segunda-feira, 9 de março de 2009



No seu próximo trabalho, “Cronos”, participarão nomes como Sérgio Godinho, Vitorino, Pedro Abrunhosa ou Jorge Palma com composições inéditas e ainda Janita Salomé que musicou um poema de Hélia Correia. Segundo a própria cantora, Rui Veloso, Amélia Muge e Fausto poderão também ter composições suas no disco que terá como fio condutor "o tempo".


Mais sobre

Guardadora de rebanhos (na pastorícia da palavra)





desfeitos os laços. polpa e pântano. folhagem. adeus. redondo o perfume.
hei de ser a outra tua face. estrangulada de lírios.
nós de seda. e de aço. nós. as duas no mesmo ventre. o laço.



________________para i.v._________________



Publicada por isabel mendes ferreira em Livro invisível




assim a mudança. o repouso. a expressão quieta que amacia o perfil dos dias.___________________e em rigor o belo é uma estrófe. moeda de troca para uma oração concessiva.


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voltar ao incerto dia da fruição do silêncio voltar à percepção de um divino poético onde a voz é nua onde a nudez é solar onde o quase tudo é apenas um ponto uma nota um sussurro.
voltar através de um fio de água para bordar de coerência um sossego que seja vegetal.


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desconstruir-te.a mil tempos e vozes. para voltar a denunciar o dócil e o indomável. ser desfolhagem de segredos que incomodam. respirar o primaveril como se a dança fosse vertigem. cúpula de gritos em vez de parágrafos silvestres.
desnudo um ombro teu. apenas. revelo-te a cintura. despenho-me.
aparecer e desaparecer como se de luz fosse quase tudo. dar-te a água visível e um dia de veludo.
o máximo é sempre inocente quando a palavra brilha na pastorícia da metáfora.


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e não sei das possíveis espigas. entardeço à sombra do incerto.aveludo-me de baldios onde a palavra é muda. e tudo muda. das veias para o peito numa renda fina. que se abre em rosa. flor sanguínea.


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há quanto tempo não te amava assim. lisboa.fragmentada de águas . memórias inchadas de prazer. assim caída nos meus ombros à deriva por outros mares outras marés outros cheiros mas sempre rente à música do teu ventre inclinado para o tejo.há quanto tempo não te fazia e dizia amor nos dentes. amor nas ancas dedilhadas por farpas e guitarras e vielas...assim te desdigo saudade. e volto aos teus flancos como gaivota em dezembros líquidos e densos.oleosos. florestais. lisboa de um piano que finalmente se cala.neste aqui. que já foi tanto. mesmo quando tocava sangue e silêncio.não é de adeus que te falo. é de mais longe. de mais logo. de outro lugar.as árvores dão ramos. que fazem de ninho. onde me aninho. e beijo-te lisboa. de teclas acesas. amanhã.outro rio. e voltar é o princípio.


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o fôlego enquanto estio tece o futuro acima das brechas. a manhã é sempre dia no destino das pedras. metade do sol desvia a distância e tudo se resume ao salto. de ti. tigre. amansado pelas águase não fora o brusco oráculo viria o teu corpo dos mares qual flor viril e vigilante vigiar-me o rumor dos dias. assim despes a poeira e iluminas-me a pele. o vermelho é duro abre-se e solta-se no musgo das tuas costas. solto um gesto de música. é verão nas tuas ancas.e tudo o que sobra é litoral. língua que escorre ao lado da sombra.templo. o fogo era só vestígio leve cru espada e da lama do tempo faço a ponte.faz-se tarde para lavrar o dia. é cedo para escavar-te a noite.deslizo no subúrbio da tua inconsistência.foste um risco. e de nada te serve a flutuante perfeição.


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e se te dissesse que somos contemporâneos da litania da loucura urbana?tu mais de Goethe eu mais da Síria. nós pó do mundo.e o mundo seco de nós. incondicionais fluxos. rebentação de protões que os olhos não dissecam e a alma não canta.disse-te a chave. e o dia nasceu. biográfico. como proust sem tempo. achado no chão de uma metáfora. brevíssima.


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tudo o que tenho para dar é este fio.melancólico frio. apelo de pele pastoril.recato de flauta enquanto guardo a montanha e o deslize das águas.veloz natureza a ser canto e chão. aberto. e nunca de estrelas.tecido propício ao vento. face a face na espessura do silêncio.


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venho do silêncio mais loba mais árabe menos faca antes farpa outro vestido a mesma capa.fui ao deserto. nasceu-me um filho.da terra vermelha. da terra sanguínea. da pele vestal sou agora outra muralha desabituei-me da planície. fiz-me à montanha. galopei-me. voltei. mais secreta. menos incerta. menos asa.mais de areia. menos perguntas. menos respostas. de esporas. quero menos. quero agora.só agora voltei. muitas mortes muitas viagens depois. para lembrar o que não esqueço.tudo o que trago nos traços da pele. lama. perfume.finitude que me cega claridades de cal. e que me afoga todos os afagos e cala as palavras e descola os gritos. como placenta como raiz.voltei para acordar do automatismo. do esboço. do risco.do retrato. do adjectivo. venho do silêncio das guelras da fome e do exótico. ramo sem folhas. sem reservas e dispersa. cénica. e nunca sedenta


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re.desenho o coração. em profético arrumo. exciso-me do in.vivido voo. (não me deixes assim) nua à poeira e ao vento ou em pétalas de chumbo. vou. sabes que iria antes do tempo. guarda-me. na avidez dos teus sonhos inimagináveis. na estranheza desnublada de um bosque sem caminhos.já muito pouco é resgatável na melancólica incumbência de qualquer vibração.ela chega na semelhança de um sentido único. compósita e afirmativa na razia dos mitos. vou.(não me deixes assim)chegas. tão viva como a morte.naturalmente linhagem confidencial de um corpo rendido.deixa-me assim. de mãos dentro do fogo.já desfiz a renda. em pós-silêncio de pó de adeus.


