sinfonia de seres enigmaticos”.


No escritório emergia, de montes de livros já sem espaço (perto de 30 mil), uma secretária com um computador que aguardava a memorização, sempre adiada, de todo este espólio. Entre tantos autores e temas estão também os seus mais de 30 trabalhos científicos, o primeiro dos quais, aos 19 anos, intitulado “Tatuagens da Lunda”. E na convicção de que “todo o profissional de antropologia possui algo de escritor “publicou também uma obra sobre a poesia do compositor de ascendência italiana, Sérgio Frusoni e um comentário literário sobre o manuscrito nos anos 50, para teatro, de Nhô Djunga, como era conhecido o fotógrafo João Cleofa Martins, ambos do Mindelo, sua terra natal.

Sempre por perto, aquela angolana de olhos verdes, de quem tem três filhos e uma vida de 49 anos de “cumplicidades, de bons e maus momentos”, acompanhou-o neste recuar da memória, sem tempo.


O quarto do casal, limitado a uma cama e um roupeiro, aparentava ser o repouso do “guerreiro” vigiado apenas pela vasta colecção de misteriosas máscaras ao lado das quais permanecerá, virtualmente, a sua: a de um antropólogo e investigador, um actor social que gostava de ser eterno e que deu a sua alma ao serviço do conhecimento dos povos. Que a sua obra seja pois, alimento de outros homens e mulheres Grandes.
______________________________________________
Fonte: Jornal A Semana Online 17-01-07, por: Otília Leitão

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

domingo, 3 de fevereiro de 2008







Os "Claridosos" tertúlia, encenada no Centro cultural do Mindelo, 2008




















____________________________________________________________________
CLARIDADE

A revista Claridade (1936-1960) liderada por Jorge Barbosa, Baltasar Lopes (Osvaldo Alcântara) e Manuel Lopes, integrantes da elite intelectual crioula cabo-verdiana, sendo acompanhados por Corsino Fortes, Gabriel Mariano, Onésimo Silveira entre outros. Esse grupo de escritores passa a assumir as suas raízes locais e admiram as inovações literárias propostas pelo modernismo brasileiro. Vêm o Brasil como modelo de país mestiço independente de Portugal, com uma língua diferenciada do colonizador. Evocam a semelhança climática com o Nordeste brasileiro, e a literatura brasileira ( caso de Vidas Secas - Graciliano Ramos, entre outros), patente neste expressivo poema

“Você, Brasil”, de Jorge Barbosa:


_____________________________________________________
Eu gosto de você, Brasil,
Porque você é parecido com a minha terra.
Eu bem sei que você é um mundão
E que a minha terra são
Dez ilhas perdidas no Atlântico,
Sem nenhuma importância no mapa.

(...)


Você, Brasil, é parecido com a minha terra,
as secas do Ceará são as nossas estiagens,
com a mesma intensidade de dramas e renúncias.
Mas há no entanto uma diferença:
é que os seus retirantes
têm léguas sem conta para fugir dos flagelos,
ao passo que aqui nem chega a haver os que fogem
porque seria para se afogarem no mar...


(...)

Os claridosos terão como temas os flagelos sentidos pela população, a seca, a fome, assim como a presença constante da insaluridade e a conseqüente evasão para solucionar este drama. O livro “Flagelados do vento leste”, de Manuel Lopes, é exemplo deste período.

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=279499&visual=26

___________________________________________________________________________

A
OUVIR
ESTE


Tão bom !

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008




UM MANIFESTO PELO FUTURO

A nossa comunicação é fruto de uma reflexão profunda e elaborada, resultado de uma análise intensiva, inter e multidisciplinar do estado do nosso património nacional em conjunto com individualidades conhecedoras das causas.

O grupo é formado por artistas plásticos, líderes associativos, professores, estudantes, antropólogos, sociólogos, historiadores, bibliotecários, músicos, cineastas, geógrafos, gestores, jornalistas, e personalidades da sociedade civil que também são defensores da cultura.

(...)


É nossa convicção, que a musealização da ilha de São Vicente enriquece e proporciona um extraordinário desenvolvimento cultural e sócio-económico de toda a população.

A cultura cabo-verdiana é de todos nós. É a nossa história, a nossa identidade, a nossa memória e o nosso património. Mas também é a única matéria-prima que temos para exportar e sermos reconhecidos pelos outros. Todos nós temos responsabilidades de preservá-la, de recriá-la, de transmiti-la de geração a geração.

Devemos proteger, lutar contra a delapidação desenfreada dos nossos patrimónios, que são raízes históricas e valores identitários do povo cabo-verdiano.

