_______________________________________________________
Utilidades __________________________________________
Assunto: sites para conhecimento e divulgação sobre multidificiencia
Dislexia
· Portal da Dislexia - http://www.dislexia-pt.com/sinais_alerta.htm
· Dislexia: Perceber o que os meus olhos vêem - http://alunos.por.ulusiada.pt/21656106/
· Artigos e informações sobre Dislexia - http://www.dyslexia-teacher.com/
Autismo
http://www.sensite.co.uk/approach/theme_4.html
· Actividades para autistas -
http://actividadesautistas.blogspot.com/
· Partilha de experiências e trabalhos - http://partilharombroamigo.blogspot.com/
· PECS (Picture Exchange Communication System) - http://www.pecs.org.uk/
· PECS (Picture Exchange Communication System) - http://www.autistas.org/pecs.htm
· Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger -
http://www.apsa.org.pt/bin/PresentationLayer/home_00.aspx
· Federação Portuguesa de Autismo - http://www.appda-lisboa.org.pt/federacao/
· Banco de imagens gratuitas - http://www.picto.qc.ca/
· Imagens para colorir - http://www.coloring.com/pictures/choose.cdc
· Recursos educativos 1.º ciclo - http://www.cantinhodateresa.net/corpo.htm
· Actividades 1.º ciclo e pré-escolar - http://www.catraios.pt/
· Rua Sésamo - http://www.sesameworkshop.org/
· Passatempos, jogos educativos, colorir e multimédia - http://www.smartkids.com.br/
· Actividades pré-escolar, 1.º e 2.º ciclo - http://www.junior.te.pt/
· Recursos - http://www.akidsheart.com/
· Actividades e recursos para crianças do 2-6 anos - http://www.first-school.ws/
· Cooperativa de Educação e Reabilitação de crianças inadaptadas de Fafe - http://www.cercifaf.pt/
· Aplicações interactivas para o 1.º ciclo e a Educação Especial -
· http://www.cercifaf.org.pt/mosaico.edu/
Diversos
· Entre Amigos – Rede de Informações sobre Deficiência - http://www.entreamigos.com.br/
· Programas educativos interactivos - http://misprogramaseducativos.blogspot.com/
· Estimulação sensorial e criativa - http://www.boohbah.tv/
· Actividades pedagógicas para E.E. pré-escolar -
http://www.malhatlantica.pt/apoio_pre_escolar/actividades.htm
· Conteúdos pedagógicos abordados através de animações, jogos, sons e imagens -
http://www.estarconsigo.com/animacoes.htm
· Noddy - http://www.noddy.com/funtime/index_pt.html
· Puzzles, jogos e diversas actividades - http://www.poissonrouge.com/
· Ruca - http://ww1.rtp.pt/wportal/sites/tv/ruca/index.php
· Teletubbies - http://www.bbc.co.uk/cbeebies/teletubbies/
· Recursos sobre Ciências da Natureza - http://www.cientic.com/portal/
· Eu Sei! – Centro de Competência TIC da ESE de Santarém - http://nonio.eses.pt/eusei/
· No Mundo das Fábulas - http://nonio.eses.pt/fabulas/
· Actividades 1.º ciclo – Univ. Évora - http://www.minerva.uevora.pt/web1/
· TIC Ciênci@ - Univ. É vora - http://www.minerva.uevora.pt/ticiencia/index.htm
· Aventuras na Web – 1.º ciclo - http://www.minerva.uevora.pt/pre1ciclo/webquests.htm
· Netescrit@ - http://www.nonio.uminho.pt/netescrita/princ1.html
· Molecularium – Simulações em Química-Física - http://www.molecularium.net/
· Softciências - Jogos sobre a Tabela Periódica - http://nautilus.fis.uc.pt/cec/jogostp/
· Softciências – Camada de Ozono - http://nautilus.fis.uc.pt/cec/ozono/
· Softciências – Caça ao Tesouro - http://nautilus.fis.uc.pt/cec/ct/
· Jogo das Coisas – Centro de Física Computacional - http://www.jogodascoisas.net/
· Cadernos Net – Actividades/Webquests – 1º, 2º, 3º ciclos, Secundário e Técnico – Proformar - http://cadernosnet.proformar.org/intro.swf
Institucionais
· Ministério da Educação - http://www.min-edu.pt/
_________
Fonte: GAM - Grupo para a Acessibilidade nos Museus
http://www.gam.org.pt/
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Tudo a desejo ...
______________________________________________________ Um dia Feliz, porque sim !
_______________________________________________________________________________
domingo, 29 de novembro de 2009
Notícias
http://alfarrabio.di.uminho.pt/zeca/cancoes/129.html
Alípio de Freitas esteve ontem (connosco) no museu ... em reverendíssimo silêncio. As cartografias da memória têm territórios in.cartografáveis. insondáveis _______________ constelações de utopias.
Aconteceu, no Sábado, mais uma Tarde memorável. Registada (filmada) para memória futura. Cartografias da Memória será título, tema e lema, do número 2 dos Cadernos do Museu, a editar brevemente (tão breve quanto o tempo o permitir).
