domingo, 27 de junho de 2010

Ruas das Fontaínhas, em Setúbal _  um caminho de todos os dias





Poema Quotidiano







É tão depressa noite neste bairro
Nenhum outro porém senhor administrador
goza de tão eficiente serviço de sol
Ainda não há muito ele parecia
domiciliado e residente ao fim da rua
O senhor não calcula todo o dia
que festa de luz proporcionou a todos
Nunca vi e já tenho os meus anos
lavar a gente as mãos no sol como hoje
Donas de casa vieram encher de sol
cântaros alguidares e mais vasos domésticos
Nunca em tantos pés
assim humildemente brilhou
Orientou diz-se até os olhos das crianças
para a escola e pôs reflexos novos
nas míseras vidraças lá do fundo






Há quem diga que o sol foi longe demais
Algum dos pobres desta freguesia
apanhou-o na faca misturou-o no pão
Chegaram a tratá-lo por vizinho
Por este andar... Foi uma autêntica loucura
O astro-rei tornado acessível a todos
ele que ninguém habitualmente saudava
Sempre o mesmo indiferente
espectáculo de luz sobre os nossos cuidados
Íamos vínhamos entrávamos não víamos
aquela persistência rubra. Ousaria
alguém deixar um só daqueles raios
atravessar-lhe a vida iluminar-lhe as penas?






Mas hoje o sol
morreu como qualquer de nós
Ficou tão triste a gente destes sítios
Nunca foi tão depressa noite neste bairro






Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"









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terça-feira, 15 de junho de 2010

Castelo de Paderne _ Lugar mágico









Projecto de Educação Artistica e Cultural da Direçcão Regional de Cultura do Algarve
http://www.cultalg.pt/





Recorrer à Arte, neste caso à fotografia pelo método Pinhole e ao minucioso processo de revelação manual, para exprimir o conhecimento e a emoção que o património nos transmite. Envolver crianças e jovens que vivem nas margens, à margem, acolhidas por instituições locais (Misericórdia), convidá-las a entrar no mundo mágico destes lugares. Descobrirem-se, descobrirem-nos ___________ um prodígio.







__________Enquadramento:


Vasco Célio (fotógrafo) ; Tânia Borges (psicóloga) , " Ateliers Educativos "


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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Marina de Lagos. Descanso aqui o olhar _____________________________________




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Saudoso já deste Verão que vejo.

Lágrimas para as flores dele emprego
Na lembrança invertida
De quando hei-de perdê-las.
Transpostos os portais irreparáveis
De cada ano, me antecipo a sombra
Em que hei-de errar, sem flores,
No abismo rumoroso.
E colho a rosa porque a sorte manda.
Marcenda, guardo-a; murche-se comigo
Antes que com a curva
Diurna da ampla terra.


Ricardo Reis, in "Odes"












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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Um post para colar no frigorifico !

Museu Escher . Haia . 2009

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A Rede de Museus do Algarve – RMA, promove uma iniciativa conjunta onde, pela primeira vez, se abordam os últimos mil anos da história e da cultura algarvia. “Algarve – Do Reino à Região” abarca a herança material e espiritual que, do Gharb al-Andalus à actualidade, tem vindo a moldar e caracterizar a identidade deste território, no sul de Portugal.




Trata-se de uma exposição estruturada em 13 exposições -tema, que decorrem em simultâneo, que se articulam e complementam, distribuídas pelos vários centros urbanos, numa cooperação pioneira entre autarquias, museus, instituições sociais, universidades, centros de investigação, especialistas de diferentes áreas científicas e culturais (museologia, arqueologia, arquitectura, história, geografia, sociologia, antropologia, etnologia) e as populações dos vários municípios algarvios.



Albufeira, Alcoutim, Castro Marim, Faro, Lagos, Loulé, Olhão, Portimão, São Brás de Alportel, Silves, Tavira e Vila Real de Santo António convidam o público a uma visita às exposições “Do Reino à Região”, bem como a conhecer o seu património, matriz cultural e a evolução histórica das suas comunidades.








 As exposições:






• “Alcoutim, Terra de Fronteira” – Câmara Municipal de Alcoutim


Através de um aprazível percurso pela vila de Alcoutim desvenda-se o seu crescimento urbano, associado à consolidação dos limites do Reino e ao controlo do comércio fluvial, a importância do rio e as suas relações com Sanlúcar do Guadiana.


• “Castro Marim, Baluarte Defensivo do Algarve” – Câmara Municipal de Castro Marim

Castro Marim, terra de fronteira, implantada numa colina sobranceira à foz do Guadiana, constituiu sempre o principal baluarte defensivo de um Algarve constantemente ameaçado por Mouros e Castelhanos.

• “O Reino dos Algarves de Aquém e para Além Mar / Algarbia Cartographica – Leituras e Resenha da Cartografia Regional” – Câmara Municipal de Lagos


Dois núcleos expositivos que retratam o Algarve na sua dimensão histórica e espacial, como local de partida e de chegada. O primeiro enfoca o Algarve como palco da expansão ultramarina, o segundo cartas de grande importância histórica e artística.

• “Do Gharb ao Algarve: Uma Sociedade Islâmica no Ocidente” – Câmara Municipal de Silves

Com uma centena de peças se ajuda a contar a história de um território. Do Gharb ao Algarve fala-nos de um tempo passado (sécs. VIII-XIII), mas também das continuidades que ajudam a compreender a região actual.

“Vila Real de Santo António e o Urbanismo Iluminista” – Câmara Municipal de Vila Real de Santo António

Vila Real de Santo António foi idealizada de raiz de forma a funcionar como “cidade fábrica”, apresenta-se-nos como um exemplo único no panorama português, incomparável a qualquer outra obra da mesma época. É, por excelência, a Cidade do Iluminismo em Portugal.

• “Os Descobrimentos Portugueses” – Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão

Com a presente mostra, pretendem-se evocar os desenvolvimentos que permitiram o sucesso das navegações de descobrimento portuguesas nos séculos XV e XVI, nomeadamente através de três vectores: navios, cartografia e navegação astronómica.

• “Os Compromissos Marítimos no Algarve” – Museu da Cidade de Olhão

A exposição propõe um olhar sobre as diferentes dimensões em que operavam os Compromissos Marítimos, associações de mareantes, também conhecidas por Irmandades ou Confrarias do Corpo Santo, e que tiveram forte impacto nas comunidades onde foram criados.

• “Manuel Teixeira Gomes – Entre dois séculos e dois regimes”, “Portimão – Território e Identidade” – Museu de Portimão

Um percurso na viragem do séc. XIX, entre a Monarquia e a I República, sobre a vida e obra de Manuel Teixeira Gomes, e a evolução de Portimão, sua terra natal, na passagem de vila rural e cidade industrial.

• “Outras Viagens, Outros Olhares” – Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira

Venha descobrir outros Algarves, numa viagem através do olhar dos outros! Dos viajantes do séc. XIX, aos testemunhos dos veraneantes de hoje, passando pelos curiosos olhares dos primeiros turistas.

• “Sombras e Luz – O Século XIX no Algarve” – Museu do Trajo de S. Brás de Alportel

Numa incursão em ambientes da época, um belo edifício oitocentista recria vivências domésticas, sociais e laborais com pinceladas de etiqueta, educação, religião, música e alguns momentos de interactividade.

• “Algarve Visionário, Excêntrico e Utópico” – Museu Municipal de Faro

Esta exposição estabelece o século XX como campo de pesquisa, propondo uma releitura da inalienável multiplicidade e radical individualidade que caracteriza o território do Algarve enquanto lugar de reflexão, inspiração e criação.

• “Mendes Cabeçadas e a Primeira República no Algarve” – Museu Municipal de Loulé

Esta exposição sobre José Mendes Cabeçadas Júnior (1883-1965) mostra o militar, o político e opositor a Salazar. Apresenta também os principais eixos do republicanismo português no Algarve.

• “Cidade e Mundos Rurais” – Museu Municipal de Tavira

Tavira e os “mundos rurais, do período islâmico à actualidade, numa perspectiva pluridisciplinar. Os usos do território, arquitecturas, economias, festividades, musicologia,… Plantas, mapas, objectos, filmes, fotos, trechos musicais,…





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domingo, 6 de junho de 2010




Foto. Katarzyna Widmańska






Quem não compreende um olhar, tampouco compreenderá uma longa explicação


Mário Quintana











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