segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Quase divino ...

Ashes and Snow- Feather to Fire
Ashes and Snow Gregory Colbert Nomadic Museum Feather to Fire Laurence Gregory Colbert has used both still and movie cameras to explore extraordinary interactions between humans and animals. This excerpt is entitled Feather to Fire, and is narrated in three languages (mais)
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gregory colbert - great images of nature II
Tanita Tikaram: Cathedral Song





Gostei imenso do filme.
E da voz, claro !
Mas, sobretudo, do filme.

Imaginei-(me) num certo Sul ...

domingo, 9 de setembro de 2007


Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo
aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
– já me aconteceu antes.

Pois sei que
– em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade –
essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

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A lucidez perigosa
Clarice Lispector


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quinta-feira, 6 de setembro de 2007


Imaginam que os pais de uma criança desaparecida possam sentir grande disposição para dar entrevistas semanais à imprensa cor-de-rosa, posando sentados em sofás caros, e no chão, sobre almofadas, lendo as inúmeras cartas de apoio recebidas e espalhadas pela carpete?! Embora me esforce por me sentir na pele dos outros - é um exercício que realizo para conseguir situar-me imparcialmente face às situações - nunca imaginaria tal coisa. O meu horizonte emocional não o permitiria. Nunca vi pais de crianças portuguesas desaparecidas aparecerem senão em notícias de jornal, reclamando sobre a impotência dos meios disponibilizados para investigar os respectivos casos.No entanto, na última semana deparei-me com três ou quatro capas da Lux, Gente, Caras, etc. alimentadas pela imagem dos pais de Maddie, ampliando a brutal campanha de marqueting pessoal que têm levado a cabo nestes meses. A vida dos pais de uma criança desaparecida tornou-se uma notícia de sociedade. Um caso muito negro enche páginas cor-de-rosa. Os pais da criança são igualmente cor-de-rosa: médicos lourinhos, branquinhos, magros e bem relacionados. Não gostamos deles, pois não. Como poderíamos?! Não está em causa se têm alguma culpa no caso. Isso transcende-me. Supreeender-me-ia bastante que os pais de uma criança aparentemente tão desejada, a ponto de ser concebida com recurso à procriação medicamente assistida, pudessem de alguma forma estar envolvidos em cenários tão macabros como os que os comentadores, e alguns jornais, sugerem. Os pais de Maddie poderão estar inocentes como anjos. Mas, na nossa cultura, os pais desesperados não têm assessores de imprensa que 'mandam dizer' aos jornalistas. Que decidem pronunciar-se, ou não, conforme estes se portam bem ou mal, ou seja, conforme lhes são mais ou menos favoráveis. Se calhar sou eu que sou antiquada, mas na nossa cultura os pais desesperados não se passeiam em carros de luxo nem acedem a vivendas a estrear, emprestadas. Na nossa cultura os pais desesperados não são recebidos pelo responsável do quartel-general das investigações sobre desaparecimentos, nos EUA. Nem pelo papa. Não fazem tours pelo mundo, como se fossem embaixadores da UNICEF. Na nossa cultura, os pais desesperados desesperam, e os de Maddie parecem-nos tão calmos e conformados com a demora nas investigações. Imagino que seja efeito dos calmantes com que se automedicam. Sinceramente, espero que tanta serenidade seja trabalho do Xanax e do Sedoxil. Isso poderia compreender. Quanto ao resto, gostaria que o peluche de Maddie que a mãe transporta para todo o lado, nas mãos, pudesse falar. E fala, não fala? Parece-me que fala.
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(copiei este texto, certinho e direitinho, para as folhas do caderno porque, várias vezes, pensei escrever exactamente isto e nunca o fiz. Em conversas informais manifestei a minha incompreensão relativamente à performance deste casal. Subscrevo inteiramente o sentimento aqui enunciado pela Isabela. Como não conseguiria fazer melhor ... copiei !)

Publicado por Isabela em Quarta-feira, Setembro 05, 2007
Etiquetas:

Foto: Luís Forra/Lusa

terça-feira, 4 de setembro de 2007


Ver-te dourava
o corpo da pupila.
A sombra. E as estátuas
por onde ver-te vinha
animal. E parava
redondo na retina.