Temos que lutar contra atitudes e comportamentos que só servem interesses de um grupo para acumulação de riquezas e acervo de bens económicos, num modelo de desenvolvimento que não tem sustentabilidade, porque perderemos a capacidade de competir com outras paragens turísticas e arruinaremos a nossa identidade.

Temos que pensar num modelo de desenvolvimento integrado e espiritual que sirva a todos e não apenas interesses de alguns.

Afinal estamos a falar da memória e da consciência colectiva que exige uma tomada de atitudes, também colectiva e concertada, de modo que sejamos os guardiões dos nossos patrimónios.

Assim do encontro não saíram apenas ideias para o futuro museu para São Vicente, cujo objectivo inicial estabelecia, mas também uma ideia para a criação de uma Associação para a Defesa dos Patrimónios.

Deixamos aqui o nosso compromisso de doravante dar continuidade a esse desafio: preservar o nosso património cultural material e imaterial.


OS PARTICIPANTES DO SEMINÁRIO DE MUSEOLOGIA


Cabo Verde, Mindelo - São Vicente, Janeiro 2008

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

No Coreto ás seis ? Prometo chegar a horas ... não, não vais ficar a " fazer grogue " !

A Praça do Coreto, no Mindelo, é um (re)conhecido ponto de encontro. O lugar onde tudo e todos se cruzam.
E ... aos Domingos, e nos fins de tarde, também é aqui que se fica a conversar e namorar, deambulando compassadamente, em volta do poético coreto, como que " a fazer grogue " (imitando os engenhos do grogue, os tradicionais trapiches de Santo Antão ... rodopiando, rodopiando ... em amena cavaqueira )


" Disse-me " martim de gouveia e sousa NESTA esquina
__________________________________________________________

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008


As pálpebras do círculo do fogo
tremem.

Sentem o peso das horas
do dia que declina.

O desejo
de se fecharem para o mundo.

De sentir
o feminino corpo da noite.

E fecundá-lo de estrelas,
do cântico dos grilos,
de sonhos.
________________________________________________

in O guardador das águas, de Xavier Zarco

http://ediumxavierzarco.blogspot.com/

Amor y rize ta transá
Na fartura di nha regrese

Amor e riso misturar-se-ão
Na fartura do meu regresso

_______________

O encontro do emigrante retornado com a família e a terra será um momento de festa, amor e muita alegria, uma verdadeira "sabura" (algo gostoso, saboroso), uma felicidade sem fim.

in " A Morna-Balada, o legado de Renato Cardoso" - autoria Manuel Brito-Semedo ed. Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Praia, 2008

Bô Futur ...


O brilho da amizade a dissipar a névoa, quente e pesada, deste longo dia

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Aqui nasceu uma ideia !








Há dias um amigo bem informado, que conhece os meus interesses e que, sobretudo, adivinha os meus gostos, reenviou-me de longe, de muito longe, ecos do " El País " anunciando :

- "un YouTube para las ideas" ( http://www.bigthink.com/) !


_____________________________________
Achei a ideia genial e logo me lembrei de ter visto dias antes, nas ruas do Mindelo um inesperado memorial a uma ideia - a ideia de fazer, em 1984, o prestigiado Festival da Baía das Gatas. Magnífico ! Voltei ao lugar e fotografei ...
O lugar onde nasceu a ideia.
O lugar da ideia re.significado.
Patrimonializado ...

___________________________________________
Todos os anos, no fim-de-semana de Agosto em que brilha a Lua Cheia, cumpre-se o ritual na bela baía das Gatas, a festa já não é só musical ...

domingo, 27 de janeiro de 2008



Marionetas de Bety Gonçalves


Re.encontros no Centro Cultural do Mindelo ...
http://www.mindelact.com/marcomt2003.htm


...


Será que para sermos originais, para sermos caboverdianos de gema teremos de ter em casa motivos que únicamente fazem alusão à nossa cultura? Que fariam os ingleses, os franceses, os americanos, os japoneses, o resto do mundo ao Picasso, ao Miró, ao Tapiés, ao Velasquez, ao Dalí, ao Barceló, ao Goya que são espanhois, que fariam os espanhois ao Monet, ao Manet,ao Braque e ao Marcel Duchamp (franceses), que faria a Inglaterra à sua amada e agora nacionalizada Paula Rego (portuguesa de origem)?
Afinal onde raio pára a nossa universalidade ?

_______________________________________________________
O curioso para mim, é que todo o discurso sobre Cabo Verde aponta para a modernidade, para o facto de estarmos a um passo de alcançar maior desenvolvimento, contudo continuamos apegados às míticas representações do homem caboverdiano.
Não significará o nosso estado de civilização que também teremos de evoluir na forma como nos representamos nas artes? Seremos ainda apenas um país de camponeses, peixeiras, estivadores, emigrantes, pobres pescadores ?

