quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Umbral, li e recomendo ...

Desde que li, há cerca de dois anos, " Mortal e Rosa " , editado pela " Campo das letras", rendi-me completamente à escrita genial de Francisco Umbral. Agora que vi anunciado este novo título, que ainda não li, mas que vou procurar ler brevemente, deixo aqui esta nota ... porque há livros que nos marcam e gostamos de » recomendar a um amigo




http://www.elcultural.es/

Amado siglo XX

‘El Cultural’ adelanta el nuevo libro de Francisco Umbral

Francisco Umbral publica dentro de unos días el libro de su vida. El “que tenía en la cabeza desde colegial”, como confiesa en el epílogo de Amado siglo XX (Planeta) –en el que se describe como si de su mejor personaje se tratara– que hoy anticipa El Cultural, junto al capítulo “Cuanto sé de mí” y fragmentos sobre las gentes de su siglo. Memoria y corazón y estilo al rojo vivo.
Al desnudo. Completamente Umbral.

(...)

Tuve amor y tuve amores. Todo aquello que me parecía experiencia sentimental de la vida no era sino impulso sexual y reproducción fatal de la vida humana. Es cuando ya sólo queda una tercera vía: la autocrítica. La crítica de uno mismo que no lo es verdaderamente si no se presenta como tal o se rehúye en forma de elegía. A la autocrítica hay que enfrentarse, lo diga o no lo diga Sartre, porque la autocrítica es la forma más viva de ejercer la literatura. El escritor dispone de la crítica para repasar el mundo y dispone de la lírica en forma de memoria y de elegía para repasar su vida.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Borja da Costa - Poeta timorense

poema do Borja da Costa, nascido em outrubro de 1946, em fatu-berliu, timor, militante da fretilin, poeta que procurou preservar a matriz cultural timorense nos seus poemas, sobretudo nas letras musicadas.



Um minuto de silêncio

Calai
montes
vales e fontes
regatos e ribeiros
pedras dos caminhos
e ervas do chao
calai.

calai pássaros do ar
e ondas do mar
ventos que sopram
nas praias que sobram
de terras de ninguém,
calai.

calai
canas e bambus
árvores e "ai rus"
palmeirase capim
na verdura sem fim
do prqueno Timor,
calai.

calai
calai-vos e calemo-nos
POR UM MINUTO
é tempo de silêncio no silêncio
do tempo
ao tempo da vida
dos que perderam a vida

PELA PÁTRIA
PELA NAÇÃO
PELO POVO
PELA NOSSA LIBERTAÇÃO

CALAI - UM MINUTO DE SILÊNCIO ...

(inspirado no minuto de silêncio observado aquando do içar da bandeira da Fretiin no dia 28 de Novembro de 1975. Borja da Costa lembra os que tombaram, no conflito armado com a UDT, para que a proclamção fosse possível).

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Arte de amar





Imagem
Museu erótico de Estocolmo (museu vitual)
http://
www.jarla.net/museum





Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Manuel Bandeira

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Entre as mulheres ...

Recebi agora, por e-mail, esta foto da autoria de José Branco, envolta em palavras a condizer.

Retribuo-lhe aqui entre Tais » e cerimoniais ...

www.olhares.com/josebranco

Em fundo " Meninas Kemak" (Maliana - Timor), pintura de Maria do Rosário Tique, no Museu do Trabalho Michel Giacometti, até 7 de Abril

Tata-Mailau


http://pt.wikipedia.org/wiki/Foho_Tatamailau

O Monte Ramelau, Monte Tatamailau ou, em tétum Foho Tatamailau, é a mais alta montanha da ilha de Timor e o ponto mais alto de Timor-Leste, com 2.963 m de altitude.
A montanha localiza-se aproximadamente 70 km a sul da capital Díli no distrito de Ainaro.
É facilmente escalável em três ou quatro horas a partir de Maubisse.


Tata-Mailau

É o pico-avô da minha ilha.

Fernando Sylvan *

* http://www.instituto-camoes.pt/cvc/tempolingua/02.html

Fernando Sylvan ( Dili 1917 - Cascais 1993)

Não tenhas medo de confessar que me sugaste o sangue
E engravataste chagas no meu corpo
E me tiraste o mar do peixe e o sal do mar
E a água pura e a terra boa
E levantaste a cruz contra os meus deuses
E me calasse nas palavras que eu pensava.

Não tenhas medo de confessar que te inventasse mau
Nas torturas em milhões de mim
E que me cavas só o chão que recusavas
E o fruto que te amargava
E o trabalho que não querias
E menos da metade do alfabeto.

Não tenhas medo de confessar o esforço
De silenciar os meus batuques
E de apagar as queimadas e as fogueiras
E desvendar os segredos e os mistérios
E destruir todos os meus jogos
E também os cantares dos meus avós.

Não tenhas medo, amigo, que te não odeio.
Foi essa a minha história e a tua história.
E eu sobrevivi
Para construir estradas e cidades a teu lado
E inventar fábricas e Ciência,
Que o mundo não pode ser feito só por ti.

Fernando Sylvan *
" Mensagem do Terceiro Mundo "

* participante activo da Resistência Maubere, foi presidente da Sociedade de Língua Portuguesa, poeta, prosador, dramaturgo e ensaísta (morreu no dia de Natal)




sábado, 3 de fevereiro de 2007

"Timor Lulik" - Museu do Trabalho

M. Rosário Tique- Pintora e Antropóloga


Lúcio Sousa -Antropólogo e docente na Universidade Aberta

"Ainda o fluxo dos rituais: sobre a continuidade do processo ritual em Timor Leste"

Aspectos da inauguração da exposição.









Dia 24 de Fevereiro - Museu do Trabalho
Tarde Intercultural sobre Timor (das 15 ás 18 h )

















Marcelo Rebelo de Sousa criou um site pelo não.

Os "gatos fedorentos" responderam assim ...

Comentários para quê ?

Está lá tudo o que me faz ir votar SIM !