Fotografias por Paula Viotti (a poeta do espaço)
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
o tempo________esse predador .
fulminoso regaço. fuzilante poço_____________(cativa de um doce naufrágio desloco o sujeito do verbo em frondosa arritmia para que mais tarde na geometria da acção que foi causa e espinho haja o pretexto e o consenso da tua celestial ambição_________eu diria que deste ao tempo a messiânica sombra do adeus. em teia. minucioso tear dos contrastes. assombro das oliveiras. mortas. tão secas.)
isabel mendes ferreira
in PIANO
_______________________________________________________________________
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Araquerar
________________________________
Palavras Mágicas
Léxico Romanon/Calon - Português
Amale - Amigos
Andecrelar - Caminhar
Aocaná - Agora
Araquerar - Falar, Conversar
Argurar - Sofrer
Barbaló - Rico
Barí - Essência, Virtude, Jóia
Brincunchar - Brincar
Buti - Trabalho
Butré - Muito
Calon - Cigano
Camelar - Amar
Cámepe - Amor
Chaborilhos - Crianças ciganas
Chanelar - Entender
Charaburri - Triste
Chororó - Pobre
Colcorró - Sozinho
Dedinhar - Dançar
Dicar - Ver
Drabarav - Ler
Drom - Caminho
Dyene - Pessoas
Gadjó - Não cigano
Garlochí - Coração
Gozuncha - Alegria
Guilhadar - Bailar, Cantar
Jacharar - Zangado
Lachi - Feliz
Lacorilhos - Crianças não ciganas
Lequevav - Escrever
Môl - Vinho
Narrar - Ir embora
Orobelar - Chorar, Lamentar
Pacha - Vida
Pachi - Vergonha
Payo - Não cigano
Penar - Dizer, contar
Perguntecelar - Perguntar
Quehonche - Ódio
Rom/Roma - Cigano/s
Romanon/Calon - Língua dos ciganos
Salar - Rir
Siklav - Aprender
Sinhela - Verdade
Sinhelar - Ser
Siruga - Música
Techarí - Liberdade
Tsira - Pouco
Vaqueripen - Conversação
Vengue - Duende
Zueno - Beijo
POESIA MATEMÁTICA
Fotografia por Dede Fedrizzi
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base…
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.
“Quem és tu?” indagou ele
Com ânsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa.”
E de falarem descobriram que eram
- O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
-Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais.
Escandalizaram os ortodoxos
Das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas
E pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e
Diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E casaram-se e tiveram
Uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
Se torna monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum…
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um
Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais
Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
Chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a
Relatividade.
E tudo que era expúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade.
Millôr Fernandes
Li há dois verões ... amei perdidamente____________________________
Na verdade, as cartas podem ser lidas como se fossem contos, pois são independentes umas das outras, unindo-as apenas a melancolia do discurso narrativo e algumas personagens recorrentes.
A localização espacial distribui-se por vários locais da Europa Mediterrânica ou do Sul, Portugal incluído, passando por lugares como Creta, Heraklion, Lisboa, Veneza, Nápoles com uma escapadela a Paris.
As personagens incluem um narrador cuja complexidade faz lembrar os heterónimos de Fernando Pessoa – desde o médico ao músico ou ao encenador -, embora possuindo sempre a mesma “voz” que exprime anseios, angústias e problemas existenciais muito similares: há duas esposas, uma amante de longa data, as amantes ocasionais, o rival, aqueles que zelam pela saúde mental e física do narrador e protagonista.
O tempo esgota-se nas expectativas e nos sonhos adiados sine dia, na procura do amor inesquecível, absoluto e capaz de expulsar o maior inimigo do depressivo, quando instalado na rotina do quotidiano: o tédio.
Nos textos de Tabucchi, consegue-se identificar intertextualidades com Proust, Mann, Pessoa e inclusive conseguimos encontrar uma alusão a Alfredo Duarte na carta intitulada Estranha forma de vida, sem esquecer a referência a referência a Nikos Kazantzakis.
O tempo perdido pode ser recuperado através de um instante, susceptível de eclipsar toda uma vida de tédio. Esta expectativa parece ser aquilo que mantém o mesmo narrador agarrado à vida – e à escrita – cuja linha percorre os meandros do labirinto de emoções: o fio da vida, deixado por uma atenciosa Ariadne mas que, a qualquer momento pode ser cortado por uma das Parcas.
As intertextualidades estendem-se ao campo musical e às artes cénicas, nomeadamente na referência à Norma de Bellini, na carta intitulada Casta Diva, e à música popular italiana, com especial incidência no sentimentalismo das canções napolitanas.
A extensa cultura do Autor abrange os múltiplos domínios da Arte como a literatura, a música, mas também o cinema e o teatro. Uma faceta que se projecta de tal forma no narrador principal, que não é de todo inverosímil que nos perguntemos se não se trata antes de um auto-retrato. Existem, várias possibilidades de leitura numa obra como esta: as cartas podem ser pequenas estórias independentes entre si. No entanto, no final é possível efectuar uma ligação entre elas como num puzzlle gigante que deixa, no entanto, alguns enigmas.
