sexta-feira, 30 de novembro de 2007


O livro já está nos escaparates da " Bulhosa " - no Campo Grande. Lisboa
Mais informações :
t: +351 296 929 084
www.outrora.pt
E ... a propósito
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"Sabemos que anda em marcha uma campanha para obliterar a nossa rica cultura e as baixas vão-se contando com alarmante velocidade em lugares estratégicos dos pensadores que são rotulados (por quem?) de dispensáveis. A verdade é que há uma cultura latente que de vez em quando faz emergir a coragem de voltar aos clássicos e ter curiosidade por aquilo que escreveram e pensaram. Por isso é bom lembrar um português que se soube distinguir nas letras e no pensamento identitário. Será melhor ainda que outros venham à tona da água e, por mãos hábeis como as deste autor, revelar o que pensam. No nosso tempo o que mais importa é fazer perguntas aos velhos autores, novas perguntas, porque eles estão cheios de respostas antigas e provadas para as gerações cheias de angústias e dúvidas. Porque é que se lê ainda Camões, porque é que se lhe fazem perguntas? Trata-se, como Amador Arrais, de uma múmia ou de um autor dos nossos dias com quem se pode dialogar na mesma linha, na mesma cultura, com inteligência igual? Ou não: tudo deverá ser enviado para a cave nacional para que os novos acordados e saídos de um filme de Carpenter tomem conta das ocorrências. "

Texto de António Marques Bessa (contra-capa)

SINAL STOP ! PARAR PARA PENSAR ...

Experiências em e-inclusão nos museus – o estado da arte

3 de Dezembro de 2007, Lisboa


Debate integrado na reunião ministerial dedicada à política europeia de e-inclusão
Organização: Comissão Nacional Portuguesa do ICOM


Informações e contactos:
Apartado 141441050-998 Lisboa

info@icom-portugal.org
http://www.icom-portugal.org/

Fonte: Site Rede Portuguesa de Museus

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Clicar em cima da imagem para aumentar
Fotografia iv


GLOSA DE NATAL

A estação dos Natais comercializados chegou. Para quase toda a gente – fora os miseráveis, o que faz muitas excepções – é uma paragem quente e clara no Inverno cinzento. Para a maioria dos celebrantes de hoje, a grande festa cristã fica limitada a dois grandes ritos: comprar de maneira mais ou menos compulsiva, objectos úteis ou não, e empanturrar-se a si e às pessoas da sua intimidade, numa mistura indestrinçável de sentimentos em que entram igualmente a vontade de dar prazer, a ostentação e a necessidade de se divertir. E não esqueçamos os pinheiros, símbolos antiquíssimos que são a perenidade do mundo vegetal, sempre verdes, trazidos da floresta para acabarem morrendo ao calor dos fogões, e os teleféricos despojando esquiadores na neve inviolada.



Embora não sendo nem católica (excepto de nascimento e de tradição), nem protestante (excepto por algumas leituras e influências de alguns grandes exemplos), nem mesmo cristã no sentido pleno do termo, nem por isso me sinto menos levada a celebrar esta festa tão rica de significados e o seu cortejo de festas menores, o São Nicolau e a Santa Lúcia do Norte, a Candelária e os Reis. Mas limitemo-nos ao Natal, esta festa que é de nós todos. Trata-se de um nascimento, de um nascimento como todos deveriam ser, o de uma criança esperada com amor e respeito, trazendo em si a esperança do mundo. Trata-se dos pobres: uma velha balada francesa canta Maria e José procurando timidamente em Belém uma hospedaria para as suas posses, sempre desprezados em favor de clientes mais ricos e reluzentes e por fim insultados por um patrão que “detesta a pobralhada”. É a festa dos homens de boa vontade, como dizia uma admirável fórmula que infelizmente já nem sempre se encontra nas versões modernas dos Evangelhos, desde a serva surda-murda que ajudou Maria no parto até ao José aquecendo fraldas do recém-nascido diante do pequeno fogo, aos pastores, cobertos de sebo mas julgados dignos das visitas dos anjos. É a festa de uma raça tantas vezes desprezada e perseguida, porque é judeu o recém-nascido do grande mito cristão ( falo do mito com respeito, e emprego a palavra no sentido dos etnólogos modernos, significando as grandes verdades que nos ultrapassam e de que precisamos para viver.)