______________________________________________________
Somos um povo sem imaginação, incapaz da abstracção, da conceptualização?

Abraão Vicente, AQUI

sábado, 26 de janeiro de 2008

José Melo e Tommy (pai e filho) dão fala ao lamento das cagarras. Voei com eles ... ____________________________"Tradisson" não justifica tudo !


Cagarras e Calhandras são espécies em vias de extinção.
Crédito: D.R.


http://www.africatodayonline.com/index.php?p=noticia&i=946


__________________________________________________________________________________________________________________

Entre 05 e 20 de Outubro deste ano, mais de doze mil cagarras-de-Cabo Verde, foram mortas.

A denúncia parte da associação ambientalista Biosfera I, da ilha de S. Vicente, que esta semana apresentou na capital do país, Cidade da Praia, uma exposição sobre o atentado ambientalista que se repete todos os anos.Segundo o presidente da associação, desde a década de 40 que a história se repete: no ilhéu Raso, onde vive 75 por cento da população mundial da cagarra-de-Cabo-Verde (Calonectris edwardsii), os populares matam milhares de crias na altura em que estão prestes a sair do ninho."Há três anos mataram entre 30 a 35 mil cagarras, no ano passado mataram no ilhéu Raso 27 mil crias, este ano não chegou a 13.000", disse à Agência Lusa José Melo, técnico de pesca, ambientalista e presidente da Biosfera I.A diminuição da mortandade não se deve a uma maior consciência ambiental, frisou José Melo, explicando que ela é apenas consequência de uma diminuição assustadora da população de cagarras-de-Cabo Verde, que actualmente não chega a 15 mil exemplares."A cagarra só põe um ovo, em Junho. A cria nasce no mês de Julho e é alimentada pelos progenitores até Outubro. É nessa altura, em duas semanas, que os pescadores apanham milhares de crias", contou.A exposição não foi visitada por qualquer responsável do governo de Cabo Verde, embora tenha sido precisamente este executivo que integrou o ilhéu Raso, em 2003, por decreto-lei, na Reserva Natural Integral de Santa Luzia e Ilhéus.Apesar da classificação como área protegida, por lei, o executivo nunca protegeu, até hoje, as cagarras, nem impediu a morte de milhares destas aves todos os anos, acusou José Melo, acrescentando que não é por desconhecimento da situação, porque a Biosfera I tem alertado com frequência para o problema, inclusivamente num encontro com o próprio primeiro-ministro, José Maria Neves."Em termos de legislação a cagarra está protegida. O ilhéu Raso faz parte da reserva natural e Cabo Verde tem assinado protocolos de protecção das espécies endémicas. Em termos de lei, temos tudo mas não há, literalmente, nenhuma protecção", lamentou.Na exposição, a Biosfera I apresenta um vídeo no qual se vê pescadores a apanharem as crias, a torcerem-lhe o pescoço e grandes montes de penas e cagarras mortas.Quer José Melo, quer Tommy Melo, biólogo, não entendem como é possível esta matança anual numa ilha protegida, especialmente porque as condições geográficas do ilhéu apenas permitem um local para se aportar, o que facilitaria a fiscalização.Como nada foi feito até agora, José Melo e Tommy Melo temem que, se a matança continuar, as cagarras do ilhéu Raso vão acabar em três anos. Mas o desprezo pelo ambiente tem outras consequências, alertam: com o fim das cagarras acaba também a espécie de lagarto que existe na ilha, única no mundo, que se alimenta dos excrementos das aves e dos insectos que eles atraem.Se os pescadores vão matando as cagarras-de-Cabo Verde em todos os Outubros, no dia-a-dia tentam também capturar outra ave da ilha, a calhandra (espécie de cotovia), que, segundo os dois responsáveis, é "a ave mais rara do mundo"."Em 2004 havia no ilhéu 250 calhandras, no ano passado 72 e este ano 18", diz José Melo, acrescentando que por se tratar de uma ave dócil é capturada viva e vendida para viver em cativeiro.A calhandra é uma ave única no mundo, que só voa a 10 metros de altura e não consegue voar mais do que 30 metros de comprimento, pelo que está confinada ao ilhéu Raso."Todo o ilhéu Raso tem um endemismo fabuloso. E só estamos a falar da fauna, porque em termos de flora é também riquíssimo", conta José Melo.A cagarra-de-Cabo Verde é única no mundo e começou a ser morta na década de 40, para suprir os efeitos da fome que então assolava o arquipélago."Hoje é apanhada para ser vendida nos restaurantes de Santo Antão, como prato típico", conta José Melo, frisando que são aproveitados 55 a 60 gramas de carne, ao custo de dois euros, o mesmo preço de um quilo de frango.O ilhéu Raso, entre Santa Luzia e São Nicolau, tem menos de sete mil metros quadrados e é fácil de proteger "porque a matança ocorre apenas 15 dias por ano", só falta "vontade política", dizem os dois responsáveis.Este ano, a 04 de Outubro, o jornal O Liberal alertava que no dia seguinte iriam começar a sair botes de Sinagoga (Santo Antão) para irem, em alguns dias, "esvaziar os ninhos das indefesas aves que antigamente abundavam em Cabo Verde", acrescentando: "Os departamentos do Estado com responsabilidade na matéria, vão, este ano, ainda a tempo de evitar mais este atentado contra a escassa vida selvagem do país."A Biosfera I tem procurado sensibilizar as populações para o perigo que as aves correm, com palestras em liceus e exposições como a da Cidade da Praia.A associação foi criada no ano passado, no seguimento de uma feira ambientalista (Ecofeira 2006), no Mindelo, que reuniu biólogos e naturalistas e que se destinou a chamar a atenção para os problemas ambientais de Cabo Verde, país onde também todos os anos são capturadas e mortas centenas de uma espécie de tartaruga em vias de extinção.