As Cartas são escritas, sobretudo, em tonalidades neutras ou sombrias. Variações de luz que advêm do cenário, onde a luminosidade parece, por vezes, oprimir o narrador, face à impossibilidade de partilhar/comungar os pequenos prazeres com alguém capaz de saborear na mesma medida a possibilidade da fruição do Prazer. Esta particularidade faz com que o discurso narrativo oscile entre uma narrativa serena, ora polvilhada de nostalgia ora apimentada de humor negro. As estórias desfilam como cariátides na fachada de um templo.
Um bilhete no meio do mar dá-nos a panorâmica de uma ilha grega através da narrativa que descreve o périplo pelo recantos mais pitorescos de um lugar agreste, pelo seu primitivismo e relevo acidentado, mais apropriado para cabras montesas do que propriamente para seres humanos. A faceta gourmet do narrador revela-se na descrição detalhada do processo da confecção artesanal do queijo típico da região, preparado com o cuidado e a devoção, votados normalmente ao cerimonial de um ritual religioso, onde até as ferramentas e utensílios usados no processo, adquirem um valor histórico, emocional e até mesmo sagrado, para os proprietários.
No discurso do narrador, desta estória está patente a ausência da partilha de pequenos prazeres que são o sal da vida e que o narrador saboreia com devoção. A impossibilidade de partilhá-los com o ser amado – que os não aprecia – acaba por fermentar sentimentos azedos onde cabem a mágoa e um certo rancor, aliados à solidão e à melancolia. E onde a vontade de salvar um bilhete, uma missiva que cai acidentalmente ao mar é tão ténue – ou o tédio está já de tal forma instalado – que impede a acção de qualquer uma das partes.
Na segunda carta, O Rio, cársico, que atravessa a montanha por dentro, acabando por dividi-la a meio é o mesmo que vai cavando um vale, um fosso interno na relação do narrador com a companheira. Sendo historiadora, a esposa desta personagem, vive voltada para o passado ao passo que o espírito questionador daquele leva –o a voltar-se para o futuro. Ambos se debruçam sobre tempos diferentes o que faz com que, ao cartesianismo de um deles e respectiva sujeição ao quotidiano se oponha a emotividade, o actuar por impulso do companheiro, motivado por um ideal.
A acção continua a passar-se na Grécia, desta vez na de Kazantzakis, mais propriamente em Heraklion. O narrador exprime a sua antipatia pelo polémico autor de A Última Tentação de Cristo, embora o admire e de certa forma o inveje, reconhecendo uni-los o sentimento de soberba. Na verdade, separa-os apenas a forma como o demonstram. O narrador vomita-o sob a forma de hybris, correndo o risco de incorrer na ira dos deuses, enquanto que, em Kazantzakis, esta manifesta-se sob a forma de coragem.
Esta narrativa em forma de carta, é uma reflexão sobre a fragmentação do tempo e o esboroar dos sonhos. E do desejo, que vai rasgando a alma ao meio, tal como nos rios cársicos, e que se manifesta num eterno adiar da felicidade a ser concretizada num futuro distante.
Forbidden Games é construída a partir de uma fotografia, uma imagem de uma mulher nua numa varanda parisiense. Na carta, é utilizada a imagem recorrente de uma jovem para atravessar o rio do tempo e inspirar uma arrebatada estória de paixão. Aqui, os tempos e as épocas confundem-se no cenário da Paris histórica, permanecendo intacta, através do tempo, a recordação de um intenso momento de fruição erótica debaixo do tecto nevado das amendoeiras em flor.
A Circulação do sangue é uma carta dedicada à “muito querida e amada” hemoglobina do narrador, uma dissertação acerca do medo da morte e do peso da idade, que se acumula progressivamente no líquido que corre nas veias, comprometendo a circulação. Sempre impregnada com o mais negro sarcasmo a emergir da reflexão sobre a relação entre ciências exactas e ciências humanas ou a relação entre o microcosmo cerebral e o macrocosmo que é o universo.
Em Casta Diva, o narrador mostra-se aos leitores na sua faceta de encenador, enquanto escreve uma carta à Prima Donna advertindo-a da necessidade de se submeter às suas directrizes, por mais excêntricas que lhe pareçam, sem questionar nem contestar. A versão da “Norma” imaginada por si foge aos cânones ditos “normais” ou clássicos, uma vez que alterna os diálogos melodramáticos que caracterizam a ópera, com o visual futurista dos cenários e guarda-roupa. O efeito final resulta num sincretismo temporal que se alia à mistura de estilos musicais e acabam por transformar um melodrama numa ópera buffa.
A referência ao papel das Parcas é de uma ironia e cepticismo macabro, no diálogo com a protagonista da peça de Bellini.
