quarta-feira, 11 de novembro de 2009

















"___________________________ o irritante traço contínuo.




É apenas uma dobra e um baraço. O texto dobra, efeito de colagem. O texto suspende o sentido, à espera de dizer exacto. Há frases que só completei anos depois; há frases que, no limiar dos mundos, não devem ser escritas por inteiro; há frases cujo referente de sentido será sempre obscuro. Se eu pretendesse escrever um texto sempre limpo - tiraria o traço. Onde não soubesse, nada escreveria. Mas como iria saber que ali não soube, ou nem sequer me pertencia saber? O texto é limpo, e por passajar. Onde o traço é apagado, vê-se claramente o raspar da borracha. Deixar o traçado."





Llansol, Inquérito às Quatro Confidências, p. 75, citado por IMF em http://mendesferreira.blogspot.com/




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Desenho: João Concha, em  http://conchajoao-ilustracoes.blogspot.com
ilustração para texto "desistência" de Elisabeth Perestrelo













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domingo, 8 de novembro de 2009

Senhora das Tempestades







Senhora das tempestades e dos mistérios originais
quando tu chegas a terra treme do lado esquerdo
trazes o terremoto a assombração as conjunções fatais
e as vozes negras da noite Senhora do meu espanto e do meu medo.

Senhora das marés vivas e das praias batidas pelo vento
há uma lua do avesso quando chegas
crepúsculos carregados de presságios e o lamento
dos que morrem nos naufrágios Senhora das vozes negras.

Senhora do vento norte com teu manto de sal e espuma
nasce uma estrela cadente de chegares
e há um poema escrito em páginas nenhuma
quando caminhas sobre as águas Senhora dos sete mares.

Conjugação de fogo e luz e no entanto eclipse
trazes a linha magnética da minha vida Senhora da minha morte
teu nome escreve-se na areia e é uma palavra que só Deus disse
quando tu chegas começa a música Senhora do vento norte.

Escreverei para ti o poema mais triste
Senhora dos cabelos de alga onde se escondem as divindades
quando me tocas há um país que não existe
e um anjo poisa-me nos ombros Senhora das Tempestades.

Senhora do sol do sul com que me cegas
a terra toda treme nos meus músculos
consonância dissonância Senhora das vozes negras
coroada de todos os crepúsculos.

Senhora da vida que passa e do sentido trágico
do rio das vogais Senhora da litúrgica
sibilação das consoantes com seu absurdo mágico
de que não fica senão a breve música.

Senhora do poema e da oculta fórmula da escrita
alquimia de sons Senhora do vento norte
que trazes a palavra nunca dita
Senhora da minha vida Senhora da minha morte.

Senhora dos pés de cabra e dos parágrafos proibidos
que te disfarças de metáfora e de soprar marítimo
Senhora que me dóis em todos os sentidos
como um ritmo só ritmo como um ritmo.

Batem as sílabas da noite na oclusão das coronárias
Senhora da circulação que mata e ressuscita
trazes o mar a chuva as procelárias
batem as sílabas da noite e és tu a voz que dita.

Batem os sons os signos os sinais
trazes a festa e a despedida Senhora dos instantes
fica o sentido trágico do rio das vogais
o mágico passar das consoantes.

Senhora nua deitada sobre o branco
com tua rosa dos ventos e teu cruzeiro do sul
nascem faunos com tridentes no teu flanco
Senhora de branco deitada no azul.

Senhora das águas transbordantes no cais de súbito vazio
Senhora dos navegantes com teu astrolábio e tua errância
teu rosto de sereia à proa de um navio
tudo em ti é partida tudo em ti é distância.

Senhora da hora solitária do entardecer
ninguém sabe se chegas como graça ou como estigma
onde tu moras começa o acontecer
tudo em ti é surpresa Senhora do grande enigma.

Tudo em ti é perder Senhora quantas vezes
Setembro te levou para as metrópoles excessivas
batem as sílabas do tempo no rolar dos meses
tudo em ti é retorno Senhora das marés vivas.