José Melo e Tommy Melo querem agora levar a exposição sobre o abate de cagarras a Lisboa.

No mundo existem três espécies de cagarras, aves migratórias de longa distância, que passam a maior parte do tempo voando sobre o oceano e só vão a terra para se reproduzir.

Fonte: Agência Lusa

Notícia mais detalhada em:

domingo, 13 de janeiro de 2008

Artistas e escritores discutem interculturalidade na Arte

A Associação Cabo-verdiana de Setúbal, Portugal, em conjunto com a Câmara Municipal local, promove, este sábado, pelas 21h30, uma tertúlia sobre a “Interculturalidade na Arte”. Este é o primeiro de um conjunto de debates que vão decorrer na “Capricho Setubalense”, com música

Mais ...

sábado, 12 de janeiro de 2008





No hay fuente que no beba (Corsino Fortes, Cabo Verde).

Memoria del Festival Internacional de Poesía de Medellín. Corsino Fortes nació en Mindelo, San Vicente, Cabo Verde, el 14 de febrero de 1933. Estudió Derecho Memoria del Festival Internacional de Poesía de Medellín. Corsino Fortes nació en Mindelo, San Vicente, Cabo Verde, el 14 de febrero de 1933. Estudió Derecho en la Universidad de Lisboa. Trabajó como profesor, juez del Tribunal de Trabajo y, tras la independencia de Cabo Verde, fue embajador de su país en varios países europeos y africanos, Ministro de Justicia y Magistrado. Colaboró con sus trabajos literarios en diferentes medios de comunicación y revistas como "Claridade", "Cabo Verde", "Raízes" y "Africa". Ha sido Presidente de la Asociación Caboverdiana de Escritores. Algunos trabajos suyos de poesíaa fueron recogidos por varias antologías de poesía africana. En su obra trata sobre todo de la identidad caboverdiana y sobre la poesía oral de Cabo Verde, especialmente las mornas. Obra publicada: Pão e Fonema, 1974; Árvore & Tombor, 1986; Pedras de Sol & Substância. Bajo el título A Cabeça Calva de Deus, apareció su obra poética reunida, ya objeto de varios estudios y antologías en inglés, francés, italiano, portugués y holandés. Sobre esta obra, menciona Ana Mafalda Leite, "... Amanecer sagrado del mundo, La Cabeza Calva de Dios nos ofrece en su fuerza creadora un trilogía en que, simultáneamente, Cabo Verde nace de nuevo, como tierra, como país, como patria, como identidad y como cultura, dentro y fuera del poema...".

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008


Fotografias Natasha Gudermane

_________________________________________________________________

El viento es un caballo
óyelo como corre
por el mar, por el cielo.

Quiere llevarme: escucha
como recorre el mundo
para llevarme lejos.

Escóndeme en tus brazos
por esta noche sola,
mientras la lluvia rompe contra el mar y la tierra
su boca innumerable.

Escucha como el viento
me llama galopando
para llevarme lejos.

Con tu frente en mi frente,
com tu boca em mi boca,
atados nuestros cuerpos
al amor que nos quema,
deja que el viento pase
sin que pueda llevarme.