O grande movimento era-nos sempre
margem de olhar um rio.
Ia-se-nos perdendo
ver algum navio
entrar nas águas de tê-lo
alguma vez ouvido.
Ou, se quiserem, havia o movimento.
E, à volta dele, o rio
estava perto de sermos
lugar. Ponto de frio
de onde os amantes sempre
partiram esquecidos.
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Sobre as Horas (1963), Fernando Echevarría
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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Ouça

Se Eu Quiser Falar Com Deus - Elis Regina

É tão lindo, meu Deus ...

Acredita em Deus ?

Resposta de Michael Cunningham (entrevistado por Antonio Monda) :


"(... )Vejo que começamos logo pela Grande Pergunta. A parte mais séria de mim mesmo, aquela que está seriamente intencionada a não se deixar apanhar desprevenida por ninguém, diz: «Que esperas? Admite-o: Deus é uma coisa que inventámos para podermos conviver com a consciência da nossa mortalidade.» Os cães e os gatos pensam que vão viver para sempre, e não têm nenhum deus. Não consigo deixar de notar que as únicas espécies conscientes, desde o início, do facto de que um dia deixarão de viver são aquelas que erguem catedrais e organizam procissões com estátuas vestidas com túnicas. Mas, ao mesmo tempo, um universo que não contemple uma inteligência harmónica e superior de qualquer tipo é algo tão estéril... (...) É fácil, especialmente quando envelhecemos, orgulharmo-nos de nós mesmos devido à capacidade que temos de ver através de tudo, mas quando conseguimos ver através de tudo, encontramos o nada. E pergunto-me se eu, ou quem quer que seja, desejarei sincera e realmente ver-me assim tão desiludido por viver num mundo inteiramente desprovido de qualquer elemento de magia ou de mistério (...)"

in Acreditas? conversas sobre Deus e a religião, Antonio Monda


http://literati.net/Cunningham/CunninghamBooks.htm
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A discussão continua AQUI

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Morreu Umbral. Luto de letras ...

Há cerca de três anos li, com desesperante avidez, " Mortal e Rosa ". Uma obra soberba, feita de ironia e sofrimento que se cola à pele e nos põe de luto. Que quase nos castiga.
Nestas férias voltei a pegar em Umbral ... li, com enorme gozo, "E como eram as ligas de madame Bovary ? ", editado pela Campo das letras em 2005, um desfiar de retratos irónicos e deliciosamente anedóticos que nos falam " do cabelo verde de Baudelaire, do falhanço de Stendhal, dos pecados de Clarín, da cozinheira de Proust, da orelha de Van Gogh, do namorado de Oscar wilde, do surrealismo burguês de Magritte ou das ligas de Madame Bovary. Um percurso de grandes figuras, figurões e fetiches literários do autor, onde não faltam KafKa, Cocteau, Dali, Dora Maar, Kipling, Joyce, Viginia Woolf, Simenon, Sartre, Juan Rámon Jiménez, Graham Greeen, Eugenio d`Ors, Cela ou Saramago ".

Há, na escrita de Umbral, uma espécie de malícia que nos fustiga (sobretudo ás mulheres). Chega a ser irritante. É uma escrita com nervos.

Ambos os livros foram traduzidos de castelhano para português por Carlos Vaz Marques.
A propósito ...

Carlos Vaz Marques: Francisco Umbral conjugava lirismo com cinismo



terça-feira, 28 de agosto de 2007

Acreditei em tempos que o mundo estava basicamente dividido entre dois tipos de pessoas: aqueles que eram de um modo geral tolerantes e os que se sentiam ameaçados pela diferença. Se as forças da tolerância conseguissem vencer as forças da intolerância, pensava eu, o mundo poderia finalmente conhecer alguma paz.Mas havia um problema com a minha teoria, e nunca tal fora tão claro como numa conversa com um amigo paquistanês que me disse que abominava pessoas como o Presidente Bush, que insistia em dividir o mundo entre “nós” e “eles”. O meu amigo, é claro, tomava uma posição inocente contra a intolerância e não percebeu que, ao fazê-lo, ele próprio estava também a dividir o mundo entre “nós” e “eles”, caindo exactamente no campo das pessoas que dizia abominar.Esta é a versão política de um famoso paradoxo formulado por Bertrand Russell em 1901, que na época abanou os alicerces lógicos das matemáticas. Qualquer pessoa que diz ser tolerante naturalmente se define a si própria em oposição àqueles que são intolerantes. Mas isso faz com que essa mesma pessoa seja intolerante em relação a certas pessoas – o que acaba por invalidar a afirmação de tolerância.A lição política do paradoxo de Russell é que não existe tolerância absoluta. No fim de contas, é necessário poder ser intolerante em relação a certos grupos ou ideologias sem renunciar à superioridade moral normalmente ligada à tolerância e à inclusão. Deve-se, na verdade, condenar e resistir a doutrinas políticas que advogam o assassínio de inocentes, que minam as normas básicas da civilização, ou que tentam tornar impossível o pluralismo. Não pode haver equivalência moral entre aqueles que procuram – mesmo por vezes desajeitadamente – construir um mundo mais livre e tolerante, e aqueles que defendem a aniquilação de outras religiões, culturas ou estados.Tudo isto vem a propósito do meu filho, Daniel Pearl. Graças à estreia do filme A Mighty Heart, o filme baseado no livro homónimo de Mariane Pearl, o legado de Danny está novamente a merecer atenção. É claro, nenhum filme poderia captar exactamente o que fazia de Danny uma pessoa especial – o seu sentido de humor, a sua integridade, o seu amor pela humanidade – ou por que razão ele era admirado por tantos. Para os jornalistas, Danny representa a coragem e a nobreza inerentes à sua profissão. (...)*

