terça-feira, 31 de julho de 2007

Celebro este dia de televisão ...


O Extremo Poder dos Símbolos
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O extremo poder dos símbolos reside em que eles, além de concentrarem maior energia que o espectáculo difuso do acontecimento real, possuem a força expansiva suficiente para captar tão vasto espaço da realidade que a significação a extrair deles ganha a riqueza múltipla e multiplicadora da ambiguidade. Mover-se nos terrenos dos símbolos, com a devida atenção à subtileza e a certo rigor que pertence à imaginação de qualidade alta, é o que distingue o grande intérprete do pequeno movimentador de correntes de ar.
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Herberto Helder, in 'Photomaton & Vox'

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
-Temos um talento doloroso e obscuro.
construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

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Herberto Helder, Aos amigos
(...)
foi sobre as dunas a exaltação.
Não ouças o rouxinol.
Ou a cotovia.
É dentro de ti
que toda a música é ave.

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"Encosta-te a mim" (extracto)
Eugénio de Andrade

O meu preferido ...


ETERNO
suspenso no tempo ...

domingo, 29 de julho de 2007


A ouvir Summertime - Ella Fitzgerald & Louis Armstrong. __________ A re(ler) Philip Roth " Todo-o-Mundo"



desenhador do quotidiano


Cidade Velha. Cabo-Verde.


"O Diário Gráfico como Comunicador 1

Ternura foi o que senti quando a Erica me pediu para desenhar a sua avó, a Dona Filó, que vendia fruta ali mesmo ao lado. E quando lhe disse que a avó era muito bonita, foi logo a correr dizer-lhe. "
Por portas e travessas fui dar a ESTE excelente blog de Eduardo Salavisa " Desenhador do quotidiano ", um diário gráfico de rara beleza. Um precioso caderno.
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Encantada com o traço, a figuração e ... as temáticas. Estes desenhos, para além de arte, são um valioso registo. Um acervo documental das coisas de todos os dias, que os dias engolem. Uma espécie de Etno(grafismo) do olhar. De um certo olhar ...

segunda-feira, 23 de julho de 2007

O dia estava enevoado mas, ainda assim, avistava-se lá ao longe o pinheiro que assinala o sítio da antiga aldeia. O lugar das memórias submersas ... que o novo museu evoca (ou que vai evocando ... através das multiplas histórias que ecoam dos lugares escondidos na paisagem alagada, dos gestos sedimentados nos corpos, das memórias que se desprendem dos objectos semi adormecidos, dos enigmáticos sentidos das falas e ... dos longos silêncios. )


Numa paisagem de xisto e lonjuras, o edifício - museu, belíssima peça de arquitectura contemporânea, emerge discretamente do chão, assumindo as cores e texturas do lugar, num silêncio que perscruta a paisagem e nos impele a espreitar o tempo, através de fendas e janelas que descortinam alvos estratégicos no território.



Hoje no Museu da Luz ...






A nova aldeia da luz ... branca, arrumada, silenciosa.
Muito silenciosa.
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Tão silenciosa, que quase se sente o restolhar dos corpos a tactear o novo ...
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O (novo) museu, paredes meias com a (nova) igreja, cava na profundidade das memórias, os sentidos e sentimentos que as águas sepultaram. Tudo aqui é lento ... tudo aqui é denso.
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Tudo aqui é frágil.
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Apetece voltar ... em dia de sol.
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"Ouve-me, ouve o silêncio. O que te falo nunca é o que eu te falo, e sim outra coisa. Capta essa coisa que me escapa e no entanto vivo dela e estou à tona de brilhante escuridão."
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(Clarice Lispector. Água Viva. São Paulo: Círculo do Livro, 1973, p. 14).