Senhora do vento com teu cavalo cor de acaso
tua ternura e teu chicote sobre a tristeza e a agonia
galopas no meu sangue com teu catéter chamado Pégaso
e vais de vaso em vaso Senhora da arritmia.

Tudo em ti é magia e tensão extrema
Senhora dos teoremas e dos relâmpagos marinhos
batem as sílabas da noite no coração do poema
Senhora das tempestades e dos líquidos caminhos.

Tudo em ti é milagre Senhora da energia
quando tu chegas a terra treme e dançam as divindades
batem as sílabas da noite e tudo é uma alquimia
ao som do nome que só Deus sabe Senhora das tempestades.




Manuel Alegre, In   Camões - Revista de Letras e Culturas Lusófonas, número 2, julho/setembro 1998.








fotografia http://www.lilyacorneli.com/main.htm





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A Arte, Mestra da Vida



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A cor é um meio de exercer uma influência directa sobre a alma.
É frequente falar-se "no perfume das cores" ou na sua sonoridade.




Kandinsky














in  " A Arte, mestra da vida " - reflexões sobre a escola e o gosto pela vida.
Maria do Carmo Vieira, ed. Quimera








( * volta e meia, regresso a este livro, a este pequeno / grande livro de 79 páginas e não mais do que um palmo de altura. Está à minha cabeceira, é um livro companheiro, apaixonado e elegante  que fala do amor à Arte, do nobre magistério de ensinar, que mais não é do que o de encantar. É um livro sonhador; cavaleiro errante das escritas, que começa por "Era uma vez ... "; que nos lança no prazer de um tempo-relíquia.
Escrito a fogo e espada, por Maria do Carmo Vieira, professora de literatura, do Ensino Secundário, que em 1985, ano da comemoração dos 50 anos da morte de Fernando Pessoa, criou, com os seus alunos de Português do 11º ano um movimento em defesa da preservação do antigo Café do Martinho da Arcada, de que resultou a sua classificação como de interesse público.  Um exemplo de entrega ao ensino, de amor ao próximo e de paixão pela Língua Portuguesa. A autora é mestre em literatura de viagens. O livro é recente, mas a tenacidade desta professora já fez escola;  quero crer que o rasto que deixou nos alunos jamais se apagará.  ______________ a mim, en.cantou-me. Cativou-me. Está agora à esquerda, à minha cabeceira, quieto, culto e cativo. Quando eu viajar, viajará; literariamente ____ comigo






Ainda sobre "A Arte, Mestra da Vida"   ...

A autora fala das suas motivações para escrever o livro infra mencionado em Entrevista à TSF - Rádio Notícias. Para ouvir, basta clicar no link  

http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=1015548&audio_id=1217505










 BACH: ORCHESTRAL SUITE NO. 3 IN D MAJOR, BWV1068: AIR - Yehudi Menuhin




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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O desamparo



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pintura: Frida Kahlo (1939)




(...) pintado pouco após o divórcio de Diego, sinaliza o corte dilacerante que a realidade lhe impõe. A Frida objeto de amor de Diego e seu alter ego tem expostos seus corações ligados um ao outro apenas por uma artéria. A Frida mexicana amada por Diego tem na mão um amuleto com a imagem do marido. A parte rejeitada europeia de Frida, corre o perigo de se esvair em sangue até a morte. Essa hemorragia narcísica quando não é estancada desemboca na melancolia , a menos que o trabalho de elaboração possa produzir uma assunção positiva do desamparo. "Por que o chamo meu Diego? Nunca foi, nem será meu. É dele mesmo."