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

" Conheci " o Al Berto ... revisito-(o) sempre com emoção


Que longevidade
(Al Berto)

que longevidade terá a morte das aves no âmbar da noite?
e os passos envenenados de quem fere as palavras?
que horas serão para lá desta precária sílaba?
ouço a voz estonteante dos guardadores de fogos

a suave fala de marítimas estrelas... a lua rente à parede
a fuligem da memória... o susto
nada me ensinaram
e no entanto aprendi a viver com este zumbido no coração
nada me contaram
mas suspeito que continuarei sozinho até ao fim
nada me disseram
tenho 35 anos... ainda bem que voltaste!
não
não tenho fome... repara
a noite insinua-se na pele e dilui a loucura
calemo-nos um instante
o susto cresce
da tua voz de ontem no gravador


in http://homepage.mac.com/mnemosine/iblog/

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Recuperação do Convento de Jesus - Setúbal

http://www.rpmuseus-pt.org/Pt/cont/fichas/museu_92.html

O presidente do Instituto Português do Património Arquitectónico, Elísio Summavielle, assina terça-feira a consignação das obras de recuperação da Igreja do Convento de Jesus no valor de 150 mil euros, anunciou hoje a Câmara de Setúbal.

Segundo revelou hoje à Lusa a presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, a verba desbloqueada pelo IPPAR destina-se à primeira fase das obras, em que se pretende resolver alguns problemas na cobertura da igreja, infiltrações, limpeza da fachada e recuperação de azulejos do edifício.

«O valor fica aquém do necessário e do que estava previsto», afirmou Maria das Dores Meira, que aguarda ainda pela definição de datas e verbas atribuídas para a segunda e terceira fase da recuperação do Convento de Jesus, com um valor global estimado em cerca de 600 mil euros.

Além das obras financiadas pelo IPPAR, o projecto de recuperação do Convento de Jesus - onde foi ratificado o Tratado de Tordesilhas, que dividiu o mundo entre Portugal e Espanha - inclui ainda intervenções para dotar o espaço com condições ideais para alojar o Museu de Setúbal, que serão realizadas pela Câmara Municipal.

A Igreja do Convento de Jesus, projectada pelo grande arquitecto Boitaca e considerada uma jóia da arquitectura portuguesa, ensaia as especificidades da arquitectura manuelina que se lhe seguiria, particularmente, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

O Convento de Jesus, um dos principais monumentos da cidade de Setúbal, é considerado um expoente máximo do período manuelino.

in Diário Digital / Lusa
26-01-2007 15:44:19

Conversar

Em um poema leio:
Conversar é divino.
Mas os deuses não falam:
fazem, desfazem mundos
enquanto os homens falam.
Os deuses, sem palavras,
jogam jogos terríveis.

O espírito baixa
e desata as línguas
mas não diz palavra:
diz luz. A linguagem
pelo deus acesa,
é uma profecia
de chamas e um desplume
de sílabas queimadas:
cinza sem sentido.

A palavra do homem
é filha da morte.
Falamos porque somos
mortais: as palavras
não são signos, são anos.
Ao dizer o que dizem
os nomes que dizemos
dizem tempo: nos dizem,
somos nomes do tempo.
Conversar é humano.


Octavio Paz

in http://www.culturapara.art.br/opoema/octaviopaz/octaviopaz.htm

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Seminário Internacional: Memórias e Migrações (…)


Realiza-se entre os dias 5 e 8 de Julho de 2007 um seminário internacional intitulado “Memórias e Migrações: Museus, História, Educação, Diversidades“.
Terá lugar em Fafe.

Mais informações:http://www.museu-emigrantes.org

in http://nomundodosmuseus.wordpress.com/

3 de Fevereiro (Sábado) - 21h30
Casa do Povo da Longra
Felgueiras

Felgueiras abre ciclo de homenagens pelo país

SOMOS NÓS OS TEUS CANTORES
José Afonso


SomosNósOsTeusCantores.pdf
" Amputados ", fotografia de Carlos Narciso

Fiquei a pensar nesta imagem ...

http://blogda-se.blogspot.com/ " Sementeiras do diabo "

Não ouso comentar ...

pedi-a ao autor para marcar as folhas deste "Caderno de Campo".

Aqui a deixo em jeito de memorial ...

terça-feira, 23 de janeiro de 2007


Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.

Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos

in BLOGAMARGEM

CESARINY EM ESTREMOZ

http://museuestremoz.blogspot.com/

EXPOSIÇÕES
Contemporâneos de Cesariny na colecção da Galeria de Desenho do Museu Municipal Prof. Joaquim VermelhoSala de Exposições Temporárias do Museu Municipal
27 de Janeiro a 25 de Fevereiro

Um Postal para o Mário Cesariny - Viagem a Arcturus
Sala de Exposições Temporárias do Museu MunicipaleSala de Exposições Temporárias do Centro Cultural Dr. José Lourenço Marques Crespo
4 de Março a 1 de Abril

POESIA
Palestra sobre vida e obra de Cesariny, com a declamação de alguns poemas do autor
Café Águias d’Ouro
17 de Fevereiro pelas 16horadores: Hugo Guerreiro, António Simões, Francisco Garção e Carlos Martins (a confirmar)
Edição de poemas surrealista em memória de Cesariny
Data a confirmar em programa próprio
Peça: "O Papá que vem do Leste" / Mário Cesariny / Acrílico sobre tela / 1980 / Colecção João Garção
Fotografia: José Cartaxo


posted by Museu Municipal Prof Joaquim Vermelho at 3:35 PM

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007


“Encontrar um Caminho para Todos - As Novas Tecnologias e o Acesso aos Museus”

Janeiro 22nd, 2007 by Ana Carvalho
in http://nomundodosmuseus.wordpress.com/


No dia 29 de Janeiro, segunda-feira, o GAM – Grupo para a Acessibilidade nos Museus vai organizar o segundo seminário anual, que terá lugar no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian.
Encontrar um Caminho para Todos - As Novas Tecnologias e o Acesso aos Museus, é o título do seminário deste ano. Conta com a presença de profissionais de museus, representantes de empresas nacionais e estrangeiras e instituições ligadas a projectos em que as novas tecnologias permitem que a acessibilidade física, de informação e de comunicação, nos museus se torne mais eficaz.
A participação neste seminário é gratuita. A ficha de inscrição deverá ser enviada para:
Nome: Maria VlachouE-mail: mariavlachou@clix.pt
Programa
Ficha de Inscrição

Museu Judaico de Belmonte - visitei e recomendo ...