Publicada por isabel mendes ferreira em Livro invisível
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sábado, 7 de março de 2009

Realismo fantástico . humor . crítica social . parábola kafkaniana









O vestido era muito bonito, vermelho com pequenas grinaldas e uma espécie de avental branco na parte da frente; a mim custava reconhecer-me, mas o olhar da fotografia não enganava. Quer dizer, aquilo que primeiro julguei ver foi um porco vestido com aquele belo vestido vermelho, um porco fêmea talvez, uma bácora se quiserem insistir, tendo nos olhos esses olhar de cão espantado que eu tenho também quando estou mais cansada.


(...)


Era espantoso ver Yvan tão ligeiro, tão alado sob a luz da lua, movendo levemente a cauda prateada em direcção ao céu e acendendo assim uma espécie de bela fogueira. Toda a massa quebrada do seu corpo e toda a dor dos seus primeiros passos tinham desaparecido sob a sua pelagem de lua e sob os golpes das suas presas de alta precisão, sob os seus saltos, os seus bailados selvagens, os seus grandes sorrisos brancos. Perdi-me de uma paixão louca por Yvan.



___________ in " Estranhos perfumes - história de uma metarmofose " de Marie Darrieussecq, ed ASA, 2002
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sexta-feira, 6 de março de 2009


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Apetece ... fugir para um gesto liberto, através do gesto liberto.




em piece of quiet


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terça-feira, 3 de março de 2009



artbrut
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Governo Brasileiro escolhe Mação para ponte cultural com a Europa



_____________________________ http://81.193.119.47/~museu/museu_de_macao.html





O Ministro Edson Santos, do Governo Federal do Brasil, responsável pela Secretaria de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, inaugura dia 5 de Março as IV Jornadas de Arqueologia Ibero-Americana, que reunirão em Mação especialistas de Portugal, Espanha, Brasil, Colômbia, Chile, Guatemala, México e Peru.
Para além do Ministro, estará em Mação o Governador do Estado do Piauí, Wellington Dias, que tutela o território onde se situa o Parque da Serra da Capivara, sítio de património mundial de arqueologia e arte rupestre e onde terá lugar, em 2009, o Congresso Mundial de Arte Rupestre.
Estarão também em Mação quatro Secretários de Estado (Turismo, Igualdade, Desenvolvimento Regional, Relações Internacionais), dos Estados do Maranhão e Piauí, com os quais o Museu de Arte Pré-Histórica de Mação e o IPT colaboram activamente.
Sob o lema “Porto Seguro”, o Instituto Politécnico de Tomar coordena um vasto programa de cooperação entre a Europa e o Brasil, apoiado pela Comissão Europeia, que articula quatro projectos exemplares: três no Brasil (Serra da Capivara, Piauí; Pirajú, S. Paulo; Palhoça/Florianópolis, Santa Catarina) e um na Europa (Mação, Portugal).
Os projectos apoiam-se na investigação científica e no envolvimento com as comunidades locais, promovendo a sua participação na criação de conhecimento e o seu crescimento económico, bases essenciais para uma sociedade mais equilibrada e com real superação da xenofobia e do racismo.
O Brasil, país que tem investido na cultura e na arqueologia não apenas de forma tradicional, mas no quadro das políticas de desenvolvimento, será objecto de diversas homenagens durante as Jornadas.
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A televisão www.arqueomacao.tv começou a emitir as IV Jornadas de Arqueologia Ibero-americana. Dia 6, pelas 14h30, decorrerá um importante debate, transmitido em directo, sobre o lugar das Humanidades na sociedade actual.
O debate será introduzido por Adama Samassekou, Presidente do Conselho Internacional de Filosofia e Humanidades da Unesco e ex-Ministro da Educação do Mali, nele intervindo também a Senadora italiana Tullia Romagnoli Carettoni, Presidente de HERITY Italia, a Directora da Fundação Museu do Homem Americano, Niede Guidon, e o dirigente da União Internacional das Ciências Pré-Históricas e Proto-Históricas, François Djindjian.

O debate será moderado por Luiz Oosterbeek, e decorre no âmbito da cooperação do Instituto Politécnico de Tomar com diversos organismos internacionais e o governo brasileiro

segunda-feira, 2 de março de 2009

Foi prisão de Lula da Silva, de Elis Regina, de Oswald Andrade ...




Símbolo da tortura no Brasil foi requalificado como espaço museológico/resignificado para homenagear a resistência dos presos à ditadura. O antigo prédio de tijolos vermelhos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no Largo General Osório, mesmo no centro de São Paulo, perto do Museu da Língua Portuguesa, abriga hoje o Memorial da Resistência, em quatro celas da antiga prisão, simbolicamente resgatadas da erosão da memória.




" Os detidos, ao chegar, iam para as celas do térreo. No terceiro andar, ficava a sala do delegado Sérgio Paranhos Fleury, um dos mais duros agentes." Outros países sul-americanos, como Argentina, Uruguai e Chile têm um museu dedicado à luta contra a repressão. Segundo Marcelo Araújo, director da Pinacoteca de São Paulo, que integra o museu "no Brasil, ao menos que saibamos, este será o primeiro espaço museológico destinado a essa questão".

Em 2002, o espaço já havia passado por uma primeira reforma. O antigo nome, Memorial da Liberdade, foi mudado para Memorial da Resistência, após reivindicações dos ex-presos."








Passaram por lá, em diferentes períodos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cardeal honorário de São Paulo, d. Paulo Evaristo Arns, os escritores Monteiro Lobato e Oswald de Andrade, a cantora Elis Regina, a artista Anita Malfatti, a militante e escritora Patrícia Galvão, a Pagu, entre outros.