http://www.antroposmoderno.com/textos/FridaKalo.shtml




A propósito de Frida Kahlo, do enigma e paixão que ela e a sua magnífica obra, ainda hoje suscitam, veio-me à memória Cesário Moreno, curador do Museu Mexicano de Chicago, figura incontornável da Museologia contemporânea, com quem me cruzei em São Paulo, no ano de 2003, como palestrante, no curso de especialização em Museologia, dirigido por Cristina Bruno. Lembro-me do fascínio que exerceu em mim o espirito inovador e as entusiasmadas conversas que Cesáreo Moreno animava sobre as comunidades locais e o trabalho criativo que este museu desenvolvia (e continua a desenvolver) com os imigrantes. Nesse ano, o Museu Mexicano de Chicago tinha realizado uma grande exposição, que se tornou numa evocação quase mística, em torno do culto dos mortos, tendo Frida como o pêndulo e a inspiração de toda a acção museológica. Alguém afirmou (e aqui confirmou-se) que  " Frida Kahlo é uma bomba com um laço". Uma imagem fulgurante.

Este culto, profundamente enraízado no México, tem lugar no final de Outubro e resulta de uma fusão exuberante de tradições indígenas e espanholas.




Antigamente, quando alguém morria os povos indígenas organizavam festas para ajudar o espírito no seu caminho, colocavam uma trouxa de roupas e comida. Tudo isso para que os mortos pudessem completar a sua viagem pelo Chignahuapan (sobre os nove rios). Essa seria uma longa viagem e os mortos poderiam sentir fome, calor ou frio.






Hoje, em várias regiões do México, nesse período do ano são colocadas nas casas oferendas com velas, incensos, imagens religiosas, um crucifixo e a imagem da Virgem de Guadalupe, além, é claro, dos retratos de seus entes falecidos. Juntamente com esses elementos é preparado um banquete com muita comida, bebidas alcoólicas, água, sumos, pães enfeitados com açúcar vermelho, para representar o sangue, carnes, frutas e doces.

Quando Frida era viva ela preparava essas oferendas em sua casa, hoje essas oferendas continuam a ser feitas, mas agora em sua homenagem. Muitos de seus quadros mostram essas caveiras sorridentes e ornamentadas de roupas bem coloridas.

O que Cesáreo nos mostrou foi deveras impressionante: o museu ficou pejado de oferendas em honra a Frida, tornou-se num imenso lugar de culto e fruição. Os mexicanos de Chicago celebraram-se, celebrando Frida no museu. Fascinante ___________________________________________________________


 http://www.vimeo.com/chicagohistory





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Adoro - Chavela Vargas

Morreu Claude Lévi-Strauss (1904-2005).

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Claude Lévi-Strauss‎ - Um século e um ano a re.flectir















"O mundo começou sem o homem e acabará sem ele"


Fonte: "Tristes Trópicos"

sábado, 31 de outubro de 2009

Nostalgia do absoluto





Pintura: Paula Rego
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O que a nossa espécie procura, em ultima instância, não é a sua sobrevivência e perpetuação, mas sim o repouso, a perfeita inércia. No programa visionário de Freud, a explosão de vida orgânica, que conduziu à evolução humana, foi uma espécie de anomalia trágica, quase uma exuberância fatal. Acarretou sofrimentos incalculáveis e catástrofes ecológicas. Mas este desvio de vida e consciência acabará mais cedo ou mais tarde. Um processo de entropia interna está em movimento. Uma grande quietude voltará à criação à medida que a vida regresse à condição natural do inorgânico. A consumação da líbido encontra-se na morte.





George Steiner

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009


Foto por Alberto Calheiros [ Liberal Natural ]






























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Obcecado pela linguagem escrita, monólogo gráfico esperançado apenas na réplica mental de hipotéticos leitores, quase que me esquecera de reparar no milagre da oralidade, da comunicação directa, franca, livre, sem ambições quiméricas de antologia e perenidade. A palavra temperada pelo sal da boca, arredondada pela graça labial, ágil ou morosa consoante a urgência da oração, e sempre ajudada pela presença e atenção dos ouvintes. A repetição permitida, e até desejada em certos momentos, o gesto a sublinhar e a fortalecer a intenção, os próprios silêncios a colaborar na significação e clareza do discurso.