O Museu Judaico de Belmonte, inaugurado em Abril de 2005 , é um museu tutelado pela Câmara Municipal de Belmonte, que retrata a longa história da comunidade judaica na região, que resistiu a longos anos e séculos de perseguição religiosa. É o primeiro museu deste género em Portugal, localizado no último reduto da comunidade criptojudaica aí instalada por volta do século XV.

http://www.estudosjudaicos.ubi.pt/index.html

O museu expõe mais de uma centena de alfaias religiosas e objectos do quotidiano utilizados por famílias hebraicas, especialmente da Beira Interior e Trás-os-Montes

http://www.cm-belmonte.pt/Museujudaico/museujudaco.html

Visitei este museu, numas pequenas férias de Natal no final de 2005 e gostei imenso ! Apreciei a limpidez/clareza da museografia, a excelente colecção em exposição permanente, a extensa pesquisa que informa todo o circuito e a homenagem feita às vítimas através de uma extensa de listagem nomes, patente na exposição, em jeito de memorial. Também me agradou o atendimento feito por um jovem descendente da comunidade judaica, nascido na região, que apresentava com todo rigor e segurança o museu, falava com emoção das temáticas abordadas. Orgulhoso da missão pedagógica do museu, das tarefas que lhe estavam cometidas, mostrava-se satisfeito pela oportunidade de emprego que este museu criou em Belmonte. Na loja do museu vende-se vinho Kosher , um vinho especial "a partir do momento que a uva se transforma em vinho, não pode haver contacto nem com máquinas nem com o vinho de algum elemento que não seja da Comunidade Judaica" e um finíssimo azeite cuja prova aconselho vivamente. É magnífico !

Vá ao museu e aproveite para fazer uma visita tranquila pela vila de Belmonte. Pode começar pelo castelo, fortificação que testemunha o passado desta vila. A igreja de S. Tiago, templo românico do séc. XIII, em conjunto com a capela de N. Sra. da Piedade, belíssimo conjunto gótico. Já no séc. XV é anexado o Panteão dos Cabrais onde hoje estão depositadas as cinzas de Pedro Álvares de Cabral. Poderá ainda visitar o Solar dos Cabrais construído no séc. XVIII. A Igreja Matriz é uma construção recente, do séc. XX, guarda a imagem quatrocentista de N. Sra da Esperança que, segundo a tradição, acompanhou Cabral na viagem de descoberta do Brasil. É também visita obrigatória a Sinagoga em conjunto com os diferentes espaços museológicos que estão ao dispor.

Na Tulha, um edifício de granito do século XVIII onde eram armazenadas as rendas da família Cabral, encontra-se agora instalado o Ecomuseu do Zêzere ( uma viagem pelas várias idades do rio da nascente até à Foz) . Para além do já referido Museu Judaico, também integra esta expressiva e bem articulada, rede de museus municipais de Belmonte o " Museu do azeite " implantado num antigo lagar , belissimamente preservado e recreado, onde também se pode comprar azeite, derivados, acessórios e vasilhame, fazendo jus a este prodígio da cultura mediterrânica

Curioso também é o memorial (uma inscrição em pedra), na Praça central, junto à biblioteca, que assinala a passagem do Zeca Afonso por estas paragens ...

domingo, 21 de janeiro de 2007

Pecado


Nas aldeias antigas, as mulheres do campo
esperavam o princípio da tarde para correrem
no meio das searas, em busca de uma clareira
onde se pudessem despir, para que o sol,
descendo à terra, as pudesse possuir. O fogo
que nascia dos seus lábios pegava-se à erva,
e durante um instante toda a seara ardia,
sem fogo nem fumo, apenas com o desejo
que se soltava da sua boca, e ia apagar o sol,
nas tardes em que a noite caía mais cedo.

Espreitei essas mulheres quando voltavam
das searas, e nos seus olhos traziam um cansaço
de amor. Acompanhei-as às suas casas, e vi-as
deitarem-se contra a parede, olhando os seus
rostos no espelho que as velhas seguravam.
Tinham no rosto um princípio de melancolia;
mas diziam-me que a noite resolveria tudo,
quando a sua cabeça se enchesse de sonhos.
«Que queres daqui?» perguntavam-me. E eu
pedia-lhes que me guardassem a imagem
do espelho, em que a eternidade se dissipa,
como o seu sorriso no rescaldo do prazer


Nuno Júdice @ 12:46

http://aaz-nj.blogspot.com/2006_06_01_aaz-nj_archive.html

(In)Temporalidades ...



Foi inaugurada ontem, nos Paços da Cultura em S. João da Madeira, uma mostra do fotógrafo Gérard Castello-Lopes designada “(In)Temporalidades”.
Esta mostra reúne algumas das imagens mais emblemáticas da história da fotografia portuguesa.

A exposição estará patente até 28 de Fevereiro, todos os dias, das 10h às 24h.
A não perder!

consulte
http://www.cm-sjm.pt/ ou http://pacosdacultura.blogspot.com/)

sábado, 20 de janeiro de 2007

O triciclo


um brinquedo com história ...

do triciclo já não me lembro ...
de andar de triciclo também não ...
mas lembro-me da alegria que sempre me inspirou esta fotografia ...

fotografia, João victor
anos 60

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Museu de imagens do inconsciente

Fernando Diniz
Nasceu em Aratu, Bahia, em 1918

http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br/html/setores.html

O Museu de Imagens do Inconsciente teve origem nos ateliês de pintura e de modelagem da Seção de Terapêutica Ocupacional, organizada por Nise da Silveira em 1946, no Centro Psiquiátrico Pedro II. Aconteceu que a produção desses ateliês foi tão abundante e revelou-se de tão grande interesse científico e utilidade no tratamento psiquiátrico que pintura e modelagem assumiram posição peculiar.
Daí nasceu a idéia de organizar-se um Museu que reunisse as obras criadas nesses setores de atividade, a fim de oferecer ao pesquisador condições para o estudo de imagens e símbolos e para o acompanhamento da evolução de casos clínicos através da produção plástica espontânea
.