* Excerto do artigo " relativismo moral " escrito por Judea Pearl, matemático e professor universitário, pai de Daniel Pearl, o jornalista do Wall Street Journal, assassinado brutalmente pela al-Qaeda no Paquistão, em Janeiro de 2002 (tinha 38 anos). Este artigo foi publicado na edição impressa da revista The New Republic. O filme, que está em fase de lançamento nos Estados Unidos, estreará em Portugal em meados de Setembro próximo.

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Passo assiduamente nesta rua mas, desta vez, decidi ficar mais algum tempo. Decidi entrar na conversa que se faz urgente. Ainda com as orelhas quentes da entrevista de ontem, feita pelo jornalista Mário crespo - SIC notícias, a Gualter Baptista do GAIA e da VERDE EUFÉMIA, mas isso é outra história ! Um fenómeno de transgenia ontológia ...
Só quando alguém nos entra no quintal é que começamos a pensar ? Se calhar é assim, porque só quando entramos no quintal do outro é que somos notícia ...
e ... isto também é grave, mesmo muito grave !

A palavra perdeu poder ? Agora é ao pontapé ?

Gosto do diálogo, da discussão pública, gosto de acreditar que é a busca activa do conhecimento do outro que relativiza positivamente as diferenças, que nos espanta, que nos encanta, que nos humaniza, que amacia a vida, que promove a inclusão, que dilui os guetos.
Porém, hoje, confesso-me desiludida ...
Tornei-me intolerante para com a palavra tolerância.
Penso que temos que ter uma atitude mais pró-activa (como agora se usa dizer ...)
Temos que inventar outras palavras mais assertivas, mais comprometidas.
O termo tolerância está gasto ! Cito este artigo porque me revejo inteiramente na perspectiva do autor. Somos diariamente confrontados com o cinismo da condescendência, com o pseudo relativismo da indiferença, com a ambiguidade do termo " tolerância ".
Quem tolera quem ? Quem tolera o quê ? Porquê ?
A tolerância é, em si mesma, arrogante e paternalista. Resulta de uma assimetria de poder.
A dita "tolerância" lesa cinicamente a democracia, chega a ser ingrata, ao demitir-se de fazer valer regras e valores fundamentais, que outros nos legaram com o sacrifício extremo da própria vida.


Vou ver este filme ...

segunda-feira, 27 de agosto de 2007



A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde
da perda que o perdê-las não traz desastre.

Perca algo a cada dia. Aceita o susto
de perder chaves, e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.

Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde pensaste de férias
ir. Nenhuma perda trará desastre.

Perdi o relógio de minha mãe. A última,
ou a penúltima, de minhas casas queridas
foi-se. Não tarda aprender, a arte de perder.

Perdi duas cidades, eram deliciosas. E,
pior, alguns reinos que tive, dois rios, um
continente. Sinto sua falta, nenhum desastre.

- Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente
amado), mentir não posso. É evidente:
a arte de perder muito não tarda aprender,
embora a perda - escreva tudo! - lembre desastre.





" UMA ARTE "

Elizabeth Bishop
Tradução de Horácio Costa

"Quero chorar meu sofrimento e digo-o
para que tu me queiras e me chores
num poente de rouxinóis cantores,
com um punhal, com beijos e contigo.