Miguel Torga, A Criação do Mundo (dia V).







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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Agora preciso de tua mão, não para que eu não tenha medo, mas para que tu não tenhas medo. Sei que acreditar em tudo isso será, no começo, a tua grande solidão. Mas chegará o instante em que me darás a mão, não mais por solidão, mas como eu agora: Por amor.


Clarice Lispector











imagem recolhida em http://www.gemeentemuseum.nl/


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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Vive a vida o mais intensamente que puderes. Escreve essa intensidade o mais calmamente que puderes. E ela será ainda mais intensa no absoluto do imaginário de quem te lê.





Virgilio Ferreira

domingo, 18 de outubro de 2009

France Telecom: 22 suicídios em 18 meses



Fotografias por Fábio Vicente . Museu de Arte Contemporânea, Haia

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Um funcionário de 51 anos da France Telecom cometeu suicídio na segunda-feira devido a problemas de trabalho na gigante francesa de telecomunicações, noticia a AFP.



Casado e pai de dois filhos, o trabalhador de uma central telefónica em Annecy (leste) deixou uma carta à família afirmando que o ambiente na empresa estava na causa do seu suicídio.


Este caso eleva para 24 o número de funcionários da empresa que se suicidaram desde Fevereiro de 2008, atitude que os sindicatos atribuem ao «stress» causado pela gestão empresarial e pelas condições de trabalho.
 



 
A France Telecom tem 100 mil funcionários na França. O Estado controla 26,7 por cento do capital da empresa, que em 2008 registou um lucro líquido superior a quatro mil milhões de euros.
 
 
 
 
 
 
 
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Publicada por "2ª Circular em Hora de Ponta "

Colóquio Internacional sobre Provérbios . Tavira . Portugal









Tavira 8 a 15 de Novembro


http://www.colloquium-proverbs.org/



Dependendo dos cenários culturais em que se usam, provérbios como Todos os caminhos vão dar a Tavira (All roads les to Rome) (Kaikki tiet vievät Turkuun), … circulam em vários níveis de compreensão cultural e universal. Provérbios de diferentes povos e áreas do discurso possibilitam diferentes interpretações. Além disso, o mesmo provérbio pode ser usado em distintos contextos e para diversos fins. Os provérbios sempre têm sido portadores de problemas relacionados com a sua tradução e com explicações de natureza geral e, ainda, podem ser classificados de acordo com vários critérios: históricos, linguísticos, temáticos, educativos, lógicos, …


A descrição anterior mostra a riqueza da diversidade de pontos de vista dos paremiologistas (académicos estudiosos dos provérbios e das expressões proverbiais) em todo o mundo a qual pode ser canalizada em benefício de todos, através das contribuições provenientes de áreas culturalmente complementares. Pelo menos, paremiologistas e entusiastas da temática proverbial na Europa podem unir-se. Esta é a ideia central do Colóquio, principalmente neste Ano Europeu da Criatividade e Inovação 2009.

Em anteriores encontros respeitantes a aspectos linguísticos (ex: http://www.europhras.org/english/index.html), as abordagens históricas e as relacionadas com os problemas da tradução paremiológica têm constituído somente um tema adicional ou mesmo separado de outros mais abrangentes. Os paremiologistas ainda não assumiram uma posição de construtores de uma charneira em relação a estes assuntos como devem e são capazes de o fazer. Como especialistas em assuntos tradicionais e comunicacionais, os paremiologistas possuem um enorme potencial que pode ser posto ao serviço da compreensão mútua entre culturas.

Desde o século XV têm sido publicadas excelentes colecções de provérbios. De entre muitas, podemos citar as colecções multilingues de Gyula Paczolay (European proverbs in 55 languages, 1997), Arvo Krikmann and Ingrid Sarv (Eesti vanasõnad, 1987), Metīn Yurtbaşi (Turkish proverbs and their equivalents in Fifteen languages, 1993) assim como as revistas de provérbios de Wolfgang Mieder (Proverbium: yearbook of international proverb scholarship, 1984-), Julia Sevilla-Muñoz (Paremia, 1993-). Paralelamente tem havido grandes esforços para encontrar critérios de classificação dos provérbios de que um dos exemplos mais recentes é o sistema internacional de tipos http://lauhakan.home.cern.ch/lauhakan/cerp.html do falecido académico finlandês Matti Kuusi.