Em 20 de maio de 1952 foi inaugurado o Museu de Imagens do Inconsciente, numa pequena sala. Em 28 de setembro de 1956 passou a ocupar mais amplas instalações inauguradas com a presença dos ilustres psiquiatras Henry Ey, Paris; Lopez Íbor, Madrid; e Ramom Sarró (Barcelona) que se encontravam no Rio a convite da Universidade do Brasil. Já naquela data, segundo o professor Lopez Íbor, o Museu de Imagens do Inconsciente “reunia uma coleção artística psicopatológica única no mundo” (...)

Endereço: Rua Ramiro Magalhães, 521, Engenho de Dentro - CEP: 20730-460 - Rio de Janeiro - Brasil - Tels: (21) 3111-7471 / 7467

A propósito de grandes portugueses ...


“…O Português precisa de tomar consciência de que é vário. Porque se ele percorrer os seus grandes homens, todos eles se apresentam como uma variedade enorme.”

Agostinho da Silva – Esboço do Português

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Verão na Costa Nova


Fotografia, João Victor
Anos 60

Moínhos de vento...

Fotografia, João Victor, Ilhavo, Anos 60



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Saudade é ... olhar para o fundo do poço, sentir o frio na cara, procurar-se no reflexo nas águas e deixar-se embalar no eco.

Estava a pensar em saudades ... e ocorreu-me esta imagem da minha infância que tanto me fazia sonhar ... olhar para o fundo do poço, debruçar-me, desafiando o perigo, desobedecendo a avisos e ralhetes de pais e avós.

Não fui menina de “ infantário “ . Cresci em liberdade, numa pequena quinta, perto de Ílhavo. Mesmo em frente à janela do meu quarto, tinha um imponente moinho de vento que rugia, em dias de ventania, numa toada metálica que fazia sonhar ... à noite metia medo ... mas a minha vontade era sempre subir até lá acima ...

Ficava por ali com o meu irmão, sob o olhar da minha avó Amélia e das pessoas que lá trabalhavam. Os dias pareciam enormes ... havia sempre tanto para ver e fazer ... descobrir como é que as toupeiras desviavam a água das caleiras de rega, porque é que os rabos das lagartixas continuavam a mexer depois de cortados, imaginar como seriam as doninhas que, à noite, atacavam o galinheiro e reduziam tudo a um festival de penas. Colher os agriões que nasciam numa vala de água corrente ao fundo da quinta (esses agriões picavam na língua ... nunca mais os encontrei.! ), ver as formas engraçadas que tomavam as abóboras para se ajeitarem à terra e ao sol. Conhecer as boas arvores de fruto (que nem sempre eram as mais bonitas). A ameixeira grande junto ao poço, a nogueira, as laranjeiras tais e tais e a velha figueira. O deslumbramento de comer figos (pingo de mel) mesmo por debaixo da figueira ... um aroma, doce ... que me faz , ainda hoje, ter uma espécie de culto gustativo por figueiras e figos. Não sabia o que eram pizzas, salsichas e yogurtes, esta espécie só muito mais tarde a descobri e nunca aderi. Aos Domingos reunia-se a família, vinham os outros avós, faziam-se
assados no forno de lenha e havia sempre canja (talvez por isso, hoje não sou muito apreciadora desta sopa ...).

As roupas eram feitas pela Mindinha, uma costureira, mulher de um bacalhoeiro embarcadiço, que ia a casa transformar calças em vestidos, camisas em calções e outros remedeios. Não me lembro de andar às compras. Salvo as idas à mercearia do Sr. José Branco, com a minha avó, onde ela ficava algum tempo, a falar da vida e me ia ensinando a fazer contas. Essa mercearia tinha, empilhadas em pirâmide, à entrada, barricas da sardinha amarela que iam, lá para fora, para o soldados do Ultramar (era assim que me explicavam o sentido deste aglomerado escultórico, tão exótico aos olhos de uma criança ... )

Aos seis anos comecei a ouvir falar em ir para a escola ... sentia curiosidade e inquietação ... ficava pendurada na janela a ver os miúdos a passar e pensava ... de que é que eles falam ? Quando eu for, assim, para a escola vou falar de quê, com eles ? Mas depois, fui para a escola e gostei ... mesmo com uma professora que, na primeira classe, dava réguadas que até ferviam nas mãos (tudo muito pedagógico!), entusiasmava-me a aventura de sair sozinha e de aprender coisas novas. Tinha um certo orgulho nos cadernos, na minha bata branca. O pior eram os cabelos, diariamente entrançados pela minha mãe, entre súplicas e arrepelos. Mas rapidamente me habituei ... comecei a querer mais ...

O meu pai fazia teatro amador e sempre se interessou muito por novidades musicais e literárias. Tinha em casa um sítio muito especial que eu disputava - o escritório. Prerrogativas de género ... nesse tempo, nesse meio, existia uma profunda diferenciação entre mundos de homens e mulheres, mundos de adultos e crianças ... só me restava ir ao escritório às escondidas, vasculhar tudo com imenso cuidado e não deixar rasto. Um dia correu mal ... entusiasmei-me com uns fascículos soltos de "As Maravilhas Artísticas do Mundo" (os quadros pareciam mesmo verdadeiros ... até estavam protegidos com papel de seda. Eram mesmo irresistíveis ! ), deixei tudo baralhado e à noite houve serão e missa cantada ... fiquei proibida de voltar ao escritório ! Se quisesse continuar a ler tinha que apelar à conivência da minha mãe ...

Enfim, a estória já vai longa ... e eu continuei sempre a assaltar “ escritórios “ de forma transgressora !

iv.
I Seminário Internacional da Memória e da Cultura Visual

Auditório da Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim
Sábado, 20 de Janeiro de 2007

Mais informação
http://www.museusportugal.org/news/noticia.asp?rid=00.000.0000000016037

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

PARTILHA DE CORRESPONDÊNCIA




Assunto:
MINOM-ICOM http://www.minom-icom.net/

ESTIMADOS AMIGOS DE MINOM:

LES ESCRIBO PARA SALUDARLOS Y RECORDARLES QUE ES IMPORTANTE ESTAR EN CONTACTO PERMANENTE... AHORA INICIA LA CUENTA REGRESIVA PARA ORGANIZAR EL XII TALLER INTERNACIONAL DE MINOM, MAS O MENOS PARA LOS MESES DE OCTUBRE O NOVIEMBRE DEL PRESENTE AÑO. ¿ EN DONDE SE CELEBRARA ? AL PARECER NO EXISTEN CONDICIONES ECONÓMICAS EN MEXICO E ITALIA, TAL VEZ PODRÍA SER EN FRANCIA, BRASIL, ESPAÑA O PORTUGAL..