Quero matar o único testigo
do assassínio destas minhas flores
e converter meu pranto e meus suores
num eterno montão de duro trigo.

Que não se acabe nunca esta madeixa
do quero-te e me queres, sempre encendida
com lua velha, com sol que se queixa;

Coisa que negas, por mim não pedida,
para a morte será, que jamais deixa
nem sombra pela carne estremecida."

" O poeta diz a verdade "

in "Sonetos del amor oscuro"

Frederico Garcia Lorca

(Tradução de José Bento)

O poeta foi assassinado num fatídico Agosto (1936)

domingo, 26 de agosto de 2007

Eduardo Prado Coelho (1944-2007)
Polémico . Culturalmente activo . Sabedor.
Sportinguista. Ser total (mente) inquietante. Desconcertante.

Assim, rendido à paixão ...
" Sei apenas que sofro absurdamente quando o Sporting está a perder e que partilho a alegria de todas as vitórias ( ... ) "


30-05-2005 - O jogo, antes e depois
21-06-2005 - O naufrágio (do Sporting na época 2004-2005)
10-08-2005 -
A pré-história da minha ida ao futebol
04-10-2005 - Fado (sobre a crise no Sporting 2005-2006)
23-05-2006 -
A derrota
08-06-2006 - Dispersos
26-06-2006 - Jogos com fronteiras
27-06-2006 - O país em guerra
01-09-2006 - Crise no futebol
05-09-2006 - E viva o futebol!
14-09-2006 - Assim vale a pena
30-01-2007 - No terceiro lugar



Ver aqui video de homenagem no Famafest.


Fotografia de Hyam Yared

" Figuras de diário, fragmentos, relances, imagens, são sempre dejecta membra de um corpo que se vai desfazendo, ficando pelo caminho, contagiando, multiplicando-se. Que pode interessar a outros esta dispersão do microcosmos do meu conhecimento, da minha experiência? Pouco, eu sei - mas andamos todos tão distraídos do nosso pó que pensei que seria razoável reunir algum do meu, e soprá-lo. Talvez passe por aqui algum sentimento poético mas parece haver algo mais, e mais fundo, e que decerto passa, o sentimento trágico. Para o qual, muitas vezes o silêncio é que devia ser a palavra. Um silêncio que se colha e possa circular entre dois mundos, o do corpo pessoal e o do corpo mais vasto, o da matéria entusiasmada que me prolonga. "


Casimiro de Brito

in " Na barca do coração " (um diário no ano 2000 e uma colecção de poemas), ed. Campo das letras, 2001

sábado, 25 de agosto de 2007

Congresso Internacional de História Oral

De 26 a 28 de Outubro

Vai realizar-se, nos próximos dias 26, 27 e 28 de Outubro, o I Congresso Internacional de História Oral, a ter lugar no Auditório da Biblioteca Almeida Garrett e no Palácio de Cristal, no Porto.

Sob organização do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Letras da Universidade do Porto - FLUP - , com a realização deste evento pretende-se chamar a atenção do público português para uma disciplina desconhecida por muitos, mas fundamental para perceber a compreensão do passado mais recente. A História Oral destaca-se enquanto metodologia de recolha de memórias ‘vivas' através de entrevistas gravadas, baseando-se nas experiências de vida únicas de cada indivíduo. É uma História vivida e contada na primeira pessoa - uma História Viva -, que permite traçar uma imagem mais rica e completa do passado, explorando aspectos da realidade histórica normalmente não documentados. Realidades que vão estar em discussão num congresso em que marcarão presença figuras cimeiras internacionais da História Oral e investigadores portugueses que exploram esta área do saber. O objectivo é reflectir com todo o rigor científico sobre a História Oral, fazendo um balanço da sua trajectória passada, e equacionando o futuro a partir dos seus desenvolvimentos recentes.

Para mais informações consultar: Gabinete de Eventos e Relações com o Exterior da FLUP Telefone: 22 607 71 05

Email: mmoreira@letras.up.pt

Programa

Ficha de Inscrição

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

OUVIR Menino do rio by Joao Gilberto

Fotografia : Troia - Caldeira 2007


Menino do rio

(Caetano Veloso)

Menino do rio, calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço,
calção corpo aberto no espaço
Coração de eterno flerte, adoro ver-te
Menino vadio, tensão flutuante do Rio
Eu canto pra Deus proteger-te
O Hawaí seja aqui, tudo o que sonhares
Todos os lugares, as ondas dos mares
Pois quando eu te vejo eu desejo o teu desejo
Menino do rio, calor que provoca arrepio
Toma esta canção como um beijo





segunda-feira, 20 de agosto de 2007

ENCONTRO ANUAL DO ICOM

20 - 22 August 2007
Vienna (Austria)