É a festa dos animais que participam no mistério sagrado desta noite, maravilhoso símbolo de que São Francisco e alguns outros santos sentiram a importância, mas que os cristãos comuns desprezam, não procurando nele inspiração. É a festa da comunidade humana, porque é, ou será dentro de dias, a dos três Reis cuja lenda quis que um fosse preto, alegoria viva de todas as raças da Terra levando ao Menino a variedade dos seus dons. É a festa da alegria, mas também da dor, pois que a criança hoje adorada será amanhã o Homem das Dores. É enfim a festa da própria Terra, que nos ícones da Europa do Leste vemos tantas vezes prosternada à entrada da gruta onde o Menino nasceu, a mesma Terra que na sua marcha atravessa nesse momento o ponto do solstício de inverno e nos arrasta a todos para a primavera. Por esta razão, antes que a Igreja tivesse fixado o nascimento de Cristo nesta data, ela era já, nos tempos antigos, a festa do sol.

Parece que não é mau lembrar estas coisas que toda a gente sabe e que tantos esqueceram.

Marguerite Yourcenar
in "O Tempo, esse grande escultor".

quarta-feira, 28 de novembro de 2007


Palavras silenciosas atravessam o caminho da verdura ...





São de granito estas pedras em que me enrolo (...)



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São " Cursos de água " de Ângela Marques Neste perfil in.completo
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terça-feira, 27 de novembro de 2007


( ... )

a casa quente
o açúcar em ponto de pérola e as gemas para o pudim do abade
as maçãs reineta cobertas de massa de areia
o chocolate negro negro
para a mousse e o fondant
o vinho quente com especiarias e gomos de laranja
o doce de leite
a porcelana de flor de pessegueiro
e eu sem galhos para acender o fogão

pela tarde vestir-me-ei de negro serei minhota
enfiarei contas de oiro de viana
pendentes de oiro puro, arrecadas
flores na casa quente para honrar os que virão

( ... )




Chama de jasmim. doces de "blue" neste cedo . muito cedo ...
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segunda-feira, 26 de novembro de 2007


“Le Patrimoine Culturel Immatériel de l’Europe:

inventer son inventaire”
Colloque 30 novembre 2007

L’Institut national du patrimoine - INP
Auditorium Colbert, 2 rue Vivienne,
75 002 Paris



Au 1er février 2007, 74 États ont ratifié la convention de l’UNESCO sur le patrimoine culturel immatériel. Ce texte élargit la notion de patrimoine aux rites, coutumes, chants, danses et savoir-faire traditionnels et insiste sur l’implication des communautés dans la valorisation de leur patrimoine : il constitue pour nos pays européens un nouveau défi. L’objectif de cette rencontre, qui réunira des spécialistes européens (universitaires, membres d’institutions culturelles), est de développer la réflexion sur ce sujet en confrontant les différentes méthodes de réalisation des inventaires du patrimoine immatériel.



Programa
Comunicado de Imprensa

sexta-feira, 23 de novembro de 2007




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A filosofia epicuréia, esse leito estreito, mas limpo.

"Memórias de Adriano"





E ... a propósito de Tags, Taggers , Tagging e outras "etiquetagens" espreite
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Cartaz da autoria de Dina Cruz


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Sábado, no Museu do Trabalho, mais uma Tarde Intercultural dedicada ao tema " Não trabalho " que também poderia ser " Não condição ". Negação.