A analogia entre um sacerdote, em pleno acto sacrificial, com um cirurgião moderno só aumenta o aspecto tétrico da cena com os instrumentos de corte, dispostos diante daquele numa bandeja. A cena torna-se hilariante quando é encenada a fuga dos protagonistas numa potente motorizada. Mais uma vez, o rio da vida atravessa as épocas históricas, transportando os sedimentos de uma para a outra…até mesmo na mistura de ritmos e estilos musicais que juntam a música lírica às canções populares napolitanas e sambas cariocas…
Passei lá por casa mas não estavas, é mais uma narrativa em forma de carta. Um lugar na memória onde a amnésia se manifesta como o aprisionamento do passado numa carta dirigida, mais uma vez, a um amor, também ele já distante no tempo. Onde a reclusão forçada num paraíso artificial funciona como um íman, da mesma forma que a casinha de chocolate serviu para atrair Hansel e Gretel a uma armadilha. O discurso dominante na linguagem do narrador nesta carta, lembra um pouco a movimentação das personagens de Jacques Tati, onde o doente amnésico observa a sua vida de fora como se esta não lhe pertencesse. E não pertence, de facto…
A carta seguinte está relacionada com esta intitulando-se Da dificuldade de nos libertarmos do arame farpado ou da prisão murada para os excluídos. O narrador fala da evolução do século XX como sendo o tempo caracterizado pela trilogia do Zyclon B, da radioactividade e a do arame farpado (dos campos de concentração e das prisões). Todas elas formam de eliminarem aqueles que são indesejáveis para um ou mais grupos sociais.
Boas novas lá de casa é mais uma carta dirigida a um fantasma onde o narrador opta por falar do crescimento e evolução intelectual dos netos, da carreira do filho de ambos, das qualidades da nora e… da amante do filho, decorrente da necessidade deste em manter uma relação extra-conjugal isenta de tabus. Esta carta é como que uma espécie de retaliação, um saldar de contas face à constatação da como a paixão nasce, se desvanece e morre, erodida pelo tempo tal como as pedras do rio, morrendo quando a vida perde o sal…
Para que serve uma harpa com uma só corda?, fala de mais um amor que se perde no tempo. Onde é notória a nostalgia sentida em relação a um amor por uma mulher socialmente admirada e cujo rumo, a dada altura, divergiu do protagonista. Uma fuga para oriente, como o objectivo de perseguir uma vocação, em direcção à Grécia, é o bálsamo que actua como paliativo, adormecendo o sentimento que, em Portugal, se chamaria de saudade. O protagonista tem as características mentais de um Odisseu, com a sede de aventuras e viagens pelo mar fora onde os afectos encontrados em cada porto não conseguem ofuscar o mais elevado de todos os sentimentos: o amor, sublimado pela Arte em forma de Música.
O artista vive para tocar a sua música num momento único. Mas de todos os lugares onde exerce a sua adorada profissão, Nápoles parece ser aquele com que mais se identifica, uma vez que, ali, as pessoas parecem todas ter também uma vida dupla: de dia, são operários hortaliceiros e peixeiros; e de noite, tornam-se músicos e cantores a interpretar Verdi ou canções napolitanas que falem de nostalgia…
Já Sendo bom como é… é a carta do ódio. Ou melhor um amor-ódio a alguém do passado onde a ironia amarga é a fachada que esconde um fervoroso rancor por se ter sido preterido. Trata-se de uma carta de quem não tem paciência para as justificações moralistas ou politicamente correctas de alguém que busca consolo através da sublimação, numa atitude socialmente malvista. Onde a busca de uma justificação altruísta, moral ou nobre serve para justificar o qualquer acto menos digno ou totalmente egoísta como mecanismo de defesa usado, por exemplo, para justificar “os cornos plantados na testa de alguém”. De onde emerge o sentimento de vingança, saboreada como o néctar dos deuses, numa personalidade rancorosa e sentimental que se oculta por detrás de um aparente cinismo.
Livros nunca escritos, viagens nunca feitas refere-se aos projectos, sempre adiados, onde a melancolia se encontra camuflada, sepultada, debaixo da máscara do sarcasmo. Nesta missiva, assistimos ao confronto entre o espírito cartesianos da jovem e o e o daqueles que mantém o espírito errante do poeta ou a atitude questionadora do filósofo.
Na carta A máscara cansou-se notamos uma deliciosa intertextualidade com William Shakespeare onde o narrador se identifica com Hamlet. Sendo que a amada é uma Ofélia que optou pela fuga à vida. O cenário é, tal como em “Casta Diva” vanguardista e atípico. O narrador traça um auto-retrato do homem que se esconde por detrás da máscara da cultura, da ironia e do sarcasmo: “sou orgulhoso, vingativo, e ambicioso; tenho mais pecados à mão do que pensamentos para os glosar”.
O suicídio desta Ofélia é a herança deixada ao Hamlet que escreve esta carta, juntamente com o remorso que lhe está inerente.
Estranha forma de vida é um título que remete para a letra de um fado cantado por Amália Rodrigues. Acção passa-se no Porto, na Ribeira, com reminiscências a uma infância passada em Barcelona. O estímulo que desperta a memória é a vendedora de laranjas que perambula pelas vielas da Cidade Invicta, ao mesmo tempo que trauteia uma morna de Cesária Évora. Um livro perdido , esquecido pelo hóspede anterior numa das gavetas do quarto de hotel faz companhia ao narrador que aqui é um viajante solitário, excêntrico, independente e misantropo, que gosta de “mijar para o mar tirando partido do vento”.
Véspera da Ascensão relata o reencontro, entremeado pelo divagar pela obra de poetas e escritores que estimulam artificialmente o imaginário ao recorrer aos químicos e ao álcool.