É altura para Portugal, na Europa Ocidental, ter um papel mais activo na promoção de estudos paremiológicos e na motivação de entusiastas para recuperar o interesse pela temática; lembramos os exemplos de F.R.I.L.E.L. (Adágios, provérbios, rifãos e anexins da língua portugueza tirados dos melhores authores nacionaes e recopilados por ordem alphabetica, 1780) e de António Delicado (Adágios portuguêses reduzidos a lugares communs, 1923). Trata-se de um processo eficaz para reforçar a identidade de cada País e contribuir para uma melhor compreensão mútua entre nações de outras áreas culturais do nosso planeta.



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http://www.memoriamedia.net/





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En la tierra de nadie, sobre el polvo

que pisan los que van y los que vienen,
he plantado mi tienda sin amparo
y contemplo si van como si vuelven.

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Unos dicen que soy de los que van,
aunque estoy descansando del camino.
Otros "saben" que vuelvo, aunque me calle;
y mi ruta más cierta yo no digo.

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Intenté demostrar que a donde voy
es a mí, sólo a mí, para tenerme.
Y sonríen al oir, porque ellos todos
son la gente que va, pero que vuelve.

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Escuchadme una vez: ya no me importan
los caminos de aquí, que tanto valen.
Porque anduve una vez, ya me he parado
para ahincarme en la tierra que es de nadie.



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CARMEN CONDE (1907-2007)
"En la tierra de nadie"



__________________________________________________  Imagem Mário Galvão Ferreira Galante



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Fim do caminho








(..) o escritor quer muito mais do que alguma vez receberá. A sua autoridade não sai do livro para os palácios, para o trono, para o céu. A troca é mundana. Almas breves enfeitiçadas, de olhos fitos no balouçar da escrita, prontas a atirar-se no precipício do coração. Nada que possa contentar o escritor mais do que uma noite. Por isso é velho. E escreve horas a fio, como um proletário imigrante, labuta na grande obra. Já não pertence à sua terra. Pode vê-la de fora, num carrossel. Continua a obra derradeira de retirar aos outros o dom da língua. Visa apropriar-se dos modos de dizer e de sentir, instituir novas regras, que são apenas referência à sua obra: “A língua sou eu e os meus antepassados”. Escrevem em catadupa. Mas é preciso um enredo que cative. Esse o verdadeiro óbice e a verdadeira charneira da literatura, como braços de um rio.




Escrita de __________João de Sousa, visitável em http://opiniaoliteral.blogspot.com/










iv fotos. Haia Outubro 2009






terça-feira, 13 de outubro de 2009

SHOOT- ME FILM FESTIVAL



http://www.shoot-me.nl/










Com mais de uma centena de filmes e documentários na vasta gama de programas temáticos apresentados em locais verdadeiramente excepcionais, o festival deste ano promete ser uma experiência inspiradora. O Shoot Me Film Festival abre terreno previamente inexplorado: Trespassing é permitido !






Het Shoot Me Film Festival presenteert dit jaar voor een keer vijfde uitdagend fris en programma rond filmes independentes. Locaties Op Onverwachte, zoals een tramtunnel en picadeiro, kennismaken kun je met de scherpe realizadores visie van op onderwerpen actuele. En er is meer dan alleen filme. Themaprogramma Speciale conheceu humor van een spannende combinatie, diner, muziek en feest maken de compleet ervaring. Alle worden zintuigen geprikkeld em filmbeleving vierdimensionale een. Ontmoeting staat gedurende het hele centraal festival. Ontmoeting met nieuwe mensen, locaties nieuwe, maar vooral met nieuwe werelden en subculturen. Ver van je bedshows ineens komen extreem dichtbij! Zoals het een vijfjarige betaamt, laat het festival dit jaar flink horen zich van. Zo zijn er voor het eerst competities voor zowel als beste filme muziekvideoclip. Ook de locaties bijzondere, ruim filmes honderd en documentaires en de themaprogramma's maken van dit festival belevenis inspirerende weer een. Het Shoot Me Film Festival biedt toegang tot terrein onbekend: Trespassing é permitido!