Denominado Memorial da Liberdade, foi inaugurado em 2002, sob a gestão do Arquivo Público do Estado de São Paulo. Em Agosto de 2007, já integrado à Estação Pinacoteca, recebeu, por iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, um projecto com nova perspectiva museológica, visando ampliar a acção preservacionista e seu potencial educativo e cultural, por meio de reflexões sobre os distintos caminhos da memória da resistência e da repressão. A implantação deste projecto teve início no dia 1º de maio de 2008, com a mudança do seu nome para Memorial da Resistência. Coordenados pela Pinacoteca do Estado de São Paulo, os trabalhos foram desenvolvidos por uma equipa interdisciplinar, contando com a participação do Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, além do apoio de diferentes colaboradores e instituições culturais, nomeadamente o Arquivo Público do Estado de São Paulo, onde está depositado o arquivo do DEOPS/SP.


O programa museológico do Memorial está estruturado em procedimentos de pesquisa, salvaguarda e comunicação patrimoniais, orientados sobre enfoques temáticos que evidenciam as amplas ramificações da repressão e as estratégias de resistência, por meio de seis linhas de acção: Centro de Referência, Lugares da Memória, Colecta Regular de Testemunhos, Exposições, Acção Educativa e Acção Cultural. Espera-se que o desenvolvimento dessas acções possa colaborar na formação de cidadãos conscientes e críticos de seu passado, sensibilizar e promover a importância do exercício da democracia, da cidadania e dos direitos humanos.


O espaço expositivo do Memorial da Resistência estruturado em quatro eixos temáticos:

- O edifício e suas memórias: são apresentados os diferentes usos e apropriações do edifício - construído no início do século XX para abrigar os escritórios e armazéns da Companhia Estrada de Ferro Sorocabana - além da estrutura e funcionamento do DEOPS/SP.

- Controle, repressão e resistência: o tempo político e a memória

- as noções e as estratégias de controle, repressão e resistência que configuram a abordagem deste espaço, apresentadas a partir de estrutura conceptual em painel interativo, desenvolvidas em uma linha do tempo (1889 ao ano de 2008) e referenciadas por um conjunto de publicações.

- A construção da memória: o quotidiano nas celas do DEOPS/SP - Este eixo trata exclusivamente do período do regime militar (1964 a 1983), a partir de diversos recursos expográficos como uma maqueta tridimensional que permite ao visitante compare o espaço prisional dos anos de 1969 a 1971 com o momento actual.


A primeira cela mostra os trabalhos do processo de implantação do Memorial da Resistência; a segunda presta uma homenagem aos milhares de presos desaparecidos e mortos em consquência de acções do DEOPS/SP; na terceira cela foi reconstituída a partir das lembranças de ex-presos políticos e a quarta cela oferece uma leitura da solidariedade entre os que estiveram encarcerados naquele local. Neste contexto do quotidiano na prisão, evoca-se também uma celebração religiosa realizada pelos frades dominicanos presos em 1969. Finalmente, um diorama permite ao visitante compreender como as manifestações públicas de resistência, naquele período, ecoavam nas celas.- Da carceragem ao Centro de Referência: oferece possibilidades de aprofundamento temático, por meio da consulta a bancos de dados referenciais, destacando-se o Banco de Dados do PROINProjeto Integrado de Pesquisa desenvolvido pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo e a Universidade de São Paulo. Neste espaço também são apresentados objectos e documentos provenientes de dossiês e prontuários produzidos pelo DEOPS/SP, sob a guarda do Arquivo Público do Estado de São Paulo, além de iconografia sobre os diferentes espaços do edifício. Ainda em conformidade com a sua missão, a acção educativa do Memorial propõe-se à construção de diálogos entre o discurso expositivo e o público, por intermédio do desenvolvimento de processos formativos para educadores (ensino formal e não formal), da realização de visitas orientadas e da produção de materiais pedagógicos de apoio.






Projecto Museológico




Coordenação - Marcelo Mattos Araújo

Consultoria em Museologia - Maria Cristina Oliveira Bruno

Consultoria em História - Maria Luiza Tucci Carneiro

Consultoria em Educação - Mila Chiovatto e Gabriela Aidar

Consultoria sobre o Cotidiano nas Celas do DEOPS/SP - Ivan Seixas e Maurice Politi

Equipe Técnica de Implantação Museologia - Kátia Regina Felipini Neves

História - Erick Reis Godliauskas Zen

Educação - Caroline Grassi Franco de Menezes


Apoio - Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, Projecto Integrado Arquivo Público do Estado / Universidade de São Paulo – PROIN, Arquivo do Estado de São Paulo.


SERVIÇO: Memorial da Resistência



Estação Pinacoteca

Largo General Osório, 66 – Luz São Paulo – SP


Telefone: 55 11 3337.0185, ramal 27





Entrada gratuita de terça-feira a domingo, das 10h às 17h30.



Informações e agendamento

Telefone: 55 11 3324.0943/0944


Não sei quanto tempo somos

Fotografia Jorge Gallindo




Mas sei que hoje é 28 do mês que melhor me soa. Celebro-(me) Fe-ve-rei-ro. Estendo ritualmente a toalha de linho branco. Ergo mil cálices à vida. Rezo (como sei). Não sei quanto tempo somos ...
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Letra livre



Uma pequena livraria, de livros novos e usados, localizada no centro de Lisboa especializada em literaturas de língua portuguesa e ciências humanas. Antropologia, África, Brasil, Género, História social, Lisboa, Literatura, Poesia, Política. Destaque para as pequenas editoras independentes: Antígona, Apenas, Aquário, Averno, Deriva, Dinossauro, Edições Mortas, &etc, Ela por Ela, Fenda, Frenesi, Ulmeiro (aqui http://www.letralivre.com/ encontra raras preciosidades. estudos e joias literárias de limitadíssima tiragem)