Sucedem-se imagens “de saudade e de tristeza porque ninguém poderá restituir-me o tempo que deixei escoar por entre os dedos do amor”.
Em Meus olhos claros, meus cabelos de mel, revive-se a história de um amor antigo, interdito pelas convenções sociais, porque nascido de uma amizade e tornado clandestino pela percepção, algo tardia, da paixão numa altura em que já não eram livres…
Te voglio, te cerco, te chiammo relata a teluricidade do encontro imaginário com a mulher que quis mudar o parquet do apartamento num dos textos anteriormente descritos…
A Carta a escrever é aquela que é dirigida, mais uma vez, à primeira mulher, morta, suicida, a eterna Ofélia. Fala-lhe dos netos e da vida: “nunca pensamos que o tempo é feito de gotas e que basta uma simples gota, para que o líquido se derrame pelo chão e a mancha se alastre e se perca”. Trata-se de uma carta pensada mas que nunca passou para o papel.
Por último, Está a fazer-se cada vez mais tarde é deliciosamente complexa, labiríntica, tal como aliás toda a obra. Esta carta é, no entanto, o corolário da obra até por conter dois narradores, estruturando-se uma carta que está contida noutra carta. A do primeiro narrador, consiste na missiva de alguma entidade suprema que aparenta comandar os destinos dos homens, como as antigas Parcas. Átropos, a Parca que corta o fio da vida está representada, aqui, no papel de amante do segundo narrador, que é também o protagonista do romance epistolar de que aqui tratamos. Encontra-se em Creta, o local da acção da primeira deste conjunto de cartas, deixando-nos adivinhar um final sinistro, enigmático, mas implacável.
A frase “Está a fazer-se cada vez mais tarde” soa, aqui, como uma sentença. O fio perde-se. Parte-se. No labirinto mais conhecido da História do Ocidente, por esta sombria Ariadne.
(Uma obra digna do génio que a escreveu)
Por Cláudia de Sousa dias, socióloga e critica literária
em http://hasempreumlivro.blogspot.com/
(um sítio culto. um sítio de culto na esfera dos livros __________absolutamente incontornável )
________________________________________________
Centésima página. em Braga ___________________ lançamento da INÚTIL
«Se tivesse que escrever um livro de moral, as primeiras 99 páginas ficariam em branco e na 100ª PÁGINA escreveria uma só frase: Existe um único dever, o dever de amar» [Albert Camus]
___________________________________
__________________
Mais que uma livraria, uma casa de cultura. Folhear esta página, que é Centésima, com o prazer de ler ao ritmo da arte é um deleite em que, quando há tempo, há espaço para um café. A Centésima Página instalou-se na Casa Roldão, uma pérola da Braga barroca em plena Avenida Central. A casa, construída entre 1759 e 1765, é atribuída a André Soares, o mais notável arquitecto do barroco português.
A Centésima Página está na rede em http://www.centesima.com/
__________________________________________________________
POEMA DE AQUECIMENTO PARA UMA LONGA NOITE DE PROSA
{a primeira hipótese é entre duas pessoas, tu e eu, haver um intervalo, e ser esse intervalo a única coisa que nos define, crescerem estradas que não começam, despir-se o tímpano de igualdades, ter-se perdido o efeito inverso do cansaço, sermos nós sem uma raiz.}
{a outra hipótese é instaurarem-me um processo poético, tablado de improvisos, irmos a vénus num ovni, por ser a minha consensualidade um rebanho de qualidades, e na tua perspectiva de poeta ser o céu uma folha de papel branca, a claridade esconder a escuridão, e estabelecer-se uma insaciabilidade do impossível.}
Sylvia Beirute
Publicado por Texto-Al
________________________________________________________________________
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
Exposição do Memorial da Resistência retrata vida de Carlos Marighella (1911-1969)
Morto em São Paulo há 40 anos, numa emboscada chefiada pelo delegado Sérgio Fleury, o político protagonizou momentos decisivos na história contemporânea do Brasil. Nascido de uma família pobre de Salvador, neto de escravos e imigrantes italianos, iniciou a militância nos anos 1930.
Torturado pela ditadura do ex-presidente Getúlio Vargas e perseguido pelos golpistas de 1964, enfrentou longos períodos de clandestinidade. A exposição, que tem a curadoria de Isa Grinspum Ferraz (sobrinha da viúva de Marighella, Clara Sharf) e do jornalista Vladimir Sacchetta. Reverencia a coragem daquele que foi definido como "verdadeiro herói brasileiro" pelo crítico literário Antonio Candido.
O revolucionário Marighella recebeu, este mês, o título in memorian de Cidadão Paulistano.
Definia-se como ‘mulato baiano'' e adorava Dorival Caymmi, praia e futebol.
Mostra marca os 40 anos da morte do guerrilheiro que foi ícone do combate à ditadura militar no Brasil
O Memorial da Resistência de São Paulo apresenta a exposição Marighella, em memória dos 40 anos da morte do guerrilheiro comunista, ícone do combate à ditadura militar no Brasil. A mostra que abriu ao público dia 7 de Novembro, traça o perfil e a trajetória de vida de Carlos Marighella apresentando cartas, livros, imagens de arquivo, iconografia variada, depoimentos e ainda textos do próprio Marighella.