Ans Markus

Sem Título e Bastante Breve

Tenho o olhar preso aos ângulos escuros da casa
tento descobrir um cruzar de linhas misteriosas, e
com elas quero construir um templo em forma de ilha
ou de mãos disponíveis para o amor...
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na verdade, estou derrubado
sobre a mesa em fórmica suja duma taberna verde,
não sei onde
procuro as aves recolhidas na tontura da noite
embriagado entrelaço os dedos
possuo os insectos duros como unhas dilacerando
os rostos brancos das casas abandonadas, á beira mar...
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dizem que ao possuir tudo isto
poderia ter sido um homem feliz, que tem por defeito
interrogar-se acerca da melancolia das mãos...
...esta memória lamina incansável
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um cigarro
outro cigarro vai certamente acalmar-me....
que sei eu sobre as tempestades do sangue?
E da água?
no fundo, só amo o lodo escondido das ilhas...
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amanheço dolorosamente, escrevo aquilo que posso
estou imóvel, a luz atravessa-me como um sismo
hoje, vou correr à velocidade da minha solidão

Al Berto

sábado, 21 de julho de 2007



http://www.photosight.ru/photo.php?photoid=2119354&ref=author








Abrigo-me de ti
de mim não sei
há dias em que fujo
e que me evado
há horas em que a raiva
não sequei
nem a inveja rasguei
ou a desfaço
Há dias em que nego
e outros onde nasço
há dias só de fogo
e outros tão rasgados
Aqueles onde habito com tantos
dias vagos.

sexta-feira, 20 de julho de 2007





A Casa Colombo-Museu do Porto Santo pretende vir a constituir-se como estrutura sede de um conjunto referencial mais vasto, um museu polinuclear, na identificação da história do Porto Santo.
Afirma-se como espaço de reconhecimento da posição estratégica do Porto Santo no contexto da expansão portuguesa. Propõe ainda áreas dedicadas à presença de Cristóvão Colombo no arquipélago da Madeira e à sua importância na preparação das grandes viagens, até ao descobrimento da América. Cristovão Colombo casara com a filha do primeiro Capitão Donatário do Porto Santo, Bartolomeu Perestrelo.
Uma terceira área expositiva evoca o afundamento, junto à costa norte da ilha do Porto Santo, do galeão Sloot ter Hooge, pertencente à Companhia das Índias Holandesas (V.O.C.), a caminho de Batávia, actual Jacarta, na Indonésia. Estas três áreas temáticas recordam a sucessão de três das maiores potências no comércio mundial: Portugal, Espanha e Holanda.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

+ de 60% a ver navios. Ai de ti, Lisboa ...


Falas de civilização...
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Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!
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Alberto Caeiro
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e a propósito dos " tiques partidários" ... estou em total sintonia com o murcon

sábado, 14 de julho de 2007

Fotografia João Victor
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Fonte
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« ( ... )
Quando no campo
se procurava o trevo, ou em silêncio
se esperava a noite,
ou se ouvia algures na paz da terra
o urdir do tempo
cada um pensava na fonte. Era um manar
secreto e pacífico.
Uma coisa milagrosa que acontecia
ocultamente.
(...) »

Herberto Helder
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Fonte (excerto), in A COLHER NA BOCA, Poesia Toda I. I - Revista «Búzio», nº1 (e único), Funchal, 1956.

terça-feira, 10 de julho de 2007







Amor dos Fogos


.....vêm sôfregos os peixes da madrugada
beber o marítimo veneno das grandes travessias
trazem nas escamas a primavera sombria do mar
largam minúsculos cristais de areia junto à boca
e partem quando desperto no tecido húmido dos sonhos
.... vem deitar-te comigo no feno dos romances
para que a manhã não solte o ciúme
e de novo nos obrigue a fugir
........ vem estender-te onde os dedos são aves sobre o peito
esquece os maus momentos a falta de notícias a preguiça
ergue-te e regressa
para olharmos a geada dos astros deslizar nas vidraças
e os pássaros debicam o outono no sumo das amoras
........ iremos pelos campos
à procura do silente lume das cassiopeias ...