Deja que el viento corra
coronado de espuma,
que me llame y me busque
galopando en la sombra,
mientras yo, sumergido
bajo tus grandes ojos,
por esta noche sola
descansaré, amor mío


El viento en la isla , Pablo Neruda
______________________________________________________





quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Esta é a ideia de museu que não queremos ! Os " museus " feitos contra as pessoas não são museus ! São gaiolas douradas ...

Candidatura da Cidade Velha a património da humanidade
________________________________________________________

"As Pessoas não Vivem em Museus "


Siza Vieira apresentou ontem plano de salvaguarda da Cidade Velha, em Cabo Verde

(Da nossa enviada Lucinda Canelas, na Cidade Velha )

Siza Vieira e Rosalinda estão de acordo. O arquitecto, que ontem apresentou o plano de salvação da Cidade Velha, em Cabo Verde não quer que a cidade congele. Rosalinda, uma habitante daquela que foi a primeira capital do arquipélago, diz que as pessoas não podem viver em museus. A maior preocupação do arquitecto é assim criar um novo traçado para as famílias que querem aí ficar mas são já demasiado grandes para ocupar as pequenas casas.
No final da Rua da Banana, junto a uma acácia e a um campanário improvisado, fica a Igreja da Nossa Senhora do Rosário. À porta, de lenço azul e sorriso pronto, estava Rosalinda, uma cabo-verdiana de 61 anos, boa parte dos quais dedicados à conservação da velha igreja. Ontem, o dia era diferente - "de gente muito importante" -, mas a voz que desfiou, vezes sem conta, o rol de histórias que marcam a vida do santuário era a mesma. Sentada num dos bancos da igreja, espreitava, curiosa, as plantas que Álvaro Siza Vieira estendeu no chão ao apresentar o plano de salvação da Cidade Velha, no âmbito da visita de Manuel Maria Carrilho, ministro da Cultura, a Cabo Verde.
Responsável pelo projecto, Siza Vieira realizou a primeira visita ao arquipélago há um ano e confessou-se "preocupado" com a tarefa. "A grande dificuldade que aqui se levanta é gerir a tensão que existe entre o desejo de construir mais casas e a necessidade de preservar. Temos de encontrar uma via entre os dois pólos extremos - o desaparecimento das marcas e o museu, fugindo a um meio termo medíocre."
Um museu é definitivamente o que não querem. Nem Siza Vieira, nem Rosalinda. "Não sei se era capaz de viver noutro lado - as pessoas não vivem em museus e eu não vivo longe daqui afirmou ao PÚBLICO Rosalinda, ou melhor, Linda, já que é assim que todos lhe chamam, à excepção dos 11 filhos porque "as mães só têm um nome, mãe".
De olhos postos na comitiva que se sentou à sua volta, Linda falou da Senhora do Rosário como quem fala do seu bem mais precioso. A memória afinada fez desfilar uma série de nomes, datas e estilos arquitectónicos. Todos aprendidos com um padre e com os livros. Apesar de dizer que não sabe falar porque a escola é fraca", explicou, nos seus detalhes, como nasceu e cresceu a igreja onde casou, num dia de "muita gente, muita alegria e muito batuque".
Contou como D. João II morreu antes de ver Cabo Verde, descoberto em Maio de 1460, como D. Manuel mandou construir a igreja e rezar missa todos os sábados em honra do seu antecessor, como o Padre António Vieira baptizou ali os escravos com a ajuda de dois frades franciscanos.
Para salvar os azulejos que "um arquitecto ultramarino" mandou deitar fora no final da década de 60, retirou-os da igreja e enterrou-os no chão da casa onde vivia, uma casa que hoje não passa de ruínas, pedindo a Siza Vieira que a voltasse a pôr de pé: "Esta era a minha casa. Tem mais de 100 anos. Foi aqui que guardei os cacos. Gostava muito de vir para cá morar outra vez. Pode ser?"
Depois de anos de promessas por cumprir, Rosalinda acredita que agora as coisas vão mesmo mudar. "Está cá o Siza Vieira. Todo o mundo fala do Siza, até já eu aprendi a falar dele e falo a toda a hora."
Procurando manter "o extraordinário equilíbrio secular entre natureza e construção", o projecto de Siza Vieira foi traçado segundo dois objectivos fundamentais: regenerar ou melhorar o sulco da ribeira - na foz da qual se estabeleceu o tecido urbano - e definir um princípio para o aumento do tamanho das casas. "É preciso criar um novo traçado para as famílias que querem cá ficar mas são já muito grandes para ocupar estas pequenas casas. Tudo sem abandonar esta maneira de viver. Sem deixar de ver miúdos a brincarem livres pela praia e pelas ruas, pessoas a cozinharem nos quintais. A relação com a natureza é o segredo do carácter da Cidade Velha."
Consciente de que a tarefa pode parecer impossível e até "reaccionária", Siza Vieira defende que "à arquitectura moderna é indispensável o convívio com a arquitectura passada", mantendo presente a ideia de um projecto em que a tecnologia seja entendida numa lógica de continuidade e não de ruptura ou imposição.
Afirmando que "a transformação em curso na cidade não acaba", preferiu não avançar datas para conclusão do projecto. Para já, a única certeza é de que trabalhará um ano sobre o plano, traçando "possíveis opções de futuro para a cidade" com uma equipa de que farão parte sociólogos, arquitectos, arqueólogos e engenheiros agrónomos, tendo em conta rigorosas consultas às necessidades da população local.
"Quero trabalhar com gente de Cabo Verde. Montar um gabinete local bem estruturado que possa acompanhar a construção."
Acompanhar a construção é para António Jorge Delgado, ministro da Cultura de Cabo Verde, um aspecto essencial. Os trabalhos de conservação e restauro da fortaleza real de S. Filipe estãojá a decorrer e têm merecido especial atenção. Financiada pelo governo espanhol - ou não tivesse a construção terminado em 1587, durante o domínio filipino - a reabilitação arquitectónica do forte está estruturada em duas fases, a primeira das quais a inaugurar em Setembro, praticamente terminada. A segunda, avaliada em 300 mil contos, que inclui a continuação dos trabalhos de prospecção arqueológica e a reconstrução dos armazéns de pólvora e munições, não tem ainda conclusão prevista, embora esteja praticamente certa a futura utilização do forte como centro cultural.
Os financiamentos portugueses, por seu lado, destinam-se à Sé, o mais importante monumento da Cidade Velha. A sua construção teve início em 1555, mas só foi terminada em 1697, quando a Praia já era a cidade mais importante do arquipélago, e o declínio da Ribeira Grande já se anunciava apesar de ser ainda a capital. O Instituto Português do Património Arquitectónico tem a seu cargo os trabalhos, que deverão arrancar em Outubro embora as obras de conservação só comecem em Março.
Os custos totais do plano de salvaguarda não são conhecidos, embora o financiamento esteja, segundo António Jorge Delgado, assegurado, graças aos governos de Portugal e Espanha e a um grupo alemão privado que prometeu investir, "sem contrapartidas", 150 mil contos por ano, durante uma década.
Alheios às preocupações que a cooperação cultural exige, Kaluzinho, Egídio, Amiltion e Ireia brincavam alegremente no largo do pelourinho, enquanto, à sombra de uma árvore, um grupo de homens jogava oril e os rapazes acartavam à cabeça pesadas trouxas de roupa, ladeira acima a caminho do tanque do Forte de S. Filipe. As palavras de Siza Vieira voltam à memória, tornando-se fácil perceber porque diz - "quero guardar esta vida".
© 1999 PÚBLICO
Zenith R 615 F (50's)