A exposição destaca cinco momentos da vida de Marighella, da infância na Bahia à guerrilha urbana em São Paulo, nos "anos de chumbo" da ditadura militar durante a década de 1960, passando pelo começo da sua militância e clandestinidade, ainda em meados de 1930, as prisões durante o Estado Novo, o período como deputado federal e a volta à vida clandestina no período de caça aos comunistas, em 1948.
A mostra vai ficar até dia 25 de maio de 2010 e tem curadoria de Isa Grinspum Ferraz e Vladimir Sacchetta.
Memorial da Resistência
Estação Pinacoteca
Largo General Osório, 66 - Luz
São Paulo - SP
Telefone: (11) 3335.4990, ramal 27
E-mail: memorialdaresistencia@pinacoteca.org.br
http://www.pinacoteca.org.br/
(______obrigada Cristina Bruno, pela dica, pela lembrança, obrigada______)
____________________________________________________________________
Das Rosas - Antonio Carlos Jobim & Dorival Caymmi
Historicamente datado (e nada inócuo)
Setúbal, 1938, oficiais alemães visitam fábrica de conservas.
Fotografia de Américo Ribeiro, arquivo municipal, Casa de Bocage / Divisão de Museus
Câmara Municipal de Setúbal.
__________________________________________________________________________
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
É apenas uma dobra e um baraço. O texto dobra, efeito de colagem. O texto suspende o sentido, à espera de dizer exacto. Há frases que só completei anos depois; há frases que, no limiar dos mundos, não devem ser escritas por inteiro; há frases cujo referente de sentido será sempre obscuro. Se eu pretendesse escrever um texto sempre limpo - tiraria o traço. Onde não soubesse, nada escreveria. Mas como iria saber que ali não soube, ou nem sequer me pertencia saber? O texto é limpo, e por passajar. Onde o traço é apagado, vê-se claramente o raspar da borracha. Deixar o traçado."
Llansol, Inquérito às Quatro Confidências, p. 75, citado por IMF em http://mendesferreira.blogspot.com/
_____________________________________________________________________
Desenho: João Concha, em http://conchajoao-ilustracoes.blogspot.com
ilustração para texto "desistência" de Elisabeth Perestrelo
________________________________________________________________________________________
domingo, 8 de novembro de 2009
Senhora das Tempestades
Senhora das tempestades e dos mistérios originais
quando tu chegas a terra treme do lado esquerdo
trazes o terremoto a assombração as conjunções fatais
e as vozes negras da noite Senhora do meu espanto e do meu medo.
Senhora das marés vivas e das praias batidas pelo vento
há uma lua do avesso quando chegas
crepúsculos carregados de presságios e o lamento
dos que morrem nos naufrágios Senhora das vozes negras.
Senhora do vento norte com teu manto de sal e espuma
nasce uma estrela cadente de chegares
e há um poema escrito em páginas nenhuma
quando caminhas sobre as águas Senhora dos sete mares.
Conjugação de fogo e luz e no entanto eclipse
trazes a linha magnética da minha vida Senhora da minha morte
teu nome escreve-se na areia e é uma palavra que só Deus disse
quando tu chegas começa a música Senhora do vento norte.
Escreverei para ti o poema mais triste
Senhora dos cabelos de alga onde se escondem as divindades
quando me tocas há um país que não existe
e um anjo poisa-me nos ombros Senhora das Tempestades.
Senhora do sol do sul com que me cegas
a terra toda treme nos meus músculos
consonância dissonância Senhora das vozes negras
coroada de todos os crepúsculos.
Senhora da vida que passa e do sentido trágico
do rio das vogais Senhora da litúrgica
sibilação das consoantes com seu absurdo mágico
de que não fica senão a breve música.
Senhora do poema e da oculta fórmula da escrita
alquimia de sons Senhora do vento norte
que trazes a palavra nunca dita
Senhora da minha vida Senhora da minha morte.
Senhora dos pés de cabra e dos parágrafos proibidos
que te disfarças de metáfora e de soprar marítimo
Senhora que me dóis em todos os sentidos
como um ritmo só ritmo como um ritmo.
Batem as sílabas da noite na oclusão das coronárias
Senhora da circulação que mata e ressuscita
trazes o mar a chuva as procelárias
batem as sílabas da noite e és tu a voz que dita.
Batem os sons os signos os sinais
trazes a festa e a despedida Senhora dos instantes
fica o sentido trágico do rio das vogais
o mágico passar das consoantes.
Senhora nua deitada sobre o branco
com tua rosa dos ventos e teu cruzeiro do sul
nascem faunos com tridentes no teu flanco
Senhora de branco deitada no azul.
Senhora das águas transbordantes no cais de súbito vazio
Senhora dos navegantes com teu astrolábio e tua errância
teu rosto de sereia à proa de um navio
tudo em ti é partida tudo em ti é distância.
Senhora da hora solitária do entardecer
ninguém sabe se chegas como graça ou como estigma
onde tu moras começa o acontecer
tudo em ti é surpresa Senhora do grande enigma.
Tudo em ti é perder Senhora quantas vezes
Setembro te levou para as metrópoles excessivas
batem as sílabas do tempo no rolar dos meses
tudo em ti é retorno Senhora das marés vivas.