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Pela Calçada do Combro (hoje deambulando ...)
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Esta rua histórica que divide o Bairro Alto do Bairro da Bica, unindo o Chiado a São Bento, foi, desde o século XIX, um eixo central do coração da cidade que ligava dois bairros populares onde os livros, os jornais e a luta política e social faziam parte do quotidiano.
Mas, se a importância dos jornais, das tipografias e das organizações sindicais e sociais cresceu significativamente a partir do começo do século XX, desde o século XVIII, estes bairros de Lisboa tinham uma forte ligação ao comércio livreiro e à indústria tipográfica como demonstra a Igreja de Santa Catarina, cuja responsabilidade cabia à Confraria dos Livreiros.
Lojas Maçonicas, choças Carbonárias, jornais sindicais, republicanos e anarquistas, bem como inúmeras tipografias espalhavam-se por ruas e vielas destes dois bairros, vizinhos do Chiado, mais tradicional e burguês. As tascas e cafés da Bica e do Bairro Alto, tal como as da Rua da Misericórdia, onde funcionava o famoso Café dos Anarquistas, praticamente ao lado da editora Guimarães, uma das mais importantes da época, eram locais de encontro de intelectuais e operários envolvidos, primeiro, na luta contra a monarquia e, depois, nas lutas sociais da Primeira República. A Greve, diário operário criado em 1908, funcionou na Rua Luz Soriano e a Casa Sindical, inaugurada em 1912, no Palácio do Marquês de Pombal na Rua do Século até à sua invasão pela polícia da república. Próximo, na Rua da Barroca, teve também sua redacção A Sementeira, a principal revista libertária feita por trabalhadores no começo do século XX. Mas inúmeras outras publicações, folhas volantes e editoras, mais ou menos duradouras, e as tipografias onde eram impressas dividiam o espaço comercial dos prédios destes bairros populares.
Na Calçada do Combro nº 38-A, onde já havia tido sede, em finais do século XIX, o jornal Revolução de Setembro de Rodrigues Sampaio funcionou, a partir de 1919, no antigo Palácio dos Castro Marim, depois conhecido por Palácio do Correio Velho, a sede da Confederação Geral do Trabalho, a CGT anarco-sindicalista, e do seu jornal A Batalha a principal publicação operária e sindicalista da Primeira República. Por este palácio circulavam, juntamente com centenas de trabalhadores de diversos ofícios, intelectuais como Ferreira de Castro, Pinto Quartim, Manuel Ribeiro, Campos Lima, Emílio Costa, Jaime Brasil, Mário Domingues e tantos outros colaboradores de A Batalha e dos seus suplementos literários. Encerrada, assaltada, pilhada pelos diferentes governos republicanos e, finalmente, proibida a CGT e A Batalha tiveram de abandonar definitivamente a Calçada do Combro com a Ditadura do chamado Estado Novo. A Calçada do Combro foi assim nas primeiras décadas do século XX a via estratégica por onde passavam as manifestações operárias que após concentração na Praça de Camões seguiam até ao Parlamento em São Bento para reclamar ou protestar.
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A Tábua das Marés




Fotografia gabriele rigon






A barca desliza pela água com extrema suavidade. Mais do que golpear a água, os remos pensam-na, saboreiam-na. E a água, mais do que tolerar, recebe o suave peso. De tanto pensar a água, de puro Norte, a barca está desorientada.
Madeira e água desejam-se.
Há dois lábios de água para cada pedaço de madeira e uma boca de água para cada remo. O céu do paladar dessa boca de água é feito de espuma tranquila e a tranquilidade é o ensino que reparte o prazer, na forma de erecção deslizante.
O homem assiste a este espectáculo da suavidade com a boca seca e chama em seu auxílio a saliva. Apercebe-se de que acaricia os punhos, em círculos que se encerram na palma das suas mãos.
Da mesma maneira a água pule a madeira, a madeira é o polimento da água e os olhos aquosos do homem que rema sem remar parecem pérolas nesta cena nacarada.
Durante um longo tempo, o homem não se atreve a abandonar este estado nem a persistir nele.
Agora, a madeira está a ponto de incendiar a água e está a ponto de arder. Levanta o olhar e, do centro da ria, o homem contempla as margens.
Um denso bosque tomou conta da margem esquerda e fechou todas as suas entradas com os persuasivos cadeados das silvas. Coroando um monte inacessível, ergue-se a igreja negra. A agulha da torre do campanário parece cravar-se nas nuvens que chovem sobre a igreja e fazem-na brilhar como charão.
A margem direita é um jardim prolongado. O homem segue do barco a linha de cores até chegar ao roseiral, em cujo centro se ergue uma igreja branca.
Olha a igreja branca, na sua margem impudicamente soalhada e estremece quando a torre do campanário desperta com o som do carrilhão, que se expande rapidamente.
O homem dispõe-se a remar até à margem direita quando o único sino da igreja negra começa a repicar. Volta a cabeça para a margem esquerda. Os espinhos das silvas parecem ganhar vida e cravar-se no som, e o som profundo do sino parece trespassá-las. A música da igreja negra concentra-se.
O homem faz por remar para a margem direita, mas a margem esquerda impede-o. O homem vira as costas à margem esquerda quando na realidade quer ir ao seu encontro.
As mãos agarram-se agora aos remos, que começam a golpear a água. Madeira e água repelem-se, chamando-se. Madeira e água deixam de se acariciar e tocam-se.
Começa a levantar-se a ondulação, a água começa a subir a costa e a madeira a baixá-la, começa o outro prazer.
E o homem que olha a marulhada e que é parte dela, o homem que mal escuta agora o débil carrilhão da igreja branca, sente um intenso desejo de se atirar à água, de se despedaçar nela.




Menchu Gutiérrez , em " A tábua das marés ", 2000, editorial Teorema, Lisboa

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Chaconne for solo violin - Johann Sebastian Bach

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Saia dá medo ?




A roupa, alguém o afirmou, é um artefacto cultural.