CON RESPECTO A LOS TEMAS DE DISCUSIÓN PROPUESTOS, LES COMUNICO QUE INICIAREMOS SU RECEPCIÓN A PARTIR DEL 15 DE FEBRERO, ENVIÁNDOLOS A ESTA PRESIDENCIA O DIRECTAMENTE AL SITIO WEB DE MINOM.
www.minom-icom.net


RECIBAN UN FUERTE ABRAZO.

RAUL A. MENDEZ LUGO (MEX)
PRESIDENTE DE MINOM

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Entretanto aproveito para deixar, já aqui, a minha proposta para reflexão e comentário

A Escuta activa ! Missão prioritária do Museu no Sec XXI ...


Esta é a minha proposta e responde à necessidade sentida, de que o museu do sec XXI, OUÇA as pessoas e se comprometa na resolução dos problemas das comunidades, usando as metodologias e ferramentas da Museologia (campo multidisciplinar de acção, em prol do conhecimento e da inclusão)


SAUDAÇÔES Isabel Victor - Portugal



Livros de Antropologia em Diálogo

EXPOSIÇÃO

CEAS – 20 ANOS DE ANTROPOLOGIA EM PORTUGAL (1986-2006)

Por ocasião da celebração dos seus 20 anos vai o CEAS, em colaboração com a Biblioteca do ISCTE, organizar uma mostra/exposição bibliográfica subordinada ao tema CEAS – 20 de anos de Antropologia em Portugal (1986-2006) que estará patente ao público entre 15 e 31 de Janeiro de 2007 no hall da Biblioteca. Trata-se de expor um conjunto de obras significativas que dêem a perceber os percursos da produção antropológica realizada em Portugal ou sobre Portugal durante aquele intervalo temporal.

A exposição será acompanhada por uma brochura com um texto introdutório e a listagem dos livros.

Em paralelo com esta exposição decorrerá também um conjunto de sessões a propósito de obras emblemáticas da Antropologia em Portugal. Esta iniciativa, com o título Conversas na Biblioteca – Livros de Antropologia em Diálogo, terá como ponto de partida, em cada sessão, dois livros sobre os quais dois convidados irão conversar com o público presente. Estas sessões serão pretexto para dar conta da importância das obras nos respectivos contextos de produção antropológica em que surgiram.

Serão postos em diálogo livros que mantêm entre si afinidades do ponto de vista temático, embora produzidos em diferentes épocas.

Conversas na Biblioteca
Livros de Antropologia em Diálogo
(calendário das sessões)

16 de Janeiro, 16:30
Livro 1Pais de Brito J. & Brian O’Neill, (Orgs.) 1991 Lugares de Aqui, Lisboa: Dom Quixote.
Livro 2Lima, Antónia Pedroso de & Ramón Sarró (Orgs), 2006, Terrenos Metropolitanos. Ensaios sobre produção etnográfica, Lisboa, ICS. Diálogo a cargo de Susana Durão e Filipe Reis

30 de Janeiro, 16:30
Livro 1Freitas Branco, Jorge & Ernesto Veiga de Oliveira (Coords.), 1986, Indios da Amazónia, Lisboa: IICT.Livro 2AAVV, 1996, Voo do Arado, Museu de Etnologia, Lisboa, IPM.
Diálogo a cargo de Joaquim Pais de Brito e Jorge Freitas Branco.

http://biblioteca.iscte.pt/conversasbiblioteca.htm

domingo, 14 de janeiro de 2007


D. Quixote
Tinta da china sobre papel
Sem data
Desenho de Moita Macedo


















http://www.moitamacedo.pt/

Instituto de Estudos das Identidades e Arquivo do Património oral




Instituto de Estudos das Identidades (IEI)

Este interessante projecto de pesquisa, criado no âmbito do Museu do povo galego, apresenta-se desta forma :

En maio de 2005 o Padroado do Museo do Pobo Galego decidiu crear o (IEI), como un departamento do propio Museo. Entre os fins do IEI está o de establecer e desenvolver liñas de investigación e de intervención sociocultural nos diferentes ámbitos que lle son propios ao Museo, con especial atención ao estudo interdisciplinar da identidade galega e da súa interrelación ou comparación con outras identidades. Ao mesmo tempo, preténdese contribuír ao estudo e á formulación de posibles solucións para aqueles problemas que teñan especial relevancia para a sociedade galega, estimular a colaboración estable de novos investigadores e técnicos no marco do Museo, e promover a formación en xestión cultural.


En consecuencia con estes fins, o IEI organizará de forma periódica unha serie de foros de debate sobre temas de actualidade. O primeiro destes foros, baixo o título Territorio, Paisaxe e Identidade, ponse agora en marcha. Logo dunha primeira fase de discusión en rede ao longo do mes de xaneiro, sábado 3 de febreiro de 2007 terá lugar unha sesión pública na sede do Museo do Pobo Galego.


As persoas interesadas en participaren no foro en rede pódense rexistrar a través deste enlace.

http://foro.imaxin.com/


Participantes no foro Territorio, paisaxe e identidade


Marcial Gondar Portasany. Universidade de Santiago de Compotela, catedrático de Antropoloxía social

Doutor en Filosofía pola Universidade de Santiago de Compostela e licenciado en Socioloxía pola Universidade La Sapienza de Roma. Membro do Padroado do Museo do Pobo Galego e do IEI; membro da European Association of Social Anthropology. Autor de numerosas publicacións individuais e colectivas, entre as que cabe mencionar Antropoloxía aplicada, Santiago, USC, 2003; Crítica da Razón Galega. Entre o Nós-mesmos e o Nós-outros, Vigo, A Nosa Terra, 1993; Espiritados. Ensaios de Etnopsiquiatría galega (en colaboración con E. González), Santiago, Laiovento, 1992; Mulleres de mortos. Cara a unha antropoloxía da muller galega, Vigo, Xerais, 1991; Romeiros do Alén. Antropoloxía da morte en Galicia, Vigo, Xerais, 1989; A Morte, O Castro, Sada, Museo do Pobo Galego, 1987.