Al Berto
Fotografia lilyacorneli


Salomé

Insónia roxa. A luz a virgular-se em medo,
Luz morta de luar, mais Alma do que lua...
Ela dança, ela range. A carne, álcool de nua,
Alastra-se para mim num espasmo de segredo...
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Tudo é capricho ao seu redor, em sombras fátuas...
O aroma endoideceu, upou-se em cor, quebrou...
Tenho frio... Alabastro! A minha´alma parou...
E o seu corpo resvala a projectar estátuas...
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Ela chama-me em Íris. Nimba-se a perder-me,
Golfa-me os seios nus, ecoa-me em quebranto...
Timbres, elmos, punhais... A doida quer morrer-me:
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Mordoura-se a chorar - há sexos no seu pranto...
Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me
Na boca imperial que humanizou um Santo...


Lisboa 1913 - novembro 3.
Mário de Sá-Carneiro

Poemas Completos
Edição Fernando Cabral Martins
Assírio & Alvim
2001

Amazing Chinese Opera Theatre (Wuzhen Xizha)
Beautiful theatre building in one "water town" called Wuzhen, Zhejiang, China.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Recomendo este livro. O autor viaja para a china desde os 16 anos ...




www.greenchina.eu

Conheço o Carlos Frescata desde os tempos de escola. Admiro o seu arrojo, imaginação e brilhantismo intelectual. Ecologista militante, não é homem de verdades feitas mas de consistentes dúvidas e profundos questionamentos. Incomoda por nunca se acomodar.

Admiro a entrega de anos de vida a uma investigação activa, inovadora e participada. Admiro a paixão com que nos fala daquilo em que acredita, do que faz, do que estuda, do que observa, do que a cada passo o surpreende, de tudo o que alimenta a sua irrequieta curiosidade. Admiro a forma como faz de tudo isso um meio de vida, transformando criativamente ideias em projectos.

Surpreende-nos ... instiga-nos a reflectir. Envolve-nos ...

Podemos passar horas esquecidas a conversar com o Frescata.

As inúmeras " estórias " que tem para nos contar levam-nos inevitavelmente à imensa, distante e antiquíssima China, para onde viaja desde a adolescência e que faz sempre questão de dizer que não conhece, pela percepção que tem da sua inatingível compreensão e pela inesgotável vontade de a conhecer melhor.

Presto aqui pública homenagem ao autor e amigo e recomendo vivamente esta leitura, as ideias nela desenvolvidas em torno da sustentabilidade rural e dos projectos e alternativas daí resultantes, interessam-nos a todos. Interessam ao mundo em que vivemos. É uma visão esclarecida sobre a China e o mundo em mudança que todos ganharemos em conhecer melhor.

domingo, 8 de julho de 2007


Recorded in Paris, 1962, with Frida Bauer in piano.




em
Si primordial

Sou o último viajante – recordações do “Sud-Expresso”

Sim, sou o último viajante. Ou melhor: pertenço à última geração de viajantes. Os que se seguem a mim não viajam, são transportados. Partem de um ponto e chegam a outro, sem qualquer vontade de cederem à magia da viagem. O tempo gasto entre a partida e a chegada deve, para eles, ser o mínimo possível, o olhar inquisitorial para a paisagem na tentativa de adivinhar as lentas ou rápidas, óbvias ou subtis alterações do ordenamento do território ou da geografia humana são exames inúteis e sem interesse. A janela do comboio ou do automóvel não trazem qualquer apelo que possa superiorizar-se ao de uma contemplação do nada ou, melhor ainda, de um jogo de gameboy ou outro videojogo da moda. Quando muito a janela do avião pode merecer olhares esparsos, mas apenas para garantir a imutabilidade da vista – nem sequer a análise das formas caprichosas de cirros, estratos, cúmulos ou nimbos apresenta qualquer interesse. “Beam me up Scotty” – o transporte instantâneo – bem poderia ser o seu grito de guerra. A paisagem é sempre monótona, a viagem um inconveniente que se deve suportar para chegar ao ponto de chegada. Assim atravessam os meus filhos os vales da Lombardia, as paisagens dos Pirinéus, a Catalunha ou o “plat pays” que era o de Jacques Brel.