Já em 2002, o prestigiado museu londrino Victoria and Albert, realizou uma exposição intitulada Men In Skirts (Homens de Saia) , em que se discutia se a saia também é roupa de homem, com o objectivo de expandir as fronteiras do vestuário masculino e desconstruir uma ideia feita.
A própria definição de saia pode ser bem ampla: os kaftans, por exemplo, tão populares nos anos 70, entraram na exposição.











Saia para homem por Gaultier

Macho e fêmea

Uma das funções da roupa é demarcar os géneros, diferenciar o macho da fêmea.
Mas isto é feito de forma diferente de acordo com a cultura. Se no mundo ocidental os homens vestem maioritariamente calças, em certas partes da Ásia e da África tanto homens quanto mulheres usam saia. Mas houve uma época em que os homens ocidentais incluíam a saia nos seus guarda-roupas.


















Foi a evolução da alfaiataria, a partir do século XIV, que impulsionou a especialização da vestimenta.
Aos poucos, a roupa do homem tornou-se intrinsecamente associada à masculinidade.



O estilista Rifat Ozbek acha que os homens têm medo de que a saia vá alterar a sua sexualidade.
Desde os anos 60, vários estilistas de moda tentaram reintroduzir a saia como uma forma aceitável de um homem se vestir.
Frequentemente pegando emprestado aqui e ali culturas e eras diversas, alguns designers inventaram e reinventaram a saia para homem.

Saia como símbolo

Em alguns momentos, estas roupas foram adoptadas pela contra-cultura, com grupos como hippies, punks e os novos românticos adoptando a saia como um sinal de rebeldia.
Os gays também adoptaram a saia como um símbolo de um estilo de vida alternativa.
Mais recentemente, a saia foi usada como uma forma de mostrar que um homem pode estar na moda. Isto pode ser feito por homens que têm o poder de formar opinião e ditar a moda como desportistas, estrelas pop ou artistas de cinema.
Músicos como Caetano Veloso e Gilberto Gil e o jogador de futebol inglês, David Beckham - num modelo assinado por Jean-Paul Gaultier - foram notícia na imprensa por usarem saias ou sarongues.
Com excepção da saia escocesa, o kilt, os homens continuam muito receosos na hora de vestir qualquer tipo de saia.
Através do trabalho dos designers contemporâneos (em que se inclui o português Miguel Vieira, para mim, um dos melhores), a ideia de homens de saia ganha um novo sopro de vida.


Para quando, másculos e maternos de saias ? Senhores de si ... homens do seu tempo, de um tempo rei de múltiplos artefactos. Não me iludo ...

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Tempo Rei [King Time] - Gilberto Gil

sábado, 14 de fevereiro de 2009

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"the essential is no longer visible" - Heiner Müller

O belo é a fera

Foto Por Joel Calheiros


fotografia http://www.saudek.com/en/jan/uvod.html






Desbaratamos deuses, procurando
Um que nos satisfaça ou justifique.
Desbaratamos esperança, imaginando
Uma causa maior que nos explique.
Pensando nos secamos e perdemos
Esta força selvagem e secreta,
Esta semente agreste que trazemos
E gera heróis e homens e poetas.
Pois Deuses somos nós. Deuses do fogo
Malhando-nos a carne, até que em brasa
Nossos sexos furiosos se confundam,
Nossos corpos pensantes se entrelacem
E sangue, raiva, desespero ou asa,
Os filhos que tivermos forem nossos.





José Carlos Ary dos Santos

PABLO HELGUERA: SUITE PANAMERICANA







Havia um tempo em que a arte se resumia à simplicidade de uma tela, uma escultura, uma partitura executada por uma orquestra. Este tempo não existe mais. Em seu lugar, surgiu uma selva de referências, uma colcha de retalhos intermináveis, cujas possibilidades se multiplicam em diferentes meios e linguagens. O novo trabalho do artista conceitual Pablo Helguera sintetiza perfeitamente esta nova ordem mundial. Durante meses, Helguera e alguns outros membros da The School of Panamerican Unrest (SPU) fizeram uma longa viagem de carro pelas Américas, partido de Anchorage, no Alaska e indo até Ushuaia, na Argentina, fazendo uma série de paradas ao longo do caminho. Em cada uma dessas paradas, por meio de performances, workshops, sessões de vídeos e debates, a SPU deu início a uma gigantesca troca de idéias, concentradas nas colagens integrantes da mostra “Suite Panamericana” (...) o ambicioso projeto de Helguera estende seus tentáculos por um site, um blog e um documentário.






sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009


e se te dissesse que somos contemporâneos da litania da loucura urbana? tu mais de Goethe eu mais da Síria. nós pó do mundo.e o mundo seco de nós. incondicionais fluxos. rebentação de protões que os olhos não dissecam e a alma não canta.disse-te a chave. e o dia nasceu. biográfico. como proust sem tempo. achado no chão de uma metáfora. brevíssima.

Texto de isabel mendes ferreira em Livro invisível

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Psicoclaustrofonia



fotografia Katia Chausheva



uma casa desarmada em flor bebe o arco-íris
pela aorta
engole fraccionadamente a mulher
que contrariada respira ar de brita
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nariz contra o espelho – foz errada
beijar inverso:
planos côncavos deterioram outros convexos
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frivolidade das arestas, a mulher invertida
a alienar uma epiderme mais espessa
que de estranha deixa corroê-la
pela borrasca intestinal
febre do stress
anjo-reflexo (...)