O Museu da Rádio‏ ...
museum@ci.uc.pt


Maioria do espólio
encontra-se
no parque de estacionamento
mal climatizado



Museu da Rádio transferido para edifício da RTP mas sem previsão de reabertura (Lamentável, digo eu ... )

O espólio do Museu da Rádio (MdR), em Lisboa, foi transferido para as instalações da RTP, também na capital, onde deverá integrar uma futura "colecção visitável de rádio e televisão", informou hoje fonte daquele museu.


Segundo a mesma fonte, a RTP - que gere o Museu da Rádio - quis retirar os cinco mil objectos e peças que integram o acervo do museu até ao final do ano, ou seja, até segunda-feira, do edifício situado na Rua do Quelhas, em Lisboa. O Museu da Rádio, que está encerrado ao público há mais de um ano, estava localizado num edifício do século XIX onde funcionou a Emissora Nacional e que a RTP acaba de vender. O espaço contava com cerca de 1500 metros quadrados repartidos por quatro pisos. A maioria do espólio está actualmente guardada em reservas nos pisos do parque de estacionamento da RTP, embora os fonogramas e discos tenham sido depositados no arquivo histórico sonoro da RDP. Os documentos no arquivo documental da mesma empresa e alguns instrumentos estão no Museu da Música, em Lisboa. "O Museu da Rádio tal como o conhecíamos não vai voltar a existir", disse uma responsável que trabalha no museu, uma vez que a intenção da RTP é criar "uma colecção visitável" no espaço onde esteve patente a exposição sobre os 50 anos da rádio e televisão públicas. De acordo com a responsável, foi criada uma comissão que acompanhará a criação da "colecção visitável", da qual fazem parte cinco pessoas, entre elas o director do Museu da Rádio, Pedro Brauman.