Federico López Silvestre. Universidade de Santiago de Compotela, Depto. de Historia da Arte

Doutor en Historia da Arte e profesor de Historia das Ideas Estéticas Modernas e Contemporáneas pola USC. As súas investigacións xiran en torno á idea da paisaxe, o gusto estético e o cambio da percepción provocado polas novas tecnoloxías no mundo contemporáneo. Entre as súas publicacións destacan os libros El paisaje virtual. El cine de Hollywood y el neobarroco digital (2004) e El discurso del paisaje. Historia cultural de una idea estética en Galicia (2005); e o capítulo “A xénese da paisaxe” en A paisaxe contemporánea (2006). Actualmente dirixe varios proxectos de investigación sobre a paisaxe na USC, entre eles A percepción da paisaxe urbana en Galicia (2005-2006). É membro da xunta directiva da Asociación de Arte e Estética Contemporánea. Canda a María Luisa Sobrino dirixiu as xornadas Novas estéticas da paisaxe. O eixo atlántico, celebradas no CGAC (2006) e a publicación do mesmo título.


Joan Nogué. Universitat de Girona, catedrático de Xeografía humana

É especialista en estudos de paisaxe e en pensamento xeográfico e territorial. En 1984 defendeu na Universitat Autònoma de Barcelona a primeira tese de doutoramento do Estado español sobre percepción da paisaxe. Posteriormente a súa actividade académica neste ámbito veu sendo constante. Dirixiu por encargo do Caixa Fòrum o ciclo Territoris i Paisatges entre la nostàlgia i la modernitat, como complemento da magna exposición Turner i Venècia. Actualmente dirixe o Seminari Internacional sobre Paisatge que a UIMP celebra anualmente en Olot (Girona). Codirixe a colección “Paisaje y teoría” na editorial Biblioteca Nueva de Madrid. En xaneiro de 2005 foi nomeado director do Observatori del Paisatge de Catalunya (www.catpaisatge.net)


Albino Prada Blanco. Universidade de Vigo, Depto. de Economía aplicada

Doutor en Economía e profesor de Economía de Galicia. Chegou á Universidade viguesa no momento da súa fundación, despois de ter exercido na empresa privada e na ensinanza secundaria. En 1979 recibiu o Premio da Crítica Galicia pola obra A outra economía galega e, dende entón, ten publicado diversos títulos que afondan no tema, así como dirixido numerosas investigacións sobre recursos naturais ou problemas ambientais (enerxías renovables, biomasa, mareas negras...). Dirixiu o estudo “Valoración económica del patrimonio natural” para a Fundación Barrié de la Maza (2001). É colaborador de La Voz de Galicia.


Coordinador: Xerardo Estévez Fernández, arquitecto

Estudou arquitectura na Escola Técnica Superior de Barcelona. Establecido en 1972 en Compostela, exerceu como arquitecto e urbanista e realizou traballos de investigación sobre arquitectura, planeamento e patrimonio. Entre 1983 e 1998 foi alcalde de Santiago de Compostela. En 1999 reintegrouse á práctica profesional, que simultanea coa actividade como conferenciante e escritor. Colabora con El País e La Voz de Galicia. É socio do Museo do Pobo Galego e patrón da Fundación Antonio Fraguas Fraguas.


A gata Rita na montra de uma antiga retrosaria do bairro das Fontaínhas, em Setúbal.

Todos, por lá, a conhecem . . . mas agora é também uma "Gata blogosférica" !
http://cetobriga.blogspot.com/

A senhora gata dormita tranquila, entre batas axadrezadas, camisas de pescador, atoalhados, lençóis de flanela e pijamas quentinhos, com que as avós do bairro presenteiam as meninas e meninos do coração.

A Rita, alheia a modas e franchisings, espreguiça-se ao sol, como uma raínha . . . numa montra com identidade !

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

As histórias de vidas (comuns ?) também podem ser matéria museo(lógica) ...