Senhora do vento com teu cavalo cor de acaso
tua ternura e teu chicote sobre a tristeza e a agonia
galopas no meu sangue com teu catéter chamado Pégaso
e vais de vaso em vaso Senhora da arritmia.
Tudo em ti é magia e tensão extrema
Senhora dos teoremas e dos relâmpagos marinhos
batem as sílabas da noite no coração do poema
Senhora das tempestades e dos líquidos caminhos.
Tudo em ti é milagre Senhora da energia
quando tu chegas a terra treme e dançam as divindades
batem as sílabas da noite e tudo é uma alquimia
ao som do nome que só Deus sabe Senhora das tempestades.
Manuel Alegre, In Camões - Revista de Letras e Culturas Lusófonas, número 2, julho/setembro 1998.
fotografia http://www.lilyacorneli.com/main.htm
________________________________________________________________________________________
A Arte, Mestra da Vida
___________________________________________________________
A cor é um meio de exercer uma influência directa sobre a alma.
É frequente falar-se "no perfume das cores" ou na sua sonoridade.
Kandinsky
in " A Arte, mestra da vida " - reflexões sobre a escola e o gosto pela vida.
Maria do Carmo Vieira, ed. Quimera
( * volta e meia, regresso a este livro, a este pequeno / grande livro de 79 páginas e não mais do que um palmo de altura. Está à minha cabeceira, é um livro companheiro, apaixonado e elegante que fala do amor à Arte, do nobre magistério de ensinar, que mais não é do que o de encantar. É um livro sonhador; cavaleiro errante das escritas, que começa por "Era uma vez ... "; que nos lança no prazer de um tempo-relíquia.
Escrito a fogo e espada, por Maria do Carmo Vieira, professora de literatura, do Ensino Secundário, que em 1985, ano da comemoração dos 50 anos da morte de Fernando Pessoa, criou, com os seus alunos de Português do 11º ano um movimento em defesa da preservação do antigo Café do Martinho da Arcada, de que resultou a sua classificação como de interesse público. Um exemplo de entrega ao ensino, de amor ao próximo e de paixão pela Língua Portuguesa. A autora é mestre em literatura de viagens. O livro é recente, mas a tenacidade desta professora já fez escola; quero crer que o rasto que deixou nos alunos jamais se apagará. ______________ a mim, en.cantou-me. Cativou-me. Está agora à esquerda, à minha cabeceira, quieto, culto e cativo. Quando eu viajar, viajará; literariamente ____ comigo
Ainda sobre "A Arte, Mestra da Vida" ...
A autora fala das suas motivações para escrever o livro infra mencionado em Entrevista à TSF - Rádio Notícias. Para ouvir, basta clicar no link
http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=1015548&audio_id=1217505
BACH: ORCHESTRAL SUITE NO. 3 IN D MAJOR, BWV1068: AIR - Yehudi Menuhin
________________________________________________________________
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
O desamparo
_________________________________________________________________________
pintura: Frida Kahlo (1939)
(...) pintado pouco após o divórcio de Diego, sinaliza o corte dilacerante que a realidade lhe impõe. A Frida objeto de amor de Diego e seu alter ego tem expostos seus corações ligados um ao outro apenas por uma artéria. A Frida mexicana amada por Diego tem na mão um amuleto com a imagem do marido. A parte rejeitada europeia de Frida, corre o perigo de se esvair em sangue até a morte. Essa hemorragia narcísica quando não é estancada desemboca na melancolia , a menos que o trabalho de elaboração possa produzir uma assunção positiva do desamparo. "Por que o chamo meu Diego? Nunca foi, nem será meu. É dele mesmo."
http://www.antroposmoderno.com/textos/FridaKalo.shtml
A propósito de Frida Kahlo, do enigma e paixão que ela e a sua magnífica obra, ainda hoje suscitam, veio-me à memória Cesário Moreno, curador do Museu Mexicano de Chicago, figura incontornável da Museologia contemporânea, com quem me cruzei em São Paulo, no ano de 2003, como palestrante, no curso de especialização em Museologia, dirigido por Cristina Bruno. Lembro-me do fascínio que exerceu em mim o espirito inovador e as entusiasmadas conversas que Cesáreo Moreno animava sobre as comunidades locais e o trabalho criativo que este museu desenvolvia (e continua a desenvolver) com os imigrantes. Nesse ano, o Museu Mexicano de Chicago tinha realizado uma grande exposição, que se tornou numa evocação quase mística, em torno do culto dos mortos, tendo Frida como o pêndulo e a inspiração de toda a acção museológica. Alguém afirmou (e aqui confirmou-se) que " Frida Kahlo é uma bomba com um laço". Uma imagem fulgurante.
Este culto, profundamente enraízado no México, tem lugar no final de Outubro e resulta de uma fusão exuberante de tradições indígenas e espanholas.
Antigamente, quando alguém morria os povos indígenas organizavam festas para ajudar o espírito no seu caminho, colocavam uma trouxa de roupas e comida. Tudo isso para que os mortos pudessem completar a sua viagem pelo Chignahuapan (sobre os nove rios). Essa seria uma longa viagem e os mortos poderiam sentir fome, calor ou frio.