A colecção do Museu da Rádio inclui discos em baquelite, microfones, máquinas de gravação, gira-discos, rádios, equipamento de emissão radiofónica, instrumentos pertencentes à Orquestra Sinfónica Portuguesa e alguns dos estúdios da antiga Emissora Nacional. Até à criação da "colecção visitável" de rádio e televisão, os cinco funcionários do Museu da Rádio ficarão encarregues da "tomar conta" do espólio, depositado em reservas que, segundo aquela responsável, não estão preparadas nem climatizadas para acolher objectos museológicos. O Museu da Rádio, um projecto que remonta aos anos 1960, foi inaugurado em 1992 na Rua do Quelhas e é um testemunho da evolução da transmissão radiofónica em Portugal.

Em 2006 a administração da RTP, que foi entretanto substituída, anunciou a criação de um novo museu da rádio e televisão, que utilizaria as novas tecnologias multimédia de modo a recriar os vários ambientes ao longo do tempos. Ao abrigo da actual Lei da Rádio, no âmbito do contrato de concessão de serviço público, a RTP está encarregue de assegurar o funcionamento do Museu da Rádio.

(...)

Fonte: agência Lusa

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Carmim



Hoje, por instantes, entreguei-me nas mãos da Márcia e perdi a noção do tempo. Como num teatro de marionetas, o corpo quase que desapareceu no escuro e só se viam dedos e mãos iluminadas por um pequeno candeeiro, no canto do salão. Neste cenário, esquecida de mim, viajei até à cidade de Londrina, no Paraná e quase toquei as saudosas infâncias ... do " era uma vez " no Pantanal ... desfiadas nas estórias e memórias de uma mulher de vinte e oito anos, imigrante brasileira, que há nove anos, grávida de esperança, veio para Portugal à procura de melhor vida. Também esteve na Inglaterra, " mas aí ainda foi pior ... não havia sol "

Mas está difícil ... " se calhar vou voltar, vou criar lá os meus filhos ... aqui o dinheiro não chega nem para pagar o infantário ... lá, ao menos, tem creche gratuita e até farmácia do povo e ... estou perto do meu pai e dos meus irmãos", dizia-me ela, com os dedos nos meus dedos, massajando-os maquinalmente ao ritmo da emoção.

Chegou a hora de escolher a cor ... olhei atordoada a paleta e dei-lhe a primazia do acto. Ela escolheu o carmim ... sorri-lhe e saí com a cabeça cheia de sensações, ideias e lugares.

Agora, teclando, olho para estas unhas festivas e ...
estala-(se)-me o verniz !
Lembro-me da Marta, das vaidades, da intimidade do nosso iluminado re.canto, das brincadeiras deliciosamente recreadas no exuberante Pantanal (coisa de pouca dura, porque a Marta começou a " fazer unha " aos onze anos no salão da tia. "Era preciso ... " eram muitos irmãos e ... o pai era amigo dos filhos, "não nos faltava com nada em casa, mas ... tinha muitas amantes, sabe como é ? ... Vivíamos no campo ... mandaram-me para a cidade, trabalhar, era assim ... tinha que ser... e eu gostava ! " )


E a isabel mendes ferreira disse ...

"Marta que é nome das diferenças e das desigualdades....
Marta no caminho ínsulo dos sonhos.
e o verniz sempre carmim a cavalgar o cinzento dos dias."

Já com a Isabel, à mesa de um prometido fim de tarde ... interrogo.me ...

não sei se a Marta se lembrará algum dia do meu nome ou se fui apenas mais "uma unha para fazer" ?
Mais uma unha encravada na vida difícil das Martas e das Marias, de cá e de lá, a sobre.viver na dourada Europa que ... já não é o que era.

Tantos, tantos mitos. Tanto para contar, re.contar ...
e os argumentistas em greve !

terça-feira, 8 de janeiro de 2008




RE.SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA
____________________________________
_________________________________
_______________________________
( digo eu ...)

domingo, 6 de janeiro de 2008


( ... )

Outros, felizes, sejam rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que ha' gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.

_______________________________



Miguel Torga, Orfeu Rebelde (excerto)

fotografia philippepache

O Luís Pacheco já não precisa de nada ___________________________ morreu o artista ...


Morreu um homem livre , devia ser feriado.

Luís Pacheco o primeiro editor do Marquês de Sade em Portugal !

Quem mais ousaria fazê-lo ?