Ontem deixei um desafio ao Tó

in http://www.ai-o-camandro.blogspot.com/


Realmente isto será mais uma odisseia que um simples desafio mas vamos lá, aceito o repto. Comecemos então pelo básico... Será a pergunta: "O que querias ser quando eras pequeno?" ou ainda e sempre: "O que queres ser quando fores grande?" - Para responder à primeira terei primeiro de estipular quando deixei de ser pequeno, o que por si só se afigura uma ardua tarefa. Além disso compreendam a dificuldade de organizar cronologicamente todos os sonhos que tive (E ainda tenho).
Ok, estou a complicar, comecemos pelo inicio.
Digamos que antes da primária os meus verdadeiros objectivos eram muito simples, nunca sonhei em ser bombeiro, policia ou futebolista. A unica coisa de que gostava era de desenhar (principalmente bandas desenhadas), desenvolver estórias, fazer legos, criar e brincar com amigos imaginarios e pregar enormes mentiras, coisas mirabolantes e macabras com que eu atormentava os incautos com a minha já enorme capacidade de mentir. Foi este o inicio e provavelmente será este o fim desta odisseia.
Se bem me recordo, a primeira coisa que disse querer ser foi arquitecto, muito por influencia do meu pai que eu pensava sê-lo (Afinal não era nada disso mas para uma criança como eu era dificil perceber o que era um desenhador instrumentista de sistemas de oleodutos). Gostava de desenhar e pronto, arquitecto! O problema é que já então vivia em mim, por influencia da minha mãe, o gosto pelas ciências sociais e pelas artes performativas. Contudo esta primeira ambição foi ganhando consistência, ainda que pelo meio queira realmente ter sido desenhador de BD.
Como sempre a familia teve um desempenho fulcral no meu desenvolvimento... Eu realmente aliava um desempenho notavel em todas as áreas de estudo a uma mão muito firme, desenhava muito bem e ouvia sistematicamente o "tem jeitinho". A ideia foi ficando e os anos passando, eu estava realmente seguro de que seria arquitecto.
E depois BANG! Toma lá a adolescencia para ver se acordas! Aos quinze anos, convencido ainda de que seria arquitecto, decidi mudar-me de Setúbal para o Porto para completar o ensino secundário (via profissional) no, então muito conceituado, curso de desenhador projectista da Cooperativa Árvore. E foi o deslumbre, afinal o mundo e as potencialidades eram enormes! Mudei radicalmente, em tudo. Quando percebi o que era realmente a arquitectura detestei. Apaixonei-me pela música, comprei a minha primeira viola baixo e comecei a arranhar com os amigos. Enamorei-me definitivamente pelas artes performativas. Ainda não sabia o que queria ser mas, fosse o que fosse, tinha de ter público! Descobri a pintura e a literatura e foram tantas as descobertas que passado um ano e meio fui recambiado de novo para Setúbal para acalmar e acabar o 12º (Pelo menos...).
Chegado a Setúbal o reboliço continuou, ingressei no Agrupamento 2 (artes) e continuei a viver nos hobbies. Tornei-me membro de uma juventude partidária, fui bem sucedido, subi depressa e bem, achei mesmo que podia tornar-me politico de profissão. Até chegar o dia em que percebi que, afinal, a ideologia apregoada era apenas um meio para atingir um fim com o qual eu não me identificava. Protestei e fui convidado a sair do dito partido. No campo da música formei um bom grupo, tudo bons rapazes, que aliavam o pouco conhecimento na matéria a um enorme arrojo e a uma igual originalidade. A banda manteve-se por vários anos, demos concertos de norte a sul, apareciamos em jornais e revistas da especialidade, criou-se até um grupo de fans (Haha)! A coisa corria bem e claro, eu queria ser musico!... Entretanto por esta altura, dediquei-me à organização de eventos, espectáculos e concertos e também isso me cativou (Não me lembro mas também devo ter sonhado em tornar-me produtor de espectáculos).
Inacreditavelmente não descurei os estudos, nunca precisei de estudar pelo que ir às aulas me bastava para is fazendo as disciplinas, sempre ali na média do catorze, o que me permitia continuar a sonhar por fora. E ao acabar o 12º tive mais uma visão, vou ser designer! Inscrevi-me... O problema é que nessas férias fui a um casting para uma peça de teatro com o pessoal amigo. Era suposto ser uma brincadeira mas eu fui seleccionado... Começaram os ensaios, eu deixei-me envolver e lá vamos nós outra vez! Em Setembro já nem queria ir para design nenhum, eu seria actor! Mas à ultima hora lá recuperei o juizo e matriculei-me.
Design de Comunicação e Técnicas Gráficas em Portalegre, durou ano e meio e percebi que não era para mim, demasiado parado.Voltei para Setúbal completamente perdido, confesso que foi provavelmente a pior altura da minha vida no que toca à definição do meu futuro... Decidi voltar atrás. O que é que, mais que tudo o resto, ainda me apaixonava? A música. Trabalhei durante seis meses numa loja de cds, continuei a dar concertos, a gravar algumas coisas com a banda que ainda mantinha e comecei à procura de algum curso ligado à produção musical. E foi durante essas pesquisas que encontrei a Escola Superior de Teatro e Cinema. Relutantemente fiz as provas de acesso, convencido de que não entraria pois a maioria dos que concorriam já o faziam pela segunda ou terceira vez e sabiam tudo sobre a matéria, eu não. A Rute (minha namorada) foi fulcral por esta altura, confesso que sem ela não teria levado as provas até ao fim, tal era a minha descrença. Surpresa das surpresas, entrei!Supostamente acaba aqui a história mas cinema é uma coisa vasta, demasiado vasta... O curso não o acabei, decidi desistir a seis meses do fim porque já não me estavam a ensinar nada de novo. Contudo a paixão pela actividade manteve-se até hoje, trabalho em pós produçao audio embora não seja este o meu derradeiro objectivo. Sou feliz por estar onde estou, trabalho com os nomes mais sonantes da produção nacional mas não desenvolvo (ainda) uma actividade que me apaixone. Digamos que agora, aos 27 anos, volto finalmente às raizes, percebo que o cinema me serve como veiculo para contar estorias, para perpetuar a minha ansia de iludir o proximo com mentiras extravagantes, com ficção. Digamos que procuro, no cinema, voltar às minhas actividades de criança. Foi duro aqui chegar mas acredito que percorri o meu caminho e que este foi importante para hoje desenvolver o meu trabalho... Sabendo no entanto que, se voltasse atrás, tudo seria diferente. Provavelmente tinha enveredado pelas ciências sociais, tinha feito sociologia ou antropologia e só depois cinema (Sim porque, no meio de todas estas indefinições, de uma coisa estou certo. Descobri uma actividade capaz de abordar muitas outras e talvez seja realmente isso o que eu procuro).
Pelo meio ficam outras estórias, muitas. Desde querer desistir de tudo e correr mundo com a mochila às costas. Tornar-me operário da construção civil, onde trabalhei, para não ter de me chatear com as minhas próprias indecisões. Ser, apenas e só escritor. Trabalhar como vendedor na Cabovisão. Dedicar-me ao cooperativismo. Desenvolver o documentarismo jornalistico. Sei lá, foram tantas...
Portanto a pergunta mantém-se e, para alguém como eu, faz-se diariamente: "Pensa bem, o que queres ser quando fores grande?"

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Os poetas e os museus

Museu de tudo

João Cabral de Melo Neto (1920 - 1999)

Este museu de tudo é museu
Como qualquer outro reunido;
Como museu, tanto pode ser
Caixão de lixo ou arquivo.
Assim, não chega ao vertebrado
Que deve entranhar qualquer livro:
É depósito do que aí está,
Se fez sem risca ou risco

http://www.revista.iphan.gov.br/secao.php?id=3&ds=19


Personalidade sensível, obsessiva, angustiada e fascinante. O poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto recebeu inúmeros prêmios literários importantes como o New Stadium International Prize, em 1992, nos Estados Unidos e na Espanha, em 1994, o prêmio Rainha Sofia de Poesia pelo conjunto de sua obra. Além disso João Cabral foi, durante vários anos, um dos fortes candidatos ao Nobel de Literatura, mas estes fatos não abalaram ou comoveram o escritor que não acreditava em vitórias literárias.