Porfírio

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fragmento do poema PSICOCLAUSTROFONIA (III), arrancado a ESTE imenso
poderoso
sôfrego januellarium







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regressada do X Congresso com uma mala de livros. recomendáveis. (com)vividos

" A gramática do tempo: para uma nova cultura política ", (2006) Ed. Afrontamento

Com base em trabalhos anteriores, o autor ( Boaventura de Sousa Santos) considera que as sociedades e as culturas contemporâneas são intervalares: situam-se no trânsito entre o paradigma da modernidade, cuja falência é cada vez mais visível, e um paradigma emergente ainda difícil de identificar. Esta transição tem duas dimensões principais: uma epistemológica e outra societal. A transição epistemológica ocorre entre o paradigma da ciência moderna (conhecimento-regulação) e o paradigma emergente do conhecimento prudente para uma vida decente (conhecimento-emancipação). A transição societal, menos visível, ocorre entre o paradigma dominante- sociedade patriarcal; produção capitalista, consumismo individualista e mercadorizado; identidades-fortaleza; democracia autoritária; desenvolvimento global, desigual e excludente - e um novo paradigma, ou conjunto de paradigmas, de que apenas podemos vislumbrar sinais. A argumentação centra-se em três grandes campos analíticos: a ciência, o direito e o poder. (...)


" A diferença ", (2002) Fenda Edições, Lisboa
As identidades culturais têm uma densidade histórica. Conforme se demonstra na obra de Michel Wieviorka, é necessária uma articulação entre as identidades específicas (de género, nação, religião, etnias e outras) e a modernidade universal, para evitar dois riscos: por um lado, o diferencialismo extremo, que pode conduzir à intolerância, ao racismo, ás guerras religioas e nacionalistas; por outro lado, a valorização excessiva da modernidade do mundo ocidental, com as violências que, por vezes, a acompanham.


" O tempo, as culturas e as instituições ", (2008) Edições Colibri, Lisboa
Esta obra, colige os seguintes textos e autores:
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Time, money and the cultural divide - Robert Livine
Modos de governação do tempo - Emília Araújo
Tempo a ganhar, tempo a perder - Maria Johanna Schouten
Représentation du temps et archives de la pensée: les devises de cadrans solaires - Jean-Marc Ramos
O tempo insuspenso. Uma aproximação a duas percepções carcerais da temporalidade - Manuela Ivone Cunha
Andante, andante: tempo para andar e descobrir um lugar - João Teixeira Lopes
Breve reflexão sobre a "linguagem silenciosa" do tempo, de Edward Hall - Ricardo Gouveia

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O XI Congresso Luso-Afro-Brasileiro, em 2011, será em S. Salvador da Baía e, em 2012, em Cabo Verde.

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A Assembleia-Geral do Congresso Luso-Afro-Brasileiro decidiu que o próximo Congresso de Ciências Sociais será em 2011 em São Salvador da Baia, no Brasil, disse à Lusa fonte da organização.
Manuel Carlos Silva, responsável da organização do X Congresso, que terminou dia 7 em Braga, adiantou que o encontro será, em princípio, organizado por várias universidades de São Salvador da Baia.
Os congressistas debateram a possibilidade de o próximo congresso se realizar em Cabo Verde, tendo agendado o 12º encontro, em 2012, naquele país africano.
A assembleia-geral seguiu-se à sessão de encerramento do X Congresso Luso-Afro-Brasileiro, que decorreu durante quatro dias na Universidade do Minho, em Braga, e que juntou 1600 investigadores de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, e Timor-Leste.

This Star is Mine


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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Tacteando enigmas . dobrando cismas


«O ENIGMA DE UMA JANELA O fascínio de uma janela está em que se vê de fora para dentro e de dentro para fora, mas de tal maneira que as duas visões não são coincidentes. Escreveu M.-A. Ouaknin: “A janela é um objecto misterioso. Ela abre para a intimidade e para o mundo”. Ela é “fronteira, limiar e sonho”. O que se vê de fora para dentro tem sempre a ver com o oculto, o segredo, a intimidade, o sagrado. E o que se vê de dentro para fora? Baudelaire escreveu: “Je ne vois qu’infini par toutes les fenêtres”: só vejo infinito por todas as janelas. Através de uma janela, não se vê apenas o que está aí, à frente dela. Uma janela dá para o ilimitado, para o infinito.»




Anselmo Borges, "A janela do (in)finito ", Campo das letras, 2009




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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009


Onde é que estão as boas notícias?




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A fotografia é de Adelino Chapa e a pergunta servida AQUI, ao balcão, da mais afinada BloGuiTe
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

____________spirits of the departed


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White doves are kept at the Yasukuni Shinto shrine, dedicated to military personnel killed during Japan's wars. They are considered to be spirits of the departed.
JAPAN. Shinto. 2000

Copyright Abbas/Magnum Photos

sábado, 24 de janeiro de 2009

A chave da Magnum na mão de Abbas. Magnífico olho de pássaro.

Abbas, Dubai International Filmfest, Dezembro 2007

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Expresso — O que distingue a Magnum das outras agências ?

Abbas — A diferença é que a agência pertence aos fotógrafos. Eu trabalhei na Sipa, na Gamma e depois na Magnum ...
Quando estava na Sipa, era o caos. Se saía em reportagem, era eu que tinha de comprar o bilhete do avião, de arranjar os filmes, tudo.
Depois fui para a Gamma. Quando partia, davam-me um cartão para o telex, o dinheiro, o bilhete do avião, a lista dos voos nos quais era possível enviar os filmes, etc. Tudo estava organizado, tudo era perfeito.

Vou para a Magnum, e é o caos total outra vez.

Mas há uma diferença: dão-nos a chave da agência.

A Magnum é uma cooperativa de fotógrafos, pertence aos fotógrafos e eles têm o controle político, digamos, sobre a agência — são eles que definem as grandes linhas, e depois há um «staff» que gere o dia a dia.
A outra grande diferença é que na Magnum os fotógrafos são sempre os donos e senhores do seu trabalho, e todos os negativos continuam a pertencer-lhes. Cada fotógrafo paga os seus filmes e as suas revelações. E a Magnum é uma agência que não pode ser comprada pelos bancos ou pelos grandes grupos industriais, como sucede com as outras.

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in Expresso/Revista 17 de Julho de 1993, pp 36-41 (versão de arquivo/extracto)
entrevista a Abbas Attar , iraniano nascido em 1944, fotógrafo da Magnum desde 1981.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

De que falam Esperanza Aguirre e César Molona ?