" Às vezes surrealista ..." diz hoje, AQUI , o Lauro António

____________________________________________________

Longa entrevista dada, em Setúbal, à revista Kapa, edição de Julho de 1992

http://ofuncionariocansado.blogspot.com/2007/08/luiz-pacheco.html

sábado, 5 de janeiro de 2008

TEXTUALMENTE ...

" quando a respiração se acelera em busca de uma lufada que a renasça, o medo da morte afinal se escancara (medo-mor, tamanha injustiça, torpeza infinita), aperto a mão da Irene, a sua mão débil e branca. Quero acordá-la. E digo: «Não me deixes morrer, não deixes...». Penso para comigo, repito para me convencer: «Esta pequena mão, âncora de carne em vida, estas amarras suas veias artérias palpitantes, este peso dum corpo e este calor, não me deixarão partir ainda...» E aperto-lhe a mão com força, e acabo às vezes por adormecer assim, quase confiante, agarrado à sua vida. Ah, são as mulheres que nos prendem à terra, a velha terra-mãe, eu sei, eu sei! São aquelas que nos salvam do silêncio implacável, do esquecimento definitivo, elas que nos transportam ao futuro, à imortalidade na espécie (nem teremos outra) pelo fruto bendito do seu ventre (eu sei, eu sei...)."
______________________________________________________

Excerto de um parágrafo de Comunidade de Luiz Pacheco

Museu de Alberto Sampaio

Rua Alfredo Guimarães
4810-251 GUIMARÃES

Tel: 253 423 910
Fax: 253 423 919






«Inventariação do Património da Arquidiocese de Braga: criação de uma base de dados».


____________________________________________________________
No dia 7 de Janeiro, segunda-feira, pelas 15 horas, no Museu de Alberto Sampaio, serão apresentados publicamente os resultados do projecto Inventariação do Património da Arquidiocese de Braga: criação de uma base de dados.



Este projecto foi coordenado pelo Instituto de História e Arte Cristãs da Arquidiocese de Braga, tendo sido apoiado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), através da ON: Operação Norte, Eixo 1, Medida 1.4.



A inventariação e estudo do espólio das igrejas vimaranenses foram coordenados pelo Museu de Alberto Sampaio que desde há já alguns anos vem apoiando a Igreja na salvaguarda e estudos das suas colecções de arte sacra.



Globalmente o projecto permitiu a: edição de oito livros (dois sobre as colecções do Museu Pio XII ˆ a colecção de pintura e a de numismática; e os outros seis sobre as Igrejas de: N.ª Senhora da Oliveira, S. Domingos e Santos Passos, todas no Arciprestado de Guimarães; Matriz da Póvoa de Varzim; Matriz de Esposende e Museu de Arte Sacra (Caxinas); seis desdobráveis, um por igreja; seis quiosques multimédia, nos quais constam as principais peças de arte sacra de cada uma das igrejas; uma base de dados, contendo o inventário do espólio móvel das referidas igrejas, e que fica localizada no Museu Pio XII.A primeira sessão de apresentação decorreu no Museu Pio XII, no dia 28 de Dezembro.



Na sessão de apresentação que se realiza no Museu de Alberto Sampaio (7.1.2008) serão lançados os roteiros das Igrejas de Guimarães ˆ N.ª Senhora da Oliveira, S. Domingos e Santos Passos ˆ bem como apresentados os respectivos quiosques multimédia e os desdobráveis. Nesta sessão estarão presentes o Senhor Arcebispo Primaz de Braga, Dom Jorge Ortiga, e o Director do Instituto e Arte Cristãs, Cónego José Paulo Leite de Abreu.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

O intenso brilho





__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
É impossível no mundo
estarmos juntos
ainda que do meu lado adormecesses.
O véu que protege a vida
nos separa.
O véu que protege a vida
nos protege.
aproveita, pois,
que é tudo branco agora,
à boca do precipício,
neste vórtice
e fala
nesta clareira aberta pela insônia
quero ouvir tua alma
a que mora na garganta
como em túmulos
esperando a hora da ressurreição,
fala meu nome
antes que eu retorne
ao dia pleno,
à semi-escuridão

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008


Chez " Suzy" (1932-33), fotografia BRASSAÏ


Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.


Ensinamento , Adélia Prado

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Indignação ! Faltam "centenas de auxiliares da acção educativa especial" nas escolas, para acompanhar as crianças deficientes.



Back jacket photo by William Eugene Smith: Awaiting survivors of the Andrea Doria, New York City, 1956. Copyright © 1998 The Heirs of William Eugene Smith.
____________________________________________________________________________________________________
Isto é obsceno !!!
______________________________________________________

Seguidores

Povo que canta não pode morrer...

Pesquisar neste blogue