Produced by:
Upperunder

Concept by:
Yves Trottemant
Bas Ackermann
Antonio Aleixo

Shot and Directed by:
Bas Ackermann
Antonio Aleixo

Edited by:
Antonio Aleixo

Final Colour Correction by:
Bas Ackermann

Music by:
Tortoise






Shoot Me Festival 2009 TRAILER from Shoot Me Festival on Vimeo.








Os membros do júri para a primeira competição diferente Film Angle e o holandês Video Music Competition foram confirmadas: Bart Rutten, curador de Artes Visuais no Stedelijk Museum em Amsterdam, comprometeu-se na posição do presidente do júri do Concurso holandês Video Music.




Emile Fallaux, ex-editor-chefe do semanário holandês Vrij Nederland e ex-director do Festival Internacional de Cinema de Roterdão, será o presidente do júri da competição diferente Film Angle. Também participam no júri o cineasta Jochem de Vries, cujo filme curto Missen foi nomeado para a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2009. O terceiro membro do júri confirmado é Hans Maarten van den Brink, escritor, jornalista e director do Mediafonds.

A poça de água de Escher . Uma metáfora da Holanda


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quarta-feira, 7 de outubro de 2009







Retratos da jornada Hagish debaixo de chuva, pedalando em busca do brinco perdido da rapariga de Vermeer, algures no http://www.mauritshuis.nl/







 O café expresso no "Sting". Expressamente queimado, como de costume.










(---)



Chinese food,  a low cost meal em Den Haag.

ui ui

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Amsterdão ____________________ Gare Central













Não desisti de habitar a arca azul






El artista indio Anish Kapoor pasa por delante de su obra "Yellow" (1999)



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Não desisti de habitar a arca azul
do antiquíssimo sossego do universo.
A minha ascendência é o sol e uma montanha verde
e a lisa ondulação do mar unânime.
Há novecentas mil nebulosas espirais
mas só o teu corpo é um arbusto que sangra
e tem lábios eléctricos e perfuma as paredes.
Aos confins tranquilos entre ilhas mar e montes
vou buscar o veludo e o ouro da nostalgia.
Deponho a minha cabeça frágil sobre as mãos
de uma mulher de onde a chuva jorra pelos poros.
Ó nascente clara e mais ardente do que o sangue,
sorvo o cálice do teu sexo de orquídea incandescente!
A minha vida é uma lenta pulsação
sob o grande vinho da sombra, sob o sono do sol.
Há bois lentos e profundos no meu corpo
de um outono compacto e negro como um século.
Com simultâneas estrelas nas têmporas e nas mãos
a deusa da noite, sonâmbula, desliza.
Ao rumor da folhagem e da areia
escrevo o teu odor de sangue, a tua livre arquitectura.
Prisioneiro de longínquas raízes
ergo sobre a minha ferida uma torre vertical.
Vislumbro uma luz incompreensível
sobre os campos áridos das semanas.
Elevo o canto profundo do meu corpo
sob o arco das tuas pernas deslumbrantes.
Escrevo como se escrevesse com os meus pulmões
ou como se tocasse os teus joelhos planetários
ou adormecesse languidamente no teu sexo.