Annual Meeting

Theme: "Managing a Finite Resource - Balancing Conservation and Use of Collections"
"Gérer une ressource limitée - Trouver un équilibre entre la conservation et l'utilisation des collections"
"Gestión de un recurso limitado - equilibrio entre la conservación y el uso de colecciones"

Contact: Hochschule für Angewandte Kunst bzw. Hochschule für Bildende Kunst? Martina Griesser-Stermscheg? Tel. +43/ (0)1 / 71133 - 4810 Fax +43/ (0)1 / 71133 - 4819
Email: martina.griesser@uni-ak.ac.at

sexta-feira, 17 de agosto de 2007


World Press Photo 2007 no Museu da Electricidade, em Lisboa, até final de Setembro. Este ano celebra-se a 50.ª edição do mais importante prémio mundial de fotojornalismo.


Veja aqui
algumas das fotos vencedoras do concurso do ano passado

quinta-feira, 16 de agosto de 2007




Figueira
ó árvore que irrompes da tua secura
suportando o penoso desdobrar de teus ramos
amaldiçoada
ofereces ainda a doçura de teus frutos
a sombra de tuas folhas
a firmeza do teu apego à terra

Ó dura bruta forma
heroína da escassez
ó teimosa
que insistes e insistes
e nos ensinas
que a vida é feita de incessantes mortes
e que a nós
suas futuras vítimas
nos aguarda
a todo o momento
a derrocada do templo
sem nenhum outro fruto
além da amargura

Ó doçura
porque amargas tanto
a nossa tentação de florir
ao mesmo tempo sendo tudo
e nada ?

Ana Hatherly, Rilkeana

terça-feira, 14 de agosto de 2007


Festa de Nª Srª do Rosário de Troia (Caldeira - 2007)
_____________
No meio das trevas, sorrio à vida, como se conhecesse a fórmula mágica que transforma o mal e a tristeza em claridade e em felicidade. Então, procuro uma razão para esta alegria, não a acho e não posso deixar de rir de mim mesma. Creio que a própria vida é o único segredo
_________
Luxemburgo, Rosa
in " Cartas da prisão "

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

A Maria Miguel em acção ...
Para memória futura





Agosto 2007

Festa de Nª Srª do Rosário de Troia (caldeira)



Ao consultar o arquivo das imagens desta festa, realizadas no ano passado, arrepiei-me quando vi que tinha uma fotografia exactamente igual a esta ! Ou seja, os mesmos barcos, na mesma posição, captados por mim sensivelmente à mesma hora, neste mesmo sítio.

O mesmo deslumbre. O mesmo alinhamento ...

Voltarei a encontrar- (me) com esta simetria " azul-festa " fustigada pela brisa do Sado ? voltarei ? E ... eles, voltarão ?
Vou esperar, em silêncio, para não quebrar o encanto . . .
Vou fazer de conta que o nosso encontro é pura coincidência.

_________________
O encontro de uma objectiva ama-dor-a com dois barcos azuis, no mesmo sítio, à mesma hora, um ano depois.
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OXALÁ ! (gosto tanto desta palavra ...)
_______________


Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos

Victor Hugo
in citador

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Fragmentos. ruínas. estórias. memórias. sínteses individualizadas da História ( ? )

Gostei deste livro, onde História e estórias se entrelaçam com paixão e dor.
"(...) Magda saiu do quarto de banho envolta no roupão e estendeu-se ao lado dele, abraçando-o pelo peito. - Em que pensavas, enquanto eu tomava banho ? - segredou-lhe ao ouvido. - Nos dias que vêm ou em mim ? Nestor abriu-lhe o roupão, puxou para si o corpo fresco e perfumado e, boca com boca, murmurou: - Pensava que tu és o meu destino ... Sentiu-se sugado por uma força irresistível que o atraía inelutavelmente para as profundidades de um lago de águas azuis e calmas, e deixou-se ir como num voo, cada vez mais longe, cada vez mais fundo ..."
____________
Leonel Cosme
in A Separação das Águas (Angola 1975-1976) pag. 246, 1ª edição, Julho 2007

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Os meus 10 mais ...