Mas não. Além do prazer da partida e da chegada a outros sítios, a viagem, em si, para os “últimos viajantes” é um valor, um prazer, a descoberta do lento evoluir do território e das suas gentes, a transformação do conhecido em desconhecido, a descoberta das diferenças. E as vistas e os sons criam uma geografia que não mais se esquece, que nos acompanha e tem tanta importância quanto o conhecimento que iremos adquirir do nosso destino. A viagem torna-se assim a lenta e agradável preparação para a chegada.

Para mim, por exemplo, a Espanha era o momento em que ouvia, na entrada da noite gritos de “oye Paco” a substituírem os anúncios por altifalante que me informavam que estava de passagem pela “estação de Vilar Formoso – o comboio estacionado na linha número um é o comboio “Sud-Expresso” com destino a Paris”, e o som da sineta inconfundível das estações de caminho de ferro espanholas (não por acaso comprei, aquando da celebração os 150 anos da ferrovia do “país irmão”, uma sua miniatura, que guardo religiosamente em casa,) acompanhava a minha travessia do território espanhol pela noite fora, pontuada de uma diversidade de apitos de locomotivas a vapor que me indicavam sem falhas o troço de via que estava a percorrer, ciência que a custo tinha conseguido, vencendo o sono e descobrindo, umas vezes através da janela da carruagem-cama mas outras vezes obrigando-me a sair para os gélidos cais das estações, qual o local onde estava, mesmo se obedecessem a nomes tão fora das toponímias conhecidas como são os de Medina del Campo, Miranda de Ebro, Alsasua e outros.

E se Portugal era um Tejo pouco interessante, a variedade que a Beira Alta oferecia era anunciada pela música das vendedeiras de água e arrufadas de Coimbra da estação “B” dessa cidade, onde o comboio parava, depois de igualmente ter prestado homenagem a Fátima, apelação oportunista de uma estação de Chão de Maçãs bem distante do local de peregrinação que anunciava. E se a nossa invariável presença na carruagem-restaurante nos fazia dispensar a compra das vitualhas anunciadas, a canção entoada por essas vendedeiras era uma “paisagem sonora” inesquecível (pena não poder incluir som nesta crónica, para transmitir essa toada que, quem sabe, será, em detrimento da que a religião me prescreve dizer no momento da morte, o meu último murmúrio – “ar’-fa-das deCuiim-bra e queijinhos de Alcobaaaaça” logo seguido de “Ágafr’quiiiinha!”). A Beira Alta eram as barragens, pontes e albufeiras, paisagens de rara beleza (com o comboio a passar quase pelo meio de povoações de casas de pedra) mas também um resto do trajecto numa Serra da Estrela que fazia invariavelmente o meu pai dizer que o nosso era um país árido e que era o prelúdio do jantar e, da entrada em Espanha, atravessada durante a noite e, logo, olhada da cama da carruagem-cama para onde nos recolhíamos. Era então a vez (em viagens mais tardias, com outras companhias que não a dos pais...) da emoção de uma lua cheia vista a dois pela janela ou, depois de se avistar o tempo de uma piscadela de olho o castelo iluminado de Ciudad Rodrigo, essencialmente, uma interminável linha telefónica que “subia” ou “descia” ao longo da janela do compartimento e acompanhava, poste a poste, a ferrovia, iluminada por uma intensa lua que difundia uma claridade que apenas algumas luzes esparsas – momentos mágicos – de casas isoladas interrompia por breves segundos (e cujo crescendo indicava inequivocamente a aproximação de uma cidade e de uma estação, que também a diminuição do ritmo do “dadang-dadang” dos rodados nos carris, anunciava ao reflectir sonoramente a diminuição da velocidade do comboio expresso). Do acordar, quando se tinha a rara ventura de abrir os olhos numa carruagem aquecida, cuja janela nos mostrava um Pais basco repleto de neve, nem vale a pena falar. Só quem conhece por já ter experimentado, por fazer parte do clube exclusivo dos “happy few” a quem já aconteceu fazer, em fundo de montanha coberta de neve, a travessia matinal de uma linha de montanha mas que também passa pelo bulício de uma zona com o que era então um grau de industrialização que motivava a animação dos cais repletos das estações de todos os subúrbios de Donostia, deixando entrever, apesar das velocidades modestas mas que naquele serpentear parecem vivas, aqui um riacho poluído, ali um túnel no qual se penetra com grande ruído, acolá nomes de ressonâncias mágicas de culturas longínquas como Zumarraga, Beasain, Ategorrieta, Hernani, Ikaztegieta, Legazpi, Renteria e tantas outras cuja pronúncia nos delicia, ou, infelizmente, nos vem à memória aquando de atentados de que são frequentes palco.