António Ramos Rosa (1975)
in Antologia Poética
________________
Selecção de Ana Paula Coutinho Mendes

"A Lição " de Eugène Ionesco


Ana Almeida e Duarte Victor

__________________Absurdo__________________


Próxima produção do TAS. Estreia a 15 de outubro no Teatro de Bolso, em Setúbal.
___________
Publicado por Zé Nova (figurinista)

domingo, 27 de setembro de 2009


 
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Depois das 7


as montras são mais íntimas







A vergonha de não comprar

não existe

e a tristeza de não ter

é só nossa







E a luz torna mais belo

e mais útil

cada objecto







ANTÓNIO REIS
Poemas Quotidianos, Porto [1957]



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Fotografia  por Maria Avelino



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quinta-feira, 24 de setembro de 2009









“A monotonia é a repetição do mesmo milagre. A alma é tão ávida e exigente de maravilhoso que não consente a demora do mesmo prodígio, do mesmo assombro. A luz que nos deslumbra, neste momento, horas depois, deixa-nos às escuras”





Teixeira de Pascoaes








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in “O Pobre Tolo”, capítulo I, colecção “Obras Completas de Teixeira de Pascoaes”, organização de Jacinto do Prado Coelho, volume IX, Livraria Bertrand, 1973

segunda-feira, 21 de setembro de 2009




http://museunacionaldearqueologia-educativo.blogspot.com/



O Blogue do Sector Educativo e de Extensão Cultural do Museu Nacional de Arqueologia (MNA) acaba de receber o prémio de “MELHOR BLOG DE ANIMAÇÃO SOCIOCULTURAL 2009”, num concurso nacional promovido pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sociocultural (APDASC) (http://www.apdasc.com/pt).
Fundada em 2005, a APDASC é uma associação de técnicos de Animação Sociocultural (ASC) que visa promover a respectiva profissão, lutando ainda pelo desenvolvimento comunitário. O concurso “O Melhor Blogue de Animação Sociocultural” destina-se a seleccionar os dois melhores blogues portugueses sobre Animação Sociocultural nas categorias “Melhor Blogue Individual” (destinado a blogue que só tenham um administrador / responsável e que não sejam institucionais) e “Melhor Blogue Colectivo” (destinado a blogues que tenham vários colaboradores / responsáveis ou que pertençam a um grupo / comunidade / instituição, como por exemplo, blogues de escolas, de associações, de um grupo de amigos, etc.). O objectivo do Concurso era promover a qualidade e a divulgação dos blogues portugueses sobre Animação Sociocultural, importantes veículos de informação, comunicação e desenvolvimento da Animação Sociocultural.
A eleição é feita através de um sistema misto que conta com a votação em linha do público (representando 50% do resultado final) e com a votação de uma Comissão de Avaliação (escolhida pela APDASC, representando também 50% do resultado final).
Concorreram à edição deste ano 14 blogues na categoria individual, tendo ganho o blogue “Crescer com o Património” (http://crescercomopatrimonio.blogspot.com/), e 16 blogues na categoria colectivo, tendo ganho o blogue do Serviço Educativo do Museu Nacional de Arqueologia (http://museunacionaldearqueologia-educativo.blogspot.com/). Obtiveram ainda menções honrosas, os blogues “Anijovem” (na categoria individual) e “Anima(C)cão” (na categoria colectiva).
Depois de em 2002, no ano do seu lançamento, ter ganho a medalha de ouro do concurso mundial do comité especializado do Conselho Internacional dos Museus para “Melhor Sítio Internet do Ano”, o Museu Nacional de Arqueologia vê agora de novo reconhecida a sua acção no domínio do uso dos novos meios de comunicação a distância, via Internet, através deste prémio, que muito honra toda a equipa do Museu, em especial neste caso o seu Sector Educativo e de Extensão Cultural. A todos os intervenientes os nossos agradecimentos, com o sentido de que entendemos estas distinções como responsabilizações acrescidas, em ordem à permanente melhoria do nosso serviço público.


Informações e contactos:
Sector Educativo e de Extensão Cultural do Museu Nacional de Arqueologia
Telef. 213620000
Email: mnarq.seducativo@imc-ip.pt

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