sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

(Delirio)dendron _______________________

Rendi-me ao majestoso tulipeiro da Virgínia (Liriodendron tulipifera) plantado no sec. XVIII. Este monumento vegetal é uma das mais notáveis espécies dos Jardins Barrocos do Palácio dos Biscaínhos, em Braga. Um delírio serpentear por estes caminhos. A névoa dá-lhe um tom dramático, uma intangível beleza. Narcisos, magnólias, anjos e meninos músicos.




quarta-feira, 12 de janeiro de 2011


Não vás para tão longe!
Vem sentar-te
Aqui na chaise-longue, ao pé de mim...
Tenho o desejo doido de contar-te
Estas saudades que não tinham fim.

Não vás para tão longe;
Quero ver
Se ainda sabes olhar-me como d'antes,
E se nas tuas mãos acariciantes,
Inda existe o perfume de que eu gosto.

Não vás para tão longe!
Tenho medo
Do silêncio pesado d'esta sala...
Como soluça o vento no arvoredo!
E a tua voz, amor, como se cala!

Não vás para tão longe!
Antigamente,
Era sempre demais o curto espaço
Que havia entre nós dois...
Agora, um embaraço,
Hesitas e depois,
Com um gesto de tédio e de cansaço,
Achas inconveniente
O meu abraço.

Não vás para tão longe!
Fica. Inda é tão cedo!
O vento continua a fustigar
Os ramos sofredores do arvoredo,
E eu ponho-me a pensar
E tenho medo!

Não vás para tão longe!
Na sombra impenetrada,
Como se agita e se debate o vento!...
Paira nas velhas ruínas do convento

Que além se avista,
A alma melancólica d'um monge
Que a vida arremessou àquela crista...

Céu apagado, negro, pessimista,
E tu sempre mais longe!... 






























Fernanda de Castro
, "Distância"

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