A entrada em França era o orgulho de viajar em comboio moderno, de carruagens prateadas, pronto a deslizar a velocidades desconhecidas na Ibéria e que faziam do “Sud-Expresso” o comboio mais rápido da Europa, logo a seguir ao ultra-famoso “Mistral” ( e mesmo primeiro em percursos de mais de 500 kms, “ex-aequo” apenas com outro nome mítico da ferrovia, o americano “Twentieth Century Limited”). A França era, também - temos que o confessar – a monotonia da floresta das “Landes” bordalesas. Mas era, antes de mais, o excelente pequeno almoço de que podíamos usufruir na carruagem-restaurante, e a minha mãe fazendo comparações impiedosas mas verdadeiras na altura entre a qualidade das frutas, dos doces e do pão franceses face aos seus congéneres ibéricos (continuou a fazê-las pela vida fora, mesmo quando já não correspondiam à verdade, provando que muitas vezes a memória dos sentidos é mais forte do que a realidade). Era ainda o re-encontro com os “croissants” (dos “croissants” nem se fala – ainda hoje poucos são os que em Portugal são feitos da massa leve dos franceses). E era por fim, depois da aridez da Serra da Estrela, o sentir da humidade da vegetação luxuriante da região basca francesa, que tinha porém dificuldade em esconder os “camping” da zona, inúmeros em França (turismo de massas oblige) mas ainda quase desconhecidos em Portugal.
Passadas as “Landes” o incessante olhar pela janela do comboio revelava estações que ocupavam imensidões, as suas linhas com material ferroviário moderno e variado oferecido ao olhar ávido do amigo dos caminhos de ferro (e mesmo, um tempo, a linha abandonada do “Aerotrain Bertin”, uma das falhadas aventuras mais interessantes do caminho de ferro), a incrível oportunidade de ver comboios a fazerem ultrapassagens a outros comboios e as sensações feéricas da aproximação a Paris, com os postos de agulheiros a pontuarem a chegada a “Paris Austerlitz”, indicando os kilómetros que faltavam e que ritmavam a preparação da saída para a cidade, com a descida das bagagens das bagageiras, a contagem destas e a procura ansiosa do “porteur”, chamado pela janela e que leva os “colis” ao táxi com o qual acabava a viagem.

Não, Scotty, do not beam me up. Deixa-me o prazer de me deslocar lentamente de um local a outro, absorvendo os sons, os sabores, as paisagens diversas. Que pena que eu seja o último viajante….

Mauricio Levy


quarta-feira, 4 de julho de 2007

No ponto mais ocidental da Europa ...


Apresentação UNESCO
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As Culturas
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As crenças
Os dizeres
Os jeitos e os trejeitos
Os modos de viver e fazer, de lá e de cá.
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um leito comum ...
de " estórias " e memórias
que nos trazem juntos
muito para além da História,
muito para além da razão.
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Coisas do espírito e da paixão ...
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Muito para além das margens.
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Uma língua navegável ?
Um valor excepcional ...

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Povo que canta não pode morrer...

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