Respondo assim ao desafio que me foi lançado pelo Lauro António Apresenta , Ana Paula e pelo Detesto Sopa "m".

Normalmente, nas férias de Verão, não vou ao cinema. Perco-me noutras aragens. Gosto de sentir que o tempo escorre lento e livre ... sem programas nem destinos. É tempo de ler, de deambular, de conversar ... de apreciar. Sobretudo de apreciar ...
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Abri aqui uma excepção. Esta " ida ao cinema " foi especial. Soube-me bem, não precisei de sair do sítio onde estou. Bastou-me fechar os olhos ...

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http://10daminhavida.blogspot.com/


- Morte em Veneza - L. Visconti
- Dogville - Lars Von Trier
- A janela indiscreta - A. Hitschock
- 1900 - B. Bertolucci
- Andrei Rublev - A. Tarkovski
- O pianista - Roman Polanski
- Dersu Uzala - Akira Kurosawa
- Persona - Ingmar Bergman
- Paris, Texas - Wim Wenders
- O Império dos sentidos- N. Oshima
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Também gosto infinitamente de David Linch - " Uma história simples " e de outros ...

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

“Eu, aprendiz da ciência da vertigem,/
é pelo leve vínculo da cegueira/
que desço aos pressagiados abismos.”


"Aos olhos daqueles que me não conhecem, mesmo aos daqueles que conhecendo o homem desconhecem o poeta, passarei por intratável, ou coisa pior, como por intratável é tido o autor desse monumento que são os «Exemplos», João Vário, o mais notável poeta cabo-verdiano desde Eugénio Tavares, pai da moderna lírica crioula. Dizia que aqueles que me não conhecem achar-me-ão isso - tudo porém em nome duma fidelidade tão intransigente quanto consciente, porque um poeta que não é uma inconveniência social é apenas um reprodutor da ordem vigente, mesmo se comprazendo em sofisticados jogos de máscaras; porque um poeta que não sabe que a vida é sempre noutro lugar — não confundir esta exigência de superação com qualquer primarismo messiânico — é apenas um jogral de salão, cabide onde o mundo pendura as suas honrarias."

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

AMOR, GUERRA, POESIA ...


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Um filme belo sobre o amor, não aquele que é imutável mas aquele que é inelutável.
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“Cada pessoa é um abismo. Ficamos com tonturas só de olharmos para baixo.”
JEAN RENO (Fuad)
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Mais AQUI

terça-feira, 31 de julho de 2007

Celebro este dia de televisão ...


O Extremo Poder dos Símbolos
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O extremo poder dos símbolos reside em que eles, além de concentrarem maior energia que o espectáculo difuso do acontecimento real, possuem a força expansiva suficiente para captar tão vasto espaço da realidade que a significação a extrair deles ganha a riqueza múltipla e multiplicadora da ambiguidade. Mover-se nos terrenos dos símbolos, com a devida atenção à subtileza e a certo rigor que pertence à imaginação de qualidade alta, é o que distingue o grande intérprete do pequeno movimentador de correntes de ar.
_________
Herberto Helder, in 'Photomaton & Vox'

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
-Temos um talento doloroso e obscuro.
construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

________
Herberto Helder, Aos amigos
(...)
foi sobre as dunas a exaltação.
Não ouças o rouxinol.
Ou a cotovia.
É dentro de ti
que toda a música é ave.

________

"Encosta-te a mim" (extracto)
Eugénio de Andrade

O meu preferido ...


ETERNO
suspenso no tempo ...

domingo, 29 de julho de 2007


A ouvir Summertime - Ella Fitzgerald & Louis Armstrong. __________ A re(ler) Philip Roth " Todo-o-Mundo"



desenhador do quotidiano


Cidade Velha. Cabo-Verde.


"O Diário Gráfico como Comunicador 1

Ternura foi o que senti quando a Erica me pediu para desenhar a sua avó, a Dona Filó, que vendia fruta ali mesmo ao lado. E quando lhe disse que a avó era muito bonita, foi logo a correr dizer-lhe. "
Por portas e travessas fui dar a ESTE excelente blog de Eduardo Salavisa " Desenhador do quotidiano ", um diário gráfico de rara beleza. Um precioso caderno.
________

Encantada com o traço, a figuração e ... as temáticas. Estes desenhos, para além de arte, são um valioso registo. Um acervo documental das coisas de todos os dias, que os dias engolem. Uma espécie de Etno(grafismo) do olhar. De um certo olhar ...

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