Hoje, em várias regiões do México, nesse período do ano são colocadas nas casas oferendas com velas, incensos, imagens religiosas, um crucifixo e a imagem da Virgem de Guadalupe, além, é claro, dos retratos de seus entes falecidos. Juntamente com esses elementos é preparado um banquete com muita comida, bebidas alcoólicas, água, sumos, pães enfeitados com açúcar vermelho, para representar o sangue, carnes, frutas e doces.
Quando Frida era viva ela preparava essas oferendas em sua casa, hoje essas oferendas continuam a ser feitas, mas agora em sua homenagem. Muitos de seus quadros mostram essas caveiras sorridentes e ornamentadas de roupas bem coloridas.
O que Cesáreo nos mostrou foi deveras impressionante: o museu ficou pejado de oferendas em honra a Frida, tornou-se num imenso lugar de culto e fruição. Os mexicanos de Chicago celebraram-se, celebrando Frida no museu. Fascinante ___________________________________________________________
http://www.vimeo.com/chicagohistory
______________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
Adoro - Chavela Vargas
Morreu Claude Lévi-Strauss (1904-2005).
______________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
Claude Lévi-Strauss - Um século e um ano a re.flectir
"O mundo começou sem o homem e acabará sem ele"
Fonte: "Tristes Trópicos"
_____________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
Claude Lévi-Strauss - Um século e um ano a re.flectir
"O mundo começou sem o homem e acabará sem ele"
Fonte: "Tristes Trópicos"
sábado, 31 de outubro de 2009
Nostalgia do absoluto
Pintura: Paula Rego
_________________________________________________________________________________O que a nossa espécie procura, em ultima instância, não é a sua sobrevivência e perpetuação, mas sim o repouso, a perfeita inércia. No programa visionário de Freud, a explosão de vida orgânica, que conduziu à evolução humana, foi uma espécie de anomalia trágica, quase uma exuberância fatal. Acarretou sofrimentos incalculáveis e catástrofes ecológicas. Mas este desvio de vida e consciência acabará mais cedo ou mais tarde. Um processo de entropia interna está em movimento. Uma grande quietude voltará à criação à medida que a vida regresse à condição natural do inorgânico. A consumação da líbido encontra-se na morte.
George Steiner
___________________________________________________________________
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Foto por Alberto Calheiros [ Liberal Natural ]
______________________________________________________________________________
Obcecado pela linguagem escrita, monólogo gráfico esperançado apenas na réplica mental de hipotéticos leitores, quase que me esquecera de reparar no milagre da oralidade, da comunicação directa, franca, livre, sem ambições quiméricas de antologia e perenidade. A palavra temperada pelo sal da boca, arredondada pela graça labial, ágil ou morosa consoante a urgência da oração, e sempre ajudada pela presença e atenção dos ouvintes. A repetição permitida, e até desejada em certos momentos, o gesto a sublinhar e a fortalecer a intenção, os próprios silêncios a colaborar na significação e clareza do discurso.
Miguel Torga, A Criação do Mundo (dia V).
_____________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
Obcecado pela linguagem escrita, monólogo gráfico esperançado apenas na réplica mental de hipotéticos leitores, quase que me esquecera de reparar no milagre da oralidade, da comunicação directa, franca, livre, sem ambições quiméricas de antologia e perenidade. A palavra temperada pelo sal da boca, arredondada pela graça labial, ágil ou morosa consoante a urgência da oração, e sempre ajudada pela presença e atenção dos ouvintes. A repetição permitida, e até desejada em certos momentos, o gesto a sublinhar e a fortalecer a intenção, os próprios silêncios a colaborar na significação e clareza do discurso.
Miguel Torga, A Criação do Mundo (dia V).
_____________________________________________________________________________
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Agora preciso de tua mão, não para que eu não tenha medo, mas para que tu não tenhas medo. Sei que acreditar em tudo isso será, no começo, a tua grande solidão. Mas chegará o instante em que me darás a mão, não mais por solidão, mas como eu agora: Por amor.
Clarice Lispector
imagem recolhida em http://www.gemeentemuseum.nl/
______________________________________________________________
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Wonderkamers . De encantar ____ nas caves do museu
______________________________________________________________________
domingo, 18 de outubro de 2009
France Telecom: 22 suicídios em 18 meses
Fotografias por Fábio Vicente . Museu de Arte Contemporânea, Haia
___________________________
Casado e pai de dois filhos, o trabalhador de uma central telefónica em Annecy (leste) deixou uma carta à família afirmando que o ambiente na empresa estava na causa do seu suicídio.
Este caso eleva para 24 o número de funcionários da empresa que se suicidaram desde Fevereiro de 2008, atitude que os sindicatos atribuem ao «stress» causado pela gestão empresarial e pelas condições de trabalho.
A France Telecom tem 100 mil funcionários na França. O Estado controla 26,7 por cento do capital da empresa, que em 2008 registou um lucro líquido superior a quatro mil milhões de euros.
_______________________________________
Publicada por "2ª Circular em Hora de Ponta "
Subscrever:
Mensagens (Atom)


