Coerente com sua idéias, João Cabral não gostava de dar entrevistas e receber homenagens. Em 1968, quando sua original poesia ainda provocava impacto nos meios literários, o sempre polêmico Cabral, num depoimento para o disco " Cabral por ele mesmo", chegou a afirmar que se considerava um marginal da poesia luso-brasileira ao definir-se como poeta.Ouça:
Depoimento de João Cabral sobre sua poesia em gravação de 1985 para a Som Livre Como ouvir?

Nos últimos anos de sua vida ele estava quase cego (o que o impedia de ler e escrever ) e enfrentava muitos problemas de saúde. Mesmo assim o poeta continuava com grande vitalidade intelectual. Exigente e corajoso, nunca se sentia plenamente satisfeito como criador. Considerava que sua obra estava ainda em processo. Poesia é risco, costumava avaliar.Veja:
Depoimento gravado em 1997 - o poeta reavalia sua declaração de 1985 150k 56k Como ouvir?

in http://www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/joaocabral/joaocabral1.htm



terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Museus de proximidade


Sem cerimónias!

O Museu do Trabalho Michel Giacometti surpreende os vizinhos ...

Entra nos nos cafés, lojas, escritórios das redondezas e fala com as pessoas sobre problemas e aspirações comuns. Um projecto museológico em
desenvolvimento ... um estudo a apresentar brevemente.

http://www.rpmuseus-pt.org/Pt/cont/fichas/museu_94.html




Os poetas e os museus

Museu da Inconfidência
Carlos Drummond de Andrade

São palavras no chão
E memórias nos autos.
As casas inda restam,
Os amores, mais não

E restam poucas roupas,
Sobrepeliz de pároco
E vara de um juiz,
Anjos, púrpuras, ecos

Macia flor de olvido,
Sem aroma governas
O tempo ingovernável.
Muitos pranteiam. Só.

Toda a história é remorso.

http://www.revista.iphan.gov.br/secao.php?id=3&ds=19

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

PRINCÍPIOS DE BASE DE UMA NOVA MUSEOLOGIA

http://www.revistamuseu.com.br/legislacao/museologia/quebec.htm


DECLARAÇÃO DE QUEBEC - 1984

Introdução
Um movimento de nova museologia tem a sua primeira expressão pública e internacional em 1972 na “Mesa- Redonda de Santiago do Chile” organizada pelo ICOM. Este movimento afirma a função social do museu e o caráter global das suas intervenções.


Proposta
1. Consideração de ordem universal

A museologia deve procurar, num mundo contemporâneo que tenta integrar todos os meios de desenvolvimento, estender suas atribuições e funções tradicionais de identificação, de conservação e de educação, a práticas mais vastas que estes objetivos, para melhor inserir sua ação naquelas ligadas ao meio humano e físico.Para atingir este objetivo e integrar as populações na sua ação, a museologia utiliza-se cada vez mais da interdisciplinariedade, de métodos contemporâneos de comunicação comuns ao conjunto da ação cultural e igualmente dos meios de gestão moderna que integram os seus usuários.Ao mesmo tempo que preserva os frutos materiais das civilizações passadas, e que protege aqueles que testemunham as aspirações e a tecnologia atual, a nova museologia – ecomuseologia, museologia comunitária e todas as outras formas de museologia ativa – interessa-se em primeiro lugar pelo desenvolvimento das populações, refletindo os princípios motores da sua evolução ao mesmo tempo que as associa aos projetos de futuro.Este novo movimento põe-se decididamente ao serviço da imaginação criativa, do realismo construtivo e dos princípios humanitários definidos pela comunidade internacional. Torna-se, de certa forma, um dos meios possíveis de aproximação entre os povos, do seu conhecimento próprio e mútuo, do seu desenvolvimento cíclico e do seu desejo de criação fraterna de um mundo respeitador da sua riqueza intrínseca.Neste sentido, este movimento, que deseja manifestar-se de uma forma global, tem preocupações de ordem científica, cultural, social e econômica.Este movimento utiliza, entre outros, todos os recursos da museologia (coleta, conservação, investigação científica, restituição, difusão, criação), que transforma em instrumentos adaptados a cada meio e projetos específicos.
2. Tomada de posição

Verificando que mais de quinze anos de experiências de nova museologia – ecomuseologia, museologia comunitária e todas as outras formas de museologia ativa – pelo mundo foram um fator de desenvolvimento crítico das comunidades que adotaram este modo de gestão do seu futuro.Verificando a necessidade sentida unanimemente pelos participantes nas diferentes mesas de reflexão e pelos intervenientes consultados, de acentuar os meios de reconhecimento deste movimento;Verificando a vontade de criar as bases organizativas de uma reflexão comum e das experiências vividas em vários continentes;Verificando o interesse em se dotar de um quadro de referência destinado a favorecer o funcionamento destas novas museologias e de articular em consequência os princípios e meios de ação;Considerando que a teoria dos Ecomuseus e dos museus comunitários (museus de vizinhança, museus locais...) nasceu das experiências desenvolvidas em diversos meios durante mais de 15 anos.É adotado o que se segue:
A - que a comunidade museal internacional seja convidada a reconhecer este movimento, a adotar e a aceitar todas as formas de museologia ativa na tipologia dos museus;
B - que tudo seja feito para que os poderes públicos reconheçam e ajudem a desenvolver as iniciativas locais que colocam em aplicação estes princípios;
C - que neste espírito, e no intuito de permitir o desenvolvimento e eficácia destas museologias, sejam criadas em estreita colaboração as seguintes estruturas permanentes:
Um comitê internacional “Ecomuseus/ Museus comunitários” no quadro do ICOM (Conselho Internacional de Museus);
Uma federação internacional da nova museologia que poderá ser associada ao ICOM e ao ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios), cuja sede provisória será no Canadá;
D - que seja formado um grupo de trabalho provisório cujas primeiras ações seriam: a organização das estruturas propostas, a formulação de objetivos, a aplicação de um plano trienal de encontros e de colaboração internacional.


Quebec, 12 de Outubro de 1984.
Adotado pelo I Atelier Internacional Ecomuseus/ Nova Museologia


Fonte: PRIMO, Judite. Museologia e Patrimônio: Documentos Fundamentais – Organização e Apresentação. Cadernos de Sociomuseologia/ nº 15, Págs.189-191; ULHT, 1999; Lisboa, Portugal.

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