Esperanza Aguirre y César Antonio Molona ante el tríptico de Bacon inspirado en un poema de T. S. Elliot.

Foto: Fernando Alvarado / EFE


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La gran retrospectiva organizada cuando se cumple el centenario del nacimiento del artista en Dublín mostrará prácticamente todas las obras fundamentales de Bacon, que falleció en Madrid en abril de 1992. (...)
El planteamiento será cronológico pero al mismo tiempo se dividirá en las diferentes zonas temáticas que él trato como el estudio de los animales, los hombres, la crucifixión, el retrato o sus archivos con importante documentación. La muestra, que se extenderá por todas las salas de exposiciones temporales de la ampliación del museo, continuará con temas épicos y finalizará con los relacionados con Grecia y con las últimas obras en las que se produce una vuelta al clasicismo. El gran valor económico de las obras de Bacon ha contribuido a que ésta haya sido una de las exposiciones más difíciles de organizar.






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Fonte: elCultural.notícias
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Gostaria que minhas pinturas dessem a impressão de que um ser humano passou pelo meio delas, como uma lesma, deixando aí rastros de sua presença e resquícios da memória de eventos passados, assim como uma lesma deixa rastros de sua baba ...
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Francis Bacon
in Osborne, H. Docionário Oxford de Arte. São Paulo. Martins Fontes. 1998

terça-feira, 13 de janeiro de 2009



A plataforma inter-associativa reúne cerca de duas dezenas de associações portuguesas ligadas ao património cultural. Foi apresentada em 2008 _________________________________________________

A Declaração da PP-CULT "O património como valor estratégico e oportunidade nacional" (pdf)"O Património Cultural constitui o activo mais precioso de qualquer país, em especial dos que possuem percursos históricos mais antigos e cujos recursos naturais foram parcialmente exauridos com o tempo. Trata-se de um activo de que cada geração, presente e futura, que se deve considerar como fiel depositária e cuja amplitude transcende a esfera estritamente nacional. Cuidar e desenvolver o Património Cultural, muito mais do que uma decorrência da lei, nacional, europeia ou universal constitui, pois, um imperativo civilizacional e de cidadania."Mais de dezena e meia de associações cívicas e profissionais das diferentes áreas do Património Cultural, entre as quais a BAD, reúnem-se numa Plataforma pelo Património Cultural, destinada à defesa do património como valor estratégico e oportunidade nacional. São signatários da Declaração: AAP: Associação dos Arqueólogos Portugueses APA: Associação Portuguesa de Antropologia APA: Associação Profissional de Arqueólogos APAC: Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos APAI: Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial APAP: Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas APJSH: Associação Portuguesa de Jardins e Sítios Históricos APOM: Associação Portuguesa de Museologia APOREM: Associação Portuguesa das Empresas com Museus APPI: Associação Portuguesa para o Património Industrial ARP: Associação Profissional de Conservadores- Restauradores de Portugal BAD: Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas CPADA: Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente FAMP: Federação dos Amigos dos Museus de Portugal ICOM PT: Comissão Nacional Portuguesa do ICOM ICOMOS PT: Comissão Nacional Portuguesa do ICOMOS OA: Ordem dos Arquitectos OPRURB: Ofícios do Património e Reabilitação Urbana PROGESTUR: Associação Portuguesa de Turismo Cultural.

Porque hoje é 20, da nova era _____________ invoco Neruda


AMÉRICA, no invoco tu nombre en vano.
Cuando sujeto al corazón la espada,
cuando aguanto en el alma la gotera,
cuando por las ventanas
un nuevo día tuyo me penetra,
soy y estoy en la luz que me produce,
vivo en la sombra que me determina,
duermo y despierto en tu esencial aurora:
dulce como las uvas, y terrible,
conductor del azúcar y el castigo,
empapado en esperma de tu especie,
amamantado en sangre de tu herencia.

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Pablo Neruda

Icónico Obama


Um retrato de Barak Obama, feito pelo designer gráfico Shepard Fairey durante a campanha do então candidato democrata norte-americano, vai integrar a colecção permanente da National Portrait Gallery dos Estados Unidos. De acordo com a BBC, a galeria, sediada em Washington, adquiriu o retrato e poderá exibi-lo no a 20 de Janeiro, dia da tomada de posse de Barak Obama como presidente dos Estados Unidos.
O retrato de Obama, feito em stencil com os tons da bandeira dos Estados Unidos, foi um dos mais divulgados em 2008 por ocasião da campanha do candidato democrata à Casa Branca.
Shepard Fairey desenhou vários cartazes com o rosto do candidato e com palavras como “Hope”, “Change” e “Vote” e acabou por ser convidado pela revista Time a desenhar a capa da edição da figura do ano, dedicada a Barak Obama. A icónica imagem acabou ainda estampada em dezenas de camisolas e autocolantes durante a campanha eleitoral.Shepard Fairey, 38 anos, vive em Los Angeles, é um artista de rua, ilustrador, disc-jockey e designer gráfico.
Em 2004, juntamente com os artistas Robbie Conal e Mear One, assinou uma campanha de rua com cartazes anti-Bush e contra a guerra. São da sua autoria as capas dos álbuns “Monkey Business”, dos Black Eyed Peas, “Zietgeist”, dos Smashing Pumpkins, e “Mothership”, dos Led Zeppelin, e o cartaz do filme “Walk the Line”.Tem trabalhos nas colecções do Museu de Arte Moderna em Nova Iorque, Museu de Arte de Los Angeles e Victoria e Albert Museum de Londres.


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Fonte:

domingo, 11 de janeiro de 2009

Post 1000 !


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Jack Vettriano. pinturas


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BLOG: COMUNICAÇÃO E ESCRITA ÍNTIMA NA INTERNET, de Denise Schittine, fala de um fenómeno típico de nosso tempo. A jornalista investiga o fenómeno dos blogs, os actuais diários íntimos na internet, e faz uma pertinente observação sobre a invasão do espaço privado pelo público________________________
_____________ realmente interessante, mas como está tudo estudado e o mundo nem por isso está melhor, fecho o livro. Corro as estantes, fixo-me numa lombada fina, cinzenta, com a marca Teorema e relembro o espanto da zoologia fantástica de Borges; estórias míticas sobre "seres imaginários"; seres estranhos engendrados pela fantasia dos homens.
Falemos, então das ditas criaturas ____________________________________________
" a primeira é a estátua sensível de Condillac. Descartes professou a doutrina das ideias inatas; Étienne Bormot de Condillac, para o refutar, imaginou uma estátua de mármore, organizada e conformada como o corpo de um homem e morada de uma alma que nunca tivesse entendido ou pensado. Condillac começa por conferir um único sentido à estátua: o olfactivo, talvez o menos complexo de todos. Um cheiro a jasmim é o princípio da biografia da estátua; por um instante não haverá senão esse cheiro no universo, ou melhor, esse cheiro será o universo, que passado um instante cheirará a rosa e depois a cravo. Que na consciência da estátua haja um único cheiro e teremos a atenção; que perdure um cheiro quando cessou o estímulo e teremos a memória; que a impressão actual e a outra do passado ocupem a atenção da estátua e teremos a comparação; que a estátua perceba analogias e diferenças e teremos o juízo; que a comparação e o juízo ocorram de novo e teremos a reflexão; que uma recordação agradável seja mais viva do que uma impressão desagradável e teremos a imaginação. Criadas assim as faculdades do entendimento, as faculdades da vontade surgirão depois: amor, ódio (atracção e aversão), esperança e medo. A consciência de ter atravessado muitos estados dará à estátua a noção abstracta de número; a de ser cheiro a cravo e ter sido cheiro a jasmim, a noção do eu.
(...) A alegoria que acabamos de referir intitula-se Traité des sensations; tomo segundo da Histoire de la philosophie de Bréhier.
________ A outra criatura suscitada pelo problema do conhecimento é o animal hipotético de Lotze. Mais solitário do que a estátua que cheira rosas e que finalmente é um homem, este animal tem na pele só um ponto sensível e móvel, na extremidade de uma antena. A própria conformação proíbe-lhe, como se vê, as percepções simultâneas. Lotze pensa que a capacidade de retrair ou projectar a sua antena sensível bastará para que, o quase incomunicável animal, descubra o mundo exterior (sem a ajuda das categorias Kantianas) e distinga um objecto estacionário de um em movimento. Esta ficção (...) regista-a a obra Medizinísche Psychológie, que é de 1852."
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Jorge Luís Borges, "Dois animais metafísicos"
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Post 1000, noção abstracta de número. A de ser cheiro a cravo e ter sido cheiro a jasmim, a noção do eu. AQUI o ponto sensível e móvel. ___________________________


tranquilamente para a morte __________________


Eu próprio me condenei
verto o meu veneno quotidiano
colher após colher, engulo-o
provavelmente de manhãs
em falta depois do pôr-do-sol
ou quando os pássaros e os insectos se deitam
Com a firmeza dum homem que avança
tranquilamente para a morte
levo o veneno aos lábios
bebo-o gota a gota, e rio
a bandeiras despregadas
choro a bandeiras despregadas
assusto-me a bandeiras despregadas
Medicado com os meus venenos subo para
o trono do "Não"
estremeço enlouquecido
e abraço a minha morte quotidiana

(...)

ALI FUDAH
in Pequena Antologia da Poesia Palestiniana Contemporânea
Selecção e tradução de Albano Martins
Edições ASA, 2004



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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

cúmplice até doer


Sem palavras ...


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NESTA esquina . Obrigada MM ____________________________________

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Frio. Muito frio ...




São horas do " Portugal em directo ". Acabo de chegar a casa. Fechei a porta ao frio e, num gesto rotineiro, dirigi-me à sala. Peguei no comando e liguei maquinalmente a televisão para ouvir gente e sentir os rumores do mundo.
Seguindo a rotina, preparava-me para dar meia volta, virar as costas ao televisor, largar as botas, mudar de roupa e vingar a fome de um almoço passado em claro.
Mas ... fiquei ali perfilada, em frente ao ecran, de casaco, luvas e cachecol.
No meio da sala, de mala ao ombro, nem dei pelo tempo. Fiquei ali de pé, imóvel, a beber o entusiasmo com que alguns persistentes cidadãos, verdadeiros "heróis do mar", vencem as adversidades e nos falam da sua participação em projectos na área da cultura, investigação, arte, património, educação, urbanismo, ambiente, cidadania, imigração, que se vão concretizando por este país fora. É espantoso como brilham, nesta pantalha, as exposições, a arte, os livros, os poetas, os achados arqueológicos, os museus, a dança, os teatros, o cinema, a música e um sem número de habilidades sociais e outras engenharias. Gosto deste jornalismo de proximidade que nos aproxima das pessoas e dos seus talentos. Que nos mostra o prodígio das pequenas GRANDES coisas. Neste programa falou-se do velho almanaque Borda d`água, da renovação museológica da Casa dos Patudos, do Natal dos Ucranianos em Portugal, do calendário juliano e da tradição bizantina. Sorvo todas estas "estórias", únicas e singulares, desfiadas na primeira pessoa e ... dou por mim a rir, sozinha, ainda com as chaves na mão.
Quando vejo estes programas e olho a realidade que nos cerca, penso sempre que quem nos governa deve ter os binóculos ao contrário, colocando-nos perante a amarga evidência de que o todo não é, de todo, a soma das partes, especialmente num país onde algumas partes parecem valer pelo todo e o resto é paisagem. De olhos vendados, como cabras-cegas, continuamos à procura das razões para o nosso atraso, mas continua frio. Muito frio ...
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