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Das 15 ás 18 horas
No Largo dos defensores da República


quinta-feira, 22 de novembro de 2007

China coloniza África

escritor Henning Mankell

País cheio de pobres, a China exporta-os para África. Aqui, os Chineses comportam-se como autênticos colonizadores, como os Portugueses, uma forma terrível de colonização, os Africanos são mal tratados por eles. Podemos fazer aos pobres não importa o quê. Se África se enche de Chineses, é claro que Moçambique também. E chegando, levam as matérias-primas. Ora, os dirigentes de Moçambique tiram proveito financeiro desta política - eis o que diz, entre outras coisas, o escritor sueco Henning Mankell, um dos romancistas mais lidos no mundo, que vive há mais de 20 anos com um pé em Moçambique e outro na Suécia, ele, que é genro do grande cineasta Ingmar Bergman (casou-se com Eva Bergman, filha de Bergman, recentemente falecido) e que se prepara para publicar um livro que se vai chamar "O chinês" (com base do trabalho de pesquisa feito na China e em África). Leia aqui, em francês, uma entrevista exclusiva, com o título "O que me revolta", que deu ao Nouvel Observateur (se não sabe francês, use o tradutor que se encontra do lado direito deste diário, logo logo a seguir à galeria de fotos do BUMBzee). E muito obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio da referência.
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in Carlos Serra Diário de um sociólogo


História esquecida
de uma operária assassinada
pela Guarda Republicana
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(chamava-se Mariana Torres ...)
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Há 96 anos, as mulheres das fábricas de Setúbal, com sa­­lários que oscilavam entre os 350 e os 400 reis, exigiam au­­mentos de 50 reis por hora. O advento das máquinas de sol­dar e a crise da indústria conserveira ameaçavam pôr no desemprego milhares de operários. Declarada a greve a 21 de Fevereiro de 1911 – tinha a República cinco meses –, de­pressa se revelou a intransigência dos patrões. Sucederam--se os incidentes violentos, ao ponto de o administrador do concelho encerrar duas associações operárias e banir da cidade dois sindicalistas. No dia 25 de Fevereiro, o opera­ria­do de Setúbal declarou a greve geral. Foram enviados para a cidade vários contingentes militares e a canhoneira Zaire. Os trabalhadores, intimidados, regressaram ao traba­lho no dia 28, mas não as mulheres: recusavam retomar o tra­balho enquanto não lhes dessem os aumentos de salário. Os industriais respondem então com o lock-out. A 13 de Março, dão-se confrontos na fábrica Costa e Carvalho, in­va­dida pelas grevistas quando se apercebem de que mulheres da família do patrão as substituíam no trabalho de enlatar o peixe. São insultadas e agredidas por alguns dos 50 solda­dores presentes (os soldadores, categoria mais bem paga, não tinham aderido à greve). Paulino de Oliveira, re­publi­cano conhecido e irmão da proprietária, chega ao pon­to de dar chibatadas a várias mulheres. Em seguida, co­mo as mu­lheres vaiassem os soldados da Guarda Repu­blicana que protegiam as carroças de peixe em serviço na fá­brica, a guar­da carregou, dispersando as grevistas a tiro e à coronhada. Entre os operários, muitos feridos e dois mor­tos: Mariana Torres e António Mendes. Todas as fábricas reabriram na segunda semana de Abril, com as operárias e os operários derrotados e de luto. Signifi­ca­tivamente, da jovem operária assassinada nada se sabe, e até o seu nome se perdeu nos relatos, só muito mais tarde tendo sido recuperado.Dois dias depois dos assassinatos de Setúbal tinha-se rea­­lizado em Lisboa uma reunião de protesto de represen­tantes das associações operárias e a 20 de Março foi procla­mada uma paralisação do trabalho por 24 horas, reclaman­do a demissão do administrador do concelho de Setúbal, a readmissão de alguns dos despedidos e a libertação dos ope­rários que tinham sido presos. Muitos milhares de ope­rários de Lisboa abandonaram as fábricas e oficinas em apoio dos seus camaradas setubalenses.Aquela tarde de 13 de Março, ao fim de três semanas de con­flito, foi “a primeira nódoa de sangue na República”(1) e “um dos [seus] mais tremendos pesadelos”(2) . E também um grande revés para as mulheres, que passaram a trabalhar 9 horas em vez de 8, e para os moços de fábrica, que pas­sa­ram a receber pelo trabalho nocturno 40 reis, quando antes recebiam 50. O sindicalista Carlos Rates, que animara a greve, foi detido(3).Uma feminista contraditóriaA sangrenta repressão na fábrica Costa e Car­va­lho pôs em causa Ana de Castro Osório, a mais ilus­tre feminista da época, pela sua ligação familiar à dona da fábrica e a Paulino de Oliveira, seu marido. Criticada no Germinal de Se­túbal pelo anarquista Martins dos Santos(4), Ana de Castro Osório respondeu, em artigo no Radical (propriedade de seu marido), que “a greve das mulheres das fábricas de con­serva foi extemporânea e, mais ainda, injusta”. Discorda­va que se transformasse a associação num órgão reivindicativo e aconselhava antes as operárias a cotizar-se para fundar uma escola primária para elas e para os filhos. Acusava a gre­­ve de “ser estimulada e aproveitada pelos que nutrem ódio à República” e as grevistas de serem manipuladas como “carne de canhão para o triunfo dos superiores”, isto é, os ope­rários soldadores das fábricas de conservas. Em resposta à alegação das operárias de que defendiam o pão dos seus filhos, Ana de Castro Osório justificava que “os fabricantes também defendem o dos seus” e “lutam para sustentar uma indústria que não tem grandes condições de resistência”. Como os sindicalistas, em resposta, organizam o boicote à venda do jornal, O Radical contra-ataca, a 6 de Abril: “O pouco senso, menos desculpável até que o das mulheres, de todo incultas e inexperientes, chegou à loucura de tenta­rem uma greve geral – querendo bloquear burgueses e não bur­gueses, a cidade inteira, pela fome, pela sede, e até pela… imundície amontoada!” Por último, numa derradeira edição, o jornal republicano ataca “As mulheres… desgovernadas”: “Até as mais intransigentes, as mais danadas, já vão solicitar bilhetinho, um cartão misericordioso, que lhes permita obter trabalho noutras fábricas!… (…) Malditos!(5)”A amargura veemente desta praga estava relacionada com a iminente partida do casal e o fecho inesperado do jor­nal. Com efeito, em Maio, Ana de Castro Osório acom­panhou ao Brasil o marido, subitamente nomeado cônsul de Portu­gal em S. Paulo, numa ausência que alguns equi­pararam a exí­lio. Regressada a Portugal em 1913, a feminista não mais retornou a Setúbal e passou a residir em Lisboa.Na cidade sadina, e durante vários anos, a data do 13 de Mar­ço foi assinalada com concorridas manifestações públi­cas de protesto junto às campas dos grevistas mortos, segui­das de sessões de propaganda promovidas pelas associações operárias.A República e as mulheres do povoA Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, organizada em 1909 por Ana de Castro Osório, nunca teve mais de 500 aderentes. A sua desmoralização ter-se-á acen­tuado quando, a 14 de Março desse ano de 1911, o Partido Re­pu­blicano aprovou a lei eleitoral sem consagrar o sufrágio uni­versal, como sempre prometera, deixando de fora pratica­mente todas as mulheres. Os incidentes da greve e a polémi­ca gerada em volta das posições assumidas por Ana de Cas­tro Osório terão contribuído também para este afasta­mento em massa.Dias depois dos dramáticos incidentes de Setúbal, esta es­­crevia, em resposta a uma operária que se queixava do de­­sinteresse das intelectuais em educar as operárias: “A mu­lher do povo é que, em geral, não tem correspondido à boa vontade que as intelectuais têm tido para com ela, malsinan­do-lhe os seus intuitos umas vezes, desconhecendo-os ou­tras, e ainda outras acolhendo todas as iniciativas que lhes cum­pria auxiliar com a sua presença e boa vontade, com a mais escarninha indiferença”. E concluía, numa nota em que fica patente a decepção: “Em todas as terras onde as senhoras que pertencem à Liga têm tentado chamar a si a mulher do povo, pouco ou nada se tem conseguido”(6).Esta atitude reflecte o sentimento geral das restantes re­­pu­­blicanas daquele tempo. Longe ia já o tempo em que Ana de Castro Osório via com entusiasmo a luta social: “…A mulher tem o direito, mais, tem o dever de entrar na lide e, ao lado do oprimido, do fraco, pugnar pela felicidade ou pela menor desgraça dos que sofrem”.(7) Aliás, por esta al­tura, e certamente para marcar a sua distância em relação a determinadas sensibilidades na Liga, ela fundou, com ou­tras, a Associação de Propaganda Feminista, cujo fim era “ele­­var a mulher pela educação e pela instrução”. Num dis­curso de 1912, dirá: “A nossa luta não é, por agora, a cam­panha frondista das ruas e dos comícios. Não! Deixemos a outras esse papel glorioso e ruidoso que é necessário tam­bém, e caminhemos nós, sem nos hostilizarmos mutuamen­te, porque todas as propagandas femininas são úteis…”(8) O núcleo de 200 a 300 burguesas combativas que antes de 1910 liderava esse movimento de opinião – irmãs de lu­ta dos políticos republicanos – prosseguirá, agora virado para dentro, a sua estratégia de classe, que deixava de fora a grande maioria das portuguesas. A visibilidade da causa fe­minista declina a partir de 1913, quando se torna claro que o grupo parlamentar republicano nunca consagrará o di­reito de voto para todas as mulheres, já para não falar na igual­dade na família, no trabalho e na educação.O feminismo anti-operário, tornado dominante, limitará a sua actividade aos aspectos associativos e assistenciais e ao apoio incondicional à política dos dignitários republica­nos (incluindo a campanha para o alistamento no Corpo Ex­­pedicionário Português que irá combater em França), ape­­sar do apoucamento das suas reivindicações mais avança­das por parte daqueles. As mulheres das outras classes fi­ca­ram votadas ao ostracismo.À medida que se ia afirmando o carácter burguês do mo­­vimento de emancipação, também nas lutas operárias dei­­xaram de ter lugar os ideais feministas, tornados impopulares e considerados como uma causa estranha à classe. Co­mentários deste género eram frequentes: “A mulher quer o voto? Não! Faço-lhe essa justiça. Quem o pretende é uma re­duzida minoria de ambiciosas de espírito tacanho, que nada mais vêem que a bonita figura que poderiam vir a fa­zer num parlamento, falando e discutindo, rubras, indi­gnadas, em rasgos sublimes de oratória.”(9) Foi o descaso dos republicanos em geral pela condição fe­minina nas camadas laboriosas e o desprezo dos seus su­ces­­sivos governos pelas cidadãs que proporcionou a Salazar, em 1928, um forte apoio das mulheres do povo. A “penúria agradável” da “casa portuguesa” em que o dita­dor as quis fazer viver, sendo já outra história, é no entanto a conse­quência desta.
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Texto de Ana Barradas
In "Greve das conserveiras de Setúbal"

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Fontes :


(1) O Radical, 19 de Março.
(2) O operariado e a República Democrática, 1910-1914, p. 265.
(3) Carlos Rates, mais tarde fundador do Partido Comunista, era então dirigente da Associação dos Trabalhadores e da União Local de Trabalhadores.
(4) Germinal, 25/2/1911.(5) O Radical, a 27 de Abril.
(6) O Radical de 6/4/1911, “Feminismo – Resposta a uma operária”, p. 2, col. 3.
(7) Às mulheres portuguesas, 1905.
(8) Sessão de 12/5/1912.
(9) Germinal, 10/5/1913.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007


Fotografias realizadas por Maria Miguel. Trabalho de campo - Arquivo Museu do Trabalho












A Fundação Mário Soares e o Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa realiza nos dias 22 e 23 de Novembro de 2007 um Seminário Internacional sobre o tema genérico Memória e Testemunhos Orais.


O Seminário Internacional Memória & Testemunhos Orais pretende dar a conhecer e discutir o estado da arte em matéria de História Oral, recolhendo experiências nacionais e internacionais.


Esta iniciativa reúne especialistas de diferentes unidades de investigação e visa incorporar conhecimentos e práticas de outras áreas, designadamente da comunicação social, procurando ainda abordar os desafios que a História Oral - Wikipédia suscita nos âmbitos arquivístico e dos direitos de autor.








Programa, Cartaz, Inscrições, em http://www.fmsoares.pt/




Posted in No Mundo dos Museus

Em busca do infinito-pessoal perdi-me em Sintra ...



entranhei-me no Lawrence's , e fiquei AQUI a peregrinar "" no lugar em que Lord Byron foi um dos seus hóspedes famosos, durante um Verão onda consta ter escrito parte do poema «Childe Harold’s Pilgrimage», com algumas estrofes dedicadas a Sintra. O poeta romântico viu o Glorious Eden, num encantamento igualmente experimentado por Bulhão Pato, Camilo, Herculano, Oliveira Martins ou Ramalho Ortigão. O "variado labirinto de montes e vales" que inflamou o romantismo de Byron, e que Eça descreveu com a mesma paixão, através do olhar de uma personagem de Os Maias: "... E de ali olhava a rica vastidão de arvoredo cerrado, a que só se vêem os cimos redondos, vestindo o declive da Serra como o musgo veste um muro.". Com este espírito me instalei por uns momentos no Lawrence's – onde tudo cheira a história e literatura – o mais antigo hotel da Península lbérica e uma das mais antigas hospedarias da Europa, que tem o privilégio de usufruir essa paisagem única, justamente considerada património da humanidade, e de partilhar sentimentos com alguns dos maiores vultos da cultura dos séculos XIX a XX. Passaram por ali rainhas e chefes de Estado. Ali se deleitou William Beckford. Ninguém pode ficar indiferente perante tal beleza, nem esconder a sensação que ela desperta. E, nesse espaço fascinante, ainda há oportunidade para fruir outros prazeres, designadamente os da boa mesa. Cabe convocar Júlio César Machado ("Machadinho", "Le Petit Machado", "Literato Janota" ou "Folhetimfex Maximus", como lhe apelidou Ramalho), quiçá o mais afamado folhetinista da Lisboa dos finais do século XIX, que confessava: "... Quando quero supor-me em Londres por alguns dias, vou simplesmente para o hotel Lawrence, em Sintra (...). Quando em qualquer terra houver seis hospedarias, e uma delas for inglesa, há-de ser esta onde mais se coma, onde se bebe melhor, onde haja um criado mais activo, a onde mais se conserva o respeito pelo confortable!..."".



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segunda-feira, 19 de novembro de 2007


A única teofania possível da época
contemporânea
é o corpo desvelado.
Os que estão nos templos
em frente às imagens
e os que estão nos computadores
em frente aos écrãs


aguardam todos pela aparição dos
mesmos deuses,

a revelação da carne.

A carne transfigurada pela fantasia
é a própria visitação do espírito ao

mundo.

Eu quero a tua carne, exposta,
crucificada,
cruzamento da eternidade
com o tempo.




Poema
de Vitor Oliveira Jorge
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domingo, 18 de novembro de 2007


Estava, agora mesmo, a ligar-te ... _________________________________________




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sábado, 17 de novembro de 2007

“E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros. E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.”


Haruki Murakami

in 'Kafka à Beira-Mar'



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MUSEU DO POBO GALEGO


Segundo foro do Instituto de Estudos das Identidades

Nesta ocasión o tema é Inmigración, Cidadanía e Identidade.

Pódese acceder a el desde o noso sitio www.museodopobo.es ou directamente no enlace
http://foro.imaxin.com/ .

En canto rexistrados no primeiro foro non necesitades facelo de novo, e podedes acceder co mesmo nome de usuario e contrasinal do foro anterior.

Por favor, espallade a existencia do foro entre aqueles que poidan estar interesados en participar no mesmo, co fin de acadar a maior participación posible nesta fase virtual.

Oportunamente informaremos da celebración da sesión presencial, prevista para o 12 de decembro.





Materiais para o debate :

Representación criminóxena do inmigrante
José Luis Alba Robles

Galicia: de pobo emigrante a espazo de acollida
Xosé Luis Barreiro Rivas

Inmigración e identidade en Galicia
Miguel Anxo Santos Rego

A inmigración en Galicia. Patróns demográficos e identitarios
Antonio Izquierdo Escribano

Muller, inmigración e identidade
Gema Martín Muñoz


quinta-feira, 15 de novembro de 2007


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?




" Traduzir-se " de Ferreira Gullar


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terça-feira, 13 de novembro de 2007

Pintura, "Great Wall" de Zhang Lin Hai



"Fist Power" Oil Paintings . Zhao Fang



tai chi chuan chinois, équilibre et rapidité, force souplesse, énergie yin et yang . . .






domingo, 11 de novembro de 2007


Morning
Edward Grieg



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Colhidas, neste verão, num jardim de boa memória.
E ... falámos dela e dos " Brincos de princesa "






Demoradamente
A regar afectos ...





















Comuns._______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
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quarta-feira, 7 de novembro de 2007

En(luto)-me

in www.aca-m.org
anscrevo excerto deste texto remarcável, não assinado. Impressionou-me tanto esta tragédia ... )


"Uma tragédia à espera de acontecer"


Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Chico Buarque de Holanda


Frente à Estação Fluvial do Terreiro do Paço, deu-se há (...) dias um
atropelamento trágico e revoltante.
Três pessoas foram varridas por uma automobilista
que fazia o que muitos
outros fazem, todos os dias, em muitos locais de Lisboa: circulava em
excesso de velocidade.
Aparentemente, não acusava álcool no sangue, nem
traço de drogas.
O carro descontrolou-se, porque talvez ela se tenha
distraído por um momento: acendia um cigarro, ligava o rádio, mudava o
CD.
Ou talvez viesse simplesmente a falar ao telemóvel.
Como muitos outros (*) automobilistas fazem .
Todos os dias.
As três vítimas – Filipa, Neuza e Rufina – estavam no local errado,
à
hora errada?
Sim, porque o local está todo errado,
e porque a hora era a do fim do divertimento de uns
e do princípio do trabalho para outros.
O lusco-fusco...


(*) e eu ... também já fiz isto tudo.
Excepção para o cigarro,
já fiz isto tudo ...
É arrepiante.


terça-feira, 6 de novembro de 2007




clicar em cima do convite para ampliar


Recebi agora da minha amiga Ana (ela não assinou ... mas eu adivinhei-lhe os passos), este comentário :

"Tanta foto, tanta informação sobre museus, tantos textos...mas a informação sobre a exposição em Cascais, nada...«lapsus??» ou é mesmo esquecimento?"

Fiquei contente com a passagem sorrateira pelas folhas do caderno, e ...
para que conste, aqui fica o convite virtual ( líndissimo, a iluminar as páginas do caderno ...) para a inauguração desta exposição sobre " A vinha e o vinho em Carcavelos ", comissariada pela Ana Duarte, experiente museóloga e excelente investigadora, com quem tive o gosto de trabalhar, durante vários e inesquecíveis anos, em diversos projectos e estudos, nomeadamente o programa de musealização e de extensão cultural do Museu do Trabalho Michel Giacometti.

Deixo-vos o convite ... certa de que a visita a esta exposição será uma boa escolha. Compromissos impedem-me de abraçar a Ana, no próximo dia 9, ao fim da tarde, como gostaria ...
mas ... fica o convite para a exposição e ...
os contactos da autora :

Ana Duarte Baptista Pereira
Divisão de Museus
Câmara Municipal de Cascais
Rua do Farol - Casa de Santa Maria
2750 - Cascais
Tel. 214815383 - Ext. 4383
917484228
ana.m.pereira@cm-cascais.pt



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segunda-feira, 5 de novembro de 2007


Fotografia http://www.renes.com.pl/wystawy/Wantuch/skorowidz.html

Manufacturamos Realidades


Damos comummente às nossas ideias do desconhecido a cor das nossas noções do conhecido: se chamamos à morte um sono é porque parece um sono por fora; se chamamos à morte uma nova vida é porque parece uma coisa diferente da vida. Com pequenos mal-entendidos com a realidade construímos as crenças e as esperanças, e vivemos das côdeas a que chamamos bolos, como as crianças pobres que brincam a ser felizes. Mas assim é toda a vida; assim, pelo menos, é aquele sistema de vida particular a que no geral se chama civilização. A civilização consiste em dar a qualquer coisa um nome que lhe não compete, e depois sonhar sobre o resultado. E realmente o nome falso e o sonho verdadeiro criam uma nova realidade. O objecto torna-se realmente outro, porque o tornámos outro. Manufacturamos realidades. A matéria-prima continua a ser a mesma, mas a forma, que a arte lhe deu, afasta-a efectivamente de continuar sendo a mesma. Uma mesa de pinho é pinho mas também é mesa. Sentamo-nos à mesa e não ao pinho. Um amor é um instinto sexual, porém não amamos com o instinto sexual, mas com a pressuposição de outro sentimento. E essa pressuposição é, com efeito, já outro sentimento.



Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'


Mais Reflexões deste Autor

fotografia Ira Bordo


Zôo

Ferida pela beleza,
acre cheio de zoológico,
eu vou morrer de prazer pela beleza.


(Possuem todas as folhas
minhas línguas verdes,
e carregada de imagens
bebo no silêncio as ausências todas
com o coração cheio de dardos).


Faz a guerra do amor, monstro sereno,
que do futuro me lembro vagamente


Poema de Olga Savary

sábado, 3 de novembro de 2007


Salzburg 2007 - Fotografia Frioleiras
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Ígneo desejo audaz, que em mim sustento,
Mancha o puro candor das mãos mimosas,
Os olhos cor dos céus, a tez de rosas,
E o mais, onde a ventura é um momento.


(...)


in «Obra Completa Volume I * Sonetos»,
Ed. Caixotim (extracto Soneto 9)
Bocage









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sexta-feira, 2 de novembro de 2007


Fotografias de Don Hong-Oai
in
Memórias fotográficas





Não me acordes

A noite deita-se comigo
na fenda do tempo

Os dedos do luar
penteando os cabelos do sonho

Oh, meu amor
podes passar pelo meu sonho
podes ficar no meu sonho
mas não me acordes




quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Entre Eros e Tanatos - Tudo o que somos ... neste livro que se recomenda

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" Pormenor do altar do Arco de Sant`ana, Porto " - Fotografia de Sérgio Jacques






A carnavalização da vida e da morte em, "Como Água para Chocolate":

imaginário feminino e identidade
Por Egle Pereira da Silva - eglesilva@hotmail.com



Esta reflexão toma como ponto de partida o livro "Como Água Para Chocolate", da escritora mexicana Laura Esquivel e os conceitos de carnavalização de Mikhail Bakhtin, morte de Philippe Ariès e erotismo em Bataille para questionar o papel da família e de certas tradições e costumes milenares na construção das identidades e do imaginário feminino, traçando um breve perfil da história e das festas mexicanas, como forma de identificação da cultura nacional e da própria mulher, que restrita ao espaço da cozinha tem no alimento o resgate de sua sexualidade.


http://www.cfh.ufsc.br/fazendogenero/grupos/grupos